Como é voar Edelweiss Air

Comprei uma passagem na modalidade open jawno site da Lufthansa (Rio-Veneza e Atenas-Rio), mas vi que a volta seria operada pela Swiss, no entanto, apenas o trecho Atenas-Zurique foi realizado pela companhia principal, pois o trecho Zurique-Rio foi realizado pela Edelweiss Air, para minha surpresa. A companhia Suíça iniciou os voos para o Brasil em abril de 2016 e voei em maio.
 

O que não gostei: não foi possível escolher assento no checkin online, que é desesperador, pois só opto pelo corredor (levanto para ir ao banheiro toda hora). Observei no mapa de assentos que colocaram todos os passageiros juntinhos! Fui ansiosa para o aeroporto de Atenas, acontece que o atendente no balcão da Swiss não conseguiu fazer qualquer modificação.

Antes de embarcar, em Zurique, perguntei ao funcionário se seria possível modificar o assento, mas me comunicou que o voo estava vazio, que poderia escolher onde ficar. Imagine se estivesse cheio? Ficaria furiosa por não poder escolher onde sentar. Por sorte, o voo estava muito vazio, devia ter umas 20 pessoas, e vim deitada em 4 bancos.
 
Outro ponto negativo: a bebida alcoólica é paga. Na minha opinião, se você pagou um voo internacional da Swiss, o que é oferecido pela companhia principal deveria ser oferecido para quem voa na afiliada.
Do que mais gostei: a aeronave era novinha (um Airbus A330-300). As comissárias eram muito simpáticas. A comida era muito boa. Achei o serviço melhor que o oferecido pela Lufthansa e Swiss. A flor que dá o nome à companhia, a edelvais, está na cauda da aeronave, nas almofadas vermelhas, na proteção dos talheres.


2 dias em Atenas

Deixei Atenas como destino final, após visitar as duas ilhas mais famosas da Grécia (Mykonos e Santorini). O voo de Mykonos até Atenas, com a bagagem, custou 47 euros e foi comprado no site da Aegean

Vista de Acrópole desde o Museu de Acrópole


No dia anterior, avisamos ao hotel, que estávamos hospedados em Mykonos, sobre o horário do voo, pois o transfer era gratuito. Por volta das 9:30h saímos do hotel e chegamos no aeroporto em 15 minutos. O aeroporto é bem pequeno e o próprio passageiro despacha a bagagem. Um único policial faz o controle dos passaportes. Após 4 dias de sol, uma chuvinha começou a cair. O voo partiu às 11:50 e chegaria a Atenas 12:25.

Parthenon

Uma das minhas principais preocupações é como sair do aeroporto, de preferência opto pela forma mais econômica. E previamente aviso que o aeroporto de Atenas fica muito longe da cidade, mais de 1 hora. É provável que uma corrida de táxi seja bem cara.

Pegamos o ônibus X95 (seguir a sinalização até o ônibus) que deixa na Praça Syntagma (ponto final, mas tem outras paradas antes) por 6 euros. Funciona 24 horas! O bilhete é comprado no guichê na saída do aeroporto e o ônibus fica estacionado na frente (prestar atenção porque existem outras linhas). O bilhete deve ser validado numa máquina dentro do ônibus.  http://athensairportbus.com/en/timetable/x95airporttoathensdowntown.html

Tinha anotado, no meu roteiro, uma segunda opção para sair do aeroporto (é sempre bom ter o plano b): pegar o metrô da linha azul (8 euros), que funciona de 6h30 às 23h30, e descer na estação Syntagma.

 

Mesmo num sábado (supostamente com menos trânsito), o ônibus demorou cerca de 1:30h para chegar no ponto final. Assim que desci, observei que naquela região deve ocorrer alguns golpes. Tinha algumas pessoas aguardando para “ajudar” turistas perdidos. Peguei o mapa para me localizar. Victor abriu o google maps, já que o hotel ficava a uns 600 metros da praça, e seguimos caminhando com as malas.

O hotel ficava no bairro mais turístico de Atenas, Plaka. Não ficaria em outro lugar! No caminho, dentro do ônibus, observei que a cidade é feia, mas o bairro de Plaka é lindo, perto de todas as atrações (não precisará de transporte), fica próximo de bares muito bem decorados.

Em comparação com as ilhas, as diárias dos hotéis em Atenas são caras. Escolhi um hotel de rede, mas enquanto passei o link para o meu amigo ver, já tinha ficado indisponível. Pelo mesmo valor, fiquei em um hotel que era bem localizado, embora fosse bem antigo, chamado “Hotel Nefeli“. Parecia um hotel familiar e fomos recebidos por uma senhora, que falava bem inglês, mas não era tão cordial. Tinha elevador. Chegamos no quarto e encontramos apenas uma toalha, mas logo outra foi levada, ao solicitarmos. É um hotel antigo, mas dá para ficar por uma noite e dois dias. Tinha wi-fi e café da manhã. 

O quarto tem janela pra uma árvore e tem tv lcd

Quando fui entregar a chave (tem que ficar na portaria) a senhora achou que eu tinha pego uma borracha (inacreditável) que ficava no chaveiro. Disse que não tinha nada quando pegamos. Aí ficou falando sozinha e me deu razão.
Seguimos caminhando até o Museu de Acrópole (http://www.theacropolismuseum.gr/en/content/hours-and-ticketing), que deve ser visitado preferencialmente antes da Acrópole, pois existem várias explicações sobre o sítio. No caminho, entramos num restaurante, aleatoriamente, chamado “Scholarchio Ouzeri Kouklis“. Comi uma lula maravilhosa ao vinho e Victor pediu moussaka.

Lula e Moussaka


Cariátides (moças da cidade de Karyai). Eram figuras femininas que serviam de sustentação para uma construção

O Museu de Acrópole foi fundado em 2009 e seu acervo é constituído basicamente pelos objetos encontrados nas rochas sagradas e no seu sopé. Fica situado no bairro de Makryianni, a 300 metros do sul da Acrópole. O museu é dividido em 3 níveis (galeria de Acrópole, galeria arcaica, galeria do Parthernon), além do térreo. 

Piso transparente na entrada para ver os resquícios arqueológicos

O tíquete custa 5 euros e o museu fica aberto entre 8h e 20h. Algumas áreas podem ser fotografadas (os seguranças vão te alertar) numa mesma sala e outras não, que me deixou um pouco confusa. O museu tem uma arquitetura imponente e usa pisos transparentes, na entrada da construção, para deixar evidente os resquícios arqueológicos. Muitos objetos de Acrópole estão no museu. É uma visita obrigatória. A lojinha do museu também tem muitos objetos com bons preços.

Escultura da Deusa Atena feita por Fídias

Na frente do museu fica a entrada de Acrópole, que é classificada pela Unesco como um patrimônio histórico e cultural. Chegamos lá por volta das 17h e fechava às 18h. Sem muito templo para refletir, acho que cometi um erro ao comprar o ingresso apenas para o sítio arqueológico de Acrópole, por 20 euros (achei caro http://odysseus.culture.gr/h/3/eh355.jsp?obj_id=2384), pois por 30 euros você compra um combo, válido por 5 dias, para visitar: Acropolis of Athens, Ancient Agora of Athens, Archaeological Museum of Kerameikos, Archaeological Site of Lykeion, Hadrian’s Library, Kerameikos, Museum of the Ancient Agora, North slope of Acropolis, Olympieio, Roman Agora of Athens, South Slope of Acropolis. Só tinha mais 1 dia, o domingo, e não sabia se conseguiria visitar todos os pontos turísticos, mas cada sítio tem o valor de 6 euros, então é sempre válido comprar o combo.

Subimos as escadarias esbaforidos, pois não queríamos perder tempo e nos encantamos pela paisagem deslumbrante dos templos e construções de Acrópole: Parthenon, Templo Athena Nike, Erechtheion, Propylaea, Teatro de Dionísio, Teatro de Herod Atticus. O sol estava brilhando e devia fazer uns 35 graus em maio! 

  


O Parthenon (Partenon) foi construído pelos arquitetos Iktinos e Kallikrates sob supervisão do escultor Fídias. A principal função do templo era para abrigar a estátua monumental da Deusa Atena (deusa da civilização, sabedoria, artes, justiça, habilidade), que foi feita por Fídias em ouro e marfim. 

É um templo da ordem dórica com 8 colunas na fachada, além de observar a proporção 9:4. O aposento era excepcionalmente grande para acomodar a estátua de grande dimensão da Deusa Atena, que ficava na varanda da frente. Alguns elementos da ordem jônica foram adicionados à construção. É relevante ressaltar que os templos gregos foram projetados para uma visão do exterior, nunca do interior, mas o Partenon foi construído para permitir uma leve transição entre o interior e o exterior.

 
O templo Erechtheion não era o mais impressionante da Acrópole, posição ocupada pelo Parthenon, mas tinha uma estrutura complexa. Foi construído para acomodar os rituais religiosos e apresentava um santuário sagrado para Poseidon e Hefesto, entre outros elementos arquitetônicos. O templo conta, na sua entrada, com 6 colunas da ordem jônica. Tem duas varandas, sendo que o canto sudoeste tem o apoio das famosas Cariátides (moças da cidade de Karyai) figuras femininas que serviam de sustentação para uma construção. As colunas são réplicas, já que as originais estão no Museu de Acrópole. Durante escavações foram encontradas várias estátuas Kore (estátua feminina em pé, a versão masculina é denominada “kouros”), que estão expostas no museu.

