Bagan (3ª parte)

A alta temporada em Bagan inicia em outubro, por conseguinte, constatei que no dia 2 do mês citado tinha um volume maior de motonetas na estrada, bem como os templos estavam mais concorridos e até os restaurantes mais disputados. O motivo é que o período de monções (chuvas torrenciais), em tese, termina em setembro, logo, em outubro iniciam os voos de balão de ar quente (foi a causa de uma grande frustração, que contarei a seguir).
Myazedi Pagoda


Seguindo a minha rotina, acordei bem cedo, tomei o café e aluguei minha e-bike. O objetivo era conhecer outros templos. O que dificultou meu circuito é que não fiz uma lista com os templos imperdíveis, bem como os funcionários da recepção do hotel não sabiam dar qualquer informação útil. Tinha três guias no celular, mas acabei não lendo.
Só consegui agendar meu voo de balão para o dia 3, quando faria o check-out. Reservei duas semanas antes da viagem e já não tinha disponibilidade nos dois primeiros dias de outubro. Existem apenas três empresas que atuam no local e o preço não é barato: Oriental Ballooning Bagan, Ballons over Bagan e Golden Eagle Ballooning. Escolhi a companhia mais recente, a Golden Eagle, pois tinha escritório no hotel onde me hospedaria, o Hotel Umbra. Optei pelo pacote mais barato, 357 dólares (cerca de 1.300 reais), pago antecipadamente via Paypal, sem direito de estorno em caso de desistência. Disseram-me que os preços inflacionaram, pois há quatro anos cobravam 70 dólares pelo voo.
Seria o meu último dia inteiro em Bagan e ainda não tinha comprado minha passagem de volta, pois fiquei na expectativa de anteciparem meu voo de balão, que não aconteceu. Entrei no site para ver a disponibilidade e tremi, pois não tinha qualquer van ou ônibus no dia 3. Caminhei para recepção gelada de nervoso. Perguntei se tinha alguma van e me disseram que só havia uma vaga no horário das 16h. Meu objetivo era sair cedo, logo após o voo, pois só teria um dia em Mandalay e a saída naquele horário impossibilitaria qualquer turismo, já que chegaria tarde. Diante do meu leque de opções, tive que aceitar. Paguei e voltei para anotar o horário e lugar (eles numeram os bancos da van).
Esqueci de mencionar nos outros posts que o conjunto arquitetônico de Bagan não foi aceito pela Unesco, como patrimônio da humanidade, em razão das inúmeras restaurações realizadas com materiais que não existiam na época da construção.

Minha primeira parada foi na Mahazedi Pagoda, em Old Bagan, construída no século 13, tem uma série de terraços sobrepostos por uma cúpula cilíndrica em forma de sino. A base do templo é quadrada. Tem escadas íngremes para subir, mas estavam fechadas. Naquele local só tinha um casal com uma guia. 


A próxima parada foi na Myazedi Pagoda, construída no século 12, em Myinkaba. Do lado de fora vi muitos trabalhadores rurais (a maioria mulher), capinando e também trabalhando em uma obra. Ao entrar no templo fui abordada por algumas birmanesas para fotografar. E sempre retribuo, pois sou exótica para elas da mesma forma que são pra mim. Encontrei algumas esculturas coloridas e o buda dourado era lindo.

 

Dentro do templo, encontramos uma estela “Myazedi inscription” (protegida dentro de grades), que é o registro mais antigo em birmanês (1.113), “myazedi” significa “estupa de esmeralda”. Conta a história do príncipe Yazakumar e do rei Kyansittha. A importância da inscrição Myazedi é que permitiu decifrar a língua escrita em Pyu, pois as inscrições estão em quatro idiomas: birmanês, Pyu, Mon, e Pali.

 


Em seguida, parei no templo “Manuha“, que fica em Myinkaba e foi construído no ano de 1.059. Decerto é um dos templos mais exóticos em relação às esculturas apresentadas. O nome do templo está relacionado com o rei Mon que foi mantido em cativeiro pelo rei Anawrahta. 

 

 

Foi edificado para mostrar descontentamento com o período em cativeiro. O prédio foi construído em formato retangular sobreposto por um retângulo menor. As imagens de Buda no interior do prédio parecem muito grandes para o local, demonstrando posições apertadas e desconfortáveis, deixando em evidência a falta de conforto que o rei teve que suportar. Na parte traseira do templo há um Buda reclinado, que está sorrindo. O sorriso significa que apenas a morte foi a libertação para seu sofrimento.

Rei Manuha e sua esposa

Buda reclinado


Quando já estava com os olhos anuviados, segui para o meu restaurante vegetariano preferido:The moon, be kind to animals. Optei pela guacamole com um nacho bem diferente e delicioso. Queria ter tempo e apetite para experimentar todas as opções do menu.

Novamente, nas proximidades do restaurante, fui abordada por um menino, que queria uma nota do Brasil. Já tinha deixado uma nota de 2 reais na mochila, para atender esse tipo de solicitação, que comentei no primeiro post. Não sei se trata de uma coleção de moedas que todos fazem ou se alguma casa de câmbio patrocina tal interesse.

Circulei pelo mercado de artesanato que tem nas cercanias do restaurante. Não vi nada que chamasse minha atenção de verdade, exceto pela cena de um monge indo pegar dinheiro com um menino da mesma idade, não sei se vendem mais barato para os religiosos, que em tese só podem comer o que é doado.





De volta para a estrada, entrei em um caminho que não tinha qualquer pessoa e cheguei no templo “Abeyadanar“, onde tive um momento maravilhoso. Foi construído em 1.102 na região de Myinkaba. Apresenta o estilo clássico com bases quadradas e varanda grande ao norte. Tem um pilar central com um assento para o Buda. É um templo rico em pinturas, mas não entrei, pois estava isolado em razão do terremoto de agosto.

Assim que deixei meus chinelos na entrada, observei que tinha um casal de vendedores de pinturas no local. Outros haviam me abordado, mas sabia que nem todos eram pintores ou dominavam qualquer técnica. Parei diante do rapaz e fiquei convencida que teria algo a aprender. Sentei no chão e conversei com o Than Thike por mais de 40 minutos.

Than segurando a minha pintura

Apesar de dizer que não compraria, me explicou todas as imagens e seus significados. Aprendi que Myanmar tem 8 dias, pois a quarta-feira é dividida. Falou sobre a técnica que usa com pedra e areia e como devo fazer se quiser tentar. No fim, perguntei se tinha algo por 5 dólares – não perguntei o preço. Ele mandou escolher a que mais gostei. Optei pelo Romeu e Julieta deles. Uma lição de vida.

Muitos templos e estupas não estão identificados, mas sempre que avistava alguma construção interessante, parava, descia da motoneta e fazia uma visita.

Giovaninha

Percorri o templo Seinnyet Ama, que foi construído em 1.085 no estilo birmanês pelas irmãs da rainha Seinnyet, Ama (a irmã mais velha) é o templo e Nyima (a irmã mais nova) é um pagode. Possui quatro entradas, mas a oriental é a principal. É possível verificar uma riqueza de detalhes na decoração, embora o interior do prédio seja totalmente escuro.


Resolvi voltar ao templo que me comoveu no dia anterior, Shwezigon, mas não tive uma experiência tão positiva. Quis deixar a e-bike próxima da entrada do templo e me deparei com um casal, que correu em minha direção e disse que só poderia estacionar debaixo de uma árvore próxima deles. Pensei na hora “um golpe”. A mulher foi andando junto comigo e começou a mostrar o artesanato dela numa barraca. Diante da minha negativa, fez cara de poucos amigos. O templo estava vazio, caminhei e não fiquei muito tempo. No retorno, demorei a encontrar o meu chinelo e saí em disparada pra pegar a motoneta antes de alguém me abordar.





Naquele dia pensei em seguir ao templo em que a maioria dos turistas vão pra ver o pôr do sol, Shwesandaw Pagoda, mas parei no caminho e retornei, pois além de não haver iluminação pública, não fazia ideia de como ligar o farol pra voltar.

Aproveite o fim do dia na piscina de aborda infinita do hotel até às 19h, quando fechou. Tem um bar ao lado, com dose dupla, mas não bebi.




No dia seguinte, realizaria o tão esperado voo de balão. Avisaram-me que era pra esperar no hall do hotel às 4:30h da manhã. Acordei, tomei banho e de repente bateram na minha porta com uma notícia negativa: não haveria voo em razão do tempo. Provavelmente choveria. Admito que fiquei muito frustrada. Quase chorei. Nunca deixo um passeio para o último dia, mas, como contei anteriormente, não tinha vaga nos dias 1 e 2 em nenhuma empresa. Recebi um cartão com um pedido de desculpas e com informações sobre a devolução do dinheiro. Sabia que naquele dia teria a mais bela vista da cidade, além de poder apreciar o nascer do sol. 

Animada à 4h da manhã, esperando o horário rs

Muito chateada, não consegui dormir e choveu mesmo a partir das 5h. Torrencialmente. A brasileira que encontrei no aeroporto de Mandalay disse que não teve voo de balão nos três primeiros dias de outubro, pois ela madrugou todos os dias para fotografar e não viu. Não sei se voltarei algum dia a Bagan, portanto, talvez essa aventura jamais se realize.


