Havana (3ª parte)

Na terceira etapa da viagem, retornamos a Havana e optamos por nos hospedar em Centro Habana, bairro entre Habana Vieja e Vedado. É verdade que não encontrei, nos blogs, tal indicação, pelo contrário, uma conhecida, que já tinha visitado Cuba por duas vezes, não me recomendou, disse que sentiu medo ao caminhar no bairro. 

Ficamos na Casa de Raquel y Pablo, reservada no site airbnb. Assim que o táxi nos deixou, encontramos várias campainhas na parede do prédio. Guilherme tocou a primeira que viu, mas depois observamos que cada uma tinha um número relacionado a um apartamento. De repente, Pablo apareceu para nos receber. Felizmente levou minha mala. Perguntou o que tinha na bagagem, pois estava muito pesada. Disse que estava cheia de garrafas de rum (risos).

O apartamento está localizado no segundo andar. Tem  uma cama de casal e uma de solteiro, banheiro privado, ar-condicionado, ventilador, frigobar, além de uma sacada. Eles possuem internet em casa, mas não usamos o serviço. O casal é muito simpático e recomendo a qualquer pessoa. A localização é excelente, uns 100 metros do Paseo del Prado, uns 150 metros do Malecón. Pagamos R$80,00 por diária, ou seja, R$40,00 para cada.
O açougue que fica na frente do apartamento, não tinha muitas opções
Vista da varanda do apartamento

As casas de família possuem um símbolo com a descrição “arrendador en divisas” na parede/porta para identificá-los. A reserva pode ser feita em diversos sites:

Na maioria dos sites, os preços são expressos em euro (média de 35 euros) e o pagamento é feito no local, mas prefiro pagar antecipadamente as reservas, então recorremos ao airbnb. Raquel me disse que o serviço funciona por lá a menos de um ano. Era possível alugar apartamentos inteiros, no entanto, me parece enriquecedor ter uma experiência com os locais num país como Cuba. E ainda, como a internet (em geral) só pode ser acessada em “hotspots” públicos, ficar em um hotel ou casa de particular facilita na hora de obter informações sobre a cidade.


Tínhamos previsto chegar um pouco mais cedo, mas o ônibus vindo de Varadero demorou mais de 3 horas. Deixamos as coisas no quarto, Pablo nos entregou as chaves (uma pro quarto, outra da casa, uma de um portão do andar e outra da entrada do prédio) e saímos para encontrar um restaurante.


Abri o app Maps.me e pesquisei alguns “paladares” na redondeza. Ainda brinquei com Guilherme que ele gostaria do “Dos pelotas” (risos). E, por incrível que pareça, o restaurante era encantador, com preços na moeda nacional (CUP), mas convertiam para CUC no menu. A garçonete era muito simpática. A comida era farta, boa, além de ser barata. Os sucos eram naturais, feitos na hora. Pedi frango picadinho com legumes companhado por “moros y cristianos” (arroz e feijão) e um suco de melancia. A conta (para duas pessoas) totalizou 8,20 CUC. Só depois fui verificar que está na 10º posição no Tripadvisor entre os 802 restaurantes de Havana.

Os restaurantes familiares, em Cuba, são conhecidos como “paladares“, inclusive confirmei com Raquel, minha anfitriã, a origem do nome: uma novela brasileira, mais precisamente “Vale Tudo”. A personagem de Regina Duarte vendia sanduíches na praia, mas quando abriu seu primeiro restaurante deu o nome de “Paladar”. Os cubanos são apaixonados pelas novelas brasileiras!



Depois do almoço seguimos para o Malecón, que fica a poucos metros. O céu estava ensolarado e caminhamos por mais de 2km, observando os pescadores, os casais apaixonados, os grupos de amigos. Pensei em seguir até Vedado, mas Guilherme preferiu voltar, pois o sol já estava se pondo. O Malecón é o ponto de encontro dos cubanos, se encontram para passear, acessar a internet, conversar. A orla vai de Habana Vieja até Vedado.

Os animados cubanos




Retornamos ao hotel, tomamos banho e descansamos até às 22 horas, quando decidimos sair em direção ao icônico paladarLa Guarida“. O local foi cenário de um dos melhores filmes latinos: Morango e chocolate (Fresa y chocolate). Na época, gostei tanto que adquiri o DVD. Diversas celebridades já jantaram no estabelecimento: Obama, Beyoncé, Natalie Portman, entre outros. Em agosto de 2016 a cantora Madonna (minha ídola) comemorou o aniversário de 58 anos no restaurante.


Andamos por alguns minutos, pois fica em Centro Habana, mas não era próximo da casa onde nos hospedávamos. As ruas estavam muito escuras e, de repente, encontramos um grupo jogando futebol, posteriormente avistamos a placa do restaurante. O prédio é um palacete do início do século XX, entramos e vimos um grupo jogando baralho no térreo. Acredito que naquele andar morem muitas pessoas, tinha até uma cama no corredor. É, no mínimo, curioso. Subimos as escadarias cinematográficas, tiramos fotos com o grafite na parede. No andar seguinte, encontramos um salão amarelo vazio com a fiação exposta.


No terceiro andar, finalmente encontramos a entrada do restaurante. Havia duas “hostess”, que quiseram saber sobre a nossa reserva (não tínhamos reservado). Disseram que para jantar no restaurante teríamos que esperar, mas poderíamos ir para o bar, que ficava no andar seguinte. Aceitamos a sugestão. Aproveitamos a varanda com iluminação fraca e cadeiras, depois seguimos pelos corredores, onde cruzavam cozinheiros e garçons, subimos a escada caracol. De lá subimos outra escada para apreciarmos a paisagem do terraço, mas estava muito escuro e a cidade não é bem iluminada. Descemos e fomos até o bar.

Sentei no bar e pedi um daiquiri e uma porção de croquetes (15 CUC). Como esperava, não era barato. Guilherme pediu apenas um mojito. Aproveitei a decoração (bar com cadeiras brancas e neon lilás) para tirar algumas fotos. O ambiente é agradável, mas sofisticado. Estávamos bem descontraídos.