Erechtheion

Meu relógio marca sempre o horário do Rio


Na segunda metade do século V a.C., Atenas, após a vitória contra os persas e o estabelecimento da democracia, tomou uma posição de liderança entre as outras cidades-estados do mundo antigo. Na era que se seguiu, a arte floresceu, um grupo excepcional de artistas colocaram em prática os planos ambiciosos do estadista ateniense Péricles e, sob a orientação inspirada do escultor Fídias, transformou a colina rochosa em um monumento único do pensamento e das artes. Os monumentos mais importantes foram construídos durante esse tempo: o Parthenon, construído por Ictinus, o Erechtheon, o Propylaea, a entrada monumental da Acrópole, projetada por Mnesicles e o pequeno templo de Athena Nike.

 

Herodeon: The Odeon of Herodes Atticus.

No dia seguinte, após o café da manhã, seguimos caminhando até o Arco de Adriano, depois entramos no Templo de Zeus Olímpico (6 euros). Caminhamos até o Zappeion, onde estavam montando um concerto nos arredores. Entramos no “National Gardens“, que é um belo espaço com muito verde e árvores, onde os gregos se exercitavam pela manhã e idosos jogavam jogos de tabuleiro. 

O Arco de Adriano foi erguido em honra do imperador romano Adriano no segundo século d.C. (provavelmente um pouco antes de 131/132 d.C., quando visitou Atenas). O monumento foi construído sobre uma antiga estrada que ligava a área da Acrópole e Ágora ateniense ao Templo de Zeus Olímpico. Há uma inscrição no lado ocidental (de frente para a Acrópole) do arco que afirma: Esta é Atenas, Cidade de Teseu, e do lado oriental do arco (de frente para Templo de Zeus) afirma: “Esta é a cidade de Adriano, e não da Teseu.” Teseu foi o grande herói ateniense, segundo a mitologia grega.

O Arco de Adriano
O Arco de Adriano

O templo de Zeus Olímpico constituído por ruínas colossais é dedicado a Zeus, deus dos deuses do Olimpo. A construção iniciou no século 6 a.C. e seria o maior templo já edificado, mas só foi terminado durante o reinado de Adriano, século 2 d.C. Foi o maior templo da Gcia e abrigava as maiores estátuas de culto do mundo antigo. Sua glória teve um curto tempo de duração, pois deixou de ser usado a partir da invasão bárbara. Após a queda do Império Romano, o material do templo foi utilizado para construir vários outros projetos, no entanto, como parte substancial ainda permanece em pé, continua sendo uma atração turística na cidade.

Templo de Zeus Olímpico

O “National Gardens” ou “Jardim Real” está localizado no centro de Atenas, logo atrás do Parlamento grego, e ao sul do Zappeion e fica a uma curta caminhada do Estádio Olímpico (inclusive um cambista me abordou algumas vezes, perguntando se queria ingresso para um jogo). O jardim foi encomendado pela Rainha Amalia em 1838 e entregue em 1840. 

 
Tem tram na porta

National Gardens

O Zappeion foi construído para receber os Jogos Olímpicos do mundo moderno em 1869. Abrigou naqueles jogos a principal sala de esgrima. O nome do prédio faz referência ao filantropo Evangelos Zappas, que patrocinou 4 jogos olímpicos. Hoje o prédio é utilizado como centro de exibição e para conferências.

Zappeion

Todos os pontos turísticos ficam próximos em Atenas

Seguimos caminhando até a Praça Monastikari, que tem um incrível mercado de pulgas “Flea Market Monastikari“, que merece ser percorrido e apreciado. Muitas pessoas locais se divertiam na feira que seguia até o outro bairro. Uma ótima opção para observar a arquitetura local e costumes.   

É importante estar no local certo no dia certo. Embora o bairro Monastikari seja um centro comercial, o mercado de pulgas só acontece aos domingos, quando estive por lá. Nos outros dias a região pode ser visitada, mas as lojas são convencionais, sem os tapetes e mesas colocados nas calçadas e ruas com antiguidades e badulaques geniais.
 

Uma Igreja Ortodoxa Grega


 

Tower of the winds


 
A oferta de restaurantes é muito grande, mas tínhamos gostado do restaurante do dia anterior e observamos uma promoção (num folder em português): 30 euros para duas pessoas, incluindo 5 pratos, bebida, pão, água e sobremesa. Tivemos um sério problema (a gentileza no atendimento não parece ser um ponto forte em Atenas), pois o garçom (um bigodudo alto) não queria apresentar o menu (em papel)! Disse pra escolher os pratos que ele tinha numa grande bandeja, pois, segundo ele, no menu tinha os mesmos. Discuti e disse que não (estive no restaurante no dia anterior, portanto, sabia com convicção), pois não estava vendo polvo, lula, moussaka. Ele gritou comigo! Disse que não confiava na palavra dele. Meu amigo queria sair, mas continuei esperando o menu, que chegou. Péssimo atendimento. A comida, por outro lado, estava excelente! Comi moussaka (prato típico feito com batata, carneiro, berinjela, cebola), lula frita, salada grega.

Salada grega
Moussaka
Lula
A sobremesa era deliciosa, um bolo de laranja muito molhado.


Estivemos na Praça Syntagma, compramos o tíquete do ônibus para o aeroporto. Já anoitecendo, caminhamos pela Rua Ermou, que é bastante comercial, mas no domingo as lojas estavam fechadas, contudo, muitas pessoas passeavam por lá. Queria ir a um supermercado comprar queijo feta e não consegui. 

Praça Syntagma e a bilheteria do ônibus para o aeroporto ao lado
Rua Ermou

Nosso voo sairia 6:30h, mas decidimos deixar o hotel às 2h, para termos bastante tempo, pois não sabíamos se o ônibus seria pontual. As ruas estavam muito escuras, mas seguimos tranquilos. Não demorou 2 minutos para o ônibus chegar.

Plaka é um bairro muito interessante para o turista, tem muitas lojas de souvenir (azeitonas, azeites, etc), arte urbana, muitos restaurantes. E é possível ir a qualquer ponto turístico caminhando.  

As ruas, restaurantes e lojas

 
 
 

Arte Urbana

 

Sala VIP Aspire Lounge – Zurich

Desde o início de 2015, o cartão Mastercard Black está associado ao programa “Lounge Key“, que permite o ingresso em diversas salas VIP pelo mundo (mais de 500 salas). Basta acessar o site e verificar se tem alguma sala no seu terminal de embarque (alguns bancos exigem o pagamento de uma taxa de utilização).

 
É, sem dúvida, a melhor sala que já visitei até hoje. O atendimento pode ser classificado como excelente. Em princípio, teria uma conexão de 6 horas em Zurique, que me deixou animada, pois teria tempo suficiente para conhecer o centro da cidade, que é alcançado em 15 minutos de trem. Infelizmente, o voo da Swiss teve problemas em Atenas e decolou com 2 horas de atraso. Antecipadamente, já tinha localizado 2 salas possíveis para o caso de algum imprevisto.




Assim que saímos da aeronave, decidimos não arriscar – saindo do aeroporto com apenas 4 horas. Avistamos uma placa “Aspire Lounge” e entramos. Entreguei o cartão e atendente perguntou se sabia o horário e terminal do meu próximo voo. Ainda não tinha a informação nos terminais, tampouco na passagem. Meu cartão já tinha passado, mas, para elucidar sua dúvida, foi confirmar o horário e viu que deveríamos estar em outro terminal. Cancelou minha entrada e disse que deveríamos seguir para a outra sala, já que perderíamos 30 minutos no percurso.


Teríamos longas horas na sala. Chegamos ainda no período de café da manhã com opção de pães e queijos. Máquina de café e frutas. Pouco depois o cenário mudou para o almoço. E todas as opções eram excelentes! Tinha uma sopa maravilhosa de abóbora com gengibre. Tinha penne ao ratatouille, hambúrguer. Para beber encontramos diversas opções: água, refrigerante, suco natural, máquina de café, cerveja, vinho, etc.




Os ambientes eram bem decorados. Ao lado de todas as cadeiras e sofás haviam carregadores. Também tinha uma bancada para utilizar o laptop. Apesar do frio, há uma área externa que tem vista para a pista de decolagem.



 

Delos, berço de Apolo e Ártemis

Um passeio imperdível para quem está em Mykonos é navegar até a mítica Ilha de Delos, local onde viveram os irmãos Apolo e Ártemis, segundo a mitologia grega. É importante ressaltar que Delos é designada como Patrimônio Mundial pela Unesco e foi considerada “a mais sagrada de todas as ilhas”.


Leto foi engravidada por Zeus nessa ilhota árida, e, fugindo a vingança de Hera, deu à luz Apolo e Àrtemis depois de um parto difícil. De acordo com um hino homérico, a ilha, que até então tinha sido flutuante, tornou-se ancorada no chão do oceano. 
No dia em que chegamos em Mykonos, passamos pelo Antigo Porto e verificamos a hora de partida do passeio (10h) e o valor (20 euros). No dia seguinte, acordamos, tomamos café no hotel e quando olhamos o relógio já passava das 9:30. Descemos as vielas esbaforidos e corremos até o porto. O relógio marcava 2 minutos para as 10h. Compramos o ingresso e entramos no barco.