Levantei da cama às 6h e tomei café. Fui na recepção, pois tinha comprado a passagem para Mandalay com saída às 16h, mas queria saber sobre a disponibilidade de uma van mais cedo. Pediram pra retornar às 7h, pois nenhum escritório estava aberto. Retornei à recepção no horário marcado e ligaram pra mim. Tinha um lugar na última fileira da van, saindo às 9:30h. Aceitei na hora. Buscaram-me e, por sorte, o rapaz me mudou de lugar, pra um assento mais confortável.

Bagan é uma cidade indescritível. O acesso ainda é difícil, mas está sendo descoberta pelos turistas aos poucos. Se tivesse que elaborar um roteiro hoje, talvez decidiria pegar um avião de Mandalay para Bagan, pois a passagem custa cerca de 65 dólares. Fiquei 4 dias (3 dias inteiros) e não vi a metade dos templos erigidos, lembrando que hoje são 2 mil, mas já foram 3 mil num passado não tão distante.

Bagan e seus templos (2ª parte)

Quando viajo sozinha costumo levantar cedo para aproveitar o dia, evidenciando um dos prós da viagem solo, já que sou rainha absoluta para decidir sobre o roteiro. Nem sempre é necessário acordar ao alvorecervaria de acordo com a cidade que estou. Em lugares mais urbanos, as atrações turísticas às vezes abrem tarde (museus, lojas, parques, etc). Bagan é uma cidade quente (setembro/outubro), logo, a caminhada pela manhã é mais agradável. 

Shwezigon Pagoda

O café da manhã começava a ser servido às 6h. Por volta das 6:30h estava caminhando pelo salão, selecionando o que comeria. Decidi experimentar a culinária oriental no café da manhã, embora adore pães, frutas e café. Um pouco receosa, escolhi tomates assados com alecrim, feijão, tempurá de legumes, e, para meu espanto, tudo estava delicioso.
O hotel

Voltei para o quarto, tomei meu banho. Já pronta, com água e protetor solar na mochila, atravessei a rua para alugar a motoneta. Dessa vez fiz a locação para o dia inteiro (7 mil kyats). O rapaz me surpreendeu e trouxe um capacete – deve ter ficado com medo do meu despreparo no dia anterior.
Preferi seguir em direção a Nyaung-U para visitar a Shwezigon Pagoda. Foi o dia mais emocionante naquela cidade! Talvez por ser sábado, o templo estava repleto de famílias locais. Encontrei turistas, mas poucos…

Shwezigon foi construída como o santuário mais importante de Bagan em 1.076. Era o centro de reflexão e oração para a fé Theravada estabelecida pelo Rei Anawarahta. Fica localizada entre a vila Wetkyi-in e Nyaung-U.

A forma graciosa do sino do templo se transformou em modelo para todos os demais construídos em Myanmar. O pagode dourado fica repousado sobre três terraços. Placas esmaltadas dispostas ao redor da construção ilustram cenas da vida de Buda. Nos pontos cardinais de frente para as escadas de acesso ao terraço encontramos santuários que abrigam uma estátua de Buda de 4 metros.

Assim que passei pelo cruzamento (um drama para quem não está acostumada com moto), estacionei na entrada do templo. Um simpático chinês perguntou quanto foi a locação da e-bike. Contou-me que estava com um grupo, mas gostaria de ter um tempo para passear só. Estavam fotografando com câmeras caríssimas num tour fotográfico.

De capacete dessa vez

Andei pelo extenso corredor até a entrada, que tem muitos artesãos e pessoas vendendo produtos para os turistas. Evito parecer muito interessada pelos artesanatos – eliminando a insistência, já que não tinha a intenção de comprar nada.

As pessoas foram muito atenciosas em Shwezigon. Assim que entrei, três meninas se aproximaram e começaram a mandar beijos para mim. Pena que só tirei uma foto quando já se afastavam. Todos cumprimentavam com um sorriso tímido ou com um olhar fraterno.

As três meninas lindas que sorriam e acenavam pra mim

 

My travelbook

O sol estava intenso e iluminava a pagoda dourada, causando um lindo espetáculo visual. Percorri o entorno do templo e uma senhora pediu para tirar foto comigo (sempre retribuo, mas não estava preparada). Logo após, uma família perguntou se poderia posar com eles. A solicitação foi prontamente atendida.

 
 


Após caminhar por quase todo o espaço, percebi que a maioria das pessoas seguiam para um pátio coberto, mas não tinha turistas no interior. Curiosa, fui até lá, mas não entrei – num primeiro momento. Fiquei observando da escada e um homem veio até mim, com um bebê no colo, e explicou que cada um leva um prato de comida aos sábados e comem juntos ali. Olhando para o menino, disse com orgulho: “esse é meu filho”. 

Ele me explicou sobre o almoço aos sábados


Infelizmente não consegui comprar uma câmera mirrorless, que tinha planejado, antes de seguir para Bagan, pois o cenário é mágico. Merece ser fotografado.

É provável que tenha passado mais de 2 horas no templo supracitado, pois estava em êxtase absoluto. Posteriormente, segui em direção à Nyaung-U, visto que pretendia visitar o mercado “Manisithu Market“. Após alguns minutos dirigindo, parei para saber se estava na direção correta. Disseram-me que sim. Adiante resolvi perguntar novamente e a senhora disse que estava fechado. No meu roteiro havia a informação que abria todos os dia, então, segui em frente (o mapa dado pelo hotel não facilitava a localização, bem como não consegui baixar pelo google maps).  

A maioria dos mochileiros ficam em Nyaung-U, em razão da grande oferta de pousadas, locação de motos, agências de turismo, mercadinhos. Talvez seja o melhor lugar para se hospedar, já que ter uma e-bike é quase obrigatório e, como é elétrica, tanto faz a distância percorrida.

Quase não conseguia ver o asfalto da estrada principal, de tanta poeira. Nesse ponto da cidade tem casas comuns, pessoas caminhando. De repente, vi uma rotatória com dezenas de motos e gelei. Aguardei o fluxo diminuir. Segui para a direita e percebi que ali poderia ser o mercado. Foi difícil achar um lugar para estacionar.

 


Tinha chovido de manhã e o chão do mercado continha muita lama. Os chineses do tour fotográfico estavam por lá com sacos plásticos até os joelhos. Parei para conversar com o guia deles um rapaz muito simpático. Entrei na feira, que vende legumes, frutas, carnes, ovos. Não quis ligar o flash e as fotos ficaram escuras, pois o ambiente é coberto. No fim, comprei algumas frutas-de-conde, mas acho que a senhora me cobrou caro, 5 frutas por 1 mil kyats (menos de 1 dólar). 

 


Na volta, tive que suar a camisa para pegar a moto, pois estacionaram atrás de mim. Passado o sufoco, retornei para Old Bagan com o intuito de descansar. Parei no restaurante “Queen” e tomei um suco de laranja. Atravessei a rua, pois tinha uma agência do outro lado, e perguntei sobre excursões. A resposta foi que só fazem tour privado. 

O hotel Umbra

Ressalto que a maioria das pessoas correm para ver o nascer e o pôr do sol, registrando imagens lindas (alguns templos não permitiam escalar, em razão do terremoto de agosto). Não conseguiria dirigir sem iluminação na estrada e não queria pagar uma fortuna para alguém me levar (li que cobrariam 20 dólares pra levar e trazer). No aeroporto de Mandalay encontrei uma brasileira que ficou em hostel e disse que organizavam um tour todos os dias para ver o amanhecer e o entardecer. Talvez seja melhor se hospedar em hostel para ter companhia e opções mais baratas. Prefiro não dividir quarto com estranhos por questão de segurança.

Após o merecido repouso, segui para o templo Gawdawpalin, que tem dois andares, típico do estilo tardio, foi construído no século 11. O plano é quadrado com pórticos nos quatro cantos, no primeiro andar encontramos 4 imagens de Buda. 

 

No caminho fui percorrendo várias estupas, pagodas, etc. Parei no templo TaWaGu (construído em 1.190 por um ministro que doou o templo, escravos e terras, segundo inscrição no interior), de repente o céu escureceu, mas segui até o Shwebonthar, Myet Taw Pyay.

 
 

     
Esse fofo vinha lutando no caminho. Dava socos no ar. Perguntei “posso tirar sua foto”. Sorriu e parou. Pena


Estava com fome e decidi retornar ao restaurante do dia anterior: The moon, be kind to animals. Na porta, antes de entrar, apareceu o menino do dia anterior, perguntando se tinha lembrado de trazer a nota do Brasil. Estava numa bicicleta novinha. Dei os 2 reais e tiramos uma selfie. Um funcionário do restaurante, ao ver que abri a mochila, saiu para saber se estava acontecendo alguma coisa.

 

Optei pelo delicioso veg burguer com um suco de laranjas (5 mil kyats). Descansei e retornei para o hotel, mas fui parando em alguns templos pelo caminho. Não entreguei a e-bike de imediato, mas depois concluí que naquele dia já estava sem disposição para explorar a cidade e preferi descansar no hotel.

Giovaninha

A carroça também é um meio de transporte utilizado em Bagan. Custa cerca de 25 dólares o dia.