2 dias em Varadero

Varadero é o destino de praia mais conhecido de Cuba e fica a 142 km de Havana. Tem aeroporto internacional (Aeropuerto Juan Gualberto Gómez) localizado na província de Matanzas, que opera voos diretos para Miami, Frankfurt, Paris, Moscou, Toronto, etc.



Primeiro pesquisei sobre o resort com a melhor relação custo-benefício. As notas no Tripadvisor dos hotéis medianos são muito baixas e os relatos não animam, principalmente se a pessoa já conheceu outros Resorts no Caribe. Não procurávamos luxo, logo, qualquer hotel “all inclusive” com piscina, localizado perto do mar já nos deixaria felizes. Acabei optando pelo Be Live Experience Varadero. Existem três hotéis da rede em Varadero, o escolhido anteriormente se chamava “Villa Cuba”, conforme descrição nos azulejos da piscina. 

Pagamos R$653,13 por 2 diárias, logo, R$327,00 para cada, que é um preço muito bom e impossível de encontrar no Brasil. Fiz a reserva pelo site hoteis.com, pois prefiro pagar a hospedagem antecipadamente. 

Vi muitas críticas sobre resorts em Cuba, mas também é possível ficar em casa de família. Muitas casas ficam a poucas quadras da praia, embora haja relato sobre a proibição de andar na faixa de areia na frente dos resorts. Na rodoviária também vi moradores oferecendo vagas nas suas casas e o valor é negociado na hora. Os próprios cubanos dizem que Varadero não é Cuba de verdade, pois só encontramos estrangeiros hospedados. E ainda, li relatos que as redes hoteleiras estrangeiras pagam ao governo de Cuba o mesmo valor, em Euro, que pagam em seus países, contudo, os empregados recebem apenas um pequeno percentual do valor.

Enquanto planejava a viagem, deixei para adquirir a passagem Havana-Varadero no site da Viazul, que é a única companhia de transporte rodoviário para turistas. Meu amigo estava sem o cartão internacional, logo, esperamos mais uma semana, contudo, só encontramos passagem de volta (custa 10 CUC), tendo em vista que a ida no horário noturno não nos interessava. Mandamos e-mail para a empresa, que respondeu rapidamente, dizendo para comprarmos na rodoviária com alguns dias de antecedência – só disponibilizavam um pequeno percentual online

Tinha pesquisado outras opções para chegar em Varadero: táxi coletivo, que cobra, em média, 15 CUC por passageiro, mas precisa ter 4 pessoas para fechar a viagem. Ficam na porta da rodoviária. E ainda, comprar o transfer em agência, que cobraria cerca de 25 CUC. Ainda no Brasil, encontrei uma agência vendendo o transfer por 18 euros/22 dólares, a solways, que pertence à rede Meliá, logo, confiável, mas meu amigo preferiu deixar para contratar o serviço no local

No segundo dia em Havana, conforme informação do hostel, seguimos para o Hotel Plaza.  No hall do hotel funciona a agência Cubanacan. Perguntei sobre o transfer para Varadero, disse que tinha disponibilidade e custava 25 euros. A saída seria ali mesmo, no dia seguinte, às 9 horas. Não recebemos qualquer recibo e tudo é registrado num caderninho com letras cursivas.

De ônibus da Viazul, as saídas acontecem em 4 horários: 08:00, 10:00, 13:00 e 17:00. O tempo de viagem é de 2h45, em média. E a volta ocorre nos seguintes horários: 12:00, 14:00, 16:00, 18:00. O lado negativo de ir de ônibus: precisa pegar um táxi até a rodoviária, que fica no bairro de Novo Vedado, logo, deve ser somado o custo do táxi (cerca de 10 CUC) + o valor da passagem (10 CUC) + o valor do táxi da rodoviária de Varadero ao hotel (10 CUC). O valor total é praticamente o mesmo do transfer do hotel  (o valor do táxi pode ser dividido).

A melhor opção, sem dúvida, foi contratar a ida com o transfer do hotel (são da Transtur). Tomamos café da manhã e saímos do hostel por volta das 8:45. Corremos muito pelas ruas com nossas malas, mas ao chegar no Hotel Plaza, o hall estava cheio de turistas, pois vários ônibus saem no mesmo horário para diversas cidades. O transfer da agência parte apenas às 9h. Fiquei bastante irritada com a falta de informação, e, como relatado, não tínhamos qualquer comprovante de compra. Fiquei uns 20 minutos na frente de uma funcionária da agência Cubanacan, que estava de papo com uma turista, mas a senhora foi grossa, dizendo que deveria esperar a minha vez, no entanto, estava ansiosa, pois o relógio já marcava 9:20h.
O ônibus que faz o transfer
Ao meu lado estavam dois turistas japoneses que pareciam perdidos, pois só falavam inglês. Por volta das 9:30 apareceu um rapaz e pediu para acompanhá-lo, pois o ônibus estava a uma quadra de distância. Colocamos a mala no bagageiro e subimos. O ônibus era confortável, novo, com ar-condicionado. Embora tivesse banheiro, estava fechado. Notei que é uma prática, pois sempre fazem uma parada em algum estabelecimento com banheiro pago.

Depois de 40 minutos de viagem, fizemos uma parada e em inacreditáveis 2 horas estávamos na porta do resort! Fomos os primeiros a descer. É muita sorte! Em geral, o cansativo desse tipo de transporte é que deixam cada passageiro em seu respectivo hotel.



Todos os resorts de Varadero fazem o check-in às 16 horas. Até mandei um e-mail perguntando sobre a possibilidade e valor do “early” ckeck-in, mas não obtive resposta. Segui até a recepção e o relógio marcava 11:30. A recepcionista foi muito simpática e disse que poderíamos utilizar toda a estrutura do hotel, desde alimentos a bebidas, poderíamos guardar as malas até às 16h. Imediatamente compramos um cartão para acessar a internet por 1,50 CUC (1 hora de uso).


