Fale sobre você (exemplo de post)

Este é um exemplo de post, publicado originalmente como parte da Blogging University. Inscreva-se em um dos nossos 10 programas e comece o seu blog do jeito certo.

Você vai publicar um post hoje. Não se preocupe com a aparência do seu blog. Não tem problema se você ainda não tiver dado um nome para ele ou se parecer complicado. Basta clicar no botão “Novo post” e dizer por que você está aqui.

Por que fazer isso?

  • Para contextualizar novos leitores. Qual seu objetivo? Por que as pessoas deveriam ler seu blog?
  • Isso ajudará você a se concentrar nas suas próprias ideias para seu blog, bem como o que você pretende com ele.

O post pode ser curto ou longo, uma introdução à sua vida ou uma declaração de missão para o blog, um manifesto para o futuro ou um simples resumo dos tópicos que você planeja publicar.

Para ajudar você a começar, confira algumas perguntas:

  • Por que você está fazendo um blog público, em vez de manter um diário pessoal?
  • Sobre quais assuntos você quer escrever?
  • Com quem você gostaria de se conectar por meio do blog?
  • Se você usar o blog direitinho durante o próximo ano, o que espera conquistar?

Você não precisa se ater a nada disso. Uma das partes mais interessantes sobre os blogs é que eles evoluem constantemente enquanto aprendemos, crescemos e interagimos uns com os outros, mas é sempre bom saber de onde e por que você começou. Além disso, organizar seus objetivos pode dar ideias para outros posts.

Não sabe por onde começar? Escreva o que vier primeiro à cabeça. Anne Lamott, autora de um livro sobre escrita que amamos, diz que você precisa se permitir escrever um “primeiro esboço ruim”. Anne tem razão. Comece a escrever e se preocupe em editar depois.

Quando estiver tudo pronto para publicar, selecione de três a cinco tags que descrevam o foco do seu blog, como escrita, fotografia, ficção, maternidade, gastronomia, carros, filmes, esportes ou o que for. Essas tags ajudarão as pessoas que se interessam por esses tópicos a encontrar seu blog no Leitor. Não deixe de incluir a tag “zerotohero” para que novos blogueiros também encontrem você.

As cores de Cartagena das Índias

Comprei a passagem com a seguinte configuração: ida para San Andrés e volta por Cartagena, no site da Copa Airlines, por R$1.699,00. O trecho interno foi comprado na Latam, para minha irmã e minha sobrinha. Pesquisei a passagem no site das companhias aéreas vivaair.com e wingo, mas como precisava despachar bagagem de porão, concluí que a Latam a melhor opção. Primeiro vi o preço no site brasileiro, depois comparei com o site colombiano e, após a conversão, com o IOF, a diferença era absurda. Saiu por 181.000 COP, cerca de R$160,00 (na época), enquanto no site brasileiro saia por R$350,00. A minha passagem foi emitida com milhas: 8.500 pontos + R$21,59 de taxa, com bagagem.

O aeroporto de San Andrés é caótico e parece uma rodoviária, portanto, chegamos cedo, mas o voo partiria apenas 12:55. Tive um estresse com a companhia aérea, pois paguei para escolher o assento e ficar ao lado da minha irmã e sobrinha, mas, para minha surpresa, me colocaram em outro assento. Quando cheguei na poltrona designada tinha uma etiqueta que não poderia sentar, pois estava quebrada! Comuniquei à aeromoça, que me colocou sentada em seu lugar até que todos entrassem e pudesse me alocar! 

Chegando em Cartagena, vi a cotação do peso colombiano, mas estava desfavorável e deixamos para fazer câmbio na cidade. Para sair do aeroporto, seguimos até o balcão de táxi e pegamos o tabelado! Custou de 13.000 pesos. R$20.00. São 4km do aeroporto ao hotel. Jamais pegue táxi pirata na Colômbia (já sofri um sequestro relâmpago saindo do aeroporto em Bogotá)!

Peso colombiano
Tive bastante dificuldade para encontrar um hotel com quarto triplo com um preço razoável dentro da cidade murada ou amuralhada. É incrível como hospedagem na América do Sul tem o valor tão elevado.Optei pela Casa Bohemia Hotel. Custou 720.000 por 4 diárias. É uma pousada simples, mas tem ar-condicionado, wi-fi, frigobar, cofre, localizada no bairro San Diego. Só tive um problema, pois no segundo dia, ao chegar, a dona tinha mudado o nosso quarto! E tudo estava espalhado, documentos, mala dinheiro. Quando chegamos no outro quarto não sabíamos onde encontrar nossas coisas, pois tudo foi misturado. Nada sumiu. O novo quarto era até melhor, mas não custava ter nos avisado, pois deixaríamos nossos objetos dentro da bagagem. Achei bem desrespeitoso. 
Na hora do check-in, disse para a dona que precisaria fazer câmbio, se poderia me indicar o melhor local. Deu-me uma cotação melhor, logo, resolvi meu problema na hora. Assim que tomamos banho, eu e Giovana saímos, enquanto minha irmã preferiu comer perto da pousada em razão do calor. É um local muito abafado, mesmo pra quem vive no Rio de Janeiro.

Cartagena das Índias é uma cidade considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Também é famosa por causa do escritor Gabriel Garcia Márquez, que morou e escreveu o clássico “Cem anos de solidão” na cidade histórica.
A Cidade Murada tem 11 km de extensão e engloba os seguintes bairros: Centro, San Diego e La Matuna. Do lado de fora tem Getsemaní, uma opção muito procurada pelos mochileiros. Há ainda o bairro mais moderno, estilo Miami, que é Bocagrande, que tem uma grande rede hoteleira, com preços mais convidativos.

O destaque da cidade é, com certeza, suas cores. As casas coloniais são coloridas, com portas incríveis e flores. Eu e Giovana tiramos centenas de fotos em cada parede que encontramos. Depois seguimos para almoçar num restaurante bem barato: Totopo. Comemos peixe, arroz e banana, que custou 15.000 COP. Veio acompanhado de uma sopa aguada. Tomamos limonada. Tem a refeição com o melhor relação custo-benefício, mas é bem simples.

Paramos diante do Claustro Santo Toribio, que foi construído no século XVII, sendo um edifício com pátio central e jardim. Foi usado pela igreja católica, mas, no início do século, a Arquidiocese colocou a serviço da comunidade. 

 

Depois que escureceu, fomos conhecer a Torre del Reloj, que fica na Puerta del Reloj, que é a principal entrada da cidade fortificada, foi construída em 1540, mas inaugurada apenas em 1630. A torre recebeu o relógio no início do Século XVIII. É um considerada uma obra de sucesso da Escola de Fortificação Hispanoamericana

Na frente na torre tem o “Portal de los dulces“, que está situado na Plaza de los coches, que na época colonial era chamado de “El portal del Juez”, posteriormente de “Portal de los esclavos”, quando se vendiam escravos. Recebeu o nome de “portal dos doces” desde o fim do século 19, quando em suas arcadas começaram a vender guloseimas feitas pelo povo que habitava a cidade. Hoje é um ponto de venda de doces típicos.

Posteriormente fomos comer ceviche no restaurante Cebiches e seviches. Não sei se não é hábito levar crianças nos restaurantes, mas pediram para ficarmos com Giovana no interior. O ambiente era bem escuro, mas não tinha música naquela hora.
    Minha irmã

    No dia seguinte, acordamos e fomos tomar o café da manhã do hotel, que era bem simples: um ovo mexido, duas fatias de pão, uma fatia de fruta e café. Num dia teve suco de corozo e no outro suco de chicha de arroz con piña, mas não estavam listados como itens do café.


         Suco de corozo                      Chica de arroz con piña
    Tinha um sol para cada pessoa, mas turistar era preciso. Seguimos para “Plaza de la Aduana“, que tem esse nome porque ali funcionava a “Real Aduana”, que era um dos principais órgãos de controle sobre importações e exportações que faziam em Cartagena, ou seja, verificavam tudo que chegava no porto. Foi uma zona que se estabeleceu um intercâmbio entre vendedores e compradores e onde se realizava o comércio de escravos.
    Plaza de la Aduana
    A Plaza de la Proclamación está localizada na frente da Casa del cabildo e da Catedral de Cartagena, onde foram realizadas as maiores celebrações religiosas da região.  
    Objetivando fugir do sol, entramos no “Museo del Oro Zenú“, que é administrado pelo Banco de la República e conta com uma importante coleção de ourivesaria (arte de trabalhar com metais preciosos) Zenú. Tenta demonstrar em suas salas a cultura desse povo e mostrar seu desenvolvimento e legado.
    Minha irmã fez sucesso com os garotos que visitavam o museu. Quiseram fotos e conversar. haahah
    Seguimos até a famosa escultura do artista colombiano Fernando Botero: La gorda Gertrudis, que fica na Plaza de Santo Domingo. Dizem que quem apalpa seus seios tem uma longa relação amorosa.
    Uma das muitas bancas de frutas na cidade
    Na frente da Torre del reloj fechamos um passeio de Chiva (caminhão tradicional colorido) por 45.000 COP cada. Minha sobrinha pagou a metade. O passeio é longo, pois o transporte é lento e pega passageiros em alguns hotéis em Bocagrande, além do calor insuportável.
    A primeira parada da Chiva foi diante de grandes prédios de Bocagrande. Diversos vendedores se aproximam. Minha irmã comprou manga verde.
    A segunda parada foi no Fuerte San Sebastian del Pastelillo, que é uma fortificação construída em 1744 por ordem do vice-rei Sebastián de Eslava, mas não tinha muito o que ver por lá. 
    Paramos na escultura de bronze “Los zapatos viejos“, feito para homenagear Don Luis Carlos López, poeta de Cartagena, que ficou conhecido pelo soneto “A mi ciudad nativa”.
    A cereja do bolo é o “Castillo San Felipe de Barajas“, que é a maior obra militar no continente americano. Cartagena sempre foi desejada por piratas e inimigos da Coroa Espanhola, portanto, a obra da fortificação era prioridade desde a existência da cidade. Houve a necessidade de construir uma estrutura para impedir o ataque do inimigo.
    Destaco que o valor da entrada já estava incluído no passeio de Chiva, mas se optar por ir de táxi, a entrada custa 22.000 COP.
    Li que alguns city tours de chiva vão até o Convento de la Popa, mas o nosso não levou. Terminou já às 19h dentro da cidade amuralhada, após uma visita (quase forçada) a uma loja de esmeraldas.
    Fomos no hotel tomar banho, depois saímos para jantar. Levei minha irmã no Totopo e ficou revoltada, disse que a comida era horrível. Uma das coisas que ela gosta é comer bem, eu não ligo muito. Minha refeição preferida é o café da manhã.