 


 

Bagan, a cidade com 2 mil templos (1ª parte)

Localizada na região central de Myanmar, Bagan é uma cidade famosa por seus 2 mil templos budistas. O país é mais conhecido pelo antigo nome, Birmânia (ou Burma), mas em 1989 o regime militar decidiu que o território se chamaria Myanmar (Mianmar). Faz fronteira com Índia, Laos, Tailândia, China e Bangladesh. Sua moeda é o Kyat (1 dólar = 1.250 kyats, cotação de outubro de 2016) e, desde 2006, a capital é Yangon (Rangun).



Myanmar exerce um poderoso fascínio sobre os viajantes, uma vez que o país só abriu as portas para o turismo em 2012, portanto, muitas características culturais ainda estão preservadas. Os homens usam longyis (um tipo de saia) – hoje é possível encontrar alguns vestindo calça comprida. Mulheres e crianças usam a thanaka (cosmético feito com o pó da madeira de uma árvore abundante naquele solo) no rosto, objetivando obter proteção solar. Outro hábito interessante é que os homens mastigam uma espécie de tabaco, constituído por folhas de betel e noz de areca. Em razão de tal prática é muito comum se deparar com sorrisos e salivas vermelhas, bem como dentes danificados.

Em 2012 o cineasta Luc Besson fez uma película sobre um dos maiores ícones daquela nação: Aung San Suu Kyi. O filme “Além da liberdade” (The lady), que pode ser assistido na Netflix, conta a história da vencedora do Nobel da Paz e sua batalha pela democratização da Birmânia. Ficou 15 anos em prisão domiciliar em razão da restrição de liberdade imposta pelo regime militar, sendo libertada apenas em 2010

Orgulho nacional na parede do restaurante “The moon”

Nos post anterior contei sobre o longo caminho que percorri para chegar em Bagan. No dia seguinte, levantei às 7h, tomei meu banho e fui para apreciar o café da manhã. Escolhi o hotel pela localização, não exatamente pelos elogios na avaliação e não esperava um café da manhã tão bom. Por incrível que pareça, tinha pães e todos feitos na propriedade. A responsável pelo café da manhã estava sempre sorrindo e interagia, queria saber se eu tinha gostado de cada acepipe servido. Essa senhora foi uma pessoa que me emocionou naquele país em decorrência da sua dedicação e simpatia. Havia duas mesas, uma com comidas ocidentais e outra com as preferências orientais, pois costumam comer macarrão, arroz, frituras em geral.


Observei que Bagan é dividida em 3 “bairros”: Old Bagan (templos), New Bagan (parte nova) e Nyaung-U (aeroporto e alguns templos). Definitivamente não é uma das cidades mais baratas do Sudeste Asiático no que diz respeito à hospedagem, mas também não tinha valores exorbitantes (cerca de 130 reais a diária). Primeiro pesquisei Old Bagan, mas naquela localidade tem apenas uns 3 resorts caros. O hotel mais próximo era o Bagan Umbra Hotel. Li que ficava a uns 3km dos primeiros templos e conclui que seria possível acessá-los de bicicleta. 

O hotel tinha algumas avaliações negativas sobre o quarto standard, que escolhi. Acredito que tenha sido renovado, pois o banheiro era novo e grande, apenas sem cortina na área de banho. O quarto era limpo e tinha cama king, tv led, frigobar, ar-condicionado, wi-fi. É claro que existem outras instalações mais luxuosas no próprio hotel, mas custavam o dobro. As duas piscinas são ótimas para relaxar.

 


Após o café passei a me preocupar com o meu deslocamento. Fui até a recepção e perguntei se tinham bicicleta e a resposta foi “não”. Quis saber se havia alguma excursão em grupo (tinha visto dois ônibus com dezenas de pessoas no estacionamento) e novamente ouvi uma resposta negativa. Mas como não existe tour? Restavam 2 opções: alugar uma e-bike (é uma scooter elétrica) ou um carro com motorista. Nunca andei de moto e não tenho habilitação, mas pagar um carro com motorista só pra mim seria absurdo (no Camboja estava em grupo e um carro para 4 pessoas saiu por 10 dólares), embora 35 dólares esteja dentro dos padrões turísticos. Aqui registro minha indignação com o atendimento frio da recepção, pois ao mencionar que nunca tinha dirigido uma motoneta, disse para atravessar a rua e testar naquela “locadora”, sendo que o hotel possuía umas 40 motos! E tinha um staff de dezenas de pessoas. Custava perder 5 minutos para me instruir?

Atravessei a rua e disse pro rapaz que nunca tinha andando de moto e que há muitos anos não andava de bicicleta. Muita chance de dar errado! Ele foi muito gentil e segurou a moto para ver se eu me equilibrava, depois mostrou como ligar e acelerar. Os preços eram: 4.000 kyats a metade do dia e 7.000 kyats o dia inteiro. Pensei bem e optei pela metade do dia, se ainda estivesse viva. Não precisa apresentar qualquer documento. Saí com a moto e entrei no hotel para pegar o mapa. Existem diversas pessoas alugando esse tipo de moto elétrica (não precisa se preocupar com combustível) por toda a cidade. Os preços variam.


Embora a cidade seja conhecida pelos 2 mil templos, existe uma classificação distinta para cada construção. Pode ser templo, pagoda (pagode), stupa ou monastério. Ressalto ainda que alguns monumentos estavam fechados em razão do forte terremoto (6.8) que atingiu a cidade em agosto, causando danos estruturais nos edifícios.

O primeiro templo que conheci foi o “Hti-lo-min-lo – o último desse estilo a ser construído na cidade por volta de 1208. O nome significa “bênçãos dos três mundos”. Fica localizado entre Old Bagan e Nyaung-U. Tem 46 metros de altura e dois andares. Encontramos 4 Budas nos andares superiores e inferiores. Existem vestígios de murais e fragmentos de esculturas.

Estacionei a moto na entrada do templo até que um guarda (só vi guarda nesse templo) veio me mostrar onde poderia parar. Coloquei meu chinelo ao lado porta (não pode entrar com calçado nos templos, deve ter pernas e ombros cobertos) e comecei a explorar. Os templos possuem estátuas douradas de diversos tamanhos. 

Do lado de fora tinha muitas barracas com artesanatos e, por mais que ainda tenham uma cultura preservada, o assédio aos turistas existe. Uma moça simpática, que falava inglês perfeitamente, disse que eu estava cheirosa (não acredito que usem perfume por lá, pois é um lugar muito pobre). Agradeci e elogiei sua eloquência. Respondeu que aprendeu o idioma após a chegada dos turistas (sabia que no fim tentaria me vender algo). Levou-me ao topo do monastério que ficava próximo ao templo. Tirou foto. Em seguida foi me mostrar as peças de sua barraca. Até pensei em comprar, mas desisti ao ver os preços. Queria 10 dólares em qualquer objeto que compraria por 1 dólar na Tailândia. Agradeci e caminhei. 

 
Olha a pontinha do templo que foi quebrada pelo último terremoto


Parei para olhar algumas bonecas e acabei comprando uma para minha mãe e outra para minha sobrinha. Giovana tem bonecas de Bali, Camboja, Hungria, Tailândia, etc. Os preços não são tão atraentes como na vizinha Tailândia, mas negociei duas bonecas por 7.000 kyats (6,50 dólares), afinal eram feitas de madeira e tecido. Deve dar trabalho para confeccioná-las. No Brasil jamais encontraria algo pelo mesmo valor.

Reparem no rosto com a thanaka


No interior do templo fui parada por uma família para tirar fotos. Sempre que pediam eu retribuía e também registrava o momento. Enquanto caminhava na área externa fui parada por um grupo de rapazes, que depois disseram que era um prazer tirar uma foto comigo. Por algum momento me senti o centro das atenções. É uma prova que ainda se espantam com os estrangeiros.

Os homens de longyi

Li previamente que a cidade cobra uma taxa de 25 dólares (o valor subiu de 10 para 25 em pouco tempo) assim que o turista entra na cidade. Quem chega pela via aérea já paga no aeroporto. Cheguei de van e ninguém entrou no automóvel. Uma garota me parou e pediu o cartão “Bagan Archaeological Zone”. Na minha frente um casal fazia um escândalo (risos), pois estavam ali há três dias e ninguém tinha pedido e agora teriam que pagar no último dia da viagem. Perguntei se poderia pegar no hotel, mas não adiantou, pois não sairia do local sem o cartão. Paguei os 25 mil kyats. O cartão é válido por 5 dias. Sinalizo que em nenhum outro templo tinha qualquer pessoa cobrando o tal documento! Tenho dúvidas se o dinheiro é utilizado na preservação do patrimônio, pois os monumentos parecem abandonados.

No caminho existem centenas de estupas, pagodas. Parava para registrar e muitas vezes estava sozinha, sem qualquer outro ser humano por perto. Alguns templos possuem a inscrição apenas em birmanês, na entrada, dificultando a localização no mapa. Passei pelo “That-buin-nyu”, que foi atingido pelo terremoto, “Chatu-Mukha”, “Ananda Pagoda”. Fico fascinada pelas esculturas de Buda. 

O templo de Ananda é uma obra-prima da arquitetura Mon. Foi edificado em 1.105 d.C. e é um dos mais reverenciados em Bagan. Em 1975 houve um terremoto que causou graves danos na estrutura, no entanto, foi totalmente restaurado. Diz a lenda que o rei executou os arquitetos após sua construção para que o estilo fosse singular.

O Maha Bodhi Phaya foi construído entre 1211-1234 com o intuito de comemorar a iluminação de Buda. É um monumento diferente dos demais com formato em sino, pois há um bloco quadrangular que suporta a estrutura piramidal.
 

 
Como desvendar o nome do templo?


O Templo Mee Nyein Gone está localizado ao sul de Bagan e significa “colina onde o fogo se extingue”. Dentro do salão há uma enorme imagem de Buda. As paredes são decoradas com pinturas florais.

Mee Nyein Gone
Resquícios de murais


Assim que cheguei no templo That-buin-nyu fui seguida por um menino, por volta dos 10 anos, oferecendo um livro ou postais. Agradeci e disse que não queria. Seguiu-me por todo o templo, me deixando irritada. Todos diziam que as pessoas eram sempre amáveis em Myanmar e aquela atitude não parecia com nenhum relato. No fim, quando tomou consciência que não compraria nada, disse “fuck you”. A agressividade do pequeno parecia muito com o comportamento dos cambojanos nas proximidades de alguns templos, que xingavam e riam. Foi um fato isolado, no entanto, também pode sinalizar um futuro sombrio, já que a pobreza aliada à agressividade não pode gerar bons frutos.  

O That-buin-nyu é uma construção branca e imponente, que pode ser vista de longe. Em birmanês significa “onisciência do Buda”. É preciso conhecer e ver plenamente. Foi construído entre 1113-1163 e é um dos primeiros com dois andares. Duas escadas dão acesso ao terraço de onde pode ter uma vista panorâmica de Bagan.

 


Continuei a percorrer as estradas de terra (a principal tem asfalto, mas com um desnível de uns 30 centímetros para a área não asfaltada) e novamente fui abordada por um menino. Esse ofereceu seus desenhos e livro, mas era muito dócil. Conversamos. Contou-me que colecionava notas de outros países e perguntou se teria alguma nota de real. Disse que não havia na minha mochila, mas no dia seguinte lembraria do pedido.

Sobre a questão da coleção de notas, vou ser cética. Uma blogueira contava a história de uma forma romântica, que um pintor disse que o maior sonho era colecionar notas de todos os países (quase chorei). No meu primeiro dia, efetivamente passeando pela cidade, ouvi a mesma história de vários meninos. É possível que alguma casa de câmbio compre essas notas. Perguntei se não tinha euro ou dólar na carteira. Balançou a cabeça negativamente e informou que ninguém tinha dado. Mostrou-me notas com valores baixos, que acentuou minha desconfiança. Prefiro acreditar que seja uma competição. Um álbum de figurinhas…

No caminho de Old Bagan, vi a placa que indicava o restaurante com a melhor avaliação no tripadvisor: The moon, be kind to animals. Resolvi seguir uma dieta vegetariana durante a viagem. O ambiente era simples, mas muito charmoso. O chão é de terra batida, tem umas sombrinhas típicas da região junto com as árvores. O menu é internacional, mas sempre vegetariano. Os preços eram ótimos. Solicitei um “Fresh spring roll” (existe o rolinho primavera fresco, feito com folha de arroz, além do mais conhecido, que é feito com uma massa de trigo e frito) com um suco de laranja. O fresh spring roll (muito comum no Vietnã) vinha com 3 molhos deliciosos: coco, tamarindo e pimenta. Após a refeição, me ofereceram uma deliciosa bala de tamarindo. Na mesa ao lado tinha um brasileiro, só soube após um guia local perguntar, pois tinha traços orientais (era filho de pai japonês). Estava com um amigo tailandês. Começamos a conversar, disse que morou 8 anos em Tóquio e estava há 4 em Bangkok, mas iria retornar, pois não se acostumou com a desordem tailandesa.  

 


Cogitei voltar e alugar a e-bike pelo resto do dia, por outro lado, fiquei com receio de ver muitos templos e ainda teria 2 dias inteiros. Entreguei a moto e fui para o hotel aproveitar a piscina. Fiquei na menor, pois a maior estava com incontáveis adolescentes pulando e queria sossego (coisa da idade!).

Giovaninha, a boneca da minha sobrinha. Pede pra carregá-la em várias viagens…

O hotel e seu templo particular, em segundo plano

Um longo caminho até Bagan

“Você não sabe o quanto eu caminhei
Pra chegar até aqui
Percorri milhas e milhas antes de dormir
Eu nem cochilei…”

Cidade Negra

Antes da viagem realizada em 2016 para a Ásia, tinha visitado o continente em 2013 e 2014, mas Mianmar não entrou no roteiro em razão do pouco tempo disponível para conhecer muitos lugares e também em virtude da dificuldade para obter o visto (a maioria das pessoas pediam em Bangkok).


Para facilitar a vida do viajante, desde 2015 o país começou a emitir o visto online e passei a pensar com mais entusiasmo em visitar a Birmânia. Na última semana de agosto vi uma promoção para a Tailândia e adquiri a passagem para o fim de setembro. Com um mês para organizar o roteiro, pedi o visto no dia seguinte da compra. 

Alguns templos em Bagan


Tinha uma única certeza: visitaria Bagan, a cidade com 2 mil templos, em Mianmar (ou Myanmar, Burma, Birmânia). Conto aqui como emitir o visto. 
É bom ter uma ideia do que quer visitar antes de pedir o visto. Não sei se antigamente só entrava pela capital, Yangon, mas encontrei essa informação em alguns blogs. Hoje o site disponibiliza 6 opções de entrada (3 aeroportos). Meu objetivo era conhecer Bagan, logo, optei por Mandalay, por ser a cidade mais próxima (de 4 a 6 horas de van), mas Yangon tem mais opções de voos, por exemplo, e tem ônibus noturno (10 horas) até Bagan. 
Primeiro cogitei ir para Mandalay no mesmo dia da chegada em Bangkok o voo tinha previsão de chegar 7h da manhã na capital da Tailândia e o voo para Mandalay, saindo do aeroporto Don Muang, partiria às 10:50h, mas desisti, pois estaria muito cansada e conexões no mesmo dia são sempre arriscadas em razão de eventuais atrasos. Preferi passar um dia em Bangkok.

Comprei a passagem (73 dólares com bagagem até 20 quilos, lanche e direito de escolher o lugar) para Mandalay na Airsia, que tem um voo diário de Bangkok para Mandalay, mas para Yangon existem mais opções em outras companhias aéreas. 

Não voo de qualquer outro país direto para Bagan, mas existem voos desde Mandalay e Yangon. E, por incrível que pareça, Myanmar tem muitas companhias aéreas. Observei que os voos diretos aumentam a frequência a partir de outubro (considerada alta temporada pelo fim das chuvas e início dos passeios de balão). Os preços são acessíveis, a partir de 60 dólares, todavia, saíam cedo e teria que ficar 1 dia em Mandalay, então a via aérea foi descartada

As companhias aéreas que operam voos domésticos em Myanmar: Golden Myanmar Airlines (http://www.gmairlines.com/), Mann Yadanarpon Airlines (http://www.airmyp.com/), Myanmar Nation Airlines (http://www.flymna.com/), Air Bagan (http://www.airbagan.com/), Air KBZ (http://airkbz.com/), Yangon Airways (http://www.yangonair.com/index.php/en/), Air Mandalay (http://www.airmandalay.com/), Asia Wings Airways (http://asianwingsair.com/) e Myanmar Airways International (http://maiair.com/).

Além do avião, sobram outras 4 formas de ir de Mandalay até Bagan: barco, trem, ônibus e van (minibus). 

Avião
Leva cerca de 40 minutos para chegar ao aeroporto de Nyaung-U. As passagens custam a partir de 60 dólares. 
Trem
O trem sai do centro de Mandalay às 21 horas. Leva cerca de 10 horas para atingir o destino. Custa entre 4 e 10 dólares.

Barco
É uma boa opção para quem tem mais tempo. A empresa MGRG faz o trajeto diariamente. Os preços são variados, custando a partir de 45 dólares.

Ônibus
É mais confortável que a van (tem espaço para as pernas), mas não sai do centro de Mandalay. Leva entre 5 e 7 horas. Sai de Mandalay Highway Bus Terminal (10 km do centro) ou Kwe Se Kan Bus station. Além de não ficar no centro, também deixará longe do centro de Bagan. Custa 8 dólares. O melhor ônibus é Shwe Man Thu Express, segundo minha pesquisa.

Van
Saem do centro de Mandalay e também recolhem passageiros nos hotéis. Entrei no site http://www.myanmarbusticket.com e fiz uma consulta (foram muito prestativos). Disseram que poderia comprar o tíquete da companhia OK Express, saindo às 14:30h, pois meu voo chegaria às 12h. O site indica 8 horas, mas o percurso pode ser feito em 4 horas, em dias normais.

Ao consultar o site do aeroporto de Mandalay, encontrei uma valiosa informação sobre o táxi compartilhado e tabelado. Os valores são:

4,000 Kyat – Táxi compartilhado
12,000 Kyat – Táxi privado
15,000 Kyat – Táxi privado com arcondicionado

 

Kyat, a moeda de Myanmar

Assim que o avião aterrissou, passei pela imigração, que não fez qualquer pergunta. Apenas mostrei o visto. Tiraram uma fotografia com a webcam e carimbaram o passaporte. Na área para pegar a bagagem tinha uma casa de câmbio. Em tese, pagam menos dentro do aeroporto, mas não queria correr risco de sair sem a moeda local. A conversão ficou 1 dólar = 1.250 kyats. Troquei 100 dólares, que foi o suficiente para 5 dias em Myanmar.

O lado bom de converter no aeroporto: os birmaneses preferem receber em dólar, mas a conversão fica 1 dólar = 1.000 kyats. Ao sair do aeroporto disse que queria um “shared taxi” e fui levada para uma van, que estava com outros passageiros. Peguei o celular e mostrei onde iria ficar (no escritório da OK Express: 25th street, Between 86th & 87th street, near Zay Cho Clock Tower). Dentro da van tinha um casal de norte-americanos conhecendo o 76º país e uma alemã, que fica por muitos meses em cada cidade que passa (bateu uma inveja, admito).

O aeroporto de Mandalay fica a 35 km da cidade, ou seja, distante da cidade. O percurso levou cerca de 1 hora e choveu torrencialmente. As ruas estavam alagadas. Assim que chegou no centro senti um choque cultural. Fui a primeira pessoa a ser deixada. Ajudaram-me a pegar a mala e pulei sobre o rio que se formava.


Entrei no escritório da Ok Expressque era literalmente um barraco de madeira. O negócio era gerenciado por uma mulher e alguns homens. Dentro havia uns 15 homens de longyi (um tipo de saia) e todos me olharam, provavelmente porque não havia um turista no local. Disse que queria uma passagem para Bagan. O homem riu e indagou “Você não comprou antes?”. Naquele momento senti um frio na espinha. Imagina ficar ali por horas? Olhou os papeis sobre a mesa e disse “18.00 kyats”. Aí questionei que era uma única pessoa (sabia que o preço cobrado online era cerca de 11 dólares). Retrucou: “Sozinha? Então é 9.000 kyats. Assento número 15.” Pedi para ir ao banheiro e presenciei cenas de terror. O lugar era inabitável, mas minha bexiga deixou claro que a natureza é sempre mais forte.


Depois fiquei sentada, estava com fome, mas chovia muito para caminhar pelas ruas e procurar alimento. Ali vi cenas memoráveis, mas não tive ânimo para fotografar. Monjas com suas roupas rosas caminhando, centenas de bicicletas, homens com seus longyis, mulheres com o rosto pintado de thanaka. Foi um quase-transe que tomou conta de mim.

A van chegou e só tinha pessoas locais aguardando. Além de mim, vi que tinha um casal de turistas chineses no interior do automóvel. O assento 16 era individual, mas sem lugar pra colocar as pernas, pois fica sobre a roda. A viagem foi surreal. Um homem que estava atrás de mim pegou um saco de plástico preto e começou a cuspir e vomitar por todo o caminho, queria pensar que era folha de betel com noz de areca (costume dos homens daquele país), mas fiquei tensa e cogitei que poderia ser tuberculose. Não tive sossego e não queria respirar. Suava sem sentir calor.

A tortura não tinha terminado, pois estava com fome (o último lanche foi dentro do avião) e esperava comer na parada. Assim que a van estacionou me deparei com pessoas locais vendendo animais fritos que não conseguia identificar. Podia ser algum pássaro? Ovos de codorna. Caminhei para o banheiro e nunca vi tanto lixo em um local. É óbvio que não consegui comer nada. Senti saudade da comida de rua de Bangkok. Ficaria feliz com uma simples fruta!

 

Aquela casinha de madeira lá atrás é um banheiro

A estrada é péssima e estava chovendo, portanto, o percurso durou 6 horas, quando o comum é chegar em 4. Nunca sofri tanto, mas passou. A van vai parando e deixando as pessoas. Parou na rodoviária e depois só ficaram os 3 turistas. Seguimos até o escritório da Ok Express em Bagan. O chinês foi perguntar se não nos levariam até os hotéis (eles buscam e deixam nos hotéis). O motorista disse para o casal “Vocês vão de táxi. 10 mil kyats”. Já estava revoltada e perguntei “E eu”. Ele mandou esperar. Veio um transporte típico do país: um caminhonete que aqui é conhecida por “pau-de-arara”. Perguntei quanto era e disse que não custaria nada. Os locais me ajudaram com a mala. Estava absolutamente escuro, já que Bagan não tem iluminação pública. Minha condição física e psicológica não era das melhores.

O pau-de-arara parecido com o que andei


De repente vi um hotel bonito, todo iluminado e a caminhonete entrou. Nunca fiquei tão feliz na minha vida! Um funcionário veio me buscar. Dei tchau pro povo do “pau-de-arara”. Fiz o check-in, me ofereceram um chá gelado e me levaram para o quarto. O hotel escolhido foi o “Bagan Umbra hotel“, perto de Old Bagan.

Deitei e estava acabada. Tomei um banho demorado e quando olhei pro relógio já passava das 21h. Precisava comer urgentemente! Pesquisei no Tripadvisor o melhor restaurante próximo. Fui na recepção e me disseram que estava aberto. 21h35.

Na saída do hotel vários cachorros começaram a latir (tenho pavor de cachorro, com exceção do pug da minha sobrinha), mas um funcionário veio para espantá-los. Caminhei na escuridão e em 3 minutos cheguei no restaurante “Queen“. Tem uma decoração bonita, apesar de ser um lugar simples. Peguei o menu e perguntei qual era o prato típico. A garçonete disse “Curry“. Pedi um curry vegetariano (a culinária birmanesa sofre mais influência da vizinha Índia) por 4.000 kyats e um suco maravilhoso com limão, mel e tamarindo (2.500 kyats).


Me trouxeram amendoins (é um petisco da região) e rapidamente a comida foi entregue. O curry era gostoso. O arroz estava quente. Tinha tomate com amendoim, vegetais bastante apimentados, uma verdura com cebola. Um turista sentou na mesa ao lado e pedi para tirar uma foto minha. Depois ele perguntou o que achei do curry. Começamos a conversar. Era um israelense que tem uma empresa de turismo. Levaria um grupo grande para Myanmar no mês seguinte e viajou antes para fechar os passeios e hoteis. Perguntou onde estava hospedada e voltamos juntos. Perguntou se queria conversar perto da piscina e disse que estava cansada. Caminhei para o meu quarto e desabei na cama para me recompor com um sono profundo.



Visto para o Laos

 
O Laos exige visto para brasileiros. Utilizei a modalidade de “visa on arrival”, ou seja, visto na chegada. O aeroporto de Luang Prabang é pequeno, então o trâmite levou cerca de 40 minutos (achei demorado em comparação ao Camboja e Vietnã). 
São três filas. Primeiro você entrega os formulários preenchidos juntamente com o passaporte (com o mínimo de 6 meses de validade) e 1 foto 5×7 (caso não tenha, basta pagar a taxa de 1 dólar para que seja escaneada do passaporte). Depois caminha para a fila seguinte e paga pelo visto. Os países possuem taxas distintas. Brasileiros pagam 30 dólares (europeus, em geral, 35 dólares) + 1 dólar que é uma taxa de serviço (tem que ser em “cash”, não aceitam cartão). Para finalizar, na última fila tiram uma foto na webcam e entregam o passaporte já com o visto colado. É válido por 30 dias.

 

Estou de volta, Bangkok

Estive na Tailândia em 2013 e fiquei em Bangkok por 5 dias, pois a cidade serviu como base para outros passeios de um dia (Ayutthaya, Kanchanaburi e o mercado flutuante em Ratchaburi). Não pensava em voltar tão cedo, pois tenho curiosidade de conhecer lugares novos – mas admito que o país está no meu top 3. 
Marquei minhas férias e rascunhei dois roteiros. Por incrível que pareça, a passagem para Bangkok estava com o custo inferior que muitos destinos na Europa. E, apesar da cotação do dólar (R$3,30), a passagem comprada saiu quase R$1.000,00 mais barata que da outra vez: R$2.300,00, voando pela Etihad, incluindo a ida e volta do Rio de Janeiro a São Paulo. 



Estava muito claro que queria conhecer Myanmar e Laos, mas os voos diretos são infinitamente mais caros. Ainda tentei ir direto para Chiang Mai, cidade que infelizmente não conheço, pois tinha essa opção na KLM e Air France, mas acabei desistindo em razão da majoração dos valores.

Apesar das monções, iria em setembro (já estive no Sudeste Asiático entre outubro e novembro), mas achei que não prejudicaria meus planos, pois visitaria cidades ao norte, que sofrem menos com as chuvas.

Tive menos de 1 mês para organizar o meu roteiro, pedir visto (Myanmar), comprar as passagens internas e reservar os hotéis. Durante a elaboração, descobri que não tem voo entre Myanmar e Laos por questões diplomáticas, novamente pensei em colocar Chiang Mai (Tailândia) entre os dois países, mas não tinha voos diários e poderia acabar complicando tinha poucos dias de férias.

Durante o voo, atendendo ao pedido de um chinês, troquei de lugar para a poltrona imediatamente atrás da minha (fui feliz, pois o amigo estava com um cheiro terrível) e comecei a conversar com o casal ao lado, que também seguiria para Bangkok. 

Como contando no post anterior, sobre os transportes para sair e chegar nos aeroportos de Bangkok, uma das minhas preocupações é como sair do aeroporto, e, de preferência, opto pela forma mais econômica.

Na chegada, em razão das inúmeras horas e de voo e mudança de fuso horário (saí 26 de setembro e cheguei 28), tinha analisado 3 possibilidades para sair do aeroporto: táxi, trem do aeroporto (Airport Rail Link) + táxi ou trem do aeroporto+ Sky Train+ Barco. 

O táxi, em tese, é barato, mas os taxistas insistem em não ligar o taxímetro, que pode ser uma dor de cabeça para o viajante. Da outra vez cobraram 700 baht, 400 baht e até 280 baht (para ter ideia da variação). Hoje em dia tem a opção do Uber (no aeroporto tem wi-fi grátis), mas li num fórum que independente do valor (o aplicativo mostrava 395 baht), a corrida sempre daria 1.000 baht (teria que confirmar pra saber se é verdade).
Decerto, se não tivesse encontrado outras pessoas para dividir o custo, teria pego o Airport Rail Link, mas decidi dividir o táxi com o casal mineiro. Na outra vez, lembro que os taxistas não aceitaram levar 4 pessoas, então nos dividimos e fomos 2 em cada carro, mas o valor foi fechado antes. Agora, ao que parece, o valor é sempre pelo taxímetro.
Lívia e Victor, que passariam 15 dias apenas na Tailândia, compraram o simcard para 15 dias por 62 reais. Existem algumas opções com valores distintos, mas optaram por um plano ilimitado. Achei incrível existir essa opção, pois o whatsapp continua funcionando com seu número anterior, apesar da mudança do cartão, só não comprei porque não ficaria apenas em um país. Lívia me contou que o sinal é bom e funcionou até mesmo dentro do trem que pegou para Chiang Mai.
Caminhamos para a fila que fica do lado de fora do aeroporto (basta seguir as placas). O primeiro taxista disse que não pararia em dois hotéis (ambos na região da Khao San Road). O segundo aceitou, inclusive não reclamou do taxímetro, mas é lógico que estava adulterado, pois deu 800 baht (1 real = 10 baht), quando o normal seria 400 baht. Tem ainda 75 baht de pedágio e 50 baht de taxa para sair de qualquer aeroporto. No fim, não foi uma opção ruim, contudo, não cogitei pegar qualquer táxi posteriormente, pois com certeza aprenderam alguma técnica para acelerar a quilometragem.
Seguindo a mesma lógica da última viagem, preferi ficar na região da Khao San Road (reduto dos mochileiros) no meu primeiro dia em Bangkok (totalizando 4 dias, entre idas e vindas de outros destinos). O hotel escolhido foi o Rambuttri Village Inn & Plaza. Tem uma excelente relação custo-benefício. É um hotel barato com a opção de quarto individual (raro de encontrar), diárias a partir de 69 reais. Um achado. Reservei o quarto individual deluxe, pois tinha lido que a opção mais barata não era tão boa, por R$92,50, com café da manhã (nem pude provar, como contarei a seguir).

Em 2013 fiquei num hotel melhor avaliado na mesma região (Tara Place), no entanto, mais distante dos pontos turísticos. O Rambuttri tem duas piscinas, restaurante, 2 agências de turismo, uma loja 7 eleven (vende de tudo um pouco). E fica na rua Soi Rambuttri, muito mais charmosa que a Khao San Road.

No campo reservado para pedidos especiais no site hoteis.com (prefiro pagar as diárias antecipadamente e parcelo), solicitei ao hotel que me deixasse fazer o early check-in. Cheguei por volta das 09:45 no hall e, contrariando alguns relatos, fui muito bem atendida. Tive que deixar 1.000 baht (1 baht = 10 reais) de depósito (praticamente todos os hotéis na Tailândia pedem depósito) e prontamente fui levada para o meu quarto. Antes das 10h! Sendo que o check-in só ocorreria às 14h. Fiquei muito agradecida. Esse gesto significa muito para quem viajou por mais de 20 horas para chegar num destino.
O quarto tinha cama grande, wi-fi funcionando perfeitamente, frigobar com 2 garrafas de água, banheiro (não tem cortina e molha tudo), ar-condicionado. Tirei os meus sapatos e me estiquei até criar coragem para tomar o meu banho e partir para conhecer algumas atrações. Saí por volta do meio-dia. Não tinha mapa no hotel (esqueci de pegar no aeroporto), mas um senhor me deu algumas coordenadas. Por algum motivo desconhecido não consegui baixar o mapa no google maps, para acessá-lo offline. Perguntei na agência se tinham mapa e o cara queria 50 baht, na 7 eleven custava 120. Fui andando e quando vi, já estava numa aérea que recordava, perto dos templos. 
Entrei no local de atendimento aos turistas e peguei o mapa. Em 3 minutos estava no The National Museum of Bangkok (museu nacional), que está localizado no Palace of the front ou “Wang Na”, que foi construído em 1782. Era residência dos vice-reis, depois da morte de Wichaichan, o palácio foi abandonado. Em 1887 o rei decidiu mudar o “Royal museum” para aquele local. Em 1926 foi convertido em museu nacional.


O ingresso custou 200 baht. São diversas galerias: Thai handicrafts, Thai history, Thai Art History, historic monuments, The red house, Royal funeral chariots, etc. O calor na cidade era infernal e, as salas não tinham ar-condicionado, mas já fiquei feliz com a sombra. Vaguei por 2 horas no museu (para ver tudo pormenorizadamente é necessário mais tempo).
 

Depois segui para conhecer o Grand Palace (Grande Palácio) e The Emerald Buddha (famoso Buda de esmeralda) no Wat Phra Kaeo. No caminho, aproveitei para saciar minha sede com um refresco de romã, que adoro. 
Tinha iniciado uma visita ao grande palácio em 2013, mas desisti quando vi o preço do ingresso (500 baht). Dessa vez, como já conhecia muitos pontos turísticos de Bangkok, decidi pagar pelo ticket. A entrada do Palácio Real (onde morava o rei – que morreu um dia após meu retorno ao Brasil em outubro de 2016) está sempre lotada de turistas. Um aviso importante: é preciso estar com as pernas e ombros cobertos. Alguns fiscais ficam na entrada, olhando os visitantes para ver se estão de acordo com as regras.

Tuktuk na frente do Grand Palace

Muitos turistas

Levei uma calça na bolsa e coloquei na rua, antes de entrar no palácio. Segui para a bilheteria e paguei os 500 baht – o bilhete inclui o grande palácio e o templo do Buda de esmeralda. O lugar tem uma arquitetura maravilhosa. São milhares de pessoas fazendo selfies, fica até difícil pedir para alguém tirar sua foto. Caminhei sob aquele sol para conhecer a imensa estrutura. 

 

Existe uma fila para entrar no Wat Phra Kaeo. Seguindo o hábito budista, todos deixam os chinelos e sapatos do lado de fora do templo. Não existe certeza sobre a época e local em que o Buda de Esmeralda foi esculpido, mas é provável que no norte do país por volta do século VX, no entanto, a imagem se parece muito com algumas encontradas no Sri Lanka e no sul da Índia, em razão da postura de meditação. O objeto tem aproximadamente 66 centímetros e foi esculpido em uma única pedra de jade. Apenas o rei pode tocá-la.

O Buda de esmeralda, fotografado do lado de fora do templo, pois a fotografia é proibida no interior
Antes de entrar no templo as pessoas pegavam a água com o botão da flor de lótus e se molhavam

Na saída, já faminta, desisti do meu plano ambicioso de conhecer naquele dia 3 pontos turísticos ainda desconhecidos: The Golden Mount (Wat Saket), Flower Market (Pak Klong Talad) e Banglamphu Market (mercado de pulgas). O lado bom é que tenho alguns lugares para conhecer da próxima vez que aportar em Bangkok. Também pretendia comprar uma câmera mirrorless no shopping MBK, pois os preços são melhores que no Brasil e tem uma grande variedade, mas fiquei com preguiça (e me arrependo).

Era quase 17h horas, ainda não tinha almoçado (só comi melancia na porta do Grande Palácio) e o tempo ficou nublado (mas não choveu). Estava cega de fome e caminhei até as proximidades do hotel. Assim que vi uma placa oferecendo “Pad Thai” (o famoso macarrão de arroz com ovos, legumes) e uma cadeira, me sentei. Confio e aprecio a culinária de rua tailandesa. A barraca de rua do outro lado cobrava 60 baht por um pad thai, nesse bar custava 30 baht (risos). Pedi ainda um suco de melancia por 25 baht. Nada como almoçar muito bem por apenas R$5,50! O pad thai chegou quentinho e estava delicioso. A porção era tão generosa que não consegui comer tudo.

Amo Pad Thai

Segui em direção ao hotel para descansar, mas antes passei no terraço para ver a piscina. Estava cansada e preferi ir pro quarto e ficar no ar-condicionado por alguns minutos. Tomei um outro banho (não tem como ficar elegante num lugar tão abafado) e fui andar na Soi Rambuttri. Muitas lojas, barracas, restaurantes, estabelecimentos para fazer massagem (tem o melhor preço da cidade, 150 baht por meia-hora, em média). Retornei à barulhenta Khao San Road. Se da outra vez tinha amado a rua, dessa vez me senti deslocada. Deve ser a idade…

Nada melhor que aproveitar a surpreendente comida de rua de Bangkok. Comprei 3 “spring rolls” vegetarianos por 60 baht. Tomei um suco por 30 baht. Queria ter mais apetite para aproveitar todas as iguarias.

Khao San Road

Soi Rambuttri

Thai Massage

Estava contando com um gasto de 1.000 baht para ir para o aeroporto pela manhã, mas de repente vi várias barracas e placas vendendo passagem de van para os dois aeroportos. Observei que só tinha saída de 2 em 2 horas para o Don Muang, de onde partiria meu voo para Mandalay. Começando 6 da manhã. O melhor horário para mim seria 7h, já que o café da manhã começava 6h. Resolvi andar para ver se existia outras vans com outros valores. Quando voltei na barraca em frente ao hotel, não tinha mais disponibilidade, a vendedora nem ligou para saber. Já passava de meia-noite e saí da Rambuttri em direção a Khao San, quando entrei numa agência turística (Badaka 99, que funciona 24 horas) e tinha disponibilidade, por 150 baht = 15 reais! 
Quando deixei o hotel, por volta das 5:40h da manhã (infelizmente antes do café da manhã), ainda escuro, a maioria dos bares ainda estavam abertos numa quarta-feira! Bangkok é a verdadeira cidade que nunca dorme, embora digam isso sobre Nova York. A barraca que vendia passagem pro aeroporto, localizada na frente do hotel, estava fechada, logo, concluí que ter comprado na agência foi melhor. Caminhei com a mala e logo apareceram taxistas. Atravessei e entrei na agência. Pude observar que também é um hostel, pois pareceram umas 3 viajantes (mulheres viajando sozinhas) vindas do segundo andar. A van chegou pontualmente e ficou cheia. Passou por uns 4 hostels para recolher alguns passageiros e em menos de 1 hora estávamos no Aeroporto Don Muang.

Meu voo para Mandalay sairia apenas 10:50h, logo, tive longas horas sem fazer nada. O aeroporto tem internet grátis e aproveitei para postar algumas fotos no Instagram. Segui para o McDonalds para tomar café e achei o preço absurdo: 180 baht por um pão com ovo e um cappuccino.

Transporte de/para os aeroportos de Bangkok

Bangkok tem dois aeroportos: o Aeroporto Internacional Suvarnabhumi e o Aeroporto Don Muang. O primeiro é enorme, por ser um hub (centro de operações de voos comerciais) na Ásia. Ali chegam e partem centenas de voos diariamente. O Don Muang é o antigo aeroporto, de onde partem os voos das low cost, como Air Asia, Lion Air, entre outras companhias. Ambos ficam a 30 km aproximadamente do centro da cidade.

Em setembro de 2016 parti, pela segunda vez, rumo a Bangkok, dessa vez numa viagem solo, que muda muito a logística para sair do aeroporto. Da outra vez fui em grupo (totalizando 4 pessoas) e o táxi sempre era a opção mais barata, mas essa perspectiva muda ao viajar sozinha.

Meu objetivo era conhecer Mianmar e Laos, no entanto, voar para a Tailândia sempre é mais barato. Logo, ficaria 4 dias na cidade, entre idas e vindas (não tinha voo entre os dois países supracitados, em razão da questões diplomáticas).

Linhas de Sky Train (BTS), Metrô (MRT) e Barco

Na chegada, em razão das inúmeras horas e de voo e mudança de fuso horário (saí 26 de setembro e cheguei 28), tinha analisado 3 possibilidades para sair do aeroporto: táxi, trem do aeroporto (Airport Rail Link) + táxi ou trem do aeroporto+ Sky Train+ Barco

O táxi, em tese, é barato, mas os taxistas insistem em não ligar o taxímetro, que pode ser uma dor de cabeça para o viajante. Da outra vez cobraram 700 baht, 400 baht e até 280 baht (para ter ideia da variação). Hoje em dia tem a opção do Uber (no aeroporto tem wi-fi grátis), mas li num fórum que independente do valor (o aplicativo mostrava 395 baht), a corrida sempre daria 1.000 baht (teria que confirmar pra saber se é verdade).
O Airport Rail Link é sempre a opção mais barata. Existem três linhas: azul, vermelha e amarela. A amarela e a vermelha são expressas, ou seja, só param no aeroporto e na estação final e custam 90 baht. A linha azul tem um trem parador (é utilizada pelos moradores, além dos turistas) e custa 40 baht. Funciona entre 6 e meia-noite. O único problema é que não chega na região da Khao San Road, mas para quem se hospeda em Siam, Silom, Sukhumvit, Nana, não tem dúvida, basta descer em Makkasan e fazer integração com o metrô (MRT) ou em Phaya Thai e fazer integração com o Sky Train (BTS). Para quem vai para Khao San Road, tem que pegar mais uma condução, fazer a transferência pro Sky Train e descer na estação Saphan Taksin (BTS) para pegar o barco da Chao Phraya Express e ficar no Pier 13, N13 (Tha Phra Athit/Banglamphu).


Do Aeroporto Internacional Suvarnabhumi para a região da khao San Road

Nas duas vezes que estive em Bangkok fiquei hospedada na região da Khao San Road no primeiro dia e, no retorno, optei pela região da Sukhumvit. Infelizmente o trem do aeroporto ainda não chega na Khao San Road. A melhor opção seria descer na estação Phaya Thai e pegar um táxi (100 baht). Durante o voo sentei ao lado de um casal (os queridos Lívia e Victor) que seguia para Bangkok, no fim, acabamos optando por dividir o táxi, já que iríamos para a mesma região. O primeiro taxista não aceitou parar em dois hoteis. O segundo aceitou, inclusive não reclamou do taxímetro, mas é lógico que estava adulterado, pois deu 800 baht (1 real = 10 baht), quando o normal seria 400 baht. Tem ainda 75 baht de pedágio e 50 baht de taxa para sair de qualquer aeroporto. No fim, não foi uma opção ruim, contudo, não cogitei pegar qualquer táxi, pois com certeza aprenderam alguma técnica para acelerar a quilometragem.

Do Aeroporto Internacional Suvarnabhumi para o Aeroporto Don Muang 

Existe o serviço gratuito de transfer entre os dois aeroportos chamado “Airport Shuttle Bus”. Até pensei em comprar passagem no mesmo dia para Mianmar e aproveitar o serviço, mas se houvesse um atraso, perderia a passagem. Em Don Muang, a parada do ônibus fica no portão 6 do desembarque. É preciso mostrar a passagem do voo partindo do outro aeroporto para se beneficiar do serviço. O primeiro ônibus sai 5 da manhã e o último parte meia-noite. Em alguns horários funciona de 30 em 30 minutos e nos períodos de pico de 12 em 12.

Da região da khao San Road para o Aeroporto Don Muang
Já estava contando com um gasto de 1.000 baht para ir para o aeroporto pela manhã, mas de repente vi várias barracas e placas vendendo passagem de van para os dois aeroportos. Observei que só tinha saída de 2 em 2 horas para o Don Muang, de onde partiria meu voo para Mandalay. Começando 6 da manhã. O melhor horário para mim seria 7, já que o café da manhã começava 6. Resolvi andar para ver se existia outras vans com outros valores. Quando voltei na barraca em frente ao hotel, não tinha mais disponibilidade, a vendedora nem ligou para saber. Já passava de meia-noite e saí da Rambuttri em direção a Khao San, quando entrei numa agência turística (Badaka 99, que funciona 24 horas) e tinha disponibilidade, por 150 baht = 15 reais!

Agência que comprei a passagem de van: Badaka 99

Do Aeroporto Don Muang para Chatuchack, Ayutthaya ou Chiang Mai
Exatamente na frente do aeroporto Don Muang tem a estação de trem Don Muang! Tanto no embarque quanto no desembarque, basta procurar o elevador com a propaganda do hotel “Amari”. No segundo andar tem uma passarela que dá acesso à estação de trem. Ali passa o trem vindo do subúrbio mesmo, mas também os trens de viagem confortáveis, que usam para ir a Chiang Mai, por exemplo. Peguei o trem popular por 2 baht para ir ao Moca (Museu de Arte Contemporânea), desci na estação Bang Khen, quando fiquei hospedada no hotel do aeroporto, entre um voo e outro.

Elevador que deixa na passarela para a estação de trem ou o hotel Amari


Do Aeroporto Don Muang para a Khao San Road
Embora não tenha utilizado o serviço, bem como não tenho maiores informações, mas na saída 4 ou 5 (não recordo exatamente) tem uma pessoa oferecendo o serviço de shutte para essa região. O ônibus era bem confortável e o valor deve ser melhor que o do táxi, principalmente para um viajante individual.

Do Aeroporto Don Muang para o Sky Train (BTS) e Metrô (MRT)

Seguindo a dica de uma amiga tailandesa, que conheci no Laos, saí no portão 6 do desembarque e peguei o serviço “BMTA BUS“, mais precisamente a linha de ônibus A1, que passa a cada 5 minutos. Custa 30 baht. Pedi à cobradora para me avisar quando estivéssemos chegando na estação “Mo Chit” – última estação do BTS. Desceria em Asok e a passagem custou 42 baht. Meu hotel ficava a 200 metros da estação (gastei 7 reais do aeroporto ao hotel!). Se a pessoa quiser descer perto de uma estação de metrô, sugiro descer em Asok, pois tem uma passarela para a estação Sukhumvit de metrô. 


De Sukhumvit para o Aeroporto Internacional Suvarnabhumi
Estava hospedada na região de Sukhumvit, a 200 metros da estação Asok, porém, o mesmo trajeto pode ser feito para quem está em Siam, Silom, Nana (hospedado próximo de alguma estação de BTS ou MRT). A pior parte é subir a escadaria da estação com intermináveis degraus. Tem um elevador tentei utilizá-lo sem sucesso. Existe uma passarela que conecta o Shopping Terminal 21 a estação Asok do Sky Train e estação Sukhumvit do metrô. Caminhei para o metrô e com 16 baht comprei o tíquete para a próxima estação, Phetchburi. Desci em Phetchburi e segui as placas para chegar na estação Makkasan do Airport Rail Link. Tem dois guichês, um para a linha azul e outro para a linha vermelha. Peguei a linha azul, por 40 baht. Em menos de 1 hora estava no aeroporto por apenas 56 baht. Inacreditável! 

Seguro Schengen – cartões de crédito Mastercard ou Visa

Em decorrência do Tratado de Schengen, para entrar no território dos países signatários do acordo, brasileiros precisam ter um seguro de saúde com cobertura de, no mínimo, 30.000 euros para garantir o atendimento em casos de emergências médicas. A convenção eliminou fronteiras e facilitou a livre circulação entre os membros. Para exemplificar, se você viajar da Itália para Portugal, não passará novamente pelo controle de imigração.
Atualmente são 26 países membros: Bélgica, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Estônia, Grécia, Espanha, França, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Países Baixos, Áustria, Polônia, Portugal, Eslovênia, Eslováquia, Finlândia e Suécia, assim como Islândia,  Liechtenstein, Noruega e Suíça
Alguns cartões de crédito oferecem o seguro gratuitamente, entre eles o Mastercard Platinum e Black e o Visa Platinum e Infinite. Basta que a passagem aérea seja comprada com o cartão, mesmo nos casos de emissão com milhas (pagando as taxas). 

Devo confessar que nunca me pediram para apresentar o certificado, mas nunca quis arriscar e viajar sem emiti-lo. E também tive sorte de não ter precisado do serviço de assistência médica, logo, não tenho como dar detalhes sobre a solicitação do atendimento e reembolso.

Mastercard

Ao entrar na guia proteções, basta clicar no texto “Carta Schengen”. Lá encontrará uma página com informação sobre o seguro e um link para redirecioná-lo  para o site: https://www.aigtravelguard.net/mastercard/, que deverá ser preenchido e posteriormente o beneficiário deve imprimir o documento (ou salvá-lo na nuvem ou celular) e levá-lo durante a viagem. Lembrando que, em caso de doença, a pessoa pagará as despesas com o cartão e depois solicitará o reembolso.

Visa

Ao entrar na guia de benefícios, basta clicar na imagem com o texto “Certificado Schengen”. Lá encontrará informações detalhadas sobre a cobertura. Depois o beneficiário deve solicitar o certificado no link disponibilizado no site. Basta imprimir o documento (ou salvá-lo na nuvem ou celular) e levá-lo durante a viagem. A cobertura é estendida para o cônjuge e filhos menores de 23 anos. Lembrando que, em caso de doença, a pessoa pagará as despesas com o cartão e depois solicitará o reembolso.

Visto para Mianmar

Antes da viagem realizada em 2016 para a Ásia, tinha visitado o continente em 2013 e 2014, mas Mianmar não entrou no roteiro em razão do pouco tempo disponível para conhecer muitos lugares e também em virtude da dificuldade para obter o visto (a maioria das pessoas pediam em Bangkok).

Para facilitar a vida do viajante, desde 2015 o país começou a emitir o visto online (na mesma época que a Índia) e passei a pensar com mais entusiasmo em visitar a Birmânia. Na última semana de agosto vi uma promoção para a Tailândia e adquiri a passagem para o fim de setembro. Com um mês para organizar o roteiro, pedi o visto no dia seguinte da compra. Tinha uma única certeza: visitaria Bagan, a cidade com 2 mil templos, em Mianmar (ou Myanmar, Burma, Birmânia).

O primeiro passo é acessar o site http://www.evisa.moip.gov.mm/NewApplication.aspx#. Na primeira página você vai preencher o tipo de visto – o de turista custa 50 dólares, depois a nacionalidade e o mais importante: a cidade que será sua porta de entrada no país. É bom ter uma ideia do que quer visitar antes de escolher. Não sei se antigamente só entrava pela capital, Yangon, mas encontrei essa informação em alguns blogs. Hoje o site disponibiliza 6 opções (3 aeroportos). Meu objetivo era conhecer Bagan, logo, optei por Mandalay, por ser a cidade mais próxima (4/6 horas de van), mas Yangon tem mais opções de voos, por exemplo, e tem ônibus noturno (10 horas) até Bagan. Antecipo que a Airsia tem um voo diário de Bangkok para Mandalay, mas para Yangon existem mais opções em outras companhias aéreas.
Na segunda página, você preenche dados pessoais, como nome, gênero, data de nascimento, ocupação, endereço, onde pretende se hospedar (coloquei um hotel e depois decidi ficar em outro), e-mail (por onde chegará seu visto), telefone, dados do passaporte, perguntam se contratou alguma agência e se leva criança. Depois basta fazer o upload de uma foto 4.6 cm x 3.8 cm (peguei uma foto minha e coloquei nesse padrão no Fireworks).
 
Depois você preenche os dados do cartão de crédito e pronto. É só aguardar. Em 2 (dois) dias recebi um e-mail com o visto anexado em PDF e a seguinte mensagem:
Dear Sir/Madam,

We would like to inform you that your visa application has been approved and approval letter has been issued. Please print out this document and present at the Myanmar Immigration upon arrival. This printed document is required for you to enter Myanmar and is valid up to 90 days from the date of issue.

Thank you,
Ministry of Labour, Immigration and Population

Em resumo, avisam que o visto foi aprovado e pedem para que apresente o visto impresso na imigração. Depois de expedido você tem 90 dias para entrar no país.
No controle de imigração não fazem qualquer pergunta, basta apresentar o documento de entrada e saída do país (normalmente entregam no avião) preenchido, o passaporte e o visto impresso. Apenas carimbam o passaporte com a data de entrada e o tempo que pode permanecer.

Sala Mastercard Black – Terminal 3 Guarulhos

Os clientes do cartão Mastercard Black, em viagem internacional, podem acessar à sala VIP no Terminal 3. A sala possui três ambientes, wi-fi, TV, carregador de celular por usb. Funciona de 6 às 23:30h.

Moro no Rio de Janeiro, logo, são raras as oportunidade de utilizar o serviço da sala de Guarulhos, apenas quando algum voo parte daquele aeroporto. Pude conhecer na época em que estava provisoriamente na sala Proair, no terminal 2, em 2014. Gostei, mas não tinha achado nada sensacional.

A sala atual é incrível! Uma das melhores que já estive. Cheguei no aeroporto no terminal 2, vindo do Rio num voo da Gol. Por sorte, minha mala seguiria até o destino final. Caminhei até o terminal 3, passei pela imigração, que está muito mais rápida (para quem tem passaporte com chip, basta escanear o passaporte na máquina, que abrirá a catraca, depois olhar para câmera, que a segunda porta se abrirá). Após o controle de passaporte, segui a placa que indicava a direção das salas vip e subi a escada rolante. Fica do lado esquerdo atrás da sala da Latam, no final do corredor.

Cheguei por volta das 18h, mas meu voo para Bangkok só sairia às 22h, ou seja, seria uma longa espera. Como habitual, apresentei o cartão de embarque e cartão de crédito e entrei na sala. O local estava muito cheio, praticamente sem espaço para sentar.

O primeiro ambiente é uma estação de trabalho, com laptops disponíveis. Depois encontramos diversos sofás e poltronas. Me acomodei e fui verificar o que tinha no espaço gourmet, mas não tirei muitas fotos (as que estão postadas ficaram péssimas), em razão da quantidade de clientes no local. 

Provei uma sopa incrível de abóbora com gengibre, depois provei um macarrão à putanesca, salgadinhos e sanduíches. Bebi espumante, vinho branco e cappuccino. Experimento quase tudo! 

Na bancada dedicada aos doces, tinha brigadeiro de colher, branco e preto, salada de frutas, mix de castanhas, banana, maçã, docinhos e bolinhos. Na bancada com acepipes salgados, tinha dois sabores de sanduíches (ótimos), queijos, frios, saladas. Todos os tipos de bebidas estavam disponíveis: refrigerante, suco, água, vinho, espumante, whisky, máquina de café.

Foi uma excelente experiência. O fato de passar tantas horas no aeroporto foi amenizado pelo conforto oferecido pelo lounge
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