Segui para o banheiro, coloquei o biquíni, guardei a roupa na mala e a deixei no depósito. Em seguida, acessei a internet (não me conectava há 3 dias!). Guilherme parecia um viciado e nem piscava em razão da abstinência virtual (hahaha).

 

Seguimos para a praia, que estava com o mar calmo (nos dias seguintes foi ficando mais agitado). Deitamos numa espreguiçadeira, pegamos uma bebida e deixamos o tempo passar.
Estava apreensiva com a comida servida, mas almoçamos no restaurante principal (Las Dalias) e não tenho do que reclamar. Embora a comida não seja tão saborosa, tinha um leque com muitas opções. Diversas ilhas de comidas. Optei pelos alimentos feitos na hora. Tinha a opção de peixe, frango, porco, que era colocado na chapa na hora. Além de massa feita na hora. Muitos vegetais, sobremesas, pães, queijos, pizzas, sorvetes. Máquina de refrigerante local. Máquina de cappuccino. Os garçons eram muito simpáticos e o ambiente estava sempre limpo.

Após o almoço, seguimos até a recepção para fazer o check-in. A recepcionista nos colocou a pulseira, deu 2 cartões da porta. Pegamos as malas no depósito e seguimos para o nosso quarto. O quarto era bem amplo e localizado no prédio principal do resort, tinha tv lcd, varanda, ar-condicionado. O banheiro era antigo, com banheira, mas tinha os produtos de higiene – que são escassos em Cuba. A varanda tinha vista para um castelo medieval em homenagem a Dom Quixote e o restaurante “Meson del Quijote”. A preguiça foi tanta que não visitei a construção.


O hotel tem diversos tipos de hospedagem. No prédio principal, como ficamos, mas também em casas que ficam espalhadas no terreno do resort. Algumas casas possuem piscina privativa e têm capacidade de até 15 pessoas. O hotel tem uma cafeteria perto da recepção, uma loja, o bar “El colonial”, possui três restaurantes temáticos que precisam de reserva prévia (la mariposa, el bamboo e el sitio), mas não lembramos de reservar no horário estipulado, boate. Tem o restaurante principal onde é servido o café, almoço e jantar (Las dalias), além do bar próximo à praia, da lanchonete próxima da praia e da lanchonete e bar da piscina. Existe ainda um serviço de toalhas, algumas lojas de artesanatos, bem como serviço de diversão aquática, que está incluído na diária. 


Descansamos um pouco e voltamos para a praia, agora sem mochila. Entrei na água, tomei alguns drinks. A bebida é resultado de uma mistura de um licor nacional e rum, mas é bem fraco e servido no copo de plástico. Vi alguns hóspedes com suas canecas grandes de acrílico que comportavam 1 litro, assim não precisavam ir ao bar toda hora.


Ao deixar a praia, ficamos na área da piscina, eu bebi piña colada, mojito, enquanto meu amigo permaneceu fiel ao chopp. Aproveite a proximidade com a lanchonete e peguei um hot dog com batatas fritas.


Retornamos ao quarto para o banho e depois seguimos para a área com wi-fi (compramos mais cartões de acesso à internet). Por volta das 19h, uma animadora faz competições com os hóspedes. No primeiro dia teve uma prova de dança dominada pelo casal argentino, mas morria de rir dos dois casais russos (inacreditavelmente, pois russos, em geral, são fechados). 


Há uma boate, mas não consegui ficar acordada até meia-noite, já estava deitada, contudo, meu amigo se animou e saiu para se divertir. 5 minutos depois retornou pro quarto, alegando que só tinha duas pessoas no lugar!

Assim que acordamos, seguimos para o café da manhã, que tem ovos feitos na hora (omelete, ovo mexido, frito), grande variedade de pães, frutas.

O dia foi de praia, ficamos por horas sob o sol de Cuba. Fiquei bastante tempo na água, enquanto Guilherme fazia poses na espreguiçadeira. Deixei agendado uma passeio às 14h de barco, embora o mar já estivesse mais agitado que no dia anterior.

Algumas das casas disponíveis no resort




Acho que dois dias são suficientes para aproveitar Varadero, contudo, quem dispõe de mais tempo, pode fazer um passeio até Cayo Blanco. Os cayos são ilhas onde a natureza está mais preservada. Muitas vezes o mar tem o azul mais turquesa. Os mais famosos são Cayo Coco, Cayo Guillermo, Cayo Largo, Cayo Santa María. Outro passeio possível é pegar o TurBus de Varadero, que custa 5 CUC. O passageiro pode descer e voltar durante todo o dia.

Antes do horário estipulado, o responsável pelos passeios aquáticos me chamou. Coloquei o colete salva-vidas, subimos no veleiro e navegamos por 30 minutos. Ventava bastante e tínhamos que nos segurar com força, pois não tinha assento, apenas uma tela esticada. No fim, perguntou se gostaríamos de ver os peixes de snorkel, por apenas 20 CUC por 1 hora. O preço é ótimo, mas acabamos deixando de fazer a atividade.


Almoçamos e depois aproveitamos a piscina até o entardecer, quando voltamos para a praia com o objetivo de apreciar o pôr do sol.


Próximo ao nosso quarto tinha uma loja de conveniência que vendia rum Havana Club, entre outros. Comprei algumas garrafas. Guilherme já tinha comprado camisetas para os sobrinhos na loja do térreo, mas depois comprou garrafinhas de rum também. 


No jantar teve uma cena comovente: Guilherme começou a chorar compulsivamente. Naquele dia um senhor, o garçom, veio conversar conosco, perguntando de que parte do Brasil a gente era, pois tinha amigos médicos trabalhando no Rio Grande do Sul. Eles servem o café da manhã, almoço e jantar, ou seja, uma jornada de 12 horas, pelo menos, mas não acredito que trabalhem todos os dias. Depois fui deitar, enquanto meu amigo ficou no bar, bebendo, mas também procurando algum “boy”. E teve sorte, segundo me relatou. Enquanto procurava um lugar para sua “pegação”, disse que conversou com o segurança, pois queria saber um pouco sobre a vida dele. Contou que ganha 25 CUC mensalmente (cerca de 100 reais), mas tem casa própria.

No dia seguinte, o check-out estava marcado para 11 horas, logo, acordamos por volta das 8 horas, tomamos café da manhã, aproveitamos a praia, que estava com bandeira vermelha! Depois nos arrumamos para seguir viagem. Compramos online, na Víazul, a passagem com saída ao meio-dia. Na recepção, perguntei se podiam chamar um táxi, mas me disseram para pegar na porta. O primeiro cobrou 10 CUC, achei muito caro para uma distância de 3 km! O segundo veio e cobrou o mesmo valor, me disse que era tabelado, mas duvido.



O Táxi que pegamos ao menos era um carro antigo bonito, que nos deixou na rodoviária em poucos minutos. O site pedia para levar o ingresso impresso, mas Guilherme não tinha lembrado, contudo, nós dois tivemos que trocar a passagem por um bilhete de papel na rodoviária. Os primeiros ônibus que apareceram eram novinhos, mas depois de uns 30 minutos de espera apareceu o nosso, caindo os pedaços!!! O banheiro, como de costume, estava fechado, não tinha lugar marcado, embora tivesse uma numeração no bilhete, as poltronas estavam gastas. A viagem levou mais de 3 horas. A surpresa: todos diziam que o ônibus iria direto para a rodoviária, que fica em Novo Vedado, mas o motorista avisou que pararia no final do túnel que fica próximo ao Paseo del Prado! Informei ao motorista que desceríamos ali. Seria possível andar até a casa particular em Centro Habana, onde nos hospedaríamos, no entanto, precisava ir ao banheiro, então, pegamos um táxi, que cobrou 5 CUC. O carro era tão velho que se me cortasse pegaria tétano! 


Havana (2ª parte)

Habana Vieja é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. A cidade foi criada em 1519 pelos espanhóis, se tornou um dos maiores centros de construção naval do Caribe. Na segunda metade do século XVI se transformou no maior porto da região. Havana manteve suas muralhas e suas 5 grandes praças: Plaza de Armas, Plaza Vieja, Plaza de San Francisco, Plaza del Cristo e Plaza de la catedral. Na proximidade das praças existem construções notáveis intercaladas com monumentos no estilo barroco e neoclássico.

Mural de Che na Plaza de Revolución

No segundo dia em Havana, tínhamos uma missão: comprar passagem para Varadero, pois viajaríamos no dia seguinte. Enquanto planejava a viagem, deixei para adquirir a passagem no site da Viazul, que é a única companhia de transporte rodoviário para turistas. Meu amigo estava sem o cartão internacional, logo, esperamos mais uma semana, contudo, só encontramos passagem de volta, tendo em vista que a ida no horário noturno não nos interessava. Mandamos e-mail para a empresa, que respondeu rapidamente, dizendo para comprarmos na rodoviária com alguns dias de antecedência – só disponibilizavam um pequeno percentual online.
Café da manhã
No café da manhã perguntei para a responsável pelo hostal naquele dia (cada dia é uma pessoa) onde poderia contratar um transfer para Varadero. Escreveu no papel o nome de dois hotéis, pela proximidade, seguimos para o Hotel Plaza. Pensamos que no dia seguinte estaríamos com as malas. No hall do hotel funciona a agência Cubanacan. Perguntei sobre o transfer para Varadero, disse que tinha disponibilidade e custava 25 euros. A saída seria ali mesmo, no dia seguinte, às 9 horas. Não recebemos qualquer recibo e tudo é registrado num caderninho com letras cursivas.

O nosso objetivo era fazer um passeio de carro antigo pela cidade. Tem muita oferta por toda Habana Vieja, e, enquanto pesquisava nos blogs, encontrei a informação que o valor médio do passeio era de 35 Cucs. Fomos perguntar aos motoristas, mas todos diziam que era 35 por pessoa (se for 1 pessoa 35, duas 70), na terceira tentativa inclusive um motorista nos intimidou, dizendo que alguns falam um preço menor e depois mudam no percurso, pois o valor seria tabelado e podem chamar a polícia pro turista que não quiser pagar. Fiquei furiosa – creio que estavam querendo ganhar dinheiro muito fácil.   

Decidimos pegar o “HabanaBusTour” no Parque Central, que funciona de 9 da manhã às 19h. O passageiro pode descer e voltar em qualquer ponto turístico e depois pegar o ônibus seguinte. O tíquete custou 10 CUC. Nosso objetivo era descer na “Plaza de la Revolución”, no bairro “Vedado”, que é distante para ir caminhando.


O dia estava ensolarado, mas preferimos ficar na parte superior do ônibus de dois andares. Normalmente não gosto de fazer tour nesses ônibus, mas em Havana acho uma opção cômoda. O ônibus segue pela orla, com vista do Malecón, passa por Vedado até Novo Vedado. 

Essa linda me deu tchau

O famoso Hotel Nacional


Descemos na Plaza de la Revolución, famosa por ser o centro de manifestações políticas e culturais em Cuba. Obra do francês Jean Claude Forestier em 1920, é uma das maiores praças do mundo com seus 72 m2. Até 1959 era conhecida como Plaza Cívica. Na fachada do prédio de cimento do “Ministerio del Interior” fica o mural de dois revolucionários que encantam os turistas: Che Guevara e Camilo Cienfuegos. A de Che é a réplica de uma foto tirada por Alberto Korda em 1960, que tem a inscrição “Hasta la victoria siempre“. No centro da praza fica o Memorial José Martí.


Meu amigo queria entrar no museu que fica no Memorial José Martí, mas como cobrava ingresso e não tinha muito interesse, preferi não entrar. Há uma torre de 138 metros de altura e na frente fica uma escultura de mármore de 17 metros de José Martí, herói nacional de Cuba. 



Em seguida, caminhamos até o ponto do ônibus, que demorou uns 15 minutos. E ninguém respeitou a fila. O retorno é realizado basicamente pelo mesmo caminho, quando é  possível conhecer, mesmo que superficialmente, o bairro de Vedado, que tem mansões, cinema e muitas pessoas circulando.

 

Em busca de wi-fi

O famoso cine Yara

Universidade de Havana
Retornamos ao Parque Central por volta das 15 horas! O ônibus é lento, logo, se tiver pressa, recomendo fazer o passeio de carro, pois tem o tempo estipulado, 1 ou 2 horas.  

Enquanto retornávamos para o hostel, aconteceu algo bem desagradável: o assédio masculino. Na rua mais movimentada de Havana, a Obispo, perdi meu amigo de vista, que estava caminhando mais rapidamente, logo, segui em direção ao hostel. Uns três homens me abordaram, enquanto outros caminhavam ao lado. Dizendo que deveria casar com um homem cubano, que são ótimos. Tentava andar apressada, mudar de calçada e novamente vinham me abordar. Já estive no Marrocos sozinha e achei a aproximação pior. Um sujeito me seguiu até a porta da hospedagem! Se tivesse viajado só teria outra impressão de Havana e ficaria bastante irritada e até com medo. Nos momentos em que estava acompanhada não falavam absolutamente nada.

Cheguei no hostel e 5 minutos depois meu amigo apareceu. Estávamos com fome e fomos até o restaurante Van Van, relatado no post anterior. Guilherme pediu um prato tradicional de Cuba: Moros y Cristianos (arroz e feijão misturados), enquanto preferi comer frango.


Passamos pelo Hotel ambos mundos, local onde viveu Ernest Hemingway, em 1930, posteriormente vimos uma Habana Vieja revitalizada, com construções restauradas, ruas floridas e arborizadas. Seguimos pela “calle Mercaderes“, que foi reconstruída e está quase original do século XVIII, além de ter inúmeros museus (Museo del Tabaco, Museo de los bomberos, Museu casa de África, etc) e restaurantes. Na esquina com a rua Obrapía encontramos uma escultura de Simon Bolivar nos convidando para uma pracinha aconchegante.



Chegamos na Plaza de Armas, que é a praça colonial mais antiga de Habana Vieja, projetada em 1520, mas antes era conhecida como “plaza de la iglesia”, o nome atual só foi aplicado a partir do século XVI. Atualmente abriga uma feira de livros antigos, além de ter uma estátua de Carlos Manuel Céspedes, que iniciou a independência de Cuba. Nas proximidades da praça encontramos o Museu de História Natural, o Museu da Navegação, o Museu da cidade, entre outros.


Fui na bilheteria do Castillo de la real Fuerza saber o valor do ingresso (4 CUC) e se ainda poderia ser visitado (faltava 15 minutos para fechar). O prédio é um grande exemplo de arquitetura militar, dos tempos de domínio espanhol, no Caribe. É um dos motivos de Habana Vieja ser considerada patrimônio da humanidade, pois é uma das fortalezas mais antigas das Américas. O Castillo foi construído entre 1558 e 1577. A torre é conhecida como “torre da espera”, uma vez que Dona Inés de Bobadilla, esposa do conquistador Hermando Soto, que governava Cuba. Enquanto tentava dominar a Flórida, a esposa subia todos os dias tentando avistá-lo, mas nunca regressou.



Nessa imagem, no canto esquerdo, dá pra ver o Cristo de Cuba

No retorno, finalmente conhecemos um dos símbolos de Havana: La bodeguita del Medio. O restaurante ficou famoso em razão do seu mojito, bebida feita com rum, água com gás, hortelã e açúcar. Ernest Hemingway eternizou o lugar com sua frase “my mojito in la bodeguita del medio. My daiquiri in el floridita.” O papel foi emoldurado e fica exposto no primeiro andar do estabelecimento. No local já estiveram Pablo Neruda, Salvador Allende, entre outros.

O primeiro andar está sempre lotado e as pessoas se espalham pelas ruas ou se espremem no salão, mas tem outros andares mais vazios. Então seguimos até o terceiro andar. Cada ambiente tem um nome e é decorado com fotos de pessoas importantes que já visitaram o lugar, camisas, assinaturas. Sentamos, pedimos o mojito (6 CUC) e ficamos aproveitando o grupo que tocava músicas latinas.


Retornamos pro hotel para banho e descanso, mas depois saímos com o objetivo de encontrar um local para jantar, pois não queria repetir Van Van. Seguimos para o “El Dandy”, localizado na rua Brasil, mas, embora fosse bem avaliado no Tripadvisor, não achamos o ambiente interessante. Bem próximo, encontramos um restaurante com fila, fato que nos chamou a atenção, era o “El Chanchullero“, bar de tapas. Ambiente descolado e valores ótimos! Aguardamos na fila por mais de 30 minutos.


A fila era basicamente formada por turistas. O restaurante tem 3 andares. O terraço parece ser mais animado, contudo, fomos conduzidos ao segundo andar. O garçom perguntou se nos incomodávamos em dividir a mesa, mas não nos importamos. Era um casal de canadenses, aparentemente pai e filha. Ajudamos os dois a selecionar o que comeriam, pois a menina era vegana! Não tinha qualquer opção vegana no restaurante. Pedi um pescado (6 CUC) com um Daiquiri (5 CUC), enquanto Guilherme pediu “Ropa Vieja“, que é o prato típico de Cuba, que consiste em uma carne assada desfiada. 

Carro na Plaza del Cristo

Havana (1ª parte)

“Havana, ooh na na. Half of my heart is in Havana…”
Camila Cabello
Cuba é um destino que requer alguns dias de pesquisa a mais que outros em razão da sua singularidade. O país exige visto de brasileiros, como contei pormenorizadamente em outro post, no entanto, a “tarjeta del turista” pode ser adquirida na companhia aérea. Outra questão inquietante é que moeda levar, se Euro ou Dólar, e ainda, que moeda usar, pois existem duas oficiais, o CUC e o CUP. Algumas pessoas indicam a hospedagem em Vedado, mas gostei de me hospedar tanto em Habana Vieja quanto em Centro Habana, como contei aqui


Decidi que era hora de conhecer Cuba e previamente sabia do interesse de um amigo em visitar o país de Fidel. Perguntei se gostaria de viajar e topou imediatamente, contudo, ele tinha sérias restrições no meu período de férias, pois faria uma prova naquele mês de novembro. Teríamos apenas uma semana, então só poderia experimentar Havana e Varadero, embora tivesse excelentes recomendações sobre Trinidad, Cienfuegos, Cayos, etc.


A segunda etapa foi encontrar uma passagem com preço razoável, mas não achei qualquer promoção naquele período, então, compramos na Copa Airlines, por R$2.300,00 – preço bem elevado se comparar com a passagem que comprei pra Bangkok no ano anterior – paguei o mesmo preço. Saindo de Brasília, o voo era R$600,00 mais barato, todavia, não compensava ir pra outra cidade, custeando voos internos e hotel. 

Prefiro pagar a hospedagem previamente, então, optamos por reservar um hostal nos 3 primeiros dias e uma casa particular nos 2 últimos dias no Airbnb, que só opera no país há um ano. Informamos ao hostal que precisaríamos do serviço de transfer, por 30 CUCs (cerca de 30 euros).

No dia da viagem estava ansiosa, pois é preciso ter o certificado internacional de febre amarela, mas meu amigo não tinha! Tendo em vista que mora no interior de Minas Gerais, perguntou o valor da vacina numa clínica que emitia o certificado em Juiz de Fora, cidade próxima, mas cobrava mais de 200 reais. Deixou para tentar a sorte no dia da viagem no escritório da Anvisa, no 3º andar do Galeão! Em tese, só atendem com agendamento. Chegou no aeroporto antes das 8h, horário que inicia o atendimento. Conseguiu o certificado em poucos minutos, após mostrar a carteira de vacinação. Me mandou uma mensagem e fiquei aliviada. 

O voo só sairia às 12:30, então deixei minha casa às 9:30. Chegando no aeroporto, avistei meu amigo na fila do check-in e “furei fila”. Dois dias antes de viajar, liguei para a companhia aérea com objetivo de sanar dúvidas sobre o visto, disseram que deveria ser adquirido apenas na conexão no Panamá, só aceitariam dólar e pago em espécie, então reservei o valor. A despeito da informação que recebi, a atendente pediu o certificado internacional de vacinação e, em seguida, quis saber se tínhamos o visto. Disse-me que deveria ser adquirido ali por R$65,00. Informou que o valor oscilava de acordo com a cotação do dólar do dia, disse que poderia pagar apenas em Real. Levava poucos reais, mas encontrei o montante necessário para efetuar o pagamento.


Assim que entramos na aeronave, percebemos que o voo estava lotado. Escolhi um assento no corredor e meu amigo na janela. De repente, um rapaz perguntou se poderíamos mudar de lugar com ele, mas ouviu uma negativa (vou ao banheiro várias vezes e só viajo no corredor). Durante o voo, fiquei com pena, pois contou que era a primeira viagem internacional dele e da esposa, que a viagem original era pra ter acontecido dois dias antes, mas chegaram atrasados. Teve que pagar praticamente o mesmo valor que já havia pago no pacote para ir pra Cancún. 

O primeiro trecho no voo da Copa Airlines foi tranquilo e teríamos 1 hora de conexão no Panamá, sem necessidade de fazer imigração. Meu amigo disse que ia fumar do lado de fora do aeroporto. Ao chegar do lado de fora, disseram que ali era proibido, que teria que se afastar para fumar. Desistiu e voltou. Adivinha? Teve que fazer controle de imigração. 


O segundo trecho foi a visão do inferno. Na fila não tinha ordem, era um empurrando o outro, muita falta de educação. Teve um atraso considerável. Parecia que não tinha limite de bagagem, pois as pessoas levavam sacolas imensas e muitas malas. Fiquei furiosa com a aeromoça, que retirou minha mochila do compartimento de bagagem. Questionei e disse que poderia guardar apenas malas! Ora, quem viajava com mais bagagem tinha prioridade? Todo mundo que levava mala também tinha mochila. Embaixo dos meus pés havia uma caixa que me deixava sem espaço. Novamente coloquei a mochila e retiraram. No entanto, alguns homens que estavam na minha frente guardaram as mochilas e não tiveram o mesmo problema. 

Desde maio de 2010 é exigido seguro de saúde para cobertura de despesas médicas em Cuba. Essa foi uma grande dúvida, pois não adquiri o seguro de saúde online. Tenho direito a seguro do cartão (Mastercard) em qualquer país (ao comprar a passagem com o cartão), exceto Cuba, pois a sede da empresa fica nos EUA. Assim que desembarquei vi que tinha um guichê da Asistur. Eu e meu amigo já estávamos esperando que nos mandassem fazer o seguro na hora, pois já era quase meia-noite e o guichê estava aberto e fica localizado antes da imigração. Não pediram o seguro. A policial que fez a imigração foi muito simpática.

Ao sairmos, vimos um senhor segurando uma placa com o nome do meu amigo. Fui informá-lo que faríamos câmbio antes de seguir viagem e recebi uma resposta bem grosseira. Em geral, os cubanos são bem amáveis, mas esse motorista era bem amargo, talvez fosse resultado do atraso que tivemos. Disse-me pra fazermos no dia seguinte, na cidade, pois o hostal o pagaria. O que ele não entendeu é que teríamos que pagar o transfer ao hostal naquele dia. Depois bateu o pé que só um deveria fazer câmbio. Novamente tive que insistir que éramos amigos e cada um é responsável por suas dívidas, logo, nós dois faríamos. Do lado de fora tem uma cadeca (casa de cambio) e tinha fila. Imediatamente o motorista se manifestou e nos colocou na frente com ajuda do guarda. Só uma pessoa entrava de cada vez. Levei euro e a conversão foi a seguinte: 1 euro = 1,13 CUC, enquanto 1 dólar = 0,87 CUC. 


Finalmente entramos no carro e seguimos em direção a Habana Vieja. Ainda na estrada, o motorista parou num posto de gasolina e saiu do carro, sem nos dar a menor satisfação. O primeiro contato visual com Havana é arrebatador e ficamos extasiados!!! 


Chegamos no hostal, que já estava fechado, mas em poucos minutos abriram a porta, pois avisamos sobre o horário previsto para a chegada. Entramos e logo tivemos que fazer o pagamento do transfer. Nosso quarto ficava no segundo andar e o pé-direito era bem alto, então subimos muitos degraus. 


A hospedagem escolhida, na verdade, não é um hostel, mas um “hotel boutique”, pois os quartos são privados. O Hostal Las Maletas tem 12 quartos e fica muito bem localizado, além de ter passado por reforma, ou seja, está novinho. Banheiro reformado, ar-condicionado, camas confortáveis, frigobar. Não tem tv no quarto. Meu amigo fez a reserva das duas hospedagens em Havana, pois já tinha feito do resort em Varadero. Pagamos R$114 por diária, ou seja, menos de R$60,00 para cada! O lugar me surpreendeu positivamente!


A responsável pelo hostal naquele horário mostrou o quarto e foi dormir. Meu amigo correu para tomar banho primeiro e não conseguiu usar o chuveiro. Enrolado em uma toalha correu o hostel inteiro atrás de Alana. Foi hilário. Disse que tomou banho com umas gotinhas que saiam. Quando entrei, coloquei a mão e o chuveiro funcionou perfeitamente! Gargalhava horrores!!! Esperávamos chegar e sair para jantar, mas tivemos um atraso de mais de 2 horas. 


No dia seguinte, acordamos cedo e descemos para tomar o café da manhã, que não está incluído na diária. Custa 6 CUC pra cada cada pessoa. A refeição é cara, pois não tínhamos muita variedade. Foi servido uma omelete (ou ovos mexidos), bacon, uma fatia de queijo, umas torradas, suco, fruta e café. Eles pediam que o pagamento fosse feito imediatamente. Minha sugestão econômica é comer no café que tem na frente, Cafeteria Aché, que só visitei no último dia, quando já não estava hospedada no hostal. Tinha me “assustado” porque os preços estavam em CUP (moeda nacional), que não é muito comum no bairro de Habana Vieja. Tomei um refresco e custou 0,25 de CUC.

Assim que tomei banho fui na sacada para ver a rua e uma criança que morava em frente mandou beijos. A senhora que o segurava gritou que ele amava as loiras! O dia estava cinzento pela manhã, chovia bastante. Peguei meu guarda-chuva, Guilherme pegou o que tinha no quarto para os hóspedes e saímos para explorar a cidade.

O vizinho fofo

Instalei previamente o melhor app de localização offline, o MAPS.ME, baixei o mapa de Cuba, mas antes de sair do hostal o GPS simplesmente não conseguia me localizar. Então saímos com o roteiro que tinha feito, mas sem mapa. Seguimos flanando pelas ruas de Havana.

O cocotáxi, um dos meios de transporte da cidade


Registro que o acesso à internet em Cuba é bem precário. É preciso comprar um cartão da ETECSA (La empresa de Telecomunicaciones de Cuba) e encontrar um hotspot com wi-fi, seja nas ruas (aqui tem uma lista com os endereços dos espaços públicos) ou no hall dos hotéis. O preço sugerido e de 1 CUC pelo cartão de 1 hora e 5 CUCs pelo de 5 horas.

Caminhamos até o Capitólio Nacional, prédio que foi a a sede do governo de Cuba até a Revolução cubana. A arquitetura tem como inspiração o prédio do Capitólio de Washington, nos EUA. Seguimos pela avenida “Paseo Martí” e cada carro antigo que passava fazia com que suspirássemos, pois era nosso primeiro contato com o “cartão postal” de Havana. 




Lanchonete 

Atrás do Capitólio, na rua Industria, fica a charutaria “Fabrica de tabacos Partagás“, que é uma das mais antigas fábricas de charuto, no entanto, foi deslocada para outra localidade. Atualmente existem mais de 500 pessoas produzindo as marcas mais famosas, seja Cohíba ou MontecristoA empresa foi fundada em 1845 pelo espanhol Jaime Partagás. No local agora funciona um museu, que cobra 10 CUCs pela vista guiada. Entramos apenas no salão de vendas, que estava lotado de turistas.



No retorno, passamos na porta do Gran Teatro de la Habana, que oferece visitas guiadas, mas não entramos. Depois caminhamos por todo o Paseo del Prado (também conhecido como Paseo de Martí), que começa no Capitólio e vai até o Malecón. A rua serve como divisão entre Habana Vieja e Centro Habana. O ambiente é agradável por ser arborizado e naquele momento fazia um calor terrível. A construção iniciou em 1772, logo após se tornou muito popular com a burguesia da cidade. Edifícios importantes foram erguidos em ambos os lados. No início do século 20 se tornou o local mais procurado pelas famílias bem-sucedidas para construir suas residências. No final de 1920, o paisagista francês Jean Claude Nicolas Forestier colocou leões de bronze, bancos de mármore e lâmpadas no local.

No fim do Paseo del Prado encontramos o Malecón, que é o calçadão da orla (tem 7km), vai de Habana Vieja até Vedado. Atravessamos a avenida e contemplamos o Castillo de San Salvador de la Punta. O mar estava bem agitado e ventava muito.


No retorno, na rua San Juan de Díos, vimos um “supermercado” (Ideal Mercados) e decidimos entrar para conhecer a realidade dos cubanos. Naquele momento tive um choque, pois sabemos sobre o embargo dos EUA a Cuba, mas me deparar com a escassez de produtos foi muito impactante. Não existe mercado como nos outros países, que você entra e escolhe os produtos e as marcas que prefere. Encontrei um balcão e a vendedora vai embalando o que é pedido. Não tem opção. Tem um tipo de açúcar, de feijão, de arroz, etc. Existe uma caderneta, pois os produtos são limitados e cada um só pode adquirir uma quantidade específica de alimentos. 



Ainda não era meio-dia e seguimos para conhecer “La Floridita“, bar que ficou famoso porque Ernest Heminway visitava o local para beber seu daiquiri. Conseguimos um lugar no bar, embora o ambiente estivesse cheio de turistas. Pegamos o menu e optamos pelo daiquiri clássico, com açúcar, gelo, suco de limão, Marrasquino (licor de cereja) e rum. O preço é salgado: 6 CUCs. Serviram chips de banana junto com a bebida, além de ter música ao vivo.

 



Na saída, passamos pelo Patio de los artesanos, que é uma feira de artesanato que vende suvenires de Cuba.


Seguimos pela rua mais famosa de Havana, Obispo, que está sempre cheia e movimentada. Ali encontramos cadeca (casa de câmbio), lanchonetes que vendem com CUP (moeda nacional), farmácias, livrarias, etc.



Na mesma rua, esquina com Aguiar, encontramos a linda Drogueria Johnson, que foi aberta em 1914. Anteriormente as farmácias eram conhecidas como “boticas” e chamavam atenção por suas elegantes instalações.


Voltamos ao hostal para decidirmos onde almoçar, pois já estávamos cambaleando de fome. Fiz uma lista com lugares próximos com bom custo-benefício. Finalmente o gps me encontrou e o app Maps.me funcionou, pois até aquele momento caminhamos sem qualquer mapa. Logo na rua seguinte tinha o restauranteVanVan“, muito bem avaliado no Tripadvisor (3º lugar). Fomos recebidos por uma simpática garçonete, que carinhosamente apelidamos de “Penélope”, pois parecia a Penélope Cruz. Pedi “Pollo curry arroz ensalada” por 6 Cucs e um mojito por 2,50 Cucs. O restaurante é maravilhoso, tanto que voltamos naquele dia e no dia seguinte.


Com a energia renovada, seguimos até la Plaza de la Catedral, onde fica a Catedral de Havana. Naquele dia não visitamos a igreja, pois estava acontecendo um evento escolar na praça e ficamos de expectadores, aplaudindo as apresentações.


Em razão da proximidade, entramos na “Casa del Marqués des Arcos“, que é considerada um dos expoentes da arquitetura residencial em Cuba. A construção data de 1741. Já funcionou como Correio e Liceu Artístico e Literário. Atualmente abriga a Oficina Gráfica Experimental de Havana, onde artistas (principalmente cubanos) fazem serigrafias, gravuras e litografias. Não pagamos ingresso para visitar a casa, mas os funcionários que mostram os objetos pedem uma contribuição.


Visitamos ainda a rua Brasil (também conhecida como Teniente Rey), logo após, entramos na Basílica de São Francisco de Assis, construída em 1716, que é símbolo da presença da ordem franciscana em Havana. É uma reconstrução, pois a original, erguida em 1951, foi destruída por um furação. Após o domínio inglês, a basílica passou a servir aos anglicanos, nos anos seguintes a Igreja Católica deixou de utilizar a igreja como local de culto. Em 1907 o governou comprou a igreja e a transformou em armazém. Hoje é uma das melhores casas de concertos, em razão da excelente acústica.


Olha quem estava na rua Obispo

Na rua Obispo, no retorno para o hostel, nos deparamos com um grupo circense que animava os pedestres.

  


Anoiteceu, antes de irmos jantar, resolvemos passar na boate lgbt que ficava numa rua próxima (Fashion Bar Habana), e, segundo relatos de um site cubano, tinha show de drags (que amo!). Passamos no local umas três vezes e não vimos nada que pudesse ser uma boate. Meu amigo foi até uma moradora local se informar. Ela nos respondeu “Ah, o prédio foi comprado por um coreano. Dividiu em vários apartamentos para alugar”. 

Novamente voltamos ao restaurante “Van Van“, pois meu amigo queria jantar, eu apenas pedi uns croquetes de vegetais e bebi um daiquiri. Guilherme logo fez amizade com as alemãs da mesa ao lado, perguntando se não queriam ir conosco em uma boate, que também encontramos na internet, mas disseram que estavam cansadas. Perguntamos ao “bicicletáxi” quanto seria a corrida até o inferninho. O cara queria 10 Cucs, depois desceu pra 7 Cucs, mas nos informaram que o valor correto seria 2, então decidimos caminhar, não chegava a 2 km. Andamos nas ruas praticamente sem iluminação pública, mas não sentimos medo. Chegando lá, cadê o tal “Escaleras al cielo”? Não existia! Alguns homens vieram oferecer o ingresso para o show que funciona no prédio, o famoso “Buena Vista Social Club”. No retorno, um motorista de táxi nos parou, falou que era um grande atleta de baseball, além de ter vindo nas Olimpíadas do Rio de Janeiro como convidado. Disse que treina em dias alternados e quando está livre trabalha como taxista. Mostrou as fotos no celular!


Dicas sobre Cuba: que moeda levar

Existem duas moedas oficiais em Cuba, o CUP, que é o peso cubano – a moeda nacional (é representada como MN nos cardápios), e CUC, que é o peso convertido – começou a circular na ilha em 1994. A segunda moeda equivale ao dólar, enquanto a primeira representa 0,04 do CUC. O turista usa predominantemente o CUC, pois é a moeda vigente na área turística.
A linda nota de 3 CUPs (peso cubano) com o rosto de Che Guevara


Assim que comprei a passagem, tive que decidir sobre qual moeda levar. Dólar? Euro? Dólar canadense? Tendo em