    Passamos no “Museo del cacao“, que é gratuito, mas, na verdade, é uma loja com diversos produtos de chocolate, com degustação.

    Minha irmã tinha combinado com o mesmo vendedor do dia anterior, porém sem deixar pago, um passeio para a Playa Blanca (cerca de 1h de Cartagena), mas disse que não iria, pois tinha lido sobre o assédio, o mar agitado, além da superlotação, ainda mais num fim de semana. Marcaram a saída às 5h, mas é claro que ela não acordou, após beber umas 4 coronas antes de dormir.
    Bem próximo da pousada, chegamos em Las Bóvedas de Santa Clara (antes era um depósito de munições, hoje são lojinhas de suvenires). Minha irmã ficou horas olhando cada lojinha e comprando lembrancinhas.
    Minha irmã comprou uma fruta com uma “palenquera” (o “palenque” é uma língua crioula falada na Colômbia), e ela posou conosco para as fotos. Ficam por toda a cidade vendendo frutas e se tornaram símbolo da cidade.
    Caminhamos por cima da muralha, nas proximidades de Las Bóvedas, apesar de render boas fotos, o calor não nos permitiu ficar por ali mais de 5 minutos.
    Fomos almoçar no famoso restaurante “La mulata“, que tinha fila de espera. Meu prato estava maravilhoso: arroz de coco, camarão, abacate, patacones e aipim. Para beber uma deliciosa limonada de coco.
    Entrada
    Como relatado anteriormente, quando retornamos ao hotel após o almoço, nos surpreendemos que já não estávamos mais no mesmo quarto. A dona simplesmente nos mudou do térreo para um no segundo andar. Ela colocou tudo dentro das malas, levou dinheiro, câmera. Quando chegamos no outro quarto estávamos muito assustadas, pois nunca passamos por nada parecido. Nada sumiu, mas poderia ter avisado sobre a intenção de realizar tal mudança.

    Antes de escurecer, fomos até o Café del Mar, que é um restaurante localizado na fortificação, com vista para o mar. Fica cheio de pessoas todos os dias para assistir o pôr do sol. 

    Caminhamos até a Catedral San Pedro Claver, que é uma igreja católica em homenagem a São Pedro Claver. A cúpula amarela e branca pode ser vista de diversos pontos da cidade.

    Queríamos conhecer o bairro fora da cidade amuralhada, Getsemaní. Que hoje é um bairro boêmio, que está sendo revitalizado e é preferido dos mochileiros, já que dispõe de hospedagens mais baratas. Tinha lido sobre uma pizzaria que funciona dentro de uma lavanderia (Beer e Laundry), então seguimos naquela direção, mas já tinha fechado às 20h. 

    O caminho, depois que saímos dos muros, era bem escuro, pois a cidade não é bem iluminada, mas o assédio dos vendedores só ocorre dentro dos muros. Perguntamos no hotel sobre segurança e a dona disse que era tranquilo seguir até lá. Encontramos uma rua iluminada e decorada com bandeirinhas com cores da bandeira da Colômbia, então fomos explorá-la. Tinha um mercado (minha irmã comprou cerveja), vi hostel, pizzaria, lojas. 

     Seguimos o fluxo, pois a partir daquela rua havia bastante movimento, até que chegamos na “Plaza de la Trinidad“, que tem importância histórica, pois nela se formou um grupo de artesãos negros e mulatos que lutaram pela independência de Cartagena.
    A praça tem uma igreja onde as pessoas locais estavam sentadas, pois era fim de semana. Encontramos muitos restaurantes bonitos, barraquinhas de comida de rua. Sentimos que pela primeira vez tínhamos saído da “bolha” da cidade amuralhada, pois ali encontramos moradores se divertindo. Minha irmã, sempre com fome, comprou um churrasquinho.
    Retornamos para a cidade amuralhada e decidimos comer no restaurante “Marzola Parrilla Argentina“, pois minha irmã ainda queria comer churrasco. Pedi apenas um “choripán“, que é um sanduíche de linguiça com molho chimichurri. Achei caro, mas o Madero cobra R$35,00. A graça do local é a decoração, que já começa no exterior. É totalmente kitsch, pois encontramos camisas de time, quadros, objetos.

     
    No dia seguinte, eu e Giovana tomamos café da manhã e saímos para fotografar em caminhos ainda não visitados. Aconteceu algo que me deixou irritada, assim como no dia anterior, um homem (já velho) mexeu com ela! Uma criança de 9 anos. Acho que por lá deve ser comum assédio sexual com menores. Se minha irmã estivesse conosco, teríamos que seguir todos para um delegacia, pois ela ia partir pra violência. 
     
    Encontramos com minha irmã e fomos comer no “Novo Kebab Grill“, que ficava bem próximo ao hotel. Preço bom e gostoso. Minha irmã pediu na caixinha de papelão, eu comi no pão pita. Ela não quis qualquer molho, enquanto pedi para colocar todos os molhos disponíveis (uns 6). Resultado: 30 minutos depois parecia que ia morrer. Tive um dia de rainha (muita diarreia) e achei que não conseguiria viajar no dia seguinte. Tanto que perdi a oportunidade da minha vida: teve overbooking e perguntaram quem queria 600 dólares em crédito na Copa Airlines, seguindo no dia seguinte, com direito a hotel e comida naquele dia. Era a chance de garantir as próximas férias, mas estava me sentindo muito mal e não queria ficar.
    Depois de descansar do piriri, segui até o comércio para comprar uma bolsa “Wayuu” (elaboradas, em tese, pela tribo homônima), que é um artesanato típico colombiano. São coloridas e feitas em lã. Ao contrário dos preços encontrados no Sudeste Asiático (comprei bolsas por 10 reais), paguei cerca de R$70,00 (lembro que converti na hora). E só usei depois que minha mãe colocou um velcro.
    Aproveitamos para tomar sorvete no “La paleteria“, mas não chegou aos pés do que experimentamos em San Andrés.
    Eu e Giovana seguimos para o MAM – Museo de Arte Moderno de Cartagena. O ingresso custa 10.000 cop adulto e 5.000 estudante/criança. Não encontramos um acervo interessante, mas valeu o passeio.
    Ao retornarmos, por óbvio, minha irmã já estava ansiosa para jantar. Dessa vez fomos ao restaurante “La cevicheria“, no entanto, tinha uma fila de horas. Enquanto aguardava, tive que ir ao hotel, em razão de um “chamado na natureza”. Entramos já quase no limite  do horário do serviço da cozinha. Corremos para pedir uma “paella”. A decoração é toda relacionada com o mar, inclusive o banheiro.

    No dia seguinte, não consegui sair nem para gastar meus últimos pesos colombianos antes de sair em direção ao aeroporto. Pedi para minha irmã comprar maçãs e um refrigerante de gengibre (não tem aqui). Tinha adquirido um café Juan Valdez solúvel, que é ótimo. Me arrependi de não ter comprado mais.

    Para ir para o aeroporto, pedimos um táxi no hotel, que demorou um pouco para aparecer. Como o preço é tabelado, não nos preocupamos.

    Tinha lido em alguns blogs sobre a possibilidade de pagar um “day use” no Hotel Movich Cartagena de Índias, mas o preço era abusivo. Acredito que vale gastar um pouco mais e ficar num hotel com piscina, para aliviar o calor excessivo.

    San Andrés, o paraíso colombiano

    Admito que tive uma péssima experiência na minha primeira visita à Colômbia, pois sofri um “sequestro relâmpago” no táxi que peguei no aeroporto. Na época, conheci a capital, Bogotá, mas não eliminei a chance de conhecer outras cidades do país.

    Queria que minha sobrinha, de 9 anos, viajasse comigo. Minha irmã disse que marcaria férias na mesma época. Compramos a passagem no site Copa Airlines, que ficou por R$1.699,00, sendo ida para San Andrés e retorno por Cartagena das Índias. O trecho interno foi comprado posteriormente.

    San Andrés, embora pertença à Colômbia, fica geograficamente na América Central, no Mar do Caribe, próximo a Nicarágua. A ilha é conhecida pelos sete tons de azul do mar. Enquanto realizava as pesquisas sobre o destino, me deparei com inúmeras críticas negativas e positivas, que me deixou apreensiva, principalmente por viajar com uma criança.

    A maior dificuldade que tive no planejamento da viagem foi encontrar uma hospedagem bem localizada, com um preço razoável e que tivesse chuveiro com água quente, ar-condicionado.  Ao contrário dos demais destinos no Caribe, San Andrés não conta com grandes resorts, sendo a maioria pousadas simples ou casas. Tem a rede Decameron, mas a diária passava de R$1.000,00 naquele período.

    Escolhi o Aparthotel Marbella, um hotel pequeno, perto da praia, do centro comercial, com wi-fi, chuveiro com água quente (que é raro na ilha) e ar-condicionado. 4 diárias saiu por 792.000 pesos colombianos (moeda da Colômbia), que equivale a R$1.018,00, aproximadamente.


    Nosso voo sairia do Rio de Janeiro às 1:25, logo, chegamos para fazer o check-in no aeroporto por volta das 23 horas. Para entrar em San Andrés é cobrado a “Tarjeta de Turismo” (taxa de visita) no valor de 109.000 COP, 40 dólares, que deu cerca de R$160,00 por pessoa, sem desconto para criança. Pagamos no balcão da Copa Airlines, que deu um documento para ser preenchido e guardado, sendo entregue apenas na chegada na ilha.

    Os voos da Copa Airlines fazem conexão no Panamá, onde aguardamos por algumas horas, sendo que chegamos na ilha por volta das 11 horas. A mala da minha irmã veio quebrada (era a primeira vez que usava). Fomos ao balcão da companhia para fazer a ocorrência e deram a opção de trocar de mala. Apresentou uma mala preta da Swisswin, no entanto, minha irmã, que estava com uma mala branca rígida, não aceitou a troca por uma preta soft. Preferi não opinar, mas acho que a troca era válida, pois ela ficou com a mala inutilizável.

    Surgiu nossa maior dor de cabeça: a casa de câmbio do aeroporto estava fechada! Achei que era por conta do dia da semana, domingo, mas falaram que estava fechada há muito tempo, ou seja, não tinha como fazer câmbio. Ninguém tinha comprado peso colombiano aqui no Brasil. 

    Em vários blogs há a informação que a opção mais vantajosa é mandar dinheiro pela Western Union (a loja Riachuelo é um agente). Leve o dinheiro em real e já te dão o comprovante de quanto você sacará na moeda local. Basta levar na loja identidade e cpf. Informar o nome completo de quem vai sacar e o país. Importante guardar o MTCN (Money tranfer control number). Esse número que identificará sua transação. Em San Andrés tem uma loja numa galeria em frente ao hotel Casablanca. Não abre aos domingos.