Tinha a opção de seguir a viagem no primeiro ou no segundo andar. Subimos a escada e nos deparamos com uma embarcação lotada. O sol brilhava e me arrependi amargamente de ter colocado uma t-shirt e não uma camiseta. Eu e Victor nos divertimos bastante ao acompanhar a saga de um solo traveler, tentando tirar as melhores “selfies”. Depois fiquei pensando que também viajo sozinha em algumas ocasiões e o autorretrato pode parecer patético para quem está de fora, mas não sobra outra opção (risos).

Antes de chegar na Grécia, li alguns relatos sobre a travessia em barcos pequenos – que demoravam quase 1 hora para chegar no destino. Não sei se foi sorte, mas o barco era bom e grande. O percurso foi muito rápido, não deve ter levado 30 minutos. Na saída fomos avisados sobre os 2 horários possíveis para o retorno: 13:30h e 15h.

Todos caminham para o guichê que vende a entrada do sítio arqueológico, custa 12 euros. Recebemos o mapa com a localização dos templos e esculturas.


Como descrito no folder entregue na ilha, Delos sempre causa espanto ao compararmos seu tamanho com o da sua história. Apesar de uma pequena ilha, rochosa, com menos de 5 km de comprimento, para o grego clássico foi um dos lugares mais sagrados, porque Apolo e Ártemis, duas das divindades mais importantes do panteão grego, nasceram aqui. Está situada no coração do Mar Egeu.

Os habitantes anteriores de Delos construíram suas casas (cerca de 2.500 a.C.) simples no topo da colina baixa Kynthos, onde poderiam facilmente inspecionar o mar e observar a chegada de inimigos.

Os 4 leões (Lions of the Naxians), símbolo de Delos.

Casa de Cleópatra
O Santuário de Apolo,estabelecido pelo menos desde o século 9 a.C,atingiu o auge de sua glória durante o período Arcaico e Clássico, quando os helênicos de todo o mundo grego ali se reuniram. Apolo, o deus da luz, harmonia e equilíbrio, e Ártemis, a deusa-lua, sua irmã gêmea.

Após 167 a.C., como resultado da declaração de Delos como um porto livre, toda a atividade comercial do Mediterrâneo oriental foi concentrada na ilha. Ricos mercadores, banqueiros e armadores de todo o mundo se estabeleceram lá, atraindo muitos construtores, artistas e artesãos, que construíram para eles casas de luxo, ricamente decoradas com afrescos e pisos de mosaico. A ilha se tornou o maior centro comercial do mundo!

Sanctuary of the Egyptian Gods
Monument of Carystius


Nas dependências da ilha, podemos encontrar várias construções incríveis, como o Santuário de Afrodite, o hipódromo, a Casa dos Golfinhos, a Casa de Dionísio, o Museu Arqueológico de Delos. Ao lado do museu existe uma lanchonete (com preços abusivos) e banheiro.

 


As escavações que começaram em 1872 – e estão ainda em curso – desenterraram o Santuário e uma boa parte da cidade helenística cosmopolita. Os monumentos que foram escavados até agora falam eloquentemente sobre a grandeza da ilha sagrada que iluminou uma civilização no passado, que foi berço da Europa. Toda a ilha é um sítio arqueológico.
É necessário tempo e disposição para apreciar cada pedaço da história de Delos. Por fim, para voltarmos no barco de 13:30h, acabamos correndo em alguns trechos e não conseguimos ver tudo.

Museu de Delos
Museu de Delos

Museu de Delos

Museu de Delos
 
 

4 dias em Mykonos

Como contado no post sobre Santorini, o transporte para Mykonos foi realizado por ferry, barco rápido. É preciso pesquisar as inúmeras companhias que operam na Grécia, para saber se fazem a rota, muitas só operam com frequência no verão. Olhei Blue Star Ferries (www.bluestarferries.com), Hellenic Seaways (www.hellenicseaways.gr), SeaJets (www.seajets.gr) e Anek Lines (www.anek.gr) e apenas 2 faziam, naquele dia, a rota Santorini-Mykonos. Optei pela Hellenic Seaways, pois saia às 11h, enquanto a SeaJeats às 10:45h. O preço foi salgado, 62 euros.

Igreja Panayia Paraportiani. Foi construída em 1425

Mykonos pertence ao conjunto de ilhas Cíclades, assim como Santorini. É uma ilha famosa por ser festiva e receber muito bem os LGBT, já que existem vários bares destinados ao público gay, seja no centro ou nas praias Paradise e Super Paradise. Disseram que em Elia beach a metade da praia é destinada aos praticantes do nudismo e a separação é feita com uma bandeira arco-íris

Ao contrário de Santorini, Mykonos tinha uma oferta menor de hotéis. E os preços eram mais caros. Recorri novamente ao tripadvisor e decidi pelo Aeolos Hotel, o segundo na classificação. No booking não tinha a opção de quarto com duas camas. Entrei no site do hotel e fiz uma consulta, no dia seguinte, me responderam dizendo que a opção buscada estava disponível, então a reserva foi feita na hora: 60 euros a diária. Há um campo para preencher os dados da chegada e horário previsto, já que no preço está incluído o transfer de ida e volta.

Assim que chegamos, um funcionário do hotel estava nos esperando: o simpático grego Mário. Entramos na van e seguimos para a hospedagem. Não demorou 15 minutos. Chegando lá, nos levaram para conhecer a instalação de um novo hotel da rede, que ficava numa rua próxima, com uma decoração mais charmosa e uma piscina linda, mas preferimos o hotel antigo. Nos levaram para um quarto com uma cama de casal e mencionei que a reserva era para 2 camas de solteiro.
O hotel

O gerente pegou o mapa e deu uma explicação pormenorizada sobre o que visitar, onde pegar táxi, como pegar ônibus. Falou sobre o aluguel de veículo. E finalmente podemos ir para o quarto. O hotel tem ótimas instalações, com piscina, computadores para os hóspedes, bar, jacuzzi. O wi-fi funcionava bem, apenas o banheiro era pequeno.
Sobre a localização, não fica no centro de Chora, mas é próximo. Se não for alugar um automóvel, considero inviável para crianças e idosos, pois a descida é relativamente tranquila, mas o retorno é quase impossível. Tentava fazer o percurso apenas 1 vez por dia. E sempre achava que morreria no final da ladeira.

Descer é preciso

Após um banho rápido, seguimos até a ladeira – caminho para o centro, que fica ao lado de um Posto Shell. Em 10 minutos cheguei no centro de Mykonos, que é um local encantador. Chora é pitoresca, com casinhas brancas, ruas de pedra, mar transparente com areia branquinha e inúmeras igrejas. São vários restaurantes, lojinhas, mercadinhos. Segui pelas vielas (só passam pedestres na maioria das ruas) até Little Venice, que é o local mais elegante da ilha, com algumas casas antigas construídas de forma precária nas margens do mar. Depois das merecidas fotos, uma subida até os moinhos de vento.

Little Venice

Moinhos

Naquele dia ventava bastante (entendi porque Mykonos é conhecida como “a ilha dos ventos”), mas estava quente. Seguindo a dica recebida no hotel, entramos no restaurante “Fish Tavern Kounelas“, que deixa o cliente escolher o peixe que vai ser assado, mas o serviço ainda não tinha começado. Comemos alguns petiscos, como o queijo feta assado, que estava delicioso.

Delicioso licor de canela

Ao lado do hotel tem um mercadinho e uma quitanda de frutas, mas preferimos caminhar uns 800 metros até um supermercado para comprar algumas coisas. Comprei suco de romã, azeitona, tzatziki, biscoito. Decidi que Mykonos seria um lugar para meu merecido repouso, já que tinha mais tempo na ilha que nas demais cidades visitadas.

No segundo dia, desci para o café da manhã às 8h e pude provar um delicioso iogurte grego com mel de Creta. O iogurte era feito lá mesmo e tinha uma textura de chantilly. O café da manhã era farto, com opção de queijo feta com azeitonas, croissants, café, bolo. Depois descemos a ladeira rumo ao antigo porto para comprar um passeio a Delos, que contarei em post apartado.


No retorno de Delos, ficamos em Chora, para evitar o sobe e desce de ladeira até o hotel. Caminhamos pelo centro (que é minúsculo) cheio de ruas estreitas e, por sorte, um encontro com o símbolo e mascote da cidade: o pelicano Petros. O animal caminhava tranquilamente entre os turistas, embora sofresse uma perseguição implacável, com direito a selfies de alguns.
Petros

Depois foi necessário fazer uma parada estratégica para comer um delicioso pita gyros no “Snack Bar”. O lanche, além de delicioso, tem a melhor relação custo-benefício para os turistas econômicos, custa 2,80 euros. Um pão pita com batata frita, tzatziki, carne de porco e salada.


Por não termos alugado um transporte, descíamos apenas uma vez para o centro e depois aproveitávamos as instalações do hotel na parte da tarde.

No terceiro dia, finalmente visitei algumas praias da ilha. As praias mais indicadas em Mykonos são: Psarou, Elia, Platis Gialos, Paraga, Paradise, Super Paradise, Ornos e Agrari. Em síntese, todas localizadas no sul da ilha.

http://www.lonelyplanet.com/maps/europe/greece/cyclades-islands/mykonos/map_of_mykonos.jpg
Mapa do Lonely Planet

Caminhei até a rodoviária (os ônibus ficam estacionados na rua, num local denominado “fabrika”) para pegar o transporte público até Platis Gialos. Os ônibus da KTEL saem de 3 localidades distintas. A passagem custa 1,80. É necessário olhar diariamente a tabela com os horários de saída e retorno dos ônibus. De “Fabrika” saem ônibus para Platis Yalos, Psarou, Ornos, Ai Yannis, Paradise.

Ponto de ônibus em fabrica
 
A praia de Platis Gialos tinha água clara e areia branca, mas bem gelada, apesar do dia quente. Como ainda era maio, a praia estava vazia, com poucos turistas. Muitas espreguiçadeiras espalhadas pela areia e bares ainda sendo remodelados para o verão.
 

Olhei o mapa e decidi caminhar de Platis Gialos até Paraga com apenas 5 minutos de caminhada. As praias são muito pequenas. Imagino que as praias realmente fiquem muito cheias no verão, pois você pode correr de uma ponta a outra em 2 minutos. Novamente segui num caminho na estrada até Paradise Beach, mais uns 6 minutos. Assim que chegamos nos assustamos com os nudistas no início da praia, mas logo nos acostumamos. Em Paradise Beach, apesar de não utilizarmos os serviços dos clubes de praia (Tropicana Beach Club, Paradise Club e Paradise Lounge), o wi-fi estava aberto. O tempo começou a fechar. Só eu entrei na água, que estava geladíssima!

Maio ainda não é verão…

Paraga Beach

Já consigo avistar Paradise Beach

Tropicana Club

Observei na foto que fiz dos horários dos ônibus que tinha um saindo de Paradise a cada hora. Ultrapassando o cercado no fim da praia, caminhei por 2 minutos e avistei um grupo de pessoas na frente de uma loja. Comprei o ingresso e aguardei o transporte.

No retorno, passei na quitanda ao lado do hotel, comprei uma suculenta fatia de melancia e degustei. Depois fiquei na jacuzzi para descansar.

No terceiro dia, decidi sair para jantar. Admito que subir a ladeira me desestimulou muito a sair a noite nos dias anteriores. A comida escolhida foi o Souvlaki, 10 euros, que é um pita gyros desconstruído. Dois espetinhos de carne de porco, batata frita, salada, tzatziki e pão pita. O restaurante Madoupas tem vista para o antigo porto e o preço é bom.


Souvlaki

Os vinhos gregos são ótimos.

No quarto dia, acordei cedo para visitar a praia de Ornos. Na verdade, queria visitar Elia, mas só tinha um horário de ônibus, que saía ao meio-dia e só retornaria às 17h. O ponto ficava na frente do hotel, mas como acordo cedo quando viajo, optei por Ornos. Uma das coisas que me chamaram atenção é que nessa praia havia sofás e espreguiçadeiras até a água, restando pouco espaço para quem não quer pagar 20 euros para se esticar. Andei até o fim da praia, onde ainda existem 4 casas. Ali na frente a maioria dos turistas repousavam sobre suas toalhas.

Uma casa de frente pra praia.

No retorno, ainda cogitei ir até outra praia, mas preferi voltar para o hotel. Passei na quitanda e comprei cerejas e melancia e fui para o quarto. Depois desci para socializar na jacuzzi. Conheci duas indianas e um casal de chineses. Uma das indianas vestia um biquíni pela primeira vez! Aproveitei para perguntar sobre a cultura e me assustei ao saber que não eram vegetarianas. Me chamaram para ir no Scandinavian bar às 21h, disse que ia pensar. O bar realmente era um dos mais agitados quando passei na porta no dia anterior, mas pensei que no dia seguinte teria que acordar cedo, pois o voo para Atenas partiria às 11h.


Fiz uma lista de boates para conhecer: Jackie O (que tem diariamente show de drags, que amo), Montparnasse Piano Bar, Porta Bar Mykonos, Elysium Gay Hotel Bar, mas não tive disposição em nenhum dia. Sou muito diurna quando viajo.

O bar leva o nome Jacqueline Kennedy Onassis, que apresentou a ilha ao mundo.

A questão do transporte foi um transtorno, pois eu não dirijo e meu amigo achou muito caro alugar carro, sendo que ficaria apenas 5 euros mais caro que Santorini. Preferiu voltar com 700 euros para uma próxima viagem. Cada um sabe suas prioridades, mas a cidade teria sido melhor aproveitada, pois não existe transporte público para algumas praias.

No quinto dia, acordei cedo, tomei café e vi que o dia estava chuvoso. Avisei ao gerente sobre o horário do voo, que prontamente organizou o transfer. O aeroporto é minúsculo. Os próprios passageiros despacham as malas. Só tem um raio-x e um policial para fazer toda a checagem. O voo de Mykonos para Atenas foi barato, custou 25 euros e foi comprado no site da própria companhia aérea grega. Em apenas 45 minutos estaria em Atenas!

Para quem vai alugar carro, moto ou triciclo, acredito que 2 dias bastam para conhecer a ilha, mas com 3 dias é possível conhecer todas as praias com calma. Particularmente achei o centro de Mykonos muito mais agradável que o de Santorini (Thira).

Levei susto duas vezes: em um dos momentos meu amigo desceu pelo caminho errado e vários homens com aparência de indianos começaram a gritar. Na verdade, era só pra dizer que o caminho estava errado. Não sei se teria coragem de fazer o mesmo caminho até o centro sozinha. É completamente deserto. Em outro momento, ao retornar para o hotel, um senhor começou a falar (não entendo grego) e estava com uma faca na cintura, novamente os indianos estavam por perto, mas só riam, quando o meu amigo apareceu, o velho saiu andando. Costumo viajar sozinha, mas é inegável que a mulher é mais vulnerável apenas por ser do sexo feminino.
 

Santorini

As Ilhas Gregas provavelmente permeiam o imaginário de muitas pessoas, pela beleza e história. Decidi que era hora de conhecer o paraíso. O primeiro espanto: são mais de 6 mil ilhas, mas “apenas” 227 são habitadas. São vários conjuntos de ilhas: Jônicas, Cíclades, Sarônicas, etc. Como não era uma viagem apenas para as ilhas, tinha que pensar nos deslocamentos e preços.

Desde a época que me graduei em História da Arte, o meu sonho é conhecer Creta, que é a maior ilha grega e uma das maiores do Mar Mediterrâneo, mas é também a mais distante (8 horas de barco desde Santorini). Também andava encantada pelas fotos que vi de Zaquintos, Corfu e Cefalônia (Ilhas Jônicas), mas, no fim, resolvi voltar minha atenção para as duas Ilhas Cíclades mais conhecidas: Santorini e Mykonos. As outras ficam pra uma próxima viagem…
 
Fiz algumas combinações e decidi que a melhor opção era pegar um avião de Istambul até Santorini, com conexão em Atenas. Tinha a opção de pegar uma passagem com milhas, pelo Smiles, até Atenas e ir de barco na rota mais comum, primeiro Mykonos e depois Santorini, mas seria mais cansativo (pelas horas da viagem de barco) e o preço ficaria quase o mesmo. Numa viagem curta, quanto mais rápido chegar ao destino é melhor. Pesquisei o preço das passagens no site Skyscanner e comprei a passagem diretamente no site da Aegean (companhia aérea grega), que saiu por 116 euros (euro cotado a R$4,20 na época).

Acordei cedo em Istambul, pois o voo sairia do Atartuk às 10:30h, e, supostamente chegaria no destino final às 13:55h. Apesar de Istambul ter um trânsito caótico, conseguimos chegar no horário previsto. Para entrar no aeroporto é necessário passar todas as malas no raio-x.

O funcionário da companhia aérea me irritou profundamente. Primeiro, disse que passaporte não pode ter capa (usava uma da Frida Kahlo) e quase rasgou o documento para tirar a proteção (nenhum policial de imigração na Alemanha ou Itália se incomodaram com a capa e ele nem policial era). Depois fez várias perguntas (provavelmente pra ver se caía em contradição) e me mostrou que não tinha carimbo de saída da Itália, onde estive antes de entrar na Turquia (o país não faz parte da União Europeia). O outro funcionário disse que não constava também a saída no passaporte do meu amigo, mas concluiu que viemos de algum lugar. Inacreditavelmente, o mesmo funcionário estava fiscalizando quem entrava na sala de embarque e disse que o meu passaporte não tinha o selo – que ele cola. Aí, já bem irritada, disse que ele colou na capa que arrancou do passaporte.


Chegando em Atenas, caminhei para pegar a mala e fazer novamente o checkin, pois a atendente disse que as malas não iriam direto para o destino final. Como só tinha uma hora para fazer todo o trâmite, corri e informei a um funcionário, que me colocou numa fila mais rápida. Após o despacho da mala, todos passam por um policial que confere o bilhete eletrônico e entramos na área das lojas duty free. Após passar pelo raio-x, cheguei na fila de embarque. Houve demora para o embarque, mas abrem as portas traseiras para que o processo seja mais célere. Após uns 30 minutos, avisaram que a aeronave tinha algum problema, mas pediu que esperássemos sentados. Uma hora depois houve novo aviso do comandante, informando que o avião não tinha condições de voar. Todos desceram entraram no ônibus, novo portão de embarque foi dado. E todo o processo foi realizado novamente, sendo que voamos no horário que deveríamos chegar no destino final. Por sorte, o voo tinha apenas 45 minutos.
O hotel escolhido foi uma barganha: Antonia Hotel. A diária custou R$172! Procurei um hotel em Fira (Thira), centro da Ilha, que fica próximo do porto e do aeroporto. Na pesquisa, queria um hotel que tivesse transfer grátis (comum nas ilhas gregas), pois só o transfer sozinho custaria 15 euros o trecho. O hotel fica a duas quadras da rodoviária e a 100 metros do centro. O quarto é antigo, mas o banheiro parecia reformado recentemente, além de espaçoso. O wi-fi funcionava perfeitamente. O quarto tem varanda e deixam uma garrafa de vinho (produzido na ilha) todos os dias no quarto. Tinha frigobar e ar-condicionado. Um dia antes, passei um e-mail informando o horário de chegada do voo, mas infelizmente não tive como avisar sobre o atraso. O motorista disse que já estava aguardando no aeroporto por quase 2 horas. 

O hotel fica localizado numa ladeira que não entra automóvel. O motorista carregou a mala. Na chegada, o gerente disse que já estava tudo ok (a reserva já foi paga no hoteis.com), nos ofereceu café e chá e depois abriu o mapa e deu uma explicação pormenorizada dos lugares interessantes da ilha. Informou o horário do pôr do sol e perguntou se alugaríamos carro.
 
Vista da varanda do hotel
 
Tomei um banho rápido e desci. Como não dirijo, tive que perguntar ao meu amigo se toparia dirigir. Decidimos alugar o carro no dia seguinte (você dá o horário de entrega e fica por 24 horas). Avisamos ao gerente o horário que o carro deveria ser entregue e seguimos para a rodoviária.


Chegando na rodoviária, observei que tinha um ônibus partindo para Oia em alguns minutos. A passagem custa 1,80 euros e deve ser paga dentro do ônibus. É um ônibus de viagem, mas muitos locais utilizam o serviço. O percurso leva cerca de 20 minutos. Torcia para que o sol aparecesse, já que Fira tinha muitas nuvens.

Oia, segundo consta, é o lugar com o pôr do sol mais bonito do mundo. Após descer do ônibus me deparei com uma horda de turistas. Muitas pessoas caminham pelas vielas, objetivando chegar no melhor lugar para assistir o espetáculo da natureza. Vi uma noiva fotografando para seu álbum de casamento. As casas branquinhas e igrejas com a cúpula azul são tão pictóricas que parecem quadros. O gerente do hotel disse que o sol começa a se por às 19:15, mas só encostou no mar por volta das 20:15h. Ouvi muitas pessoas falando português. Conversei com um rapaz e duas meninas que estavam próximos. O rapaz disse que Santorini foi o lugar que ele mais gostou do tour de 30 dias pela Europa.

 

Após caminhar pelas estreitas ruas, procurei o restaurante nº 1 em Santorini, segundo o Tripadvisor, Pitogyros (também tem um nome escrito em grego na fachada). Pita gyros é o churrasco grego (comi carne de porco) que vem no pão pita (delicioso, parecia massa de pizza) acompanhado por batata frita, tomate, cebola roxa e o molho de iogurte (3,40 euros). E bebi 500ml do vinho local (4 euros). É um lanche delicioso!

 

 

Falando em vinho, Santorini tem uma intensa produção de vinho. A plantação, pelo que pude observar, é muito distinta das demais, pois as videiras ficam grudadas no chão. O vinho branco é barato e delicioso. Tem a uva Assyrtiko, que cresce no solo vulcânico, também responsável pelo vinho Nykteri. No meu roteiro, constava uma visita a uma vinícola (http://www.gavalaswines.gr), contudo, no dia que estávamos com carro, meu amigo não poderia degustar a bebida. Há diversas pequenas vinícolas espalhadas pela ilha.

O ônibus voltou de Oia bastante cheio, mas chegamos antes e estávamos sentados. Depois de uma breve caminhada pelo Centro, um merecido descanso, pois o dia seguinte começaria cedo.

Pesquisei ainda no Brasil sobre o aluguel de carro (tem também a opção de moto e quadriciclo) e a diária custava 50 euros com seguro. O gerente falou que custaria 30 euros o carro automático e 25 o manual. Às 8:40h bateram na porta do quarto para dizer que o locador já estava lá. Descemos e nos levou até um estacionamento que fica a uns 50 metros do hotel. Perguntou se queria seguro (10 euros), explicou como funcionava. Pegou o número do cartão de crédito como garantia. Entregou o contrato de locação. Deixou com ¼ do tanque cheio e disse que deveria ser entregue assim.

O carro alugado

De volta ao hotel, que não serve café da manhã, segui para o Carrefour, que fica na rua principal de Fira. Comprei presunto, pão, suco de laranja, duas maçãs, água. Tudo por 5 euros. Após o desjejum, seguimos para Perissa Beach, praia com pedrinhas pretas no lugar de areia. Primeiro paramos no posto, para abastecer. Perguntei quanto seria necessário para rodar a ilha. O frentista disse 12 euros. Chegando na praia, embora estivesse sol, ventava bastante e a água é geladíssima. Em geral, os estacionamentos não são pagos. Basta procurar pela placa “P” (“parking”).

As pedrinhas

A próxima parada foi em Red Beach, praia que fica numa encosta vulcânica de cor vermelha, que dá o nome da praia. Depois de uma curta caminhada, cheguei na praia, com água cristalina, mas gelada. É bem exótico. No mesmo caminho, fica um sítio que não visitei, Acrotini, local que teria sido a Atlântida citada por Platão. E não visitamos porque meu amigo não conseguiu encontrar a White Beach. As estradas possuem sinalização, mas nem sempre fica claro. Seguimos até o fim da ilha, onde fica o Farol e retornamos ao hotel.

 

Tinha listado alguns restaurantes próximos (o gerente do hotel também sugeriu alguns) e seguimos para o Chef´s Garden. Pedi a entrada (5 euros), com pães, cenoura, pepino, além de hummus e tzatziki (acepipe grego composto por iogurte, pepino e hortelã). E o prato principal foi lula recheada com espinafre, queijo feta e ervas frescas com arroz amarelo (14,50 euros). A entrada estava ótima, mas o prato principal nem tanto – o arroz estava muito ácido.

Voltamos a Oia, de carro dessa vez, para apreciar mais uma vez o pôr do sol e deixa-lo grudado na retina. Entrei em algumas lojinhas e os preços são exorbitantes como em qualquer balneário turístico, mas em euro é bem pior. Comprei apenas o símbolo da ilha, o burro (antigamente transportava carga, hoje apenas turistas) de pelúcia para minha sobrinha.

Estava marcado no mapa uma visita mais minuciosa a Fira, mas o cansaço me impediu de ver o Porto Antigo, uma rua acima da principal, e o teleférico, bem como a catedral e os dois museus. Colocaria mais 1 dia no roteiro para fazer uma visita sem pressa.
O transporte para Mykonos, após pesquisa, seria feito por ferry, barco rápido. É preciso pesquisar as inúmeras companhias que operam na Grécia, para saber se fazem a rota, muitas só operam com frequência no verão. Olhei Blue Star Ferries (www.bluestarferries.com), Hellenic Seaways (www.hellenicseaways.gr), SeaJets (www.seajets.gr) e Anek Lines (www.anek.gr) e apenas 2 faziam, naquele dia, a rota Santorini-Mykonos. Optei pela Hellenic Seaways, pois saia às 11h, enquanto a SeaJeats às 10:45h. O preço foi salgado, 62 euros.
 

Após comprar pão e presunto no Carrefour e tomar o café da manhã, desci para fazer o checkout. Já tinha avisado com antecedência sobre o transfer para o porto. A van saiu cheia, pois o motorista deixaria alguns hóspedes no aeroporto, mas em 5 minutos estávamos no porto. A descida é vertiginosa!

Chegando no porto, seria necessário trocar o voucher da internet pela passagem. Segui para o guichê e o funcionário não estava. Após alguns minutos uma senhora me entregou o tíquete. Como tudo na Grécia, o barco não foi pontual. Chegou com uns 20 minutos de atraso, mas a saída foi bem rápida. É uma loucura, as pessoas entram e vão guardando as malas no compartimento do barco onde ficam os carros e depois sobem para seus assentos. Não consegui escolher assento, meu número foi automaticamente designado.   


A embarcação fez duas paradas, uma na ilha de Ios e outra em Paros. No barco me ocorreu que poderia ter ficado 1 dia em Paros e 3 em Mykonos, não 4 em Mykonos. A viagem de barco é bem mais confortável que de avião, pois é espaçoso, tem lanchonete, banheiro, além da bela paisagem. A viagem durou 2 horas.

 

 
 
Uma observação necessária é que avistei muitos detritos na ilha, que não é comum na Europa. Existem muitos terrenos vazios onde a sujeira se acumula. Muitas garrafas, latas e sacos plásticos. Não sei se causado por locais ou turistas.  

Fiquei encantada que utilizam energia solar. Todas as residências possuem diversos painéis instalados. E, para finalizar, acho que existe um marketing muito pesado ao vender a imagem da ilha, pois Fira, por exemplo, é um local muito simples. Na chegada, meu amigo ficou assustado e achou que estivesse em alguma praia do litoral do Rio, como Arraial do Cabo. Oia já tem um visual mais charmoso, mas tudo exageradamente caro. Ainda quero visitar outras ilhas gregas? Claro! Sei exatamente o que devo encontrar. Não sei no verão, mas também está longe de ser um destino de praia ideal, em razão da temperatura da água.

Istambul – terceiro dia

No terceiro dia em Istambul, pegamos o tram até a estação Eminönü, que fica na frente do Bazar das especiarias, pois me arrependi de não comprar alguns badulaques – devo confessar que sempre lamento por não ter comprado o que queria, mas numa viagem que tem voos em companhias aéreas low cost, com bagagem estipulada em até 21 quilos, não posso cair em tentação.

Bazar das especiarias
 
 

Depois do deleite oferecido pelo mercado, segui pela orla até o Píer (sinalizado com “IDO”) que liga Sirkeci a Harem, bairro que fica do lado asiático da cidade. Procuramos a máquina e colocamos créditos, mas usamos uma máquina antiga! No fim, saiu uma moeda vermelha (token), que foi utilizada na catraca. Acredito que paguei a mais, provavelmente é uma máquina para quem não possui o cartão (istanbulkart), não estava explicado, mas deveria ter suposto. A viagem entre Sirkeci e Harem é rápida e dura menos de 20 minutos. 
A máquina que não aceitava o istanbulkart e cobrava 4 TL pelo token
Roteiro do 3º dia

Como já mencionado no primeiro post, Istambul une a Europa com a Ásia, pois é a única cidade que tem um lado europeu e outro asiático.

Chegando no lado asiático, não havia muita sinalização, mas seguimos na orla até o Píer de Üsküdar. Tem um calçadão que é ótimo para apreciar o mar. Enquanto fotografava, meu amigo, que estava afastado, disse que um morador de rua foi em minha direção, mas quando o viu se afastou. Realmente não vi nada e continuo achando a cidade muito segura.
 

No caminho, foi possível apreciar vários ensaios fotográficos de casamento. Todas as mulheres com roupas bem tradicionais com cabelos cobertos. De frente para o mar, várias mesinhas e almofadas são dispostas para o público sentar. Existem quiosques que servem o chá (çai) turco em abundância.
 

De longe, podemos observar uma pequena ilhota conhecida como “Madien´s Tower”, “Torre de Leandro” ou “Torre da donzela”. Diz a lenda que um imperador tinha uma filha e o oráculo profetizou que seria morta no dia do seu aniversário de 18 anos pela picada de uma cobra. Visando proteger sua filha, construiu uma torre no meio do Bósforo onde sua filha passou a viver. No dia do seu aniversário de 18 anos levou uma cesta de frutas que continha uma víbora que a matou.
 

Alguns restaurantes na orla ficam cheios. Observei que em um deles a maioria pedia uma batata assada (como é vendido no Brasil), mas as pessoas escolhiam os diversos recheios. Muitos pescadores lançavam seus anzóis sem observar se alguém estavaatrás – por diversas vezes a isca passou perto de mim.

Chegando em Üsküdar, pegamos o barco em direção a Kabatas (não era a entrada principal, mas uma auxiliar, para barcos menores, que tinha uma roleta e já estava na área de embarque). 

Em Kabatas, descemos do barco e entramos num restaurante na orla, Beltur, que era simples mas com vista para o mar, para provar o famoso sanduíche de peixe (6 TL) e tomar o ayran (iogurte com sal por 1,5 TL).

O objetivo era pegar o funicular até a Praça Taksim, mas após colocar crédito no cartão, seguindo as observações do meu amigo, pagamos e acabamos saindo do outro lado sem pegar o trenzinho. Desisti de visitar o bairro após sentir muita raiva. Eu mesma deveria ter observado a sinalização. Novamente colocamos crédito e pegamos o tram até a estação Karaköy. Seguimos caminhando até a Torre Galata – a subida é cansativa.

A Torre Galata é uma das mais antigas torres de Istambul. Foi construída no estilo românico como o edifício mais alto da cidade em 1348. Foi o ponto turístico com maior fila. Tive que esperar por mais de 20 minutos. Depois que subimos de elevador e escada percebemos que não cabem muitas pessoas no topo da torre, de onde podemos observar a cidade num ângulo de 360º. A entrada custou 25 TL.

 
O relógio marcava 17:30 e decidi voltar ao hotel para tomar um banho e descansar, visando a próxima atração do dia, marcada para 19h.

Saímos do hotel 18:50, sendo que o vendedor do ingresso (que compramos no dia anterior) avisara que deveríamos chegar às 19h, embora o show dos dervixes só começasse às 19:30. Pegamos o tram e descemos na estação Sirkeci. O show dos dervixes rodopiantes acontece em uma sala da bela estação de trem, conhecida como “Istanbul Gari”, que foi construída em 1890, de onde saía o Expresso Oriente. A apresentação custa 50 TL e tem duração de 1 hora. Acontece todas as quintas e sábados.

 

 

O açúcar tem sempre o formato de torrão


A sala já estava quase cheia, mas com muitos lugares disponíveis. São dispostas duas fileiras de cadeiras, mas todos querem sentar na primeira. E o funcionário tenta agradar a todos. Um delicioso chá é servido. Perguntam se preferimos chá turco ou de maçã. Fiquei com a segunda opção.

A “Mevlevi Sema Ceremony” é considerada patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco.  Representa uma jornada espiritual do homem. A cerimônia é dividida em 7 partes:

1ª parte – enquanto gira os braços abertos, a mão direita é dirigida para o céu para receber os presentes de Deus, olhando para a mão esquerda em direção à terra, ele muda de direita para a esquerda em torno do coração;

2ª parte – uma voz dá a ordem da criação;

3ª parte – o improviso musical indica o primeiro respiro da criação;

4ª parte – os dervixes cumprimentam uns aos outros;

5ª parte – é a “sema” ou a cerimônia de dança;

6ª parte – a dança termina e há a leitura do Alcorão, em especial o verso de Sura Bakara 2, verso 115;

7ª parte – é uma oração para o repouso de almas de todos os profetas e todos os que acreditam.

Sempre quis ver uma apresentação dos dervixes rodopiantes. Lembro do clipe Bedtime Story, da Madonna, também dos poemas de Rumi (Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī), que aprecio. O sufismo é uma corrente do Islã (contestada por muitos religiosos). A reintegração do espírito com o divino nasce do canto e da dança. A ordem foi criada em 1273, em Konya, de onde se espalhou para os demais lugares do Império Otomano. Podem ser encontrados em muitas comunidades turcas, mas, em geral, estabeleceram suas atividades em Konya e Istambul.

Reclusos, os dançarinos recebem um treinamento que dura por 1.001 dias e aprendem sobre ética, códigos de comportamento e crenças, oração, música religiosa, poesia e dança. Muitos centros de prática do sufismo foram fechados em 1925 e continuaram com a pratica apenas em ambientes privados. Após anos de clandestinidade, em 1990 as restrições foram aliviadas e os praticantes ressurgiram ao público.

  

Rumi (também conhecido por Mevlana) teria criado esse estilo de meditação rodopiante. Após sua morte, em 1273, em Konya, seu filho e seus seguidores criaram a Ordem Sufi Mawlawīyah. Fiquei emocionada com a apresentação dos dervixes rodopiantes. A música toca o coração e quase chorei em alguns momentos. Queria poder rodar com os dervixes!
“Um giro secreto em nós faz girar o universo. A cabeça desligada dos pés, e os pés da cabeça. Nem se importam. Só giram, e giram.”
No caminho para o hotel, parei no Blu Restaurant (também tem um hotel no mesmo edifício) para comer um Turkish meze (meze são tapas, petiscos), 21 TL. Tinha charuto de folha de uva, feijão, tomate temperado, berinjela, homus e iogurte picante. Servido com pão.
 

 
 

No dia seguinte, deixei o transfer agendado com o hotel (20 euros), pois o voo sairia do Aeroporto Atartuk às 10:30h (também é possível seguir para o aeroporto de tram). Iríamos sem tomar café da manhã, mas disseram que daria tempo. Subi e comi um misto-quente com cappuccino para continuar a viagem. Também pude provar o café turco, que tem a presença de pó na xícara.
Sei que não estive em alguns pontos turísticos que estava no roteiro e talvez visitaria se tivesse mais um dia: Cisterna da Basílica Santa Sofia, caminhar pelo bairro Taksim, visitar o mercado Kadiköy (lado asiático) a Mesquita Süleymaniye. Na verdade, seria possível incluir esses pontos turísticos nos 3 dias. Acordava sempre antes das 8h e saía do hotel às 9h.

Incluí no roteiro o Hamam (turkish bath), o autêntico banho turco. Já tive a inesquecível experiência em Marraquesh. No entanto, os dias estavam frios e, pela pesquisa, não encontrei lugar que fizesse o banho em homens e mulheres no mesmo horário. Em geral, dividem em dois turnos: manhã para um sexo e tarde para outro, que causaria um problema de desencontro de horários, pois estava com um amigo. Fiz uma pequena lista, que seria investigada no próprio local:

1- Ayasofya hamami http://www.ayasofyahamami.com/bath_packages O serviço mais barato: 85 euros.
2 – Kilic Ali Pasa Hamami http://kilicalipasahamami.com/services/ 170 TL.
3 – Aga Hamami http://www.agahamami.com/en/PriceList 70 TL.
4 – Suleymaniye Hamam http://www.suleymaniyehamami.com.tr/ 40 euros.

Não é uma tarefa fácil classificar os lugares que mais gostei, mas Istambul, sem dúvida, está no meu top 4. É uma cidade histórica e linda. Achei mais segura que muitas outras cidades que já visitei na Europa, pelo menos nas áreas turísticas (apesar de alguns acontecimentos recentes). O povo é muito simpático. O atendimento é excelente. Os preços são melhores que no Brasil. Estava acompanhada por um amigo, logo, não sei se teria alguma dificuldade em razão do assédio por ser mulher num país muçulmano.

O segundo dia na bela Istambul

Decidi começar o “tour” pelo Grand Bazaar, no segundo dia em Istambul. O gerente do hotel informou que seria melhor pegar o metrô (na verdade é um “tram” ou “vlt”). Explicou que primeiro deveríamos comprar o cartão (que serve para qualquer transporte) e depois colocaríamos créditos, na máquina ou no próprio quiosque. Avisou que pode ser comprado apenas 1 cartão para ser usado por várias pessoas.


Começamos caminhar e quando vimos estávamos na frente no Grand Bazaar. É muito perto, são duas estações, embora já esteja localizado em outro bairro, Eminönü. E não caiu a ficha, num primeiro momento, que o quiosque era, na verdade, o jornaleiro.

 

Já sou escolada com negociação. Em muitos países asiáticos (Tailândia, Indonésia…) os produtos vendidos para turistas não possuem preços fixos e devem ser negociados. Estive em Marraquexe e lá a negociação é visceral, que me deixou cansada. Não achei os vendedores do bazar tão insistentes, mas também não são tão flexíveis com o valor.


Perguntei a um vendedor quanto seria um lenço. Me disse 85 liras turcas! Caminhei e comprei por 20, após negociação, mas quando cheguei no outro mercado, vi que o preço era 15, sem negociação! Queria comprar um conjunto com temperos por 15, mas ninguém quis vender, sendo que o preço era 20. Se você olhar muito para algum produto terá que iniciar uma negociação, se a pessoa não for paciente, sairá estressada de um mercado assim.
 

O Grand Bazaar é provavelmente um dos maiores mercados cobertos do mundo! São mais de 60 ruas com aproximadamente 5 mil lojas. Na antiga Constantinopla havia um grande mercado, mas a história não diz ao certo o local em que se encontrava. Na ocupação otomana, o mercado foi construído, embora tenha sofrido diversos incêndios e terremotos ao longo dos anos. O mercado vende muitos produtos, mas os mais abundantes são joias, doces turcos (turkish delight), cerâmica, olhos turcos ou nazar, prataria para chá.

Olhos turcos

Caminhei instintivamente por um verdadeiro mercado popular até chegar no Bazar das Especiarias (também conhecido como “Bazar Egípcio”). A estrutura é muito menor (88 salas), mas os preços são mais convidativos. Muitos condimentos, doces, chás. Aproveitei para experimentar os Turkish delights (doces turcos gelatinosos com pistache) oferecidos (o melhor era o de romã). Meu amigo acabou comprando uma caixa de doces por 35 TL, na loja que experimentamos. Todas as lojas que vendem doces e chás possuem máquinas para embalar o material a vácuo e facilitar o transporte nos aeroportos. Lá tinha umas misturas de ervas para chá e o mais aromático era o de hibisco – um cheiro maravilhoso. O mercado, em princípio, era chamado de “novo mercado”, mas depois, em razão das inúmeras especiarias vindas do Egito, o lugar ganhou o nome de “Bazar egípcio”.

A rua que leva do Grand Bazaar ao Bazar das Especiarias
Bazar das especiarias





 



Segui caminhando até a antiga estação “Expresso do Oriente”, linha de trem ligava Paris a Constantinopla – desde sua criação em 1883. Também cenário do livro “O assassinato no expresso oriente”, de Agatha Christie. Lá, atual estação Sirkeci, comprei o ingresso para o show dos Dervixes rodopiantes, no dia seguinte, por 50 TL.

Finalmente foi necessário comprar o cartão de transporte (istanbulkart). O gerente do hotel avisou que o cartão custava 7 TL (o site diz 6). Meu amigo, péssimo negociador, foi no jornaleiro (era uma senhora) e ela disse 10. Ele disse “ah, coitada, está precisando ludibriar turista pra sobreviver e pagou”. Jamais pagaria. Procuraria em outro lugar. Dividimos o preço do cartão, já que dava pra ser usado por mais de uma pessoa. Na máquina é possível colocar os créditos (moeda e notas) e consultar o saldo. Tem que ser na máquina nova.


Duas estações depois estávamos em Sultanahmet (o trajeto pode ser feito facilmente caminhando, se a pessoa não estiver cansada e com peso). Caminhamos até o Arasta Bazaar (o Meşale Cafe & Restaurant tem apresentação gratuita de dervixes pensei em aproveitar no jantar, mas quando chegava no hotel não conseguia mais sair) para observar as lojas e restaurantes.

O bazar ficava a 3 minutos do hotel

Paramos no Fatih Belediyesi Topkapi Sosyal Tesisleri para reabastecer as baterias com um kebab. O local era ótimo para descansar, mas o atendimento muito precário. Foi necessário chamar o garçom e tivemos que levantar e ir até o caixa para pagar (1 suco de laranja mais 1 kebab saiu por 21 TL).

As cores de Istambul
Entramos no Museu de Arte Turca e Islâmica, que fica na Praça Sultanahmet. O lugar tem uma grande coleção de relíquias islâmicas, como alcorões escritos há centenas de anos. Muitos tapetes centenários, portões e esculturas. O prédio tinha pouquíssimos visitantes e os que estavam no interior pareciam bastante religiosos.

 

 
 
 

A próxima parada foi no Hagia Eirene Museum. A igreja ortodoxa foi construída no século VI pelo imperador Constantino. A igreja de Santa Irene foi o primeiro lugar de culto na cidade de Constantinopla. Hoje é um museu.
 
 
Depois caminhamos até o Gülhane Park, que é um parque enorme nas proximidades do Topkapi Palace. O local é público e fica na frente de uma estação de tram (estação Gülhane). Dentro do parque fica localizado o museu de ciências e tecnologia.

 
Segui para o maior museu de Istambul, o Museu Arqueológico. Os prédios estão em reforma, mas o espaço é gigantesco. Observei que muitas peças milenares foram restauradas de forma muito precária. São centenas de esculturas que devem ser apreciadas.

 
Eu e um Kouros. Figura masculina da cultura grega com cabelos frisados e longos.

Alexandre, o Grande

Escultura de Sappho. Safo foi uma poetisa nascida na ilha de Lesbos, na Grécia. Tinha uma escola de poesia e arte para mulheres. Diz a lenda que se apaixonava por suas alunas. Sua preferida foi Atis.

 


Eu e Medusa

Na maioria dos museus não pode fotografar com flash e as minhas fotos ficaram péssimas…

Os belos cafés e restaurantes da cidade
No retorno, tentei fazer o mesmo caminho, mas um soldado do exército informou que o parque estava fechado (na verdade só disse “não” e entendi o motivo).

No caminho para o hotel, aproveitei para provar a castanha assada (kestane), vendida em abundância em carrinhos pela cidade. Adoro castanhas cozinhas, mas a assada é muito seca e sem sabor (5 TL), no mesmo carrinho vendem milho assado (2 TL), mas a aparência era de seco e não tinha manteiga (risos).

Istambul, 1ª parte

As áreas históricas de Istambul são consideradas patrimônio da humanidade, pela Unesco. Em razão da sua localização estratégica no Bósforo, Mar Negro e Mar Mediterrâneo, a cidade foi capital do Império Romano do Oriente e do Império Otomano, logo, está associada a grandes eventos históricos, políticos e artísticos nos últimos dois mil anos. Já foi denominada Bizâncio e Constantinopla, antes da atual nomenclatura. A cidade une o Oriente ao Ocidente, a Europa com a Ásia, pois é a única cidade que tem um lado europeu e outro asiático. O legado histórico pode ser apreciado na perícia arquitetônica na construção da Hagia Sofia, na beleza do Palácio Topkapi, na Mesquita Azul. 
 
 


 
Doces turcos conhecidos como turquish delight

Pretendia passar 5 dias em Istambul, mas no fim, em razão das combinações de voo de chegada e de partida, acabei reservando 4 diárias, sendo que fiquei apenas 3 dias inteiros. O voo de Veneza para Istambul foi comprado com milhas no site do Smiles, por 12.500 pontos e taxa de R$159,00. É uma boa opção para quem tem milhas e pretende gastá-las.

O voo comprado chegaria em Istambul às 2h, portanto, na seleção do hotel, observei se tinha recepção 24 horas. Optei por um hotel boutique muito bem avaliado no Tripadvisor, WorldHeritage Hotel.

 
Assim que fiz a reserva no hoteis.com (prefiro ao booking, pois pago antecipadamente e parcelo) perguntei quanto custaria o transfer desde o aeroporto, já que o voo chegaria durante a madrugada. A resposta foi rápida e custava 20 euros. Reservei o transfer com o hotel.
 
No dia anterior, a Alitalia avisou, via e-mail, que o voo sofreria um atraso de 2 horas. Corri e avisei ao hotel e torci para que pudessem ler e que o motorista estivesse lá às 4 da manhã. Ainda no aeroporto, li a resposta, agradeceram a informação e disseram que estariam no aeroporto no horário do desembarque.

Assim que cheguei, havia uma placa com o meu nome. Um rapaz tinha várias placas e avisava por telefone ao motorista – que levou cerca de 20 minutos para aparecer. Uma van veio nos buscar. No hotel, mesmo durante a madrugada o atendimento foi excelente, ofereceram chá, água e deram uma explicação sobre o quarto. Disseram que no dia seguinte receberia uma informação detalhada sobre a cidade.

O quarto era bem decorado, tinha frigobar com refrigerante e água grátis, cafeteira com chá e café também grátis. A cama era confortável e o wi-fi funcionava perfeitamente. Apenas o banheiro era pequeno. No dia seguinte segui para o café da manhã e senti a diferença cultural. O café da manhã é muito diferente! Salada com azeitona, tomate, pepino. Queijos apimentados. Tinha máquina de cappuccino.


Ao descer, o gerente deu a melhor explicação sobre uma cidade que já recebi na vida. Pegou dois mapas e fez um roteiro dia a dia, dando dicas sobre transporte e museu. Indico o hotel de olhos fechados. Na recepção todos os dias há disponível bolos e tortas caseiras grátis. Dá para visitar praticamente todas as atrações caminhando.

No hotel, disseram que poderíamos fazer câmbio nas proximidades, mas que a melhor cotação seria no Grand Bazaar. Troquei 100 euros para as despesas do primeiro dia. A cotação, em média, era de 1 euro= 3,29 liras turcas.

Lira Turca

Decidi que compraria o “Museum Pass”, que é válido por 5 dias e custa 85 liras turcas (a moeda da Turquia). O passe é importante principalmente por evitar filas, mas também é econômico se visitar, pelo menos, 4 atrações.  E o valor pode ser considerado muito barato (tem o mesmo preço da entrada de Acrópole, uma única atração em Atenas, por exemplo). Atendendo a dica do hotel, caminhamos 2 minutos e no fim da rua fica o Museu de Arte Turca e Islâmica, que tem a bilheteria vazia e poderíamos comprar o passe sem fila (foi necessário apresentar o passaporte). Depois observei que na frente ou dentro de vários pontos turísticos existem máquinas para comprar o museum pass, sem qualquer burocracia. Existe o “müzekart”, assim como na Holanda, que é válido por 1 ano e seu custo é ínfimo (40 TL), mas em Istambul só permitem a venda para residentes.

 

Passamos pelo Hipódromo de Constantinopla, construído em 203 quando a cidade ainda se chamava Bizâncio, era onde ocorriam as corridas de cavalo da maior cidade do mundo. O Imperador Constantino mudou a sede do governo de Roma para Constantinopla em 324 e ampliou a cidade. Naquela época, as corridas de cavalo contavam com mais de 100 mil espectadores. O local hoje é a conhecida praça Sultanahmet Meydanı. Existem apenas 3 obeliscos na praça, sendo um egípcio, que é uma peça comemorativa retirada do Templo de Apolo, em Delfos, e instalada naquele espaço. 

 


Para entrar
na Mesquita Azul, além de ter que usar um lenço na cabeça, as mulheres recebiam uma saia azul (acredito que apenas quem estava de calça comprida justa, como eu). E todos ganhavam um saco plástico transparente para colocar os sapatos. A entrada dos turistas praticantes de outras religiões não é a mesma dos muçulmanos. 

 

A Mesquita Azul, símbolo da cidade, é decorada com um macio tapete e com lustres que lembram gotas da chuva. Fica exatamente na frente da Igreja Santa Sofia, pois o Sultão Ahmed I, em 1606, quis construir uma mesquita maior e mais bonita que o antigo edifício bizantino.
 

 
Mesquita Azul vista da Hagia Sofia
Atravessei o jardim, que divide as duas grandes construções da cidade, e entrei na Hagia Sofia (Igreja Santa Sofia ou Aya Sofia). É um museu que integra a arte bizantina de quando a igreja foi construída no Império Bizantino com a mesquita da época do Império Otomano. A igreja foi construída entre 532-537 pelo Império Bizantino, pois seria a catedral da cidade de Constantinopla. Cumpre registrar que foi a maior igreja construída pelo Império Romano do Oriente e designada como “Santa sabedoria” (tradução de “hagia sofia”). Os mármores utilizados em sua construção vieram de diversos lugares do mundo, como Síria, Ilha de Mármara e Norte da África. As colunas que sustentam as naves e cúpulas vieram de Éfeso (Templo de Ártemis) e Egito. O prédio foi convertido em mesquita em 1453, em razão da conquista do Império Otomano. Naquele momento a estrutura foi fortificada e minaretes (torres de onde ecoam o chamado para as 5 orações diárias para os muçulmanos) foram adicionados. Grandes mosaicos bizantinos podem ser apreciados nas paredes e cúpula do museu.
 
 
 
 

 

Ressalto que a lojinha do museu é ótima e os preços são bastante acessíveis. Comprei um kit (bolsa, moeda, marcador de livro, postal, chaveiro, ímã) por 19 TL em dois museus.

Por volta do meio-dia, resolvi fazer uma parada e ir até o hotel. No caminho comprei o famoso Döner kebab (churrasco turco). Pode escolher carne de boi (11 TL) ou frango (7 TL). A comida turca e grega são bastante parecidas. O sanduíche é um wrap, colocam a carne, batata frita, molho de iogurte, tomate, alface e cebola num fino pão e embrulham. O sabor era ótimo. Confesso que tinha medo desse tipo de comida, mas observei que muitos locais se alimentavam ali.

Depois de um breve descanso, após uma caminhada de 1 km, cheguei no Topkapi Palace (http://topkapisarayi.gov.tr/en) – palácio construído entre 1459-1465 por Mehmet após conquistar Constantinopla. O palácio é gigantesco, formado por diversas estruturas arquitetônicas, divididas em 4 pátios. Foi convertido no primeiro museu da Turquia em 1924. A vista para o mar de Mármara e Bósforo é indescritível. É necessário reservar algumas horas para caminhar por todos os edifícios e observar as coleções expostas.
 

 
 
 
 

Na saída do Topkapi, entrei no Harém do Sultão, que é um dos prédios mais lindos que já visitei. A palavra “harém”, em árabe, significa “lugar sagrado que as pessoas não podem entrar.” Na cultura otomana, o harém era a habitação do Sultão, the queen mother(sua mulher), concubinas, filhos, irmãos e eunucos (que tomavam conta da casa). Os eunucos eram escolhidos na África Central e eram rigorosamente treinados para controlar o acesso ao harém. Logo na entrada existe um grande espaço que provavelmente servia de dormitório. O sultão também tinha um companheiro, denominado “musahib”, que era escolhido em razão da sua conversa hábil e espirituosa. Existiam apartamentos para as esposas preferidas do Sultão: três unidades independentes. Existia ainda a habitação da “rainha mãe”, que era mãe do primogênito do Sultão, que o sucederia ao trono – no século 17 tiveram muito poder, já que sultões ascenderam ao trono ainda muito jovens. O banheiro, todo feito em mármore, tem a forma dos famoso hamam turco e tinha uma enorme banheira.

 

 

 
Hamam
Observei que a segurança é intensa em todos os espaços públicos. Para entrar em qualquer prédio foi necessário passar por detector de metal e a bolsa pelo raio-x. Provavelmente é um aparato recente em decorrência dos atentados dos últimos 6 meses. 

Ainda no primeiro dia em Istambul, estive na Cisterna da Basílica Santa Sofia, mas fui informada que não estava incluída no “museum pass”. Resolvi não entrar, já que tinha inúmeras atrações que poderiam ser visitadas com o passe.

Algo me chamou a atenção: as ruas seriam completamente limpas se não fossem as inúmeras guimbas de cigarro. Os turcos fumam muito. Os restaurantes, em geral, permitem fumar apenas no exterior, nas varandas, deixando o interior dos estabelecimentos vazios. Observei uma loja no duty free que só vendia cigarros, tamanho é o fascínio deles. E ainda, o uso do narguilé nos cafés é muito comum.
 

Ruas de Istambul

Turkish delights, doces turcos

Os famosos tapetes turcos

Sala VIP Le Anfore (Business Class) Lounge (Roma)

Desde o início de 2015, o cartão Mastercard Black está associado ao programa “Lounge Key“, que permite o ingresso em diversas salas VIP pelo mundo (mais de 500 salas). Basta acessar o site e verificar se tem alguma sala no seu terminal de embarque (alguns bancos exigem o pagamento de uma taxa de utilização). 
Em princípio, não pensei em utilizar o serviço do lounge em Roma (o voo era Veneza-Roma e Roma-Istambul), contudo, no dia anterior ao embarque, a Alitalia informou, via e-mail, que o voo tinha sido transferido de 21:45 para 23:45. Procurei a sala que estava no terminal 3 e encontrei a “Le Anfore”. Teria apenas 30 minutos para desfrutar do suposto conforto.

 


Foi a pior sala vip que já visitei, do atendimento aos alimentos oferecidos. Primeiro, na recepção, dois atendentes pediram a passagem da classe executiva e fingiram não saber sobre o lounge key. Tinha imprimido  localização das salas vip dos aeroportos que passaria e mostrei. 

Passada a primeira etapa, assim que cheguei observei que não tinha praticamente petiscos disponíveis, apenas 2 tipos de pães e saladas. As bebidas tinham que ser solicitadas – normalmente você mesmo se serve.

Costumo tirar algumas fotos, para mostrar no blog, contudo, o barman disse que as comidas não poderiam ser fotografadas. Que comidas??? Talvez para não mostrar o serviço vergonhoso que possuem. Muito aquém de todos os outros que já visitei.

Para não perder a viagem, tomei cappuccino, vinho branco e comi pães.
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