Tallinn, a capital da Estônia (1ª parte)

Como relatado no post anterior, houve alteração da rodoviária de embarque, em São Petersburgo, aumentando 1 hora na viagem, totalizando 6h45. Apesar do tempo na estrada, ainda acho o ônibus melhor opção que o avião. 

A muralha medieval de Tallinn

O ônibus partiu da Rússia às 8:15 e parou na fronteira para fazer o controle de imigração. Ficamos ali mais de 1 hora, pois todos devem descer com a bagagem de mão, depois pegamos as malas no bagageiro para fazer os trâmites de saída do país. Dentro de um galpão se forma uma fila e todos seguem até a cabine com o policial, que só olhou o passaporte e carimbou, mas os russos precisam de visto para entrar na Europa, bem como os europeus precisam de visto para adentrar em solo russo, portanto, para a maioria dos passageiros, a verificação é mais demorada. Quando todos são liberados, o ônibus retorna e colocamos as bagagens novamente.


Infelizmente a imigração da Estônia não está instalada no mesmo local, então, o ônibus segue o percurso e depois de algum tempo novamente paramos para fazer o trâmite de entrada na Europa! E todos descem, pegam as malas e vão para o controle de imigração. Dessa vez deve ter demorado 1h30. Estávamos observando o perfil dos policiais e tinha uma mulher bem agressiva. Meu amigo “tomara que não tenha que falar com ela”. Me chamou, ficou uns 2 minutos olhando meu passaporte. 

O ônibus da “Lux Express” é muito confortável, pois as poltronas são macias e espaçosas. Recebemos uma garrafa de água na entrada, existe uma tela individual para ver filmes/programas de tv ou acessar a internet, a conexão do wi-fi funciona perfeitamente, tem uma máquina de café (várias bebidas), além do banheiro ser adequado. E o preço da passagem foi bom: 25 euros (comprei online 45 dias antes).

Assim que chegamos na Tallinn Coach Station, verificamos que tinha wi-fi disponível, portanto, poderíamos chamar o uber, que operava na cidade. Nosso hotel ficava a 3,7 quilômetros de distância. O carro apareceu em 15 minutos (não tinha muitos automóveis disponíveis naquele momento) e fomos deixados no hotel em menos de 10 minutos. A corrida deu 5 euros – realmente não tem alternativa melhor para chegar no centro da cidade.
A rodoviária Tallinn Coach Station
O hotel escolhido foi o Metropol Hotel. Pesquisei as opções dentro da Old Town, mas os preços eram caríssimos. Também olhei no airbnb, todavia, acabei optando por um hotel que ficava muito bem localizado, embora fosse bem simples. 5 minutos de Old Town, 10 minutos do porto e perto de vários shoppings. Os quartos eram antigos, o banheiro era grande com piso aquecido. Não tinha ar-condicionado e o frigobar estava desligado (tive que pedir ao recepcionista para ligar, pois achei que tinha queimado). Assim que fizemos o check-in, encontrei uma casa de câmbio bem próxima e fui trocar os rublos que sobraram. Em seguida, entramos no supermercado Rimi, que era maravilhoso. Compramos pizza e sidra (passou a ser minha bebida favorita após essa viagem) para matar a fome.

Vista do quarto do hotel

Prédio vizinho do hotel
De volta ao hotel, tomamos banho e decidimos fazer uma visita rápida no centro histórico, pois já passava das 19h, mas o dia ainda estava claro. A capital da Estônia é dividida entre cidade nova e Old Town (ou centro histórico). A cidade antiga é considerada patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. Inexplicavelmente as ruas estavam vazias e pudemos ver praticamente toda a cidade em menos de duas horas (mostrarei os pontos turísticos pormenorizadamente no segundo post sobre Tallinn).

Old Town
Raekoja Plats

Prédio da prefeitura
Cidade Nova




Meu amigo tem um amigo estoniano e indicou o restaurante III Drakon, que é medieval e bem avaliado (provavelmente porque vende sopa a 2 euros). Adianto que nunca passei tanta raiva na minha vida!!! Foi a pior experiência com o atendimento de um restaurante que tive. Dizem que é um teatro das atendentes, pois tentam reproduzir uma taverna medieval. O lugar não tem garçom, talheres e é totalmente escuro. Fica no prédio da prefeitura, na Town Hall Square (Raekoja Plats).

Fiquei na fila e pedi uma sopa de qualquer vegetal (li no Tripadvisor sobre a sopa de cebola). A atendente ruiva disse que só tinha sopa de alce e que ali não era lugar para vegano! Não disse que era vegana em nenhum momento, apenas perguntei sobre as opções sem carne. A mulher virou as costas pra mim e disse que não me atenderia. A outra veio e explicou o cardápio. Estava com tanta raiva que meu rosto devia estar vermelho. Escolhi vinho quente e uma massa folhada com cenoura. Meu amigo, que aguardava atrás de mim, estava perplexo, mas rindo, e pediu linguiça e vinho. Perguntaram se não era homem o suficiente para pedir a caneca grande. Logo na entrada tem um barril com picles, que deve ser “pescado”. Pesquei um.


O show de horrores não parava, quem demorava para pedir era mandado para o fim da fila. Existem poucas mesas no local, portanto, mandam você apertar o outro cliente e sentar no banco. O casal que estava na mesa que sentamos foi reclamar e disseram “se não está satisfeito pode ir embora”. Hoje consigo rir, mas no dia só sentia ódio. 


No fim do dia, caminhamos até o Shopping Solares Center (que é bem simples e estava fechando), pois ainda estava com fome e fui no restaurante Lido. Não é exatamente um self-service, mas você escolhe a composição do prato. Cada guarnição tem um preço e porção já pré-definida. Comi o pelmeenid (ou pelmeni), que é uma massa com recheio (parece guioza, capeletti, dim sum, etc). Apesar da aparência de comida de hospital, gostei.

pelmeenid

São Petersburgo, a visita ao Catherine Palace e o jantar no Jamie´s Italian

No último dia em São Petersburgo, não acordamos tão cedo como queríamos e meu amigo conseguiu ficar quase duas horas tomando banho (haja paciência). Tinha deixado as compras pro último dia, portanto, seguimos para o Souvernir Market, que fica no caminho da Catedral do Sangue Derramado (Church of the Savior Blood). 
Catherine Palace

São inúmeras barracas dispostas na calçada ao lado do canal (Griboedov canal embankment). Vendem diversos modelos de matrioska (boneca russa artesanal), camisas, capas de almofada, canecas, etc. Finalmente encontrei um lugar em que todos falavam inglês e até arriscavam palavras em português e espanhol. A maioria dos objetos não possuem preço, mas, mesmo os que estão etiquetados podem ser negociados. Minha tática é perguntar o preço para alguns vendedores e depois começar a negociação. No fim, comprei 8 matrioskas de tamanhos variados. Meu amigo comprou matrioskas, caneca, capa de almofada, copo para vodka, busto de Lenin…
Souvernir Market
Matrioskas
Voltamos para deixar as compras no apartamento e seguir em direção ao Palácio da Catarina, que fica em Tsarkoye Selo, a 25 km de São Petersburgo. Preferimos pegar o metrô na estação Sennaya Ploschad, pois está localizada na linha azul e desceríamos na estação Moskovskaya (Московская), também na linha azul.
Estação de metrô Sennaya Ploschad

Segui para a bilheteria, já tinha deixado o mapa aberto no celular para mostrar para a atendente em qual estação desceria, pois não sabia se tinha preço diferenciado. Disse que custava 40 rublos (R$2,00) e que não tinha diferença na tarifa se fosse para outra linha/estação (foi a primeira pessoa que sorriu pra mim na Rússia! rs). O bilhete é uma moedinha, que é inserida na catraca. Devo ter ficado uns 5 minutos descendo na escada rolante, pois é muito profundo. Tinha segurança ostensiva no local, pois um mês antes teve um grande atentado terrorista no metrô.

Ficha do metrô

Encontrei placas com o alfabeto cirílico e alfabeto romano, portanto, não tive a menor dificuldade de me localizar. Mesmo assim, contei as estações e desceria 6 estações depois. A estação Moskovskaya é a mesma que tem os ônibus/vans para o aeroporto. A estação que desci parecia um bunker – um paredão de concreto com um portão de ferro, que só abre quando o metrô chega. Saindo da estação, encontramos um enorme monumento em homenagem a Lenin. A cidade parece bem segura, pois no local havia muitas crianças brincando. Na rua logo atrás da escultura, encontramos diversas vans estacionadas. É o ponto final. Identifiquei que a linha 342 (van) tinha como destino o “Catherine Palace”. Li que a linha 545 também deixa no local.

Lenin
A van que leva ao Palácio de Catarina
É óbvio que ninguém falava inglês na van, pois todos era russos. Identifiquei na placa que o valor da corrida era 40 rublos. Meu amigo abriu o google maps para seguir a rota via gps e saber onde exatamente teríamos que descer. Quando vimos uma multidão de chineses avisamos que desceríamos ali.

Seguimos o fluxo até encontramos a bilheteria. Não tinha informação em inglês e a senhora também só se comunicava em russo. A melhor opção é comprar online, pois o site tem a versão em inglês. Só sei que adquiri um ingresso por 120 rublos e só vi o Catherine Park, sem entrar no Palácio, mas também não tinha mais tempo. Particularmente, achei os jardins do Palácio de Catarina muito mais bonitos que os de Peterhof.

É curioso o fato que Catarina II nasceu Sofia Frederica e não era russa. Após a morte de Pedro, o Grande, sua filha Elisabeth assumiu o trono, mas não casou ou teve filhos. Então coube escolher quem a sucederia. Optou por um sobrinho distante, que jamais havia pisado em solo russo, o jovem Karl Pedro, de apenas 14 anos. Logo procuraram uma esposa para o novo rei, que era uma jovem princesa alemã. No entanto, o casamento adolescente não deu muito certo, pois Pedro arrumou uma amante, ficou desfigurado pela varíola e só interessava por militarismo. Restou a Catarina o interesse pelos livros, principalmente por filosofia.

Catarina tinha um enorme interesse por literatura e tentou se instruir ao máximo, que não era comum para as mulheres da sua época. Depois teve um filho e uma filha (morreu) e colecionou amantes, entre eles o futuro rei da Polônia e Orlov, oficial da artilharia, que a ajudaria com o golpe contra seu marido, pois concordavam que Pedro não conseguiria governar o país. Em 1761 Pedro se tornou o imperador, após a morte de sua tia Elisabeth. Ficou claro que Peter não se manteria no trono, pois incomodava militares e clero. Em 28 de junho de 1762 Catarina, a Grande, foi declarada imperatriz da Rússia. Ao saber que tinha perdido a coroa, Pedro chorou, pois reinou apenas seis meses. Poucos dias depois foi encontrado morto. A morte teria sido causada por cólica em razão de hemorroida, mas tudo indica que foi assassinado.

A imperatriz buscou incansavelmente o poder em pleno século 18 e quis imprimir sua marca em cada detalhe. Tinha uniformes militares e era pintada vestindo calça comprida. Teve uma vitória surpreendente diante da Turquia na sua primeira batalha, embora não tivesse à frente do seu exército. Após 5 anos de reinado, Catarina convocou uma comissão legislativa, formada por nobres e camponeses, para criar leis baseadas nos princípios iluministas. Decretou que todos eram iguais perante a lei, que a tortura seria banida, pois seu ideal era a liberdade. No entanto, o documento escrito pela imperatriz (Nakaz) era mais ambicioso e ordenava que todos os escravos deveriam ser livres, mas teve que ser modificado, pois os conselheiros consideraram a lei muito inovadora, que deixou Catarina perplexa. Assim como Pedro, o Grande, chegou ao Golfo da Finlândia, Catarina aumentou a extensão da Rússia, tomando parte da Lituânia, Polônia, e principalmente a Crimeia, que daria acesso ao Mar Negro.

Catarina trabalhou pelo império russo até seus 67 anos, quando morreu de um infarte. Acordava todas as manhãs para ler relatórios e escrever. Foi grande colecionadora de arte, além de ter vencido batalhas e mudado leis. Sua maior preocupação era com seu filho Paulo, que a sucederia, pois não gostava de artes e ciências, apenas do militarismo, como seu pai. Preferia que seu neto Alexander ascendesse ao trono, pois pensava como ela, mas não teve coragem de deserdar o filho. No dia da morte da mãe, quando Paulo foi coroado, mudou a lei para que nenhuma mulher voltasse ao trono na Rússia.

O museu Catherine Palace, que até 1910 era conhecido como o “Grande Palácio de Tsarskoye Selo”, tem 300 anos de história. O edifício apresenta o trabalho de arquitetos dos séculos XVIII e XIX, mas também de restauradores que trabalharam após a Segunda Guerra Mundial. Dos 58 corredores destruídos na guerra, 32 foram recriados.


Em 1717, enquanto a cidade de São Petersburgo estava sendo criada nas margens do Rio Neva, o arquiteto Johann Friedrich Braunstein começou a supervisionar a construção da primeira residência real de alvenaria em Tsarskoye Selo (onde habitariam Pedro e Catarina I). Durante o reinado da Imperatriz Isabel, no final de 1742, o edifício foi ampliado.


 


A fachada do Palácio de Catarina é primorosa – composta por esculturas, paredes azuis e detalhes dourados. Os monumentos encontrados no complexo são: Catherine Palace, Cold Bath, Cameron Gallery, Upper bathouse, Lower bathhouse, Hermitage, Hermitage Kitchen, To my dear comrades in arms gate, Grotto, Admiralty, Hall on the island, Chesme column, Marble Bridge, Turkish bath, Pyramid, Gothic Gate, Tower Ruin, Orlov gate, Girl with a pitcher fountain, Concert Hall, Kitchen ruin, Creaking Summer house, Evening hall, Private Garden, Duty Stable, Alexander Palace, White tower, Martial Chamber, Imperial farm, Chapelle, Arsenal. 

O Palácio de jardins de Alexander foram construídos pelo neto de Catarina, que ascendeu ao trono após o golpe sofrido pelo pai, Paulo. Alexander teve a maior conquista que um imperador russo poderia desejar: derrotou a tropa de Napoleão e conquistou Paris.


O Catherine Park é composto por duas partes: o parque regular (jardim antigo ou holandês) e pelo parque paisagem (jardim inglês). Em 1720 os mestres jardineiros holandeses criaram o jardim antigo na frente do palácio imperial. Em meados do século XVIII o jardim foi ampliado e remodelado. Ao mesmo tempo um jardim inglês foi colocado na área sul do palácio. Catarina II começou a decorar o jardim com monumentos que exaltavam a grandeza do seu reinado. 
Hermitage

Chesme Column
Turkish Bath
Marble bridge
Pyramid
Concert hall
Creaking Summer-house
Kitchen ruin

Cameron Gallery


Ao contrário da visita em Peterhof, avistei muitos chineses na porta do Palácio, no entanto, poucas pessoas caminhavam pelo extenso jardim – a maioria que encontrei no parque pareciam russas. Gastei mais de três horas nos jardins, que impossibilitaria entrar no Catherine Palace, mas fiquei muito satisfeita com a visita. Para afastar o frio, comi um crepe de queijo e presunto e tomei um cappuccino numa barraquinha no jardim.

Crepe

Na saída, encontramos algumas barracas e compramos alguns badulaques. Adquiri uma capa de almofada com desenho de matrioska para dar a minha mãe, meu amigo comprou chapéu russo pro sobrinho, faca e capa de almofada.


Depois ficamos no mesmo lugar aguardando o transporte, mas percebemos que ali era mão única, logo, a van não voltaria pelo mesmo local e não sabíamos em que rua pegar. Esperamos e quando apareceu a de nº 342 entramos. O motorista tentou nos dizer algo que não entendemos (provavelmente que iria até o ponto final antes de voltar). Seguiu até um lugar bem estranho, que tinha um automóvel queimado na rua. Parou e depois de alguns minutos retornou e descemos no ponto final atrás do monumento de Lenin.

No caminho para o apartamento paramos em duas lojas. A primeira era de interesse do meu amigo, pois pretendia comprar cigarro eletrônico. Em seguida, fui até a “ArtKvartal”, pois queria comprar aquarela. Gastei uma pequena fortuna. Quase chegando no apartamento, seguindo por uma rua que ainda não tínhamos caminhado, vimos um mercado com entrada subterrânea. Era maior que o “Spar” que fomos no primeiro dia na cidade, mas esse não aparecia no google maps. Comprei batata frita de camarão e de linguiça (minha sobrinha adora novos sabores), sorvete de Kinder, vodka, kvass, caviar.

Lápis e aquarela

Chegamos mortos no apartamento e, como de costume, pesquisamos onde comer. Ainda tinha 7 mil rublos! Não encontrei casa de câmbio em São Petersburgo, embora não tenha procurado. Apenas vi na porta de um banco que faziam tal transação, mas naquela hora seria impossível. 


Constava no roteiro uma visita ao restaurante do Jamie Oliver (Jamie´s Italian) e não ficava tão longe, logo, seria possível ir caminhando. Li que está sempre cheio e precisa reservar, mas o relógio já marcava 23 horas e fechava meia-noite. Caminhamos apressados, como era sexta-feira, as ruas estavam cheias. Chegando lá a hostess perguntou sobre a reserva, disse que não tinha e nos levou até uma mesa. Em seguida, o garçom se apresentou e entregou o cardápio. Observei que a maioria das pessoas só pediam uma salada e água, inclusive as turistas chinesas da mesa ao lado. Tendo em vista que o estabelecimento pertence a um inglês, todos falam o idioma.


Estava com fome e com rublos sobrando, então pedi um drink (mais caro que o prato principal): Rossini. De entrada pedi crispy squid (lula) e croquetes de espinafre com ricota com um molho maravilhoso de tomate. O prato principal foi um ravioli de abóbora (homemade half moons of pasta filled with roasted squash & ricotta in a pumpkin sauce with rosemary & crushed amaretti). Para finalizar, comi a melhor sobremesa da minha vida: Panna cotta de baunilha com framboesa. E pedi outro drink “Dubble bubble” (vinho, cereja, licor de maça e capim-limão). Foi a melhor refeição da minha vida! Os preços estão no site, então não tem surpresa. Eu e meu amigo gastamos 3.650 rublos, cerca de 195 reais. A minha parte deve ter totalizado R$100,00. Duvido que o preço do restaurante do Jamie Oliver em São Paulo seja tão atraente quanto em São Petersburgo. 

Lula e rossini

Croquete de espinafre com ricota e molho de tomate
Meu ravioli

A massa do meu amigo

Panna Cotta

A sobremesa do meu amigo

No retorno, quase 1 da manhã, tinha barcos repletos de turistas passando pelo canal! E o céu ainda não estava completamente escuro (queria ter ido a partir de junho, pois há o fenômeno conhecido como “noites brancas”, quando o sol não se põe). 


Assim que comprei a passagem de avião para Rússia, decidi que o roteiro continuaria até Tallinn de ônibus. Comprei a passagem no site da LuxExpress (empresa que opera nos países bálticos). Escolhemos a rodoviária que parecia mais próxima, contudo, dias antes da viagem, recebemos um e-mail, informando sobre a alteração, pois o ônibus não mais sairia daquela rodoviária, em razão dos atentados terroristas. Partiria da Coach Station (perto do metrô Obvodny Kanal). O horário também tinha sido alterado, de 9h para 8:15 da manhã. A viagem duraria 1 hora a mais.


Meu amigo agendou o uber para 7 horas da manhã seguinte, mas quando acordamos tinha perdido o agendamento. Nos arrumamos, deixamos a mala na porta do apartamento e pedimos o uber no celular. Assim que indicou que o carro se aproximava (era feriado na cidade), descemos a escada e fomos para a rua, que estava vazia. Naquele local já não tínhamos wi-fi. Era só torcer pro carro aparecer. Em dois minutos, o motorista estacionou e nos ajudou com a mala, ainda brincou com o peso. Foi a única pessoa na cidade que tentou conversar com a gente, mesmo sem falar nada em inglês, mas perguntou de onde éramos. Falou do Neymar. A corrida deu 146 rublos = 7 reais!!! Pela primeira vez usei uber numa viagem no exterior (Rússia, Espanha e Estônia) e o preço é ótimo, além de ser muito mais confortável que ônibus e trem e muito mais barato que táxi. Ainda mais vantajoso viajando com um amigo, pois dividimos os custos.

Ao chegar na rodoviária Coach Station, tivemos que passar as malas pelo raio-x. O local tinha muitos agentes do exército fiscalizando. Os turistas eram majoritariamente russos. Esperamos mais de uma hora. Não tinha local para lanchar e tive que usar o banheiro imundo. Os ônibus param no terreno atrás da rodoviária, conforme plataforma indicada no letreiro. Assim que a nossa plataforma foi indicada, pegamos as malas e seguimos para a área externa. Ficamos apavorados com os ônibus russos que paravam, mas, por sorte, o ônibus da Lux Express é maravilhoso, com wi-fi, tv, café, cappuccino, chá, água e banheiro. Muito mais confortável que viajar de avião. Assim que parou, entregamos a mala e recebemos um comprovante, depois mostramos o passaporte para o motorista, que tem uma tabela com o nome dos viajantes. 

ônibus russos


O confortável ônibus da LuxExpress

No meu roteiro constava algumas visitas que não consegui fazer (Fortaleza de Pedro e PauloMesquita SobornayaMuseu Fabergé), portanto, acrescentaria mais um dia na cidade. Se tivesse disposição, podia ter ido ao Museu Fabergé, pois ficava a 5 minutos do apartamento e fechava às 20:45, mas tinha momentos que a força acabava.

A experiência em solo russo causou sentimentos ambíguos, pois a frieza das pessoas contrasta com a beleza da cidade. Lembro de um russo, que conheci num voo rumo a Amsterdã, que me contou sobre a violência similar a do Rio de Janeiro, que não posso concordar, pois caminhava pelas ruas tranquilamente. Fiquei hospedada perto de todos os pontos turísticos, que facilitou, já que São Petersburgo é grande. O transporte e a alimentação são bem acessíveis. 

São Petersburgo e a visita ao Museu Hermitage

São Petersburgo foi criada em 27 de maio de 1703 pelo Tsar Pedro, o Grande, quando deixou Moscou. Dizem que milhares de escravos e servos morreram durante construção da cidade, que era um pântano na época. Peter queria acesso ao mar, mas a região tinha sido dominada pela Suécia, então, para retornar o poder no Báltico, teve que entrar em guerra com Carlos XII, de apenas 16 anos. O rei sueco tinha iniciado a Grande Guerra do Norte e conseguiu dominar todos os inimigos, menos a Rússia. A batalha decisiva ocorreu bem longe do mar, em Poltava, na Ucrânia em 1709. Em 1712 São Petersburgo se tornou a nova capital da Rússia. A cidade lembraria a modernidade europeia, com canais no estilo de Veneza ou Amsterdã. Um grande número de nobres e ricos foram morar na capital – não por vontade própria, mas pela ordem do tsar.

Fachada do antigo Palácio de Inverno, hoje Museu Hermitage


Visitamos Peterhof no segundo dia em São Petersburgo, como contado no post anterior.No retorno, seguimos direto para o apartamento e começamos a pesquisar um restaurante próximo que tivesse um bom preço.


Alguns restaurantes possuem apenas o menu no alfabeto cirílico, portanto, se não houver uma pesquisa minuciosa, é provável que demande algo sem saber o que vai chegar na mesa. Levamos em consideração a avaliação no Tripadvisor, bem como a proximidade e decidimos nos aprofundar no menu do restaurante Pirogov Dvorik – com a ajuda do google tradutor.

Tirei “printscreen” na tela do celular do combo que escolheria: frango Kiev acompanhado de batata rústica e salada de repolho roxo + chá + salada de beterraba com ervilha + torta (escolhi a de cranberry) por 279 rublos (R$14)! Um valor inacreditável. Meu amigo também selecionou o menu que queria, com strogonoff por 225 rublos.
O combo por 279 rublos!!!
Olhamos que o endereço mais próximo ficava na frente da Catedral de Kazan. Pegamos o guarda-chuva e seguimos em direção ao restaurante, passamos dele, voltamos e não achávamos nada com o nome “Pirogov Dvorik”. Pensamos que poderia ter fechado, na terceira vez passando no mesmo local vi embaixo do letreiro o nome no e-mail! Na fachada só tinha em russo “Пироговый Дворик“.
Catedral de Kazan na frente do restaurante
Os combos estavam disponíveis em determinados horários (consegui entender), o meu era servido no jantar, mas não tinha o que meu amigo queria, então optou por um que o prato principal era peixe. Segui até o caixa e mostrei a o combo que queria no menu. Então disse pra escolher a torta e apontei a que queria. No final sorri, tentando ser simpática, mas a russa não sorriu de volta, como de costume. Voltei pra mesa e o garçom serviu a comida, que estava boa.
No dia seguinte, finalmente conheci um dos símbolos da cidade: a Catedral do Sangue Derramado (Church of the Savior Blood). A arquitetura é típica das igrejas ortodoxas russas com cúpulas coloridas e mosaicos na fachada. A construção foi erigida onde o Tsar Alexandre II foi assassinado. Pelas fotos que vi na internet, o interior da igreja é mais bonito que o exterior, mas tinha uma longa fila (só de turistas chineses) e cobrava ingresso, então decidimos não entrar.

No retorno, passamos na frente da Catedral de Kazan novamente, mas o destino final era o Hermitage.

Sobre os tíquetes para visitar o Hermitage, comprando no local, tem 3 opções: 600, 400 ou 300 rublos. Todos válidos por um dia. Se comprar onlinetem duas opções. Ingresso pra um dia 17,95 dólares, 2 dias 23,95 dólares com direito a visitar todas as salas. Grátis pra estudantes.

Se tiver tempo, com certeza, a melhor opção é adquirir, na internet, o ingresso válido por dois dias, mas não teria tanto tempo, logo, comprei o ingresso na hora por 600 rublos, que dava direito a visitar todas as coleções e prédios do Hermitage. 

O Hermitage é um dos grandes museus que ainda não tinha visitado (conheci apenas a filial de Amsterdã) e estava ansiosa para conhecer, mas sabia que não teria tempo para apreciar toda a coleção. Pensei que encontraria um edifício, mas, na verdade, é um complexo composto por diversos prédios: Winter Palace, Small Hermitage, New Hermitage, Large Hermitage, Winter Palace e The Hermitage Theatre.

No dia da visita, na frente do museu tinha um enorme palco e uma grande estrutura de ferro impedindo de tirar uma fotografia da fachada. Verifiquei que comemorariam, em dois dias, o aniversário da cidade.
Ao chegar, tinha uma fila, todavia, não demorou 10 minutos. No interior do museu comprei o ingresso e segui para a área de segurança, porém, pediram para eu voltar, pensei que era a bolsa ou o guarda-chuva, contudo era o trench coat que estava vestindo. Peguei a fila da chapelaria e voltei para fila do raio-x, enquanto meu amigo ficou me aguardando.
O Hermitage é o maior e mais antigo museu do mundo, pois foi construído em 1764, na ocasião que Catarina, a Grande adquiriu uma coleção de pinturas de um marchand de Berlim. Só foi aberto ao público em 1852.
O primeiro impacto é a escadaria Jordan toda branca com detalhes em dourado – de uma beleza estonteante. São inúmeras salas com arte grega, egípcia, russa, francesa, espanhola, britânica, holandesa, bizantina, italiana. Uma obra muito festejada é o “Relógio do pavão“, com muitos visitantes admirando o relógio construído em 1770 – encomendado por Catarina. Tem um galo, uma coruja e um pavão que se movimentam a cada hora.

Escadaria Jordan

O relógio do pavão
Antínoo

É preciso ter resistência, pois minhas pernas estavam doendo de tanto caminhar. Queria ver o famoso quadro do Matisse “A dança” e não encontrava de jeito algum. Missão: achar alguém que me explicasse. Perguntei em duas lojinhas, mas não ficou muito claro. Também acessei o wi-fi e não conseguia identificar o lugar. Até que perguntei para uma mulher que ficava na parte da segurança, que detalhadamente me informou que seria necessário sair do prédio, atravessar até o lado oposto para acessar o outro museu, que também estava incluído no ingresso.

A dança

Atravessei a Praça do Palácio, onde fica a Coluna de Alexandre até chegar no Palácio do Estado Maior, construção do lado oposto ao Hermitage. Encontrei uma porta que indicava “museu” e entrei, mas não ficou evidente que era o local que procurava. Passei pelo detector de metal, depois cheguei na catraca onde passava o ingresso, sem ninguém para dar informação. Vi o local para guardar meu casaco e finalmente cheguei no início da coleção do museu.
A Coluna de Alexandre (Alexandre I filho de Paulo I e neto de Catarina II)
Palácio do Estado Maior
Tinha uma placa explicando que desde 2014 o Hermitage abriu o “General Staff Building”, que ainda está em fase de finalização. Será destinado à arte europeia dos séculos 19 e 20. Pediam para o visitante escrever para o site, opinando sobre a disposição das obras de Matisse, Picasso e seus contemporâneos, pois estão em fase experimental e gostariam da participação do público sobre a montagem das obras. 

Kandinsky – artista russo

O prédio estava praticamente vazio se compararmos com o Hermitage (prédio principal). Podia caminhar tranquilamente e tirar foto nas salas sem qualquer outro visitante. É provável que seja em razão da falta de informação sobre os demais prédios. Além da exposição permanente, tinha uma temporária sobre moda, ou melhor, sobre os sapatos criados por Manolo Blahnik. Antes de ir embora, passei na lojinha e comprei apenas um caderninho de anotações e um lápis, pois amo badulaques de museus.
Eu e Gauguin
Botas do Manolo

O tempo ficou chuvoso e voltamos para o apartamento, pelo horário, ainda seria possível visitar outro prédio do complexo do Hermitage, mas estávamos morrendo de fome e não conseguíamos nem andar. Caminhamos pela rua mais famosa e movimentada de São Petersburgo: Nevsky Prospekt. Também avistamos o famoso Café Singer, onde funcionava a fábrica Singer.
Avenida Nevsky
Burguer King

Café Singer
Retornamos ao apartamento para pesquisar um restaurante. Meu amigo queria voltar ao mesmo do dia anterior, em razão do preço e pela facilidade, pois tínhamos intimidade com o cardápio. Rejeitei essa opção e fui pedir ajuda ao google. Lembrei que no prédio que estávamos tinha um restaurante!!! Pelo nome da rede do wi-fi vi que era o Kilikia, que, para minha surpresa, era bem avaliado no Tripadvisor (nº 134 de 8.963 Restaurantes em São Petersburgo). Acessamos o menu e vimos que, apesar de ser um restaurante armênio, tinha muitas opções de comida.


O restaurante ficava no mesmo prédio que estávamos hospedados, inclusive a cozinha abria pro pátio, mas tivemos que sair no portão e entrar pela lateral. Chegando lá, a recepcionista não falava inglês, mas a garçonete, que era bem jovem, falava e nos levou até a nossa mesa. Tínhamos traduzido o cardápio, embora houvesse uma versão em inglês no estabelecimento. Pedimos de entrada o maravilhoso Kutaby (uma iguaria do Azerbaijão que parece um pastel de queijo) e Kvass, que é a verdadeira bebida nacional russa e parece um mate gaseificado com baixo teor alcoólico.
Kutaby e Kvass
Novamente escolhi Frango Kiev, que é um frango empanado frito e crocante com molho perfumado dentro e servido com purê de batatas, molho de creme e salada koulslou. Comida muito boa e barata. Custou 280 e o kvass 90 rublos, totalizando R$19,00!!! A cidade permite comer muito bem por um valor inacreditável. Finalmente meu amigo conseguiu comer o autêntico strogonoff, que um prato típico criado na Rússia, que foi servido dentro de uma fritada de batatas. O ambiente do restaurante era rústico, parecia uma taverna medieval. Tinha tantas opções de comidas de diversos países que fiquei com pena de não ter fome para experimentar outros acepipes.
Frango Kiev
Strogonoff

Paris, 5ª parte

No meu quinto e último dia em Paris, comecei o passeio pelos Jardins de Luxemburgo, situado entre o bairro do Quartier Latin e de Saint-Germain-des-Prés. O jardim ficava a 200 metros do hotel onde estava hospedada, mas caminhei uns 400 metros para encontrar a entrada. 

Basílica de Sacré-Cœur


Talvez seja um dos jardins mais bonitos que já vi. Extremamente florido, decorado com 106 esculturas, gramado verdinho, inúmeras cadeiras para sentar e apreciar a paisagem, além da Fonte de Médici. Foi construído em 1612, sob inspiração dos Jardins Boboli de Florença. A criação foi iniciativa da rainha Maria de Médici.


Após ler diversos relatos sobre golpes e furtos (um amigo meu com quase 2 metros de altura foi roubado), fiquei receosa e deixei para conhecer a Basílica de Sacré-Cœur de manhã no meu último dia na capital francesa. Peguei o metrô e desci na estação mais próxima, no bairro de Montmartre. Após alguns minutos de caminhada, subi as escadarias que levam à igreja. O que aconteceu? Sim, alguns homens (de origem africana) começaram a me seguir para tentar aplicar o golpe da pulseira (amarram no braço do turista e depois a pessoa é obrigada a pagar valores absurdos pelo “presente”). Disse para não me tocar e andei bem rápido. 




Começou a chover e corri para me abrigar no restaurante Café des deux moulins. Vocês lembram do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“? Amélie trabalhava nesse restaurante. Dizem que o local virou ponto de peregrinação dos amantes da obra cinematográfica. Tudo no interior do café lembra a película, seja o cardápio, o papel que cobre a mesa, o quadro. No caminho para o banheiro tem um “relicário”, contendo anão, poster, fotos, livros.


Dizem que estão acostumados com os turistas que entram apenas para tirar fotos, mas preferi almoçar. Pedi uma salsicha acompanhada de purê de batatas e salada. E a sobremesa não poderia ser diferente! Queria ter o prazer de quebrar a camada dura do crème brûlée como a Amélie fazia!!!




A poucos passos do café fica o famoso cabaré parisiense, Moulin Rouge. O prédio foi construído em 1889. Tem um grande moinho no terraço e é pintado de vermelho (por isso o nome é “moinho vermelho”). Novamente lembrei do filme homônimo, que é o meu musical predileto de todos os tempos, bem como dos desenhos do Lautrec.

Peguei o metrô para conhecer a Ópera de Paris. A chuva ficou torrencial e tive que comprar um guarda-chuva por 5 euros no camelô, pois deixei o meu no hotel. Para finalizar, aproveitei a proximidade para visitar as Galeries Lafayette. Passei horas lá dentro, mas achei tudo caro. Comprei apenas um bolsa infantil com desenhos dos pontos turísticos de Paris para minha sobrinha e um lenço para minha mãe.


Assim que retornei ao hotel, fechei a minha conta, pois no dia seguinte o voo para Roma sairia às 8 da manhã. Tive que madrugar para pegar o trem e torci para que tudo saísse como planejado.

Paris, 4ª parte

Posterguei ao máximo a minha visita à Torre Eiffel, embora seja o símbolo de Paris e um dos monumentos mais festejados do mundo, não me atraía, ainda mais com tantos museus extraordinários espalhados pela cidade. 

Sabia que era um lugar concorrido, mas não quis comprar o ingresso com antecedência, online, pois ao marcar um horário teria que cumpri-lo. Deixei para adquiri-lo no local. Foi a maior besteira da minha vida! Saí do metrô toda sorridente, tirando fotos até me deparar com a fila na bilheteria e para subir na estrutura de ferro. Foram quase 3 (TRÊS) horas esperando. O vento doía a minha alma. Em resumo: um sofrimento inexplicável.  

A vista é bonita, mas nada recompensaria meu tempo perdido. Caminhei pelo espaço, ainda com vontade de chorar de frio, fome e raiva. 

Torre Eiffel, construção de 300 metros projetada por Gustave Eiffel para uma exposição, é um dos produtos da Revolução Industrial, que iniciou o uso em larga escala de produtos industrializados. Sua construção iniciou em 1888 e foi terminada em 1889. 

Depois do calvário, segui caminhando pela vizinhança até o Musée du Quai Branly, que tem uma extensa coleção (cerca de 3.500 peças) de arte da África, Ásia, Américas e Oceania. Quem gosta de antropologia pode passar um dia inteiro no museu. Além de ser absolutamente lindo, é uma das poucas atrações vazias na cidade. Achei curioso o robô que seguia os visitantes. Utilizei o Paris Museum Pass.


Peguei o metrô e fui conhecer o Arco do Triunfo francês. Cheguei na rua em frente e percebi que não tinha como atravessar. Fiquei observando até entender que era necessário seguir por uma passagem subterrânea para chegar no interior da construção. Novamente utilizei o Paris Museum Pass. Subi as escadas que dão acesso ao topo do edifício e novamente pude apreciar a paisagem de Paris do alto.
Do alto do Arco do Triunfo


Naquele dia provei uma das iguarias francesas: um crepe recheado de marron-glacé. 

Paris, 3ª parte

Paris é linda, mas não me cooptou, tanto que tenho escrito sobre minhas experiências na cidade com alguns anos de atraso. Hoje sei exatamente o motivo: senti muito frio. Embora fosse primavera, cheguei a pegar 0° e minha mala não estava adaptada pra aquela temperatura. 
Palácio de Versailles


No meu terceiro dia em Paris decidi visitar o Palácio de Versailles. Como estava no Quartier Latin, peguei o RER C e desci em Versailles Château. Não tive dificuldade para achar o palácio. Bastou seguir o fluxo, pois há uma horda de turistas seguindo na mesma direção. 

O Palácio de Versalhes foi classificado como Patrimônio da Humanidade há 30 anos e é uma das maiores realizações da arte francesa do século XVII. O antigo pavilhão de caça de Luís XIII foi transformado e prolongado por seu filho, Louis XIV, quando instalou o Tribunal e o governo em 1682. Uma sucessão de reis continuou a embelezar o Palácio até a Revolução Francesa.


Em 1789 Louis XVI teve que deixar Versalhes durante a Revolução francesa e seguiu para Paris. Desde então o palácio nunca mais foi residência real, se transformando em Museu da História da França em 1837. Os quartos do palácio começaram a alojar coleções de pinturas e esculturas.
No início, Versailles era uma aldeia rural, logo, o termo utilizado era “castelo” (Château), contrapondo, por exemplo, ao Palácio (Palais) do Louvre, que ficava em perímetro urbano.
Comprei o ingresso que possibilitava a visita pelo palácio e jardins. No palácio encontrei uma multidão que caminhava em fila indiana e muitas vezes era impossível apreciar todos os detalhes de arquitetura e decoração de cada ambiente, principalmente o de Maria Antonieta.

Não consegui caminhar pelos jardins em sua totalidade, pois ventava tanto que poderia ter pego pneumonia naquele dia. Observei as estonteantes tulipas, fotografei a paisagem, conversei com uma mineira que também viajava sozinha e retornei para uma área protegida.

Retornei a Paris por volta das 16h e percebi que ainda teria tempo para fazer outras visitas. Fui ao hotel, me agasalhei melhor e segui para o Musée de Cluny, também conhecido como “Museu Nacional da Idade Média“, que é um museu e um sítio arqueológico localizado no coração da cidade. Utilizei o Paris Museum Pass (o museu estava vazio).

É dedicado à preservação da arte medieval e tem como obra prima o conjunto de tapeçaria denominado “A dama e o unicórnio” (The lady and the unicorn), considerado um dos maiores trabalhos da Idade Média. Há ainda a presença das termas galo-romanas, que é a obra romana mais importante em solo francês. Saindo do museu estava com fome e avistei um Mc Donald´s. Seria um crime optar por tal “refeição” em solo francês?

A dama e o unicórnio
  

Ali atrás estão as termas romanas
Aproveitando ao máximo o tempo disponível, segui para minha segunda visita no Centre Pompidou, que fica aberto até tarde. E o Paris Museum Pass não limitava o número de visitas, então aproveitei. 

No retorno, um homem começou a falar comigo e não entendi absolutamente nada. Educadamente respondi “je ne parlais pas français” (eu não falo francês). Perguntou em inglês sobre a minha origem. Disse que era brasileira e exclamou “Você não parece brasileira, pois tenho uma amiga brasileira!”. Tinha aparência árabe, mas disse que era francês e trabalhava com design

Perguntou o que gostaria de conhecer em Paris. Falei que ainda não tinha visto a livraria “Shakespeare and company” (fica no número 37 da rua da Bûcherie, que era local de encontro de figuras como Ernest Hemingway e James Joyce, também mostrada nos filmes “Antes do pôr do sol” e “Meia-noite em Paris”) e o “Café de Flore” (famoso café no bairro de Saint-Germain-des-Prés, pois era um local de encontro dos intelectuais, como Sartre e Simone). Seguimos conversando e me mostrou os dois pontos turísticos, depois nos despedimos.


Naquele dia terminei num restaurante no Quartier Latin, mas não recordo o nome. Entrei e pedi um copo de vinho Bordeaux e a famosa “soupe d’oignon” (sopa de cebola) e de sobremesa fiquei com o clássico crème brûlée. Lembro que pensei em pedir escargot para experimentar, pois era barato em comparação com os outros pratos, mas não tive coragem.
soupe d’oignon

crème brûlée


Peterhof, o palácio e os jardins de Pedro, o Grande

É necessário ter alguma flexibilidade para ajustar o roteiro de acordo com as mudanças climáticas. No itinerário original iria ao Hermitage no segundo dia em São Petersburgo, mas observei que no terceiro dia havia 80% de chance de chover. Tendo em vista que museus podem ser visitados com chuva, optei por conhecer Peterhof antes do museu.
A grande cascata com a fachada do Grande Palácio
Peterhof, localizado a 30 km de São Petersburgo, é famoso por abrigar um conjunto de palácios e jardins construídos pelo tsar Pedro, o grande (Peter, the great), além de ser designado Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Unesco. É um dos complexos mais famosos da Rússia e do mundo, constituído pelo Grande Palácio, pavilhões de Tsaritsa e Olga, The Alexandria, Jardins Superiores e Inferiores, Parques, Fontes e Museus.

O mapa de Peterhof
Pedro, o Grande planejou Peterhof como seu Palácio de Verão, que criado por renomados arquitetos, decoradores e escultores da época, transformando o local em uma verdadeira obra de arte nas margens do Golfo da Finlândia. Começou as ser construído em 1705, mas a inauguração ocorreu apenas em 1723. Parte da construção foi completamente destruída durante a Segunda Guerra Mundial e o trabalho de restauro permanece até os dias atuais. O local também é conhecido por ser a “capital das fontes”, além de ser uma das 7 maravilhas da Rússia.

Para chegar na “Versailles Russa” tem duas opções: combinar metrô + van/ônibus ou pegar o hydrofoil (além de táxi ou uber). A primeira opção é infinitamente mais barata, não vai custar mais de 100 rublos. Pode seguir até a estação Avtovo e pegar van (224, 424, 424-A) ou ônibus (200 e 210), também é possível descer na estação Baltiskaya e pegar a van 404.

Uma boa dica é pesquisar sempre, pois encontrei informações em blogs que não teria barco no mês de maio, mas entrei nos sites oficiais e tinha disponibilidade. Naquele momento, apesar do preço, decidi que iria de hydrofoil, que é um barco suspenso, evitando a atração com a água, logo, com maior velocidade.
É preciso ficar atento sobre o local de saída dos barcos, pois cada empresa parte de um píer distinto. O barco que pegaríamos sairia do Central Pier “Pier with the lions” (Pier Admaralteyskaya emb., 2). A ida pode ser realizada de 10h às 18h, com partidas a cada 30 minutos, o retorno é realizado de 11h às 19h.

Pegamos o Google Maps e seguimos em direção ao píer. Em 10 minutos de caminhada já avistamos o barco e percebemos que sairia em instantes. Corremos para a bilheteria e pedimos o bilhete de ida e volta, que custou 1.400 rublos. A volta foi agendada para às 17:30h.


Aproveitei para ficar no assento da business class, pois não tinha indicação de classe no bilhete. E ninguém falou absolutamente nada. Os bancos eram de couro, com vista panorâmica e bem espaçoso. A viagem dura uns 40 minutos. No percurso, aproveitei para ir até a área descoberta, mas o vento era muito gelado e retornei para meu lugar. O barco navega pelo Rio Neva. 

Há várias modalidades de ingressos. Comprei o que dava direito a visitar o “Lower Garden”, famoso pelas esculturas douradas. Custou 750 rublos. O hydrofoil aporta justamente na entrada dos “Jardins Inferiores”.


Os jardins estavam cheios para um dia nublado. As esculturas douradas diante das fontes e da fachada do Grande Palácio causam comoção e são deveras pictóricas. O jardim é enorme, mas as outras áreas não causam o mesmo impacto. A maioria dos turistas eram russos e chineses.

Não entrei no Grande Palácio, pois seria necessário chegar bem cedo para desfrutar de todos os elementos que Peterhof tem a oferecer, mas naquele dia levantamos um pouco tarde e demoramos a sair do apartamento em razão de uma chuva fina que caía.

Não há muitas opções para se alimentar nos jardins. E lanchar foi o momento de maior estresse. Apontei o sanduíche que queria (o mais barato, só pão com salsicha, por 190 rublos). Meu amigo disse que ia pedir o mesmo, me afastei e deixei a “comunicação” com ele. O vendedor perguntou algumas coisas (em russo) e ele respondeu sim. De repente apareceu um cachorro-quente com tudo dentro e custou 400 rublos!!! Fiz um escândalo, pois tinha apontado o sanduíche e dito “hot dog”. O vendedor “Não posso fazer nada, você apontou pro ‘french dog’, mas disse ‘hot dog’ e seu amigo confirmou que queria tudo dentro”. A má-fé ficou bem visível nesse episódio e me deixou muito furiosa. Com 400 rublos dava pra entrar em qualquer restaurante, comer e beber muito bem.


As fontes do Lower Garden:

A fonte de Sansão

A rua das fontes


A fonte romana


A fonte do sol



A cascata do Leão


The Chessboard Hill Cascade



A fonte da baleia


A fonte de Adão e Eva

Outras imagens do Lower Garden & Park

The Monplaisir palace

A igreja




Faltando uns 20 minutos para a hora do embarque, retornamos ao píer de onde sairia o hydrofoil. Vários barcos chegaram e partiram (provavelmente há muitas empresas que fazem a mesma rota). Com 30 minutos de atraso o barco ancorou, que causou confusão, pois as pessoas com o tíquete de 18h já estavam aguardando, mas foram informadas que se tratava do barco das 17:30. Descemos atrás do Museu Hermitage. 

A visita a Peterhof é imperdível para quem está em São Petersburgo, mas se o objetivo é conhecer o palácio, todos os jardins e museus, talvez seja necessário chegar no primeiro horário e ficar até o último, mesmo assim vai ser um dia intenso.

O primeiro dia em São Petersburgo

O Hermitage era um dos grandes museus que ainda não conhecia, logo, incluí a cidade de São Petersburgo, na Rússia, no roteiro. Encontrei passagem de Madri a São Petersburgo por 12.500 milhas no Smiles – talvez seja um dos trechos mais vantajosos em razão da distância. 

Um dos inúmeros canais da cidade. A primeira foto que tirei. O relógio marcava 21h e o sol brilhava no céu.


O voo saiu de Madri às 6 horas com conexão em Roma, pois a companhia era a Alitalia. Em razão da reunião do G7, tive que fazer imigração novamente (em geral, só fazemos imigração no primeiro país da Europa que entramos, desde que seja membro da União Europeia). A fila consumiu 1 hora das 4 que teria que esperar para embarcar no próximo voo. Meu amigo ficou bastante indignado ao ver que os agentes perguntavam a origem da pessoa e se fosse dos EUA passavam a pessoa na frente…

Havia a opção de esperar em alguma sala vip, mas a a sala que disponível para o terminal que estávamos era a Le Anfore Lounge, no entanto, tivemos uma péssima experiência no último ano, então, preferimos ficar deitamos em sofás enormes dispostos no aeroporto e conseguimos cochilar. No trecho Roma-São Petersburgo, a Alitalia serviu refeição e o voo foi tranquilo.

Enquanto pesquisei a hospedagem, o Rublo, moeda da Rússia, estava com a seguinte cotação: 1 Real = 18 Rublos (depois ficou 1 = 17). Pensei que encontraria hospedagem por um preço razoável. Queria ficar perto das atrações, ou seja, procurei uma hospedagem próxima ao Hermitage ou da avenida Nevsky. Os hotéis estavam com as diárias acima de R$1.000,00! Recorri ao Airbnb, mas lembrei de uma informação que vi em algum comentário: se o texto estivesse escrito em russo era bem provável que a pessoa não se comunicasse em inglês.

O rublo
Quase sem esperanças de encontrar algo barato e bem localizado, entrei no site hoteis.com e achei um apartamento que tinha apenas duas avaliações, mas era idêntico ao que vi no Airbnb, por outro lado, o valor era melhor, pois não tinha as taxas do outro site. Reservei com a opção de cancelamento gratuito até a véspera da viagem.
O primeiro problema: não tinha o endereço completo no site e nenhuma forma de comunicação com o dono do apartamento. Liguei pro site e recebi o e-mail. No anúncio dizia que ofereciam transfer do aeroporto por 1.000 rublos (cerca de 55 reais). Enviei um e-mail, falando a data que me hospedaria, identificando o apartamento, bem como confirmei o transfer. Na primeira resposta pareciam confusos, mas depois encontraram minha reserva.
Durante uma pesquisa, descobri que é uma empresa com vários apartamentos para alugar na cidade https://bookingspb.com/en/apartments/griboedov_art/oranzhevye/. Pediram o whatsapp e passei o meu e do meu amigo, para contato futuro (a reserva foi feita um mês antes da data da hospedagem).

A Rússia tem as pessoas mais mal-humoradas que já vi na vida, todavia, com o passar do tempo, comecei achar graça no comportamento. O primeiro impacto aconteceu logo no controle de imigração, pois meu amigo sempre passa comigo, para que eu responda as perguntas. Não observamos que tinha uma placa indicando que só poderia passar um por vez. A policial começou a gritar com ele, que não entendeu nada. Eu o afastei pra trás e disse para esperar. Perguntou de onde vinha, disse que de Madri. Balançou a cabeça e disse “Aqui vejo que veio da Itália”. Disse, sim, mas foi uma conexão apenas. Ela “Então você veio da Itália, não da Espanha”. Super dócil!
Enquanto esperava a chegada da bagagem, fui averiguar o câmbio na loja e percebi que o valor estava inflacionado. Meu amigo queria trocar logo, no entanto, disse que trocaria do lado de fora (nesse momento sou firme, pois sempre pesquiso bastante e tinha certeza que encontraria melhor cotação). Dito e feito, na loja localizada no hall de embarque a cotação era infinitamente melhor, mas levei uma “patada”. Fizemos o câmbio e meu amigo queria agradecer, então perguntei à funcionária como se dizia “obrigada”. Simplesmente fechou a janelinha com força e disse “no information!”. Aquela típica delicadeza russa!
O nosso “pesadelo” começou ao tentar conectar a internet. Só tinha uma rede aberta, a do aeroporto, mas não conectava. Como entraria em contato com a Tatyana (pessoa responsável por me mostrar o apartamento)? Não tinha loja de simcard. Fui no atendimento ao cliente e disseram que a internet funcionava.
Depois de alguns minutos tentando conectar nas lanchonetes, decidimos sair. Como acharíamos o transporte? Por sorte, consegui me conectar numa rede aberta e recebi a mensagem da Tatyana, dizendo que o transporte agora custaria 700 rublos, que estaria do lado de fora. No entanto, a comunicação continuava ruim, pois não informou a placa, a cor do carro (são várias cores de táxi). Se era táxi ou uber. Mandei outra mensagem e tive que andar até achar outra rede aberta, perguntei a placa e pedi o endereço do apartamento, pois em último caso poderíamos ir de metrô ou táxi. Isso demorou mais de 30 minutos. Veio uma mensagem com a placa e a cor do carro. Chegamos lá e não tinha nenhum carro com aquela descrição. Novamente tive que achar outra rede aberta (elas apareciam e sumiam o tempo todo) e dizer que não tinha encontrado. Então me sugeriu pegar um táxi oficial, pois os que ficam parados no aeroporto não são confiáveis. 
Tinha visto a opção de pegar a van (são várias) que deixa na estação de metrô Moskovskaya, mas seguindo a orientação, entramos novamente no aeroporto, passando pelo raio-x, pois tinha informado para pedir o táxi no centro de informação aos clientes. Lá a atendente disse que teria que pedir na cabine do lado de fora. Pensei que gastaria uma quantia considerável para sair do aeroporto, pois percorreria 28 km até o apartamento. O valor foi bem razoável, ainda mais para dividir por 2: 1.150 rublos. O valor é tabelado. Pegamos o voucher e seguimos para encontrar o táxi com a placa descrita na nota fiscal. 
Chegamos no aeroporto por volta das 17h, já tinha passado das 18:30h. Uma enorme perda de tempo só em razão dos entraves na comunicação. Ao chegar na porta do apartamento, que reconheci, pois tinha visto no google maps (se tivesse chegado caminhando seria difícil encontrar o local, pois nem todos os prédios tinham numeração, inclusive o que ficaríamos), cadê a Tatyana? Como entraria? Fazia frio e tinha vontade de chorar. Andamos até uma lanchonete próxima para acessar a internet, todavia, tinha que ter uma linha local para receber a senha por sms. Voltamos e ficamos na porta por uns 30 minutos e nem sinal da russa. Atravessamos a rua com as malas e encontramos um sinal de internet. Liguei para Tatyana “Oi, você pode abrir o portão, pois está fechado.” Disse que estava aberto, mas não estava. Funcionava com senha. Finalmente apareceu no portão e atravessamos correndo e emocionados. 
O prédio que encontramos após passar o portão 
O local era meio assustador. Depois de passar pelo portão (de garagem) encontramos vários prédios. Tem uma porta pesada de ferro – parecia um bunker, com senha. E entramos no prédio bem destruído, frio e escuro. No segundo andar, outra porta, dessa vez bonita e lustrada. Explicou que era um grande apartamento que dividiram em 5 quitinetes para alugar. Entramos no apartamento laranja. Era bem pequeno, cerca de 14 m2, mas tudo limpo. Wi-fi funcionando perfeitamente, quarto aquecido. Tinha uma cama no mezanino e um sofá-cama, onde ficaria meu amigo. Na parte comum dos apartamentos, tinha uma máquina de lavar, um bebedouro com água quente e fria e um micro-ondas.

Arrumamos as coisas e tomamos banho para dar uma volta da vizinhança. Às 21h o céu estava claro em São Petersburgo, que nos permitiu andar e perceber a quantidade infinita de restaurantes por perto. Optamos por comer numa lanchonete quase ao lado do apartamento, Pita´s. Comi um lanche maravilhoso: falafel tradicional e uma sidra de cereja. O espaço é minúsculo e aconchegante. Tem quatro mesas apenas. A pessoa pega o cardápio (tinha uma versão em inglês) e paga no balcão. O sanduíche custou 195 rublos e a bebida 220. 

Era quase 22h e decidimos procurar um mercado para comprar o café da manhã do dia seguinte. No mapa sugeriu que o mais próximo ficava a quase 2km, o Spar, que tem em outras cidades da Europa. No último dia entramos em um mercado maior que ficava muito próximo ao apartamento, mas não tinha placa na porta e era subterrâneo. 
Peguei queijo, chiclete, pão, salame, café, suco e iogurte saiu por 435 rublos (cerca de 23 reais). O que me chamou atenção é que não tinha produtos típicos, como vodka e caviar. Na hora de pagar foi hilário, pois o caixa, que era uma senhora, perguntou algo que não entendi e não tive como responder. Passou as compras e paguei. Depois gesticulei que queria uma sacola. Ela ironicamente disse “packet” (пакет) ou pacote. Justamente a palavra que ela perguntou e não soube responder.

No caminho de volta aconteceu algo estranho, pois um casal parou a gente para perguntar algo. Seguimos caminhando rápido e não respondemos. Quase 23h e param estrangeiros para pedir informação, só pode ser cilada.
É essencial baixar o mapa de São Petersburgo, pois o primeiro contato com o alfabeto cirílico é bem complicado. Tinha o google maps, que usa gps e internet. Meu amigo usava o maps.me também, que não precisa de internet. Dificilmente encontrará um russo disposto a ajudar ou que fale inglês.

Segóvia

Elaboro meus roteiros com as informações básicas e atividades que podem ser realizadas na cidade visitada. E tenho sempre um “plano B”. O objetivo era ficar o primeiro dia inteiro passeando em Madri e no outro dia realizar um bate-volta a Córdoba. Fiz um adendo, se o hotel não liberasse o early check-in, o bate-volta aconteceria no dia da chegada.


Ao chegar às 7h no hotel em Madri, vindo do Brasil, não tinha quarto da mesma categoria disponível, mas concordaram em guardar as malas. Peguei uma camisa, minha nécessaire e fui ao banheiro para me arrumar para passar o dia em outra cidade.

Tínhamos acessado o site dos trens espanhóis, Renfe (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), e visto que o próximo comboio para Córdoba sairia às 9h. A recepcionista do hotel avisou que era feriado na cidade, que provavelmente muitos pontos turísticos estariam fechados. Ao chegar na Estação Atocha, optamos por comprar o bilhete no guichê, mas não tinha passagem de volta! Poderia ter comprado a passagem antecipadamente “online”, mas como não sabia se iria no dia 22 ou 23, preferi comprar no local.

Madri é uma das poucas cidades que permitem fazer vários passeios incríveis de um dia para outras cidades em razão dos trens rápidos. É atraente ter a oportunidade de conhecer locais considerados Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, seja Toledo, Aranjuez, Ávila, Córdoba, Cuenca…

Depois da tristeza ao saber que não poderia visitar Córdoba, coloquei em prática o “Plano B”, que seria Segóvia. Nas minhas anotações percebi que o trem partiria da Estação Chamartín. Corremos para a máquina e compramos o bilhete de metrô de Atocha a Chamartín (3,40 euros ida e volta). Chegando em Chamartín, levamos alguns minutos para nos localizarmos e perceber que tinha que sair do prédio e subir de escada rolante até o local de partida dos trens rápidos.

Seguimos novamente para comprar o bilhete no guichê, mas deu um problema no computador e a emissão dos bilhetes ocorreu em menos de 10 minutos do horário da partida do trem. A ida custou 20 euros e volta 10. Sairia 09:30 e chegaria no destino às 09:57, ou seja, 27 minutos para percorrer 90,40 km!!! A localização da plataforma de partida não é evidente. E o trem partiu dois minutos antes do previsto.



A Estação de Segóvia fica a 5 km de distância da cidade, portanto, foi necessário pegar o ônibus número 11. Bastou sair e já estava estacionado na porta da estação. Perguntei ao motorista o valor da passagem e disse 2 euros.


Em poucos minutos estávamos no centro de Segóvia. A cidade estava lotada em razão de uma maratona que ocorreria em poucos minutos.


O grande monumento de Segóvia é o Aqueduto romano, sendo a obra romana mais importante na Espanha. A data de construção é desconhecida, mas acreditam que tenha sido construído no Século I ou II, ou seja, tem mais de 2.000 anos!!! São 818 metros de comprimento e mais de 170 arcos. A estrutura está totalmente preservada, pedra sobre pedra, sem cimento ou argamassa.

Subimos a escadaria para chegar ao topo do aqueduto e depois continuamos caminhando para conhecer a cidade, que parece pacata, apesar dos inúmeros chineses, mas é bem menos turística que Toledo, por exemplo.

Chegamos no Mirador del Postigo e tiramos algumas fotos. Seguimos até a Plaza Mayor, Iglesia de San Miguel e entramos na Catedral de Segóvia, conhecida como “A dama das catedrais”, construída entre 1525-1577, depois da anterior ter sido totalmente destruída numa guerra em 1521. A fachada e torre totalizam 90 metros de altura. 

A Catedral de Segóvia ao fundo na Plaza Mayor

A arquitetura da cidade encanta e fiquei extasiada com as portas (tenho gostos estranhos). As vielas e casinhas são extremamente pictóricas.

Entramos em algumas lojas e os suvenires mais vendidos são os porcos (está relacionado ao porquinho de leite que é símbolo da culinária local) e instrumentos medievais.

Continuamos o percurso até o Alcazár de Segóvia, que parece um castelo de filme de tão lindo. Foi documentado pela primeira vez em 1.122, na transição entre o românico e o gótico, mas pode ter sido edificado em período anterior. Era residência dos reis. O ingresso custava 10 euros, mas meu amigo não quis entrar e não fiz questão por um único motivo, além do cansaço que estávamos sentido (saímos do Rio às 7h no dia 21 e já era 14h do dia 22, e não dormimos), tínhamos fome.

Cenário que serviu de inspiração para o castelo da Branca de Neve no filme da Disney

O outro símbolo da cidade é gastronômico: el cochinillo, uma espécie de “leitão à pururuca” que tem destaque em quase todos os restaurantes. Preferimos procurar um lugar com menu completo e barato. Optamos pelo Restaurante Lázaro. Dois pratos, vinho, café e sobremesa por 12 euros. Pedi a famosa Paella com frutos do mar – estava deliciosa, além de croquetes de jamón, que vieram acompanhados com batatas fritas. Trouxeram uma garrafa grande de vinho, para dividirmos, eu e meu amigo, e a sobremesa foi flan. Aproveitamos para descansar e usar o banheiro.

Caminhamos em direção ao aqueduto, para encontrarmos o ponto de ônibus. Por volta das 15h, retornamos à estação de trem, pois embora seja perto, não queríamos arriscar e perder o trem que sairia às 16h. Minha cabeça caía sobre os ombros de tanto sono.

Para quem tem tempo sobrando em Madri, considero Segóvia um bom destino para passar o dia, pois é possível retornar para curtir a noite com as tapas madrileñas, além de apreciar a história e cultura da Espanha.

De volta a Madri

Não é fácil entender como funciona o mercado especificamente sobre a venda de passagens aéreas, pois no ano passado o dólar estava mais alto (as passagens são comercializadas na moeda norte-americana) e as passagens estavam com preços razoáveis, mas em 2017 todas as pesquisas realizadas (com destino a Europa) retornavam com valores acima dos R$3.000,00.

Plaza Mayor

Faltando um mês e meio para a data da viagem, durante uma pesquisa aleatória surgiu uma passagem com o destino a Madri, pela Avianca em codeshare com a Air Europa, por R$2.100,00, já incluindo o voo do Rio até São Paulo. Não esperava voltar a Madri tão cedo (embora tenha amado a cidade), contudo, estive por lá em 2013. Adequei o roteiro, comuniquei meu amigo, que viajaria comigo, e comprei a passagem. 


Para obter um roteiro mais enxuto, prefiro chegar por uma cidade e voltar por outra, mas como não tive opção, a chegada e o retorno seriam por Madri. O lado bom: é a cidade que dispõe da melhor conexão com o centro da cidade, na Europa, já que tem metrô dentro do aeroporto, além do maravilhoso “Exprés Aeropuerto”, que funciona 24 horas por dia.

Em razão de ter conseguido o trecho para São Petersburgo com milhas apenas dois dias após a chegada, passaria dois dias inteiros em Madri. 

O primeiro problema detectado foi o horário de chegada: 05h30. Primeiro busquei pelo hostel (com quarto privado) que fiquei da última vez, mas estava esgotado, depois continuei procurando algo bem localizado e não muito caro. Queria ficar perto da Plaza de Cibeles, ponto do ônibus do aeroporto na madrugada (de meia-noite às 6h), pois o voo para São Petersburgo sairia às 6h, logo, deixaríamos hotel por volta das 2h30. 

Primeiro pesquisei no “Airbnb”, mas os valores ficavam muito próximos do valor do hotel após acrescentar a taxa de limpeza e de serviço, e ainda, como viajaria com um amigo, teria que ter duas camas ou uma cama e um sofá-cama. Outro problema é que nem sempre poderiam ficar com a mala até o horário do check-in, além do horário de entrada ser sempre entre 14h e 15h, que é muito tarde.

Decidimos ficar no hotel “One Shot Prado 23”, que era próximo dos museus, do Centro, da estação Atocha, da Plaza de Cibeles. A diária custou aproximadamente R$250,00, mas dividiríamos por dois, então o preço foi bom para a data (quanto mais próximo do verão, mais cara fica a hospedagem na Europa).

O voo para São Paulo sairia às 9h, então chegamos por volta das 7h no aeroporto. Tinha um grande problema a ser resolvido: a Air Europa não permite marcar lugar!!! A maioria das companhias hoje cobram para marcar assento quando compramos a passagem, no entanto, em geral, no momento do check-in online, que ocorre entre 72h e 48h antes da viagem, o passageiro consegue escolher o lugar. Assim que comprei a passagem, marquei o assento no voo da Avianca (RJ-São Paulo) e não consegui no trecho para Madri. Liguei para as duas companhias aéreas que afirmaram que não poderiam marcar assento, que seria sorteado no dia do voo. Sempre viajo no corredor, mas agora ainda tenho outro problema detectado recentemente: estou com a bexiga hiperativa, significa que vou ao banheiro inúmeras vezes quando bebo líquido. É um inferno. Eu expliquei o problema, mas o atendente disse que a Avianca não tinha acesso ao sistema, no entanto, tentaria que nós dois sentássemos juntos. Sorteou e, eu caí na janela e meu amigo no corredor, como a aeronave tem a configuração 2-4-2, não tivemos problema, pois ele prefere sentar na janela, mas fiquei tensa até entrar no voo e perceber que estava no corredor!
A bela arquitetura de Madri

Tivemos quase 4 horas no aeroporto de Guarulhos, a espera foi amenizada pelos mimos da Sala Vip do cartão de crédito Mastercard Black, no terminal 3, que é um dos melhores lounges que já visitei. Encontramos todos os tipos de bebidas (vinho, espumante, Whisky, café, etc), comidas, doces maravilhosos. Nosso voo partiria do terminal 2, então é preciso sair uns 20 minutos antes, pois caminhamos uns 15 minutos entre os dois terminais.


Não tenho qualquer reclamação do voo da Air Europa, apesar de não poder marcar assento e o voo de ida não ter entretenimento individual, pois a comida estava boa e o chegamos por volta das 4 horas da manhã, antes do estipulado.

Na temida imigração do Aeroporto de Barajas, que já tinha passado outras duas vezes, o agente perguntou o que faria em Madri, disse apenas que ficaria dois dias e seguiria para a Rússia. E carimbou o nosso passaporte.

Decidimos “fazer hora” no aeroporto, pois imaginávamos chegar mais tarde e às 4 da manhã ainda estava bem escuro. Meu amigo lanchou, conectamos a internet. Por volta das 6h decidimos pegar o “Exprés Aeropuerto”, por 5 euros. A viagem durou menos de 30 minutos, pois não tinha trânsito. Ao chegar na Plaza de Cibeles já consegui me localizar. As ruas estavam vazias, mas tinha alguns operários consertando a praça. Seguimos caminhando pelo “Paseo del Prado” e entramos na rua após o museu Thyssen-Bornemisza. Naquele local precisamos acessar o google maps para ter certeza que estávamos no lugar certo.

Caminho da Plaza de Cibeles até o hotel


Sobre o hotel, tinha pedido um early check-in, pois sairia do Rio de Janeiro às 7h da manhã e só chegaria em Madri às 5h do dia seguinte. Por e-mail, avisaram que se tivesse disponibilidade poderiam fazer essa gentileza (sei que os estabelecimentos têm o horário de entrada, mas já consegui em Paris, Bangkok, etc). No aeroporto recebi um e-mail do hotel, perguntando se queria um upgrade por 20 euros, mas recusei.

Cheguei no hotel One Shot Prado 23 por volta das 7h e fui informada que não tinham quartos disponíveis, apenas se quisesse fazer o upgrade, mas agora custava 30 euros. Recusei. Até aí tudo bem, pois guardaram a bagagem e segui para Segóvia para passar o dia (contarei em “post” apartado).


No retorno, nos colocaram num quarto para pessoas com problemas de mobilidade. O banheiro era horroroso! Não tinha uma cortina sequer, depois do banho sentia que estava numa piscina. Além de ter uma cadeira dentro do “box”. Quando ia no banheiro ficava com os pés molhados. 


No retorno de Segóvia, estávamos praticamente mortos de sono, mas mesmo assim conseguimos sair para ver a cidade, pois por volta das 20h ainda estava claro! Ao chegar no quarto, quase desmaiei ao perceber que não tinha levado o carregador da minha câmera!!! Sempre faço um checklist pra ver se coloquei tudo na mala e na mochila. Dessa vez cometi um erro. Tive vontade de chorar. Pesquisei na internet e descobri duas lojas relativamente próximas, só que era domingo e estavam fechadas. Outra péssima notícia: o carregador da Nikon D5300 custava 70 euros (quase trezentos reais!!!). Após banho, seguimos para a loja “El Corte Inglés”. Entramos em umas 3 lojas homônimas antes de chegar na que vendia eletrônicos. Depois de perceber que não tinha o carregador, chamei um funcionário que me mostrou um carregador genérico para pilhas recarregáveis, mas tinha um dispositivo que carregaria a bateria da câmera. Não acreditei muito, mas comprei por 20 euros (e funcionou perfeitamente!). 


Saindo da loja, caminhamos pela “Gran Vía”, principal rua de Madri, que começa na “Calle Alcalá” e termina na Plaza de España, com teatros, cinemas e lojas maravilhosas.



Passamos pela “Porta do Sol” e a praça estava repleta de pessoas, pois naquele dia o Real Madri jogaria a final do campeonato espanhol. E, de repente, nos deparamos com um dos muitos restaurantes “100 montaditos”. Por sorte, aos domingos e quartas-feiras qualquer tapa (petisco) do cardápio custava 1 euro. Esperamos na fila por uns 20 minutos e sentamos numa mesa disposta na calçada. Você tem que ir no interior do restaurante e pagar o que vai comer, depois te dão um dispositivo (como o do Outback) que acende quando está pronto e você vai buscar. Tomei tinto de verano (vinho com algum refrigerante), comi bocadillos (sanduíches), bolinhas de queijo, anéis de cebola. 

Bocadillos e tinto de verano


Do lado do restaurante tinha um “Carrefour Express” e aproveitei para comprar o café da manhã do dia seguinte: pão, jamón serrano (presunto), chá gelado, e mais algumas besteiras. Deu 4 euros.

Como estávamos 36 horas sem dormir, decidimos que acordaríamos mais tarde no dia seguinte. Na segunda-feira, tomamos café que tínhamos comprado no Carrefour (o hotel não oferecia café da manhã), para surpresa, quando abri o chuveiro só saía lama (água marrom) e a água não ficava quente. Coloquei a roupa e caminhei até a recepção e mostraram uma folha A4, informando que não poderia usar a água das 10 às 14h!!! Fui na rua sem tomar banho. Meu amigo queria comprar cigarro eletrônico. Conseguimos encontrar no bairro gay de Madri: Chueca. O lugar é bem colorido, com muitas lojas de arte, sex shops, bares e boates.

Retornei às 14:40 e a arrumadeira estava no quarto. Pedi para gentilmente para agilizar, pois precisava tomar banho. Enquanto estava no chuveiro, um funcionário bateu na porta, meu amigo abriu e estava com torneira na mão (tinham tirado), e ficou bravo “ainda não liberamos pra usar a água”. No entanto, apesar do relato, o hotel é muito bem localizado, mas talvez valha ficar no Ibis Styles localizado praticamente ao lado.


Finalmente com banho tomado, segui para visitar Madri (fiquei 4 dias em 2013, mas só visitei museus e fiz dois bate-voltas a Toledo e Aranjuez, não tinha conhecido os pontos turísticos). 

Subimos a rua “del príncipe” e entramos na “Carrera de S. Jerónimo” para chegar na Porta do Sol, que tinha uma enorme faixa do Real Madri, em razão da vitória no dia anterior. Naquela localidade encontramos o urso símbolo da cidade (El oso y el madroño), que foi esculpido por Antonio Navarro em 1967.

Porta do Sol

Apple Store na Porta do Sol



Em seguida, paramos na Plaza Mayor, que a principal praça de Madri. É imensa e retangular com prédios de três andares por toda a volta. Naquela localidade existem diversos restaurantes. Também há um centro de informações turísticas, com sinal de wi-fi aberto.


Continuamos caminhando para outro ponto turístico que fica próximo: o Mercado de San Miguel. Tem uma arquitetura bonita, comidas diversas (tapas, chorizos, paella, etc), mas tudo caro. No entanto, a visita é interessante.



Em cinco minutos estávamos no Palácio Real, residência oficial do rei da Espanha. O ingresso custa 9 euros, mas optamos por não entrar. Tiramos foto da Catedral de Madri e fomos procurar um lugar para almoçar. 


Era quase 17 horas e não tínhamos muitas opções. Sentamos em um restaurante, mas disseram que não serviam mais o menu do almoço naquele horário. Ficamos na Calle Toledo, entrada da Plaza Mayor, em um restaurante que ainda tinha o menu (dois pratos, bebida e sobremesa) por 10,50 euros. Ao olhar as opções de primeiro prato, perguntei ao meu amigo como era “Carbonara” e disse que levava bacon (não queria nada com molho branco). Pedi o espaguete carbonara e de segundo prato queria “calamares” (lula), suco na garrafinha e tiramisu de sobremesa. Quando o primeiro prato chegou na mesa tinha molho branco! Passei muito mal e fiquei com infecção intestinal após comer uma massa no Spoleto dias antes. Xinguei meu amigo (hahaha) e não comi o primeiro prato. A garçonete veio buscar e viu que não tinha mexido e expliquei que não posso comer molho branco e não sabia que “carbonara” era feito assim (procurei no google para me certificar e a receita original leva ovo, bacon e queijo). Perguntou se queria outro e disse que sim, sem saber se cobraria no final. Trouxe um com molho à bolonhesa. A lula estava ótima, mas o resto da comida não foi nada demais. O destaque foi para o atendimento. Era uma garçonete peruana que merece cumprimentos, mas infelizmente esqueci o nome do restaurante. 


Voltamos ao hotel e decidimos seguir para “Las Ventas”, que é um destino polêmico, para ver as famosas “touradas de Madri”. Pegamos o metrô e seguimos para a Praça de Touros. A estação é “Las Ventas” e deixa na porta do prédio. O edifício suntuoso foi construído no estilo neo-árabe em 1929 no local chamado “Las ventas del Espíritu Santo”. É o maior estádio de touradas da Espanha com a superfície de 45.800 metros quadrados. O nome tem relação com os ventos, pois fica numa região de ventos constantes. É considerada patrimônio cultural e artístico desde 1994.


Assim que chegamos, alguns cambistas se aproximaram para vender ingressos, mas informei que compraria na bilheteria. Chegando lá, assim como tinha verificado na internet, tem ingressos a partir de 2 euros. Comprei o mais barato. Como já tinha passado das 19h, tivemos que esperar quase 30 minutos para poder entrar. Subimos e descobrimos o motivo do valor do ingresso: sentamos quase no teto do prédio e do lado do sol! O calor era infernal em maio às 19h30. Ocorrem várias touradas no mesmo dia. Entramos para ver a segunda (acho que seriam 6 naquele dia). Minha primeira impressão é que os madrileños são apaixonados, pois o “estádio” estava lotado numa segunda-feira. E tinha pessoas de todas as idades, senhoras e senhores, mas também crianças e jovens. Naquele calor pude entender a função dos leques espanhóis: todas as senhoras se abanavam. É claro que a atividade choca, eu mesma admito que não sabia que todos os touros morriam (de forma cruel), mas gostei de conhecer um traço tão forte daquela cultura. 


Assistimos apenas uma tourada e saímos do prédio. Voltamos para o hotel e por volta das 23h seguimos para ver o caminho até Plaza de Cibeles para pegar o ônibus para o aeroporto – caminho que faríamos na madrugada. No retorno, procurei tapas para comer. Iria no “Copas Rotas” perto do Museo Reina Sofia, mas estava fechado. Então entramos no “Museo del Jamón” no Paseo del Prado (o que ficar perto da Porta do Sol está sempre lotado). Tudo custa 1 euro. Pedi um bocadillo (sanduíche) de jamón serrano e um vinho, e recebi de cortesia um prato cheio de chorizo! Tudo por 2 euros.


Não conseguimos dormir, pois sairíamos às 2h30. Perguntei na recepção se era tranquilo caminhar na madrugada e fui informada que não tinha perigo. O Uber até o aeroporto sairia por 50 euros. Após o check-out, caminhamos e em 10 minutos estávamos na praça. Diversos taxistas vieram nos oferecer uma corrida por 5 euros cada! O mesmo preço do ônibus, levavam 4 e receberiam 20 euros. Meu amigo queria ir. Disse que poderia seguir, mas esperaria o ônibus. Acredito que quando a esmola é demais…


O ônibus noturno passa a cada hora, mas não demorou 20 minutos para aparecer. Por sorte tinha wi-fi, pois não sabia o terminal e tive que pesquisar. Chegamos muito cedo no aeroporto. Li que a Alitalia não tinha guichê no aeroporto de Madri e teria que fazer o check-in com a Air Europa. Não tinha lugar para sentar próximo ao guichê da companhia e fomos para o outro lado. Por volta das 4:30h começou a movimentação num guichê sem companhia e era da Alitalia! Deixamos a bagagem, pois os lugares foram marcados no site, as passagens foram compradas com milhas Smiles (12.500 pontos o trecho). Passamos pelo raio-x e ficamos esperando para seguir rumo a São Petersburgo, com conexão em Roma.
Plaza de la Villa


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