    Minha irmã recorreu ao único terminal ATM da cidade, que fica no aeroporto, mas para sacar precisava indicar o PIN recebido no celular, só que o aeroporto não tinha wi-fi! Minha conta é na Caixa, que é o único banco brasileiro que não permite sacar no exterior. 

    Como sair do aeroporto? Seria possível ir até caminhando, tendo em vista que fica a apenas 1km-1,5km do centro. O valor cobrado, em média, é 15.000 COP (deveria ser bem mais barato pela distância percorrida). Chamamos um taxista e perguntamos se aceitaria dólar, que daríamos 5 dólares pela corrida. Aceitou.
    Normalmente faço reserva pelo hoteis.com para pagar com antecedência, mas como aconteceu no Chile, na Colômbia o site também não aceita o pagamento antecipado, provavelmente em razão do imposto para cidadão nacional (verificam a cidadania apenas na hora). Realizei a reserva no booking.com, logo, teria que pagar no check-in. Como pagar sem pesos colombianos?

    Assim que chegamos no hotel, expliquei o ocorrido. A senhora que estava na recepção chamou uma “doleira” conhecida, mas a cotação dada não era satisfatória. Perguntei se poderia pagar no dia seguinte. A senhora fez eu afirmar que não fugiria antes! Estava com blusa de manga e fazia um calor de 40 graus. Entrei na internet e vi o que poderia ser uma casa de câmbio. Minha irmã ficou com minha sobrinha e fui caminhando tentando achar o local indicado. Passei por lugares bem estranhos e nada. Voltei e disse que faria câmbio bem cedo no dia seguinte.

    Nos colocaram num quarto antigo, sem água quente, como contratado, mas, por sorte, a descarga não estava funcionando, então, nos mudaram para o apartamento 204, esse sim estava bem novo, com duas camas de casal, banheiro com água quente, frigobar, tv, ar-condicionado, como prometido. Não servem café da manhã.


    O fato de estarmos sem pesos colombianos quase estragou o nosso primeiro dia, pois não tínhamos como comprar quase nada. Seguimos caminhando pela orla da praia do centro, Spratt Bight, e sentamos no “Beer Café“, que parece um Outback. A garçonete informou que poderia pagar com cartão de crédito ou em dólar. Pedimos um combo que vinha com frango, pimenta, anéis de cebola, batata frita, Giovana quis um refrigerante “Postobon” (rosa), pedi limonada de coco (bebida típica), mas só tinha a limonada tradicional e minha irmã tomou uma cerveja. Toda conta vem com 8% de imposto obrigatório + 10% de taxa de serviço opcional sobre o valor do cardápio.
     
     

    Para quem é consumista, a ilha pode ser muito interessante (minha irmã adorou), pois os perfumes são mais baratos que no “duty free”. Encontramos duas grandes lojas “La Riviera” entre o hotel e a praia. Vendem perfumes, maquiagem, chocolates importados. 

    Sem contar o dia de chegada, teríamos 3 dias inteiros na ilha, logo, fiz um roteiro com os passeios que seriam possíveis, mas não fizemos quase nenhum dos descritos abaixo. Minha sobrinha não gostaria e minha irmã preferiu economizar. Pensei em fazer o parasail, mas já tinha tido a experiência em Punta Cana e, após a viagem, pesquisei no “youtube” os inúmeros acidentes ocorridos – passei a ver com outros olhos. Não nado, então não tive coragem de descer no tobogã em “West view”.
    • Aquanauta (leva 30 minutos e desce a 6 metros de profundidade). Cobram 100.000 COP e 80.000 COP pelas fotos.
    • Parasail cerca de 170.000 COP
    • Jetski 15 minutos 60.000 COP e 30 minutos por 90.000 COP
    • Caiaque transparente – cerca de 70.000 COP 
    • West View – local com tobogã, trampolim e escada para o mar. A entrada custa 5.000 COP. Alugam coletes e tem locker (armário). 
    • La piscinita

    No dia da chegada, o tempo fechou e começou a chover, logo, seguimos para o hotel. Antes de dormir, ainda caminhamos para olhar as lojinhas do centro, também conseguimos comprar a sapatilha para entrar no mar, pois tem muitas pedras. Lembro que fiz a conversão na hora e saiu por 12 reais.

    No dia seguinte, acordamos cedo, tomamos banho e seguimos para tomar café na esquina (Caribbean Ice Cream). Pedi um suco, um pastel de frango e um pan de bono (pão de queijo). 

    Seguimos até a casa de câmbio, localizada numa galeria na frente do hotel Casablanca, para fazer câmbio. A loja estava cheia, pegamos a senha e aguardamos. A cotação do dia era 1 dólar =  2.680 pesos. Voltamos para hotel, fiz o pagamento da hospedagem. 

    Procuramos a Cooperativa de pescadores, pois os relatos indicavam que tinha o melhor preço para os passeios. É uma casa amarela na praia de Spratt Bight. Tem a opção de fazer apenas Acuario ou Johnny Cay, mas também tem como realizar ambos os passeios no mesmo dia. Foi nossa opção. Acuario +
    Johnny Cay saiu por 20.000 COP. Sobre Johnny Cay, além do valor do passeio tem que pagar 5.000 COP para entrar na ilha.



    Os barcos são bem simples, então, haja coração! O primeiro trecho até o Acuario foi mais tranquilo, mas deve ser complicado para pessoas mais idosas, pois não tem uma estrutura para subir na embarcação ou para descer.
     

    Chegamos no Acuario em aproximadamente 10 minutos – também é conhecido como Rose Cay. O mar é o mais bonito que já estive. Bem raso, excelente para crianças. A quantidade de vida marinha é surpreendente. Há ainda uma ilhota chamada Haynes Cay, que se chega caminhando, mas não fomos até lá. Eu e Giovana ficamos brincando no mar, enquanto minha irmã tomou um drink na areia (quase não tem faixa de areia).

    Por volta das 14 horas migramos para a ilha de Johnny Cay e encontramos um mar muito agitado. O barco segue adiante, mas bate muito. O lugar tem uma estrutura maior, com barracas que vendem comida e bebida, mas o preço não é barato. Um prato de comida sai por uns 30 reais, em média.


    Sentamos numa barraca logo no início, pois estávamos morrendo de fome. Minha irmã quis uma Corona e um ceviche, enquanto aguardava o almoço. Pedimos um prato com peixe, patacones (banana verde frita), salada e arroz de coco para cada. 

    No retorno, caminhamos pela orla e novamente seguimos para comer na “Beer Station”, após um merecido banho quente. Dessa vez tinha limonada de coco, que é uma das bebidas mais gostosas do mundo.


    Na terça-feira fomos tomar café da manhã na cafeteria “Bread fruit” – vende sucos, frutas, omeletes. Não foi barato, mas é bom variar um pouco e não tem muitas opções na cidade. Comi ovos mexidos com duas torradas, café e suco de laranja.

    Depois caminhamos para ver o preço do mule (carrinho) para alugar para dar a volta na ilha. Tem a opção de carrinho de golf, que é mais lento. O aluguel pelo dia custou 150.000 COP. O tanque estava com 1 ponto de gasolina, portanto, teríamos que devolver com as mesmas condições. Quem dirigiu foi minha irmã, pois nunca tirei carteira de motorista (acho que não é necessário, pois não foi pedido). Depois de uns 10 minutos dirigindo, já numa zona deserta, tivemos um susto quando paramos perto da praia e o carro simplesmente morreu. Ninguém passava. Ficamos com um um pouco de medo. Por sorte, conseguimos ligar pro locador, que explicou para minha irmã o que fazer pro carro voltar. 


    A primeira parada foi no Aqua Beach Club. Assim que chegamos nas imediações um rapaz veio dizer que teríamos que pagar 5.000 cop para estacionar. Acredito que seja um golpe, mas acabamos pagando (não poderia entrar com o carro no beach club). O beach club tem uma ótima estrutura, com espreguiçadeiras, tendas com cadeiras, mesa e locker, banheiro. Não é preciso pagar nada para usufruir do espaço, basta consumir no local.


    O objetivo era seguir caminhando até a ilha Rocky Cay. Minha irmã ficou deitada enquanto eu e Giovana seguimos, segurando na corda, mas o mar estava bem agitado e a maré alta. Faltando uns 100 metros para chegar, decidi voltar, pois as ondas estavam me encobrindo uns 20 centímetros e Giovana estava no colo. Enquanto voltava, encontrei minha irmã, com celular, gopro e outras coisas na mão, me disse que iria até a ilha (ela também não sabe nadar) e pegou minha sobrinha para ir com ela. Passou uns 5 minutos, olhei para trás e também desistiu assim que começou a molhar o celular (risos).



    Voltamos para o carrinho, paramos na Playa San Luis para tirar algumas fotos, depois seguimos para o Hoyo Soplador – que é um buraco que solta água de acordo com a maré. Li que embora o local seja público, alguns moradores costumam cobrar para o turista ver a atração. Tem bastante assédio, mas não pagamos nada. É difícil tirar foto no local.

    Retornamos ao carrinho e paramos na frente de West View, mas minha irmã não quis pagar para entrar. Pensei bem e, como já revelei, não nado e acho que não seria confortável descer com colete (que alugam por lá). 

    Depois paramos para almoçar no “Freedom Bar e Restaurante“, que estava vazio e tinha um bom preço. Comemos o prato típico da ilha: peixe, arroz, salada e aipim. Veio ainda uma sopinha, que não gostei, pois era água pura.

    Entregamos o carrinho antes do horário estipulado, pois já não tínhamos mais o que ver. Voltamos para o hotel para tomarmos banho. Para jantar, minha irmã optou por comer numa pizzaria que tinha na frente do hotel (Pavarotti tapas e pizza), enquanto eu e Giovana preferimos caminhar até a orla para comermos hambúrguer. Tinha uma boa memória da lanchonete “El corral”, mais precisamente do suco de tangerina que tomei em Bogotá, mas em San Andrés não tinha opção de suco natural, apenas refrigerantes.

    No último dia, seguimos caminhando pela orla até o letreiro da cidade, tiramos fotos, depois ficamos na praia do Centro. Tomamos sorvetes maravilhosos e almoçamos na “Beer Station”. Se algum dia voltar, espero conhecer a ilha de Providência. O problema é que de barco demora e enjoa e de avião o custo é um pouco alto.
     


    Salones VIP Pacific Club – Santiago

    Desde o início de 2015, o cartão Mastercard Black está associado ao programa “Lounge Key“, que permite o ingresso em diversas salas VIP pelo mundo (mais de 500 salas). Basta acessar o site e verificar se tem alguma sala no seu terminal de embarque (alguns bancos exigem o pagamento de uma taxa de utilização).


    Teria uma conexão de 2h39 em Santiago, entre a chegada de Calama e a ida para o Rio de Janeiro. Previamente pesquisei sobre as salas VIP e vi que a “Pacific Club” estava localizada no portão 20A. Ao contrário da maioria dos lounges, este tem o limite máximo de permanência de 6 horas. Praticamente em frente fica outra sala vip, “The Lounge”, que funciona 24 horas. Embora menor, parece mais moderna.


    Assim que cheguei, me identifiquei com o cartão de crédito. Tem chuveiro, wi-fi, jornais, tv, no entanto, achei os petiscos servidos bem fracos (pães, biscoitos, sanduíches, frios, saladas). Tinha refrigerantes, máquina de café/cappuccino, sucos, água, mas as bebidas alcoólicas tinham que ser solicitadas no bar.

    A sala me parece bem antiga, mas cumpre a função, pois dá para descansar, carregar o celular, ver os e-mails para passar o tempo. Embora estivesse com complicações gastrointestinais, naquele dia estava me sentindo um pouco melhor e peguei alguns frios e um vinho (!).


    Atacama: Termas de Puritama e Gêiseres de Tatio

    Quando reservei os passeios na agência Cruz Andina, me sugeriram fazer o tour para Termas de Puritama pela parte tarde, pois o valor da entrada tinha preço reduzido (9.000 pesos chilenos). Tem a opção de saída pela manhã (de 9h às 13h30) e pela tarde (14h às 18h30). O preço médio é de 12.000 pesos. Tendo em vista a duração de metade do dia, pode ser conjugado facilmente com outro tour.

    Optei pelo passeio vespertino, logo, segui até a agência para esperar a van que levaria o grupo até o ponto turístico (buscam no hotel apenas na saída pela manhã), que fica localizado a 30 km de San Pedro do Atacama. Suas águas nascem das Cordilheiras do Andes – conseguem a temperatura quente em razão da proximidade com materiais vulcânicos. Essas águas fluem na superfície do Rio Puritama, originando 8 piscinas naturais rodeadas por vegetação nativa.


    A van deixa o grupo no alto de uma montanha, o motorista avisa o horário de volta, depois todos descem e já nos deparamos com o intenso vento. Depois de entregar o ingresso, algumas pessoas seguem para os vestiários. Fui com o biquíni por baixo da roupa, levei uma toalha de secagem rápida, óculos de natação (uso lente de contato) na mochila. A estrutura do local é boa, tem um espaço para lanchar (a pessoa deve levar a própria comida), banheiros. 

     

    São oito piscinas no total, no entanto, uma é exclusiva para os hóspedes do Hotel Explora. Na verdade, a propriedade é privada e pertence ao hotel. A temperatura das piscinas varia entre 33 e 27 graus, contrastando com o frio da região. Segui até a última piscina e me instalei. Não são profundas e deve ter apenas uns 50 cm de profundidade. 

    Disseram que era mais cheio pela parte da tarde, mas achei bem tranquilo. Termas de Puritama foi o passeio mais relaxante que fiz e poderia ficar o dia inteiro nas piscinas naturais. 


    No retorno, segui para o hostel, tomei banho e conclui que teria que comer alguma coisa, pois estava há 2 dias sem fazer qualquer refeição. Então fui na pizzaria “El Charrúa”. Dois dias antes tentei comer lá, mas senti enjoo na porta e estava com fila de espera. Dessa vez, como cheguei cedo, me sentei imediatamente. Pedi uma pizza simples (é quase uma “brotinho”), pedi que adicionassem cebola. Quis tomar um suco de morango. Achei o preço, após conversão, bem caro. Custou R$50,00. 


    Enquanto aguardava a pizza, fiquei observando uma cena surreal: um casal alemão comia uma salada, no entanto, esperava as outras pessoas terminar o lanche e comia as sobras das outras mesas! Se quem ganha em euro fica nessa mendigaria…


    No dia seguinte acordei às 3h30, tomei banho, pois passariam para me buscar, em tese, às 4h30. Tinham me mandado mensagem via “whatsapp”, alterando o horário, agora buscariam entre 5h e 5h30, mas não vi. Segui para o lado de fora do hostel e estava escuro ainda e não passava ninguém na rua. De repente, quase morri do coração, pois dois cachorros enormes ficaram ao meu lado (deviam estar sentindo o cheiro do sanduíche que haviam me entregado). Vendo o tempo passar, decidi entrar e aguardar no “hall” do hostel, que tinha um casal esperando um passeio para o mesmo lugar. 

    Naquele momento estava bem mal (como já relatado nos posts anteriores, tive problemas gastrointestinais desde o segundo dia na cidade) e pensei seriamente em cancelar o último passeio, mas segurei firme e fui, todavia, rezando para não ter qualquer complicação no caminho. Sabe quando a gente não quer conversar com ninguém? Do meu lado sentou uma dentista mineira, que foi ótima companhia. No geral, os outros integrantes do passeio eram péssimos, ao contrário dos dias anteriores. Todos os demais eram franceses e insuportáveis. Estava no canto e quando o sol apareceu eles queriam que abrisse a cortina do meu lado. Disse que já estava com o rosto queimado. Ninguém queria trocar de lugar, mas queria que eu ficasse exposta ao sol. Isso durou todo o passeio, pois também não cedi.

     


    Não comprei roupa especial para usar no Atacama, então, tive que improvisar, pois encontraria a temperatura mais baixa do deserto. Coloquei uma camisa de algodão, uma segunda pele, um casaco fleece, uma jaqueta de couro e depois um casaco de pena de ganso. Coloquei uma calça de legging por baixo da calça jeans, duas meias, luva e gorro. Usei um tênis comum. A dentista que estava no tour usava apenas duas blusas, pois adquiriu roupas térmicas. 

    Um gêiser, por definição, é uma fonte jorrante. Não encontramos “gêiseres” no Brasil, uma vez que todos os vulcões foram extintos. É o magma incandescente dos vulcões que aquece a água da chuva ou neve derretida.  

    Os Gêiseres de Tatio são um campo geotérmico localizado a 89 km de distância de San Pedro, na Cordilheira dos Andes. A altitude é de 4.200 metros acima do mar. A viagem  é longa e tortuosa numa paisagem completamente desértica. É necessário chegar no sítio antes dos primeiros raios de sol. Apesar do visual de cebola, senti frio quando me deparei com a temperatura de -9!!! Nos momentos em que tirava a luva para fotografar, os dedos ficavam congelados. Meus dedos dos pés gelaram também. 

    Ainda na madruga, os gêiseres apresentam uma quantidade grande de vapor d´água saindo de crateras, tendo seu ápice por volta das 7h. As temperaturas chegam a 85 graus, emergindo numa altura de até 8 metros. Pedem para não ultrapassar as demarcações, pois já houve acidente fatal com turista que não respeitou os limites.


    O café da manhã servido no tour foi sofrível, pois só tinha biscoito de chocolate, que não como. Depois seguimos para o povoado “Machuca“, que é formado por pastores de llamas. São apenas 20 casinhas feitas de adobe e palha. Tem uma igreja no alto da montanha. Naquela região é vendido espetinho de llama. Estava bem nauseada e não comprei, mas a Adriana (a dentista mineira) comprou e meu deu um pedaço. Não vi qualquer diferença da carne de vaca. 

    Churrasco de llama
    Novamente tentei fazer uma refeição, dessa vez no hostel que estava, o “Residencial e Restaurante Chiloé“, que, na verdade, é um restaurante com quartos para alugar. Tem menus que variam diariamente por um bom preço, se compararmos com os demais daquela localidade (6.500 pesos), embora não seja tão saboroso. Tem entrada, prato principal, sobremesa e bebida. Pedi salada, uma sopa de lentilha e um flan. Estava no fundo do poço, pois quase não consegui comer. Sentia enjoo em cada colherada. Era o quarto dia seguido com a saúde debilitada. 

    Em observação à orientação da Lincacabur (http://www.translicancabur.cl/), mandei um e-mail, confirmando o horário do meu voo (13h), pois o transfer de volta já estava pago. Para garantir, pedi à dona do hostel ligar e confirmar meu horário. Ela disse que a empresa costuma atrasar, portanto, costuma indicar a Transvip. No dia seguinte, foram ao hostel no horário combinado, às 9h, para me buscar. A viagem durou uma hora e meia. 

    Fiquei no aeroporto torcendo para ter uma viagem tranquila e tive uma leve melhora, tanto que consegui comer uns petiscos na sala vip de Santiago, mas assim que cheguei em casa, fiquei muito mal. A disenteria mais aguda da minha vida. Permaneci dessa forma por mais uns 4 dias. E não fui ao médico, pois sempre acho que vou me recuperar rapidamente.
    Creio que meu estado de saúde interferiu na minha percepção sobre o Deserto do Atacama, pois, apesar de ter paisagens inacreditáveis, não sinto a menor vontade de voltar, todavia, tenho certeza que é um dos lugares mais interessantes do mundo para quem gosta de exotismo e natureza.

    Atacama: Salar de Tara

    O conhecido guia “Lonely Planet“, em 2017, colocou o Chile em 1º lugar na lista dos países que mereciam ser visitados em 2018. OThe Rough Guide” também indicou o país. Deserto do Atacama é um dos motivos para o lugar ser um incrível destino turístico.


    O Salar de Tara é considerado por muitos o melhor destino do Atacama, mas um dos mais penosos em razão da altitude (4.300 metros), bem como pela ausência de banheiros no caminho. Fica muito próximo da tríplice fronteira entre Argentina, Chile e Bolívia, localizado na caldeira do Vulcão Vilama. O tour começa às 8h e termina por volta das 16h30. O preço médio é de 45.000 pesos chilenos. Não há taxa de entrada.

    Vulcão Licancabur

    O fato de não ter banheiro me deixou apreensiva, já que tenho um problema na bexiga, e ainda, como já comentado no outro post, no passeio do dia seguinte comecei a ter sérios problemas gastrointestinais. Antecipo que tudo deu certo!

    Depois de uma hora na estrada, a van parou diante do Vulcão Licancabur para tomarmos café da manhã. O visual é deslumbrante e tiramos dezenas de fotos. Todos aproveitaram para fazer suas necessidades fisiológicas do outro lado da estrada, atrás de uma pedra. Primeiro foram os homens, em seguida, as mulheres. Cheguei a comprar no mercado livre um urinol feminino para facilitar, mas não fiz testes antes e achei que poderia complicar tudo. Acabei não usando.  

    A agência Cruz Andina terceiriza os serviços e infelizmente não sei o nome da agência ou do guia que fez o passeio, mas foi o melhor dentre os que realizei. No café da manhã tinha pão francês crocante (em geral, o pão servido é redondo e duro), queijo, salame, suco, café, chá. 

    No caminho avistamos muitas llamas de todas as cores caminhando pelo deserto. O guia disse que não são selvagens, pois possuem donos. 


    Em seguida, passamos pelo Río Quepiaco, que é um oásis no deserto, onde aves como flamingos e patos buscam água doce. 

     


    Continuamos o caminho até “Monjes de la Pakana“, que são enormes pilares de pedra verticais e solitários no meio do deserto. Vemos o poderoso trabalho da natureza que esculpiu as pedras com a erosão eólica. O nome é relativo à forma, que muitos identificam como de monges.

    É preciso levar casaco, pois o vento é intenso, além de boné e protetor solar – não tem onde se abrigar, além de ser necessário papel higiênico, lenço umedecido e álcool gel. As pedras acabam se tornando sanitários a céu aberto. 

    O guia mostrou algumas pedras vulcânicas pretas, que inteiras são comuns, mas quando são quebradas possuem um brilho intenso.

    Passamos ainda numa seção da Reserva Nacional los Flamencos, local que encontramos dezenas de flamingos, além de raposas, vicunhas, gaivotas…



    Houve uma parada para o almoço, onde uma empanada assada foi servida para cada integrante do grupo. Tinha com recheio de queijo e de vegetais. Na mesa foi colocada uma enorme garrafa de vinho tinto Concha Y Toro. Algumas pessoas que estavam em outra excursão ficaram olhando o vinho e, como quase ninguém tomou, o guia fez uma doação. Embora o salgado estivesse lindo e cheiroso, não consegui comer. Não conseguia ingerir qualquer alimento. No fim do passeio passamos pelas lagoas branca e verde.


    Após retornar ao hostel, tomei banho e saí para tentar comer alguma coisa. Fiquei na frente de uma pizzaria, mas comecei a sentir enjoo, logo eu que amo pizza em qualquer ocasião, então desisti de comer. 

    Aproveitei para visitar a Igreja de San Pedro de Atacama, que fica na praça de San Pedro. Foi construída em 1745. Sofreu com terremoto e passou por restauração recentemente. Anteriormente era pintada de branco, mas atualmente tem a cor ocre. 

    Segui até a sorveteria “Heladería Babalú“, que fica na Caracoles. Não tinha muitos sabores, mas os presentes eram bastante exóticos, como “hoja de coca” (folha de coca), ayrampo, rica rica. Preferi algo tradicional, tendo em vista meu estado de saúde. Pedi uma casquinha de limão, que custou 1.900 pesos.


    Notei que San Pedro tem cachorros de rua enormes e peludos. Eu, que morro de medo, andava sempre prestando atenção se algum poderia ser mais agressivo e mudava de calçada.



    Atacama: San Pedro, Valle de la Luna, Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas

    Minha primeira viagem internacional, depois de adulta, foi para o Chile, em 2008. Naquela época não cogitei conhecer o Atacama e fiquei 8 dias na capital, Santiago, que adorei. Percebi que minhas milhas Multiplus estavam expirando, logo, fiz uma pesquisa sobre os possíveis destinos que poderia visitar. A melhor opção foi o Deserto do Atacama (aeroporto Calama). Consegui ida e volta por 33.500 milhas. 

    Lagunas Altiplânicas


    Cheguei no aeroporto por volta das 8h, pois o primeiro trecho era nacional (Rio-São Paulo), mas a desorganização da Latam era tamanha, que quase perdi o voo que saía apenas às 10h, já que agora o passageiro imprime a etiqueta, faz check-in e só segue até a atendente para despachar a bagagem. O avião aterrissou em São Paulo por volta das 11h e segui para a Sala Vip do Mastercard Black, que sofreu algumas alterações na decoração, bem como no cardápio, desde a última visita, que tinha ocorrido em maio (2017). O próximo trecho, São Paulo-Santiago, só partiria às 15:50!


    Sala Vip do Mastercard Black


    Teve atraso no segundo trecho e teria menos de 30 minutos para esperar a bagagem, passar pelo controle da vigilância sanitária, na imigração, depois ir até o balcão da companhia para despachar a bagagem, correr até o terminal nacional e novamente passar pelo controle de segurança!!! Novamente, quase perdi o voo, cheguei já com os passageiros entrando no avião. 

    Pude perceber como o controle de vigilância sanitária chileno é rigoroso, pois levava duas maçãs, que peguei na sala vip, assim que li que a multa era altíssima, retirei as frutas, mas não deu tempo de jogar fora. Entreguei para a fiscal. Como não foi ela que achou na mochila, mas eu que a entreguei, disse apenas para jogar fora antes na próxima vez! Ufa. Na hora de despachar a bagagem novamente, pedi para passar na frente, pois faltavam 10 (dez!) minutos pro meu voo partir. Ela me olhou, mas não deixei responder que não daria tempo. Corri pro terminal doméstico, já fui me despindo, tirando o casaco no caminho. Depois corri feito louca para conseguir embarcar.
    Tinha deixado para fazer câmbio no aeroporto de Santiago, embora tenha visto a cotação no banco Safra no aeroporto de São Paulo. Infelizmente não tive tempo e segui até Calama sem peso chileno. O voo foi tranquilo, mas fiquei chocada quando não encontrei uma única casa de câmbio no aeroporto de Calama! Não tem. Como pagaria o transfer?

    Na saída, encontrei uma funcionária da Lincacabur com uma placa com meu nome. O serviço pode ser reservado online e pago apenas no local. Como chegaria tarde (23:20), preferi deixar reservado. Preenchi o formulário, depois recebi a confirmação da Lincacabur. Só a ida é 12 mil pesos chilenos, ida e volta 20 mil pesos chilenos. Contratei ida e volta. Ela disse que poderia pagar com cartão de crédito. Levo sempre dois de duas bandeiras distintas, visa e mastercard, mas já tive problemas algumas vezes com o banco, que bloqueou o cartão. Respirei fundo e o cartão passou.

    A distância entre entre Calama, onde fica o aeroporto, e San Pedro do Atacama, cidadezinha base para os passeios no deserto, é de 100 km, cerca de 1h20 de viagem! Sentei ao lado do motorista, que foi conversando, mas estava morta de cansaço. Finalmente cheguei no hostel e tinha um funcionário me esperando. Já não havia ninguém nas ruas. Significava que não comeria naquele dia! Miguel me levou diretamente para o quarto, me mostrou os banheiros, que ficavam fora do quarto.

    Sempre pago a hospedagem antes de viajar, por isso quase sempre reservo no site hoteis.com, mas embora tenha usado o site, pela primeira vez não me deixou pagar antes da viagem. Fiquei ansiosa em carregar todo o dinheiro da hospedagem e dos passeios. Coloquei minha mochila na cama, peguei o dinheiro e fui pagar o hostel, mas disse que O pagamento deveria ser efetuado apenas no dia seguinte.

    Como contei no post anterior, primeiro reservei o hostel Residencial Chiloe no hoteis.com de 28/2011 a 02/2012. O valor cobrado era 49,50 dólares por diária (quarto duplo com banheiro privado), reservei 4 diárias, inclusive do dia que chegaria de madrugada. Posteriormente, a Latam mudou minha reserva, então, antecipei a viagem para o dia 26/11, contudo, já não tinha disponibilidade de quarto com banheiro no hostal.

    Após modificar a passagem, surgiu uma nova preocupação: a hospedagem. Não encontrei qualquer promoção para o mesmo hostel nos sites de reserva de hospedagem, também não poderia cancelar a reserva anterior, pois a tarifa não permitia cancelamento. Pensei em ficar em outro hostel, mas teria que transportar a bagagem no meio do dia (sempre viajo com mala). Entrei em contanto com a hospedagem, que me informou que não tinha quarto com banheiro para o período. Entrei no site e encontrei quarto duplo privado, mas com banheiro compartilhado. Nunca tinha usado banheiro compartilhado, e ainda, estou com uma doença chamada “bexiga hiperativa”, que me faz ter vontade de fazer xixi inúmeras vezes. Seria um caos, mas reservei por 37 dólares a noite, duas diárias, de 26 a 28/11.



    O quarto tinha duas camas, uma mesa, uma pequena janela. No corredor em que estava o quarto tinha dois banheiros, mas eram horríveis. O lado bom é que nunca estavam ocupados. Na parte traseira da propriedade tinha um banheiro mais moderno. Comi algumas bobagens que tinha levado para matar a fome que me consumia. Fui tomar um banho – morrendo de medo de esquecer meus pertences (risos). No dia que cheguei a internet não funcionou de jeito algum, portanto, não tive como avisar sobre minha chegada.

    No dia seguinte, tomei banho, e tentei novamente fazer o pagamento da hospedagem, mas o funcionário disse que só poderia às 11h, quando a dona chegasse. Segui para o café da manhã, que tinha iogurte, algumas frutas, chá, frios. Achei a qualidade bem ruim. Fiquei sentada esperando até fazer o pagamento, em dólar mesmo. Na reserva é informado que não há cobrança do imposto IVA (Impuesto al Valor Agregado) de 19% se o valor for pago em dólar, mas tinha lido alguns comentários que o lugar pedia que o pagamento fosse realizado na moeda local. A dona, Maria, não se negou a aceitar o dólar, mas analisou cada nota, pois disse que devem estar perfeitas.

    Finalmente segui para conhecer a cidade de San Pedro, que tem poucas ruas, sendo Caracoles a principal delas. Já tinha feito uma pesquisa online sobre os passeios que gostaria de fazer e da agência que tinha uma boa relação custo-benefício. Segui até o escritório da Cruz Andina, que tem um ótimo atendimento.

    Na época que viajei, a conversão era 1 dólar = 625 pesos chilenos, logo, um passeio de 10 mil pesos custou aproximadamente 50 reais. Consegui um bom desconto fechando todos os passeios, total de 6, numa única agência, gastando 142.000 pesos chilenos ou 227 dólares ou 762 reais. Meu cronograma de passeios ficou assim:

    Dia 26/11 Passei o dia viajando
    Dia 27/11 Valle de la Luna às 16h e Tour Astronômico às 20h50
    Dia 28/11 Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas (hotel)
    Dia 29/11 Salar de Tara às 8h (hotel)
    Dia 30/11 Termas de Puritama às 14h
    Dia 01/12 Gêiseres del Tatio às 04h30 (hotel)

    Dia 02/12 Retorno ao Brasil


    Quando os passeios saem cedo, a agência busca no hotel, mas nos passeios vespertinos ou noturnos, a saída é do escritório. Percebi que a agência supracitada é especializada no tour para o Salar de Uyuni, enquanto no Atacama todos os passeios foram terceirizados, ou seja, uma outra empresa de turismo nos buscava e nem sempre mantinha a mesma qualidade. Lembro que para o Valle de la Luna a empresa era “Luna”, Lagunas Altiplânicas foi “Viva Atacama” e Termas de Puritama “JJM turismo”. O melhor serviço foi o do Salar de Tara, que era um guia autônomo, mas levou um bom almoço e serviu até vinho.
    O meu roteiro não estava exaustivo, inclusive pensei em conjugar o passeio já pago – no dia 30/11 ou 1/12 – com uma visita às Lagoas escondidas de Baltinache, mas, por sorte, tive tempo de me recompor entre um passeio e outro, pois, a partir do segundo dia passei muito mal. Levo sempre alguns remédios, mas não tinha nada para infecção gastrointestinal. Até hoje desconheço a comida que deixou tão mal. Tenho duas apostas: a sopa de mariscos que comi no primeiro dia ou o café da manhã servido no passeio para as Lagunas Altiplânicas, que tinha ovos mexidos praticamente crus (Salmonella!). Não consegui comer por 6 dias! Para me manter em pé comprava duas maçãs e algum suco para beber. Chegava na porta dos restaurantes e tinha ânsia de vômito. Foram dias difíceis para mim. Por incrível que pareça: fui em todos os passeios, quando o ideal seria uma internação com soro na veia.
    Pesos chilenos
    Assim que saí da agência, caminhei pela Caracoles, entrei em lojas de artesanato e constatei que tudo é feito no Peru, mas o preço deve ser 10 vezes mais caro. Realmente não compensa comprar nada. Depois segui para fazer o câmbio e pagar os passeios. Entrei algumas lojas para saber a cotação e escolhi a melhor. Uma chateação: tinha voltado de Cuba dois dias antes e não aceitaram as notas que me deram, pois estavam com pequenos rasgos. No dia seguinte fui em uma casa de câmbio diferente e quase chorei, logo, trocaram meus dólares, mas por uma cotação desfavorável.

    Vi um restaurante bem recomendado no Tripadvisor (nº 5 de 73) e entrei para almoçar, antes do passeio para o Valle de la Luna. O restaurante escolhido foi o “La pica del Indio“. O menu custava 5.000 pesos. Escolhi caldo de mariscos de entrada, frango com batata e sobremesa. Achei a comida bem sem graça e quase não terminei o prato. E não sei se foi a sopa de mariscos que me derrubou, pode ser…
    Sopa de mariscos

    VALLE DE LA LUNA
    No horário marcado, o ônibus passou para recolher 3 pessoas que aguardavam no escritório da agência, mas o transporte já estava cheio. O vale é famoso por sua similaridade com a superfície da lua, devido às suas diferentes estratificações e às formações de sal causadas por fatores ambientais. Perguntei sobre o “Valle de la muerte”, mas a agência informou que o passeio não incluía mais o local.

    O tour custa, em média, 10.000 pesos e começa sempre no período da tarde, por volta das 16 horas, quando a temperatura está mais amena. Passamos pelas “Tres Marías”, “el Cañón”, “el Anfiteatro” e “la Piedra del Coyote”.

    Falaram que era um passeio tranquilo, que poderia ser realizado por qualquer um, tanto que tinha uma mulher grávida no grupo, mas achei que exige bastante da forma física. Subimos pedras, dunas, tudo debaixo de um sol escaldante. A entrada custa 3 mil pesos chilenos, que paguei ao guia, que compra a entrada de todos os turistas.
    Vi algumas pessoas chegando ao Valle de la Luna de bicicleta, vindo do centro de San Pedro. Eu, que tenho uma vida sedentária, não conseguia acreditar como alguém tem coragem de pedalar naquelas condições climáticas.

    O tour sai do centro de San Pedro em direção à Cordilheira de Sal, no Deserto do Atacama, o lugar mais árido do mundo! Em 15 minutos chegamos no “Vale da Lua”, no fim, após explorarmos o vale, seguimos para apreciar o pôr do sol sobre um mirante natural, de onde pudemos ver o deserto mudar de cor. De repente, o tempo mudou completamente e presenciamos vento e frio.

    Cheguei na agência às 20:30 e disse que precisaria usar um banheiro, logo, fui para o hostal, já que me buscariam na porta da hospedagem para o próximo tour.


    TOUR ASTRONÔMICO
    A maioria das pessoas indicavam o tour astronômico com a agência Space Obs, tanto que deixei registrado no meu roteiro que só faria o passeio com essa agência, mas na hora de fechar os demais passeios na Cruz Andina, por pura comodidade, acabei incluindo o tour astronômico com os demais contratados. Me arrependi.
    Chegaram para me buscar com quase uma hora de atraso. Estava em pé, na rua. Depois seguimos para um local muito iluminado, pois uma estrada passava ao lado. Fomos recebidos por dois irmãos, um ficava com um grupo que falava inglês e o outro com um grupo que falava espanhol. Não tinha lugar para sentarmos, logo, ficou difícil ouvir as explicações com o passar do tempo. Tinha duas senhoras idosas no grupo que sentaram no chão. Para piorar, era véspera de lua cheia, portanto, o céu estava bem iluminado, dificultando avistar os astros. Nos prometiam uma foto no final, mas o guia indicou que não tiraria, pois o céu estava muito iluminado. O retorno aconteceu após a meia-noite e não me deixaram na porta do hotel. Por sorte, San Pedro parece ser uma cidade segura. Não achei profissional. Infelizmente não perguntei o nome da empresa.

    LAGUNAS ALTIPLÂNICAS + PIEDRAS ROJAS
    Cheguei tão tarde no dia anterior e novamente fiquei sem comer. A dona do hostal tinha perguntando que passeio faria no dia seguinte e o horário. Informou-me que deixaria na recepção um lanche para levar. Para minha surpresa, o funcionário disse que não tinha nada reservado no meu nome. Fiz uma cara de tristeza e disse para ele que estava morrendo de fome. Saiu de bicicleta e comprou uma banana para me dar.
    O horário do tour é de 7h às 17h, com direito a café da manhã e almoço. Os lugares visitados são: Piedras Rojas, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, povoado Socaire e Toconao. Custa, em média, 30.000 pesos, tem ainda o custo com a entrada da Laguna Chaxa (2.500 pesos) e das Lagunas Altiplânicas (3.000 pesos).
    A primeira parada é no Salar do Atacama, onde fica a Reserva Nacional dos Flamingos. Lá encontramos uma estrutura com lugar para lanchar, banheiro, uma sala de exposição (sobre as espécies de flamingos que habitam o local), mirantes para observar os animais. O salar do Atacama é o maior do Chile e um dos maiores do mundo.

    A Laguna Chaxa é o paraíso dos flamingos, lá encontramos três espécies que habitam no Chile: flamingo andino, flamingo chileno e flamingo James. Há um caminho demarcado onde as pessoas podem caminhar. O reflexo do sol no sal e na água é tão intenso que é difícil ficar com os olhos abertos, logo, é necessário levar óculos escuros. Passei protetor solar e mesmo assim meu rosto ficou muito queimado.


    Depois houve uma parada para o café da manhã (acredito que os ovos mexidos que comi me derrubaram). Foi praticamente o último lanche que fiz enquanto estive no Atacama.




    Piedras Rojas para mim é o visual mais lindo do Atacama. O local também é conhecido como “Salar de Talar” (não confundir com o Salar de Tara, que é outro passeio de um dia inteiro). Minhas fotos não conseguiram captar a beleza estonteante desse lugar.











    Chegamos nas Lagunas Altiplânicas e a van nos deixou no topo da montanha e nos reencontrou na base, onde foi servido o almoço (guacamole). As lagunas (lagoas) são Laguna Miscanti y Laguna Miñiques, que ficam a 4.000 metros acima do mar e a 110 km ao sul de San Pedro do Atacama. Estão localizadas aos pés de vulcões e da Cordilheira dos Andes. Existe uma cabana no topo da montanha, que pode ser alugada por 20.000 pesos a diária, com capacidade de 3 pessoas.


    O guia fez uma parada rápida na placa que marca o “Trópico de Capricórnio“, que é uma linha imaginária que corta o globo terrestre no sentido horizontal.

    A última parada foi no povoado Socaire. Entramos numa propriedade, que tinha uma loja, alguns animais, como llamas e cabras, mas não tinha pernas para explorar o povoado e fiquei aguardando perto da van.


    Antes de sair para o passeio, deixei tudo arrumado no quarto, mochila e mala prontas, pois me avisaram que fariam a mudança da minha bagagem pro quarto com banheiro. Cheguei já me sentindo mal e não conseguiram me dizer em que quarto estava. O quarto era duplo, logo, tinha duas camas, duas toalhas, um banheiro com água quente, varanda com mesa e cadeira. “Felizmente” só comecei a ter complicações gastrointestinais num banheiro privado. Naquele momento achei que seria um problema passageiro, mas não foi.

    Planejamento para o Deserto do Atacama

    A viagem para o Deserto do Atacama nasceu da necessidade de gastar minhas milhas que estavam expirando na Multiplus. Após marcar minhas férias, comecei a pesquisar voos, quando encontrei ida por 16.000 milhas e volta por 17.500 milhas, que é um valor excelente. Num primeiro momento, como pretendia fazer outra viagem nas férias, marquei apenas 3 dias inteiros, sem contar o dia da ida e da volta. Voaria dia 28/11 e regressaria dia 02/12. 

    Rua Caracoles em San Pedro

    O primeiro susto que levei foi com o preço da hospedagem, que é absurdamente caro, mesmo nas opções mais simples. Existem hotéis 5 estrelas com diárias de R$2.000, mas não pense que os hosteis estavam baratos. Preferia encontrar um hostel com quarto privado que tivesse banheiro próximo a rua Caracoles, que é o centro da região, de onde saem os passeios e onde estão os restaurantes. Ter banheiro privado é uma exigência que dobra o valor da diária! 

    Depois de alguns dias de pesquisa, apareceu uma promoção do Residencial Chiloe no site Hoteis.com. O valor cobrado era 49,50 dólares por diária, paguei 4 diárias, inclusive do dia que chegaria de madrugada. A título de comparação, com esse valor é possível ficar num “All inclusive” em Varadero, num hotel luxuoso com piscina em Bangkok, num apartamento confortável em Lisboa. Só encontrei a opção de quarto duplo, ou seja, viajar sozinha é pagar em dobro.

    O valor foi mostrado em reais, mas seria pago em dólares, logo, dependeria da cotação do dia para converter o valor para real – estava muito mais barato que nos outros hosteis similares. O site informava que deveria entrar em contato com o estabelecimento se o horário de chegada estivesse previsto para depois da meia-noite. Alguns dias depois a Latam enviou um e-mail sobre uma mudança de horário, mas era apenas 10 minutos no voo da volta.

    Faltando duas semanas para a viagem, recebi outro e-mail da Latam, mandando entrar em contato se não estivesse satisfeita com o novo horário do voo de volta, que tinha uma alteração de mais de 1 hora no trecho internacional. Nesse momento já tinha todo o período de férias planejado, pois comprei a passagem para passar uma semana em Cuba e teria disponibilidade para ir antes para o deserto. 

    Para ter argumentos valiosos, antes de entrar em contanto com o chat, pesquisei sobre a Resolução nº 400, de 2016, da Anac, que é clara ao informar, no art. 12, item II, que na alteração do horário da chegada ou partida (mais de 1 hora em voos internacionais), se o passageiro não concordar com a alteração a companhia aérea deve oferecer alternativas ou reembolso integral:

    Art. 12. As alterações realizadas de forma programada pelo transportador, em especial quanto ao horário e itinerário originalmente contratados, deverão ser informadas aos passageiros com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas. § 1º O transportador deverá oferecer as alternativas de reacomodação e reembolso integral, devendo a escolha ser do passageiro, nos casos de:
    […]
    II – alteração do horário de partida ou de chegada ser superior a 30 (trinta) minutos nos voos domésticos e a 1 (uma) hora nos voos internacionais em relação ao horário originalmente contratado, se o passageiro não concordar com o horário após a alteração.

    Fui no site da Latam e “escolhi” um novo voo de ida, no dia 26, antecipando em 2 dias, mas só encontrei voo com conexão em São Paulo, contudo, no que diz respeito à volta, encontrei um voo direto pro Rio de Janeiro, saindo às 13h (o anterior estava marcado para 8h, que me faria acordar as 4h da manhã, pois o aeroporto ficar bem distante), chegando mais cedo que o voo sugerido pela companhia. Entrei no chat e não precisei citar a resolução, disse que queria fazer as alterações supracitadas, colei os trechos que queria do site da Latam, com os códigos. Imediatamente me encaminhou um e-mail com o novo e-ticket. 

    Surgiu uma nova preocupação: a hospedagem. Não encontrei qualquer promoção para o mesmo hostel nos sites de reserva de hospedagem, também não poderia cancelar a reserva anterior, pois a tarifa não permitia cancelamento. Pensei em ficar em outro hostel, mas teria que transportar a bagagem no meio do dia (sempre viajo com mala). Entrei em contanto com a hospedagem, que me informou que não tinha quarto com banheiro para o período. Entrei no site e encontrei quarto duplo privado, mas com banheiro compartilhado. Nunca tinha usado banheiro compartilhado, e ainda, estou com uma doença chamada “bexiga hiperativa”, que me faz ter vontade de fazer xixi inúmeras vezes. Seria um caos, mas reservei por 37 dólares a noite, duas diárias, de 26 a 28/11.

    Sempre prefiro pagar a hospedagem antecipadamente, portanto, na maioria das vezes reservo no site hoteis.com, mas pela primeira vez não consegui efetuar o pagamento, acho que em razão do imposto de 20% que tem para chilenos ou no caso de pagamento da reserva em pesos chilenos. 

    Para quem não tem preocupação com o custo da hospedagem, existem hotéis 5 estrelas cinematográficos, que, na maioria, oferecem serviço “All inclusive”, com refeições, transfer, passeios. Tudo incluído! São eles o Tierra Atacama e Explora Atacama. Existem outros sofisticados e com preço elevado: Hotel Noi, Hotel Cumbres, Altiplanico Atacama, Terrantai Lodge, Poblado Kimal, etc. 
    Valle de la Luna
    Em seguida, decidi verificar os passeios mais interessantes. Li alguns sites e perguntei às pessoas conhecidas, que já tinham viajado ao deserto, sobre os passeios preferidos. Segui a dica e deixei para reservar apenas na cidade, mas pesquisei e anotei os valores antecipadamente. Os passeios que poderia fazer:
    • Tour astronômico (+- 20.000 pesos chilenos)
    • Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas (+- 50.000 pesos chilenos)
    • Geysers del Tatio (+- 20.000 pesos chilenos)
    • Laguna Cejar (+- 17.000 pesos chilenos)
    • Valle de la Luna (+- 10.000 pesos chilenos)
    • Termas de Puritama (+- 12.000 pesos chilenos)
    • Valle Arcoiris (+- 28.000 pesos chilenos)
    • Salar de Tara (+- 45.000 pesos chilenos)
    • Lagoas Escondidas de Baltinache (+- 30.000 pesos chilenos)
    Gêiseres del Tatio
    Na época que viajei, a conversão era 1 dólar = 625 pesos chilenos. Logo, um passeio de 10 mil pesos custou aproximadamente 50 reais. Consegui um bom desconto fechando todos os passeios, total de 6, numa única agência, gastando 142.000 pesos chilenos ou 227 dólares ou 762 reais. O gasto não para por aí, pois muitos sítios cobram ingresso pela entrada! Alguns oferecem uma pequena estrutura (banheiro). O valor da entrada é:
    • Lagunas Altiplânicas + Piedras Rojas (5.500 pesos chilenos)
    • Geysers del Tatio (10.000 pesos chilenos)
    • Valle de la Luna (3.000 pesos chilenos)
    • Termas de Puritama (15.000 pesos chilenos pela manhã e 9.000 pela tarde)
    É importante ressaltar que os passeios que duram o dia inteiro servem café da manhã e almoço, então, a qualidade do lanche estará relacionada com o preço do pacote. É sempre bom perguntar o que está incluído. Algumas agências levam verdadeiros banquetes com frios, pães, vinhos, roupões, enquanto outras levam café e biscoito. 

    Assim como a hospedagem, existem passeios para todos os bolsos, desde agências com uma estrutura excepcional até aquelas mais baratas. Acessei sites de algumas agências que tinham boa avaliação e o valor era razoável. Destaco aqui que muitas agências não estão listadas no “Tripadvisor” – em San Pedro existem muitas outras:

    Cruz Andina (fiz os passeios com essa agência):
    https://www.cruzandinatravel.com/pb/
    Volcano Ventura (indicada por uma colega):
    http://www.volcanoaventura.cl/es/excursiones-regulares/
    Araya Atacama
    http://arayaatacama.com/tours/
    FlaviaBia (o preço é mais elevado, mas a estrutura parecer ser ótima)
    http://www.flaviabiaexpediciones.com/
    Astrotour Atacama
    https://astrotouratacama.cl/
    Space Obs (expedição astronômica)
    http://www.spaceobs.com/
    Ayllu Atacama (o preço é mais elevado, mas a estrutura parecer ser ótima)
    www.aylluatacama.com.br

    Outra preocupação na viagem pro Deserto do Atacama é relativa à mala. Viajei no fim de novembro, numa época bem próxima do verão, então a oscilação de temperatura não foi tão grande, mas mesmo assim peguei de -9º a 50º! A mala deve ter de roupas térmicas a roupas de banho. Sempre viajo de mala e não vejo a necessidade de ser mochilão, exceto para quem vai seguir para o Salar Uyuni, na Bolívia. Não comprei nada específico, mas levei muitos casacos para colocar camadas quando fosse necessário. É essencial levar:
    • Roupas térmicas (só tinha a camisa de manga);
    • Fleece; 
    • Meias;
    • Luva;
    • Casaco corta-vento (levei uma jaqueta de couro sintético);
    • Gorro;
    • Toalha de secagem rápida;
    • Casaco de pena de ganso;
    • Roupa de banho;
    • Óculos de sol;
    • Protetor solar e labial;
    • Lenços umedecidos, papel higiênico, álcool gel;
    • Boné;
    • Soro fisiológico ou Rinosoro (hidratar o nariz).

    Por fim, tive que verificar a melhor forma de sair do aeroporto em Calama e seguir até San Pedro de Atacama. A distância entre as duas cidades é de 100 km, cerca de 1h20 de viagem! Existem duas empresas que fazem transfer diariamente, a Transvip e a Lincacabur. O serviço pode ser reservado online e pago apenas no local. Como chegaria tarde, preferi deixar reservado. Preenchi o formulário, depois recebi a confirmação da Lincacabur, dizendo que estariam me esperando na saída com uma placa com meu nome. Só a ida é 12 mil pesos chilenos, ida e volta 20 mil pesos chilenos. Contratei ida e volta. Para voltar, mandei e-mail, pois pedem para confirmar a volta um dia antes, mas também pedi para a dona do hostel ligar. Ela disse que a empresa costuma atrasar, portanto, costuma indicar a Transvip. Não tive qualquer problema com a empresa.

    Transvip: http://www.transvip.cl/
    Lincacabur: http://www.translicancabur.cl/


    Para finalizar, uma sugestão: como tudo é muito caro em San Pedro, sugiro levar alguns petiscos. Comprei uma lata de batata, amendoim, amêndoas, balas, kit kat. 

    Havana (4ª parte)

    No nosso último dia em Havana, acordamos e seguimos para o restaurante “Dos pelotas“, com o objetivo de tomarmos o café da manhã. Pedi uma porção de frutas, uma omelete e um suco. Tudo custou 2,75 CUC, ou seja, um preço imbatível na região, muito mais barato que nas casas particulares ou nos hotéis.


    O primeiro ponto turístico visitado foi o Palacio de la Artesania, também conhecido como Casa de Don Mateo Pedroso. É uma mansão do século 18, que pertenceu à família Pedroso, descendentes de nobres, Don Mateo era vereador da cidade e uma das figuras influentes do governo colonial. No século 20 se tornou prédio residencial e mais tarde foi reformado para servir como “shopping”. Hoje é uma grande loja de artesanatos, onde encontramos charutos, joias, roupas, arte, sapatos, café.


    Assim que ingressamos no prédio bicolor, nos deparamos com um grupo feminino tocando no pátio. Havana é uma cidade musical, em todos os lugares que visitamos tinha som ao vivo de qualidade. Guilherme queria comprar uma camisa para sua mãe, então entramos numa loja de camisas temáticas. As vendedoras elogiaram meu cabelo, depois queriam que ele comprasse uma camiseta pra mim, então explicou que éramos apenas amigos.

    No segundo andar comprei apenas um chaveiro e uma pulseira. Também tinha uma loja da Puma, no entanto, os preços não eram convidativos. O local é muito bonito, além de ser uma oportunidade de fugir do calor e tem um cenário ideal para tirar fotos.


    Caminhamos até a região onde ficava o hostel, que nos hospedamos na chegada. Guilherme quis cumprimentar a funcionária que servia o café da manhã, a Yamilka – todos os dias pedia o isqueiro emprestado para ela, além de conversar sobre a vida em Cuba. Esqueci de comentar nos posts anteriores, pois ficou emocionado na despedida e deu alguns CUCs de gorjeta. Na frente do hostel tem um café chamado Cafeteria Aché, onde tomamos refresco por apenas 0,25 CUC. 


    Vou aproveitar para contar como conheci Guilherme, meu parceiro nessa viagem (risos). Estava fantasiada numa fila do show da Madonna no Parque Olímpico, em 2012, na MDNA Tour. De repente, chegou aquele menino bonito, dizendo que me conhecia. Era muito ativa no falecido “Orkut” e achei que tinha me visto em alguma comunidade. Ele exclamou “Você é a Dani da fulana” (fulana era uma amiga famosa, que não tenho mais contato). Então perguntei se era “stalker” na internet. Desde aquela época nos falamos sempre pelos meios virtuais, mas antes da viagem, só nos vimos, além da fila do show, numa boate, em 2015, quando nos encontramos para dançar ao som de nosso ídolo.


    Caminhamos até Plaza de la Catedral, aproveitamos para visitar o interior da Catedral de Havana, que é uma das onze igrejas católicas romanas de Cuba. Os jesuítas iniciaram a obra da igreja no estilo barroco (1748-1750), mas foram interrompidas em decorrência da possessão espanhola. Em 1782 foi consagrada como catedral. Diz a lenda que já abrigou os restos mortais de Cristóvão Colombo. 


    Aproveitamos para flanar por Havana, passando por praças, observando escolas, mulheres com roupas típicas, livrarias. A livraria me surpreendeu negativamente, pois tinha pouquíssimas publicações, ainda mais se considerarmos a dificuldade de acessar a internet na ilha, achei que os livros fossem a maior fonte de conhecimento. É provável que utilizem as publicações das bibliotecas públicas.

    O dinheiro de Guilherme acabou e fomos até a cadeca (casa de câmbio) localizada na rua Obispo. A fila era gigantesca e tinha muitos cubanos, que provavelmente vendem em CUC e trocam por CUP. Disse para tentar conseguir a nota de 3 CUP, com o rosto do Che Guevara, pois reza a lenda que é difícil consegui-la, pois se tornou um suvenir muito procurado. Voltou todo sorridente, pois a mulher deu um maço de notas com a cara do Che! Felizmente fui presenteada com uma, que guardo com carinho.
    Guillermo fazendo amizade na fila, como sempre


    Naquele dia visitamos o Museo Nacional de Bellas Artes de Cuba, que cobra 5 CUC pelo ingresso. Tivemos que deixar as bolsas na chapelaria e fomos informados que nas salas de exposições não poderíamos fotografar. O prédio é imenso, mas está muito abandonado. Tem uma sala de cinema no térreo, um restaurante, depois uma escadaria conecta com os outros andares. O “folder” avisa que hoje em dia o prédio mostra exclusivamente obras de arte cubanas, que são divididas em 4 fases: Arte Colonial (séc. XVI-XIX), Mudança de Século (1894-1927), Arte Moderna e Arte Contemporânea.



    Há uma sala especial para o maior expoente da arte cubana, Wilfredo Lam, mas, como esperado, todas as salas são quentes, pois não têm refrigeração. O banheiro não tem papel higiênico, que é um artigo de luxo por lá, mas levo sempre o meu. Como estou com “bexiga hiperativa”, uma doença que me faz ir ao banheiro dezenas de vezes ao dia, conheço todos os banheiros dos lugares que visito. Assim que entrei na cabine, uma senhora me passou um pedaço de papel por cima da porta, mesmo dizendo que não precisava. Acho que é uma tática para receber alguma gorjeta.


    Bem perto do MNBA fica o Museo de la Revolución, que cobra 8 CUC, mas não me cooptou. Guilherme queria muito visitá-lo, todavia, acabou desistindo com minha falta de interesse. Essa questão é importante, pois quando viajamos acompanhados nem sempre temos os mesmos gostos. Costumo fazer um roteiro incluindo tudo o que a cidade tem a oferecer, mas nunca consigo dar conta de todas as atividades. Nem sempre é fácil negociar (Sou ariana e admito que nunca quero ceder! rs), em Viena, queria ver arte contemporânea e meu amigo preferia arte pré-histórica, logo, sugeri que cada um fosse apreciar o que gosta e combinamos um horário e local para nos reencontrarmos. O mais importante é não ficarmos frustrados.

    O calor estava implacável e comecei a sentir fortes dores de cabeça! Tínhamos combinado de visitar o bairro de Vedado naquele dia, contudo, fui culpada por não conseguirmos. Sugeri voltarmos ao apartamento, mas almoçamos antes no “Dos pelotas”, depois deitei para tentar me restabelecer e não consegui. Vedado ficará para uma próxima visita. O roteiro incluía a rua 23, sorveteria Coppelia, Cine Yara, Centro Cultural Fresa y Chocolate.

    Após escurecer, tomei banho e saímos para procurar uma pizza, bem como um local para acessarmos a internet. Primeiro estivemos num estabelecimento em Centro Habana, que vende pizzas e massas, El Italiano É um local popular e fica lotado. Os preços estavam em CUP e acho que uma pizza custava menos de 10 reais.


    Resolvemos acessar a internet antes, pois tínhamos um cartão adquirido no resort. Retornamos em direção a Habana Vieja, atravessamos o Paseo del Prado e logo avistamos o Mercure Sevilla. Pensei em ficar do lado de fora, mas Guilherme entrou no hotel e perguntou se podia desfrutar da internet no hall. Disseram que poderíamos acessar no interior do hotel, bem como tinha um bar com música ao vivo. Entramos e pela primeira vez na viagem ficamos irritados um com o outro, mas é esperado, pois conviver diariamente com uma pessoa é bem difícil. O local é lindo! Um hotel de rede muito bem localizado para quem não precisa se preocupar com dinheiro. Pedi uma pizza marguerita e uma limonada, por 12 CUC. Os grandes hotéis têm wi-fi no hall e basta um cartão para se conectar.


    Ao retornarmos ao apartamento, aproveitamos para conversar com nossos anfitriões. Sentamos no sofá da sala e ficamos por quase uma hora. Guilherme queria saber sobre política, mas preferi perguntar sobre questões sociais e amenidades. Falaram sobre a educação obrigatória, pois os pais respondem legalmente se a criança não aparecer na escola. Questionamos sobre a segurança. Disseram que é muito raro ter furto, mas, em geral, quando existe usam apenas facas. Falaram sobre a jornada de trabalho, contaram que estavam aposentados. Abriram o computador para mostrar o estrago que o furacão Irma fez com o país em setembro de 2017. A rua em que moram virou um rio, a água subiu até o teto do primeiro andar! As pessoas se locomoviam com barcos. Dessa vez não estavam com hóspedes, mas em outro furacão ficaram três dias sem poder sair de casa.

    Deixamos as malas prontas no dia anterior, acordamos e perguntamos a Pablo se teriam café da manhã, pois o restaurante só abria às 8h. Como não tínhamos informado com antecedência, não havia a disponibilidade, então saímos em direção ao restaurante apressados, pois o táxi viria nos buscar às 8:30 (pedimos, no dia anterior, ao Pablo para chamar um táxi). Quando retornamos, o táxi já estava na porta. Descemos com as malas e seguimos para o aeroporto. 
    Eu, Pablo, Raquel e Guilherme

    Sobre Centro Habana, minha percepção foi muito positiva. Tendo em vista que não é uma área turística, não tem vendedor de rum ou charuto, não vi pessoas tentando aplicar golpes ou pedindo qualquer produto. Os moradores daquele bairro estão vivendo a vida deles, sem se preocupar com o turismo. Os preços são muito melhores que em Habana Vieja, tanto para comer quanto para se hospedar. 

    Após o check-in, seguimos para a fila da cadeca para fazer o câmbio dos CUCs remanescentes (cerca de 70). Solicitei que me dessem notas de Euro, mas o atendente disse que não tinha, apenas dólar. Quando recebi as notas, observei que a maioria estava deteriorada, com rasgos ou sujas, pedi para trocar, no entanto, as notas de 10 recebidas continuavam danificadas e sabia que encontraria dificuldade para usá-las. Dito e feito. Dois dias depois viajei para o Deserto do Atacama e nenhuma casa de câmbio aceitava, por fim, quase chorando, um senhor recebeu os dólares, mas estabeleceu um valor bem abaixo da cotação do dia. Então a dica é: troque aos poucos os CUCs ou gaste todo o dinheiro para não ter essa dor de cabeça.


    Para finalizar, reproduzo o texto do Gui, pois transmite o mesmo sentimento que tenho sobre o país maravilhoso chamado Cuba:

    De tanto ouvir: “Vai pra Cuba”, eu decidi que era hora de conhecer um país que há muito tempo estava na minha lista.
    Desde que retornei, há quase um mês, estou tentando processar tudo que vi em apenas 7 dias. Me aprofundei nas pesquisas, em livros e documentários para entender melhor a ilha de Fidel, afinal, eu fui fazer turismo e não uma pesquisa antropológica.
    Fiquei impressionado com a beleza “decadente” de Havana. A cidade está no meu coração e eu quero voltar um dia.
    Você vê o luxo e o lixo convivendo lado a lado.
    Vi um país que parou no tempo. As casas mais novas parecem ser dos anos 70, mas me parece que é a arquitetura do local, pois as construções seguem o design daquela década.
    O povo é o mais interessante. Sempre alegre e educado – para as turistas mulheres, há uma certa abordagem. Nada comparado ao quê vemos no Brasil, mas pode ser um problema para as turistas que viajam sozinhas.
    Não tem assalto, ou abordagem direta – não pedem dinheiro, mas pedem sabonete, ou algum alimento, ou até roupa. O povo é pobre, de fato. Sabonete por exemplo é um item quase de luxo; e a comida é racionada e alguns itens como carne, são caros.
    Eles trabalham muito!!! Mas trabalham para o governo – nas palavras da mulher que trabalha no hostel que eu fiquei – (Se bem que aqui no Brasil é assim desde 1500)
    Eles têm educação e saúde – isso já sabemos.
    Não se vê crianças na rua – a não ser acompanhadas pelos pais, ou a caminho da escola de uniforme…
    Com certeza, essa foi uma das melhores viagens da minha vida. Me emocionei com as pessoas e suas histórias; os lugares; e antes que me chamem de esquerdista e afins, e continuem me mandando para Cuba, eu falo o seguinte: de fato, me considero de esquerda. No entanto, considero muito perigoso qualquer extremismo, seja à direita ou à esquerda.
    Cuba é um lugar que tinha tudo pra dar (mais) certo – igual o Brasil. Quem sabe um dia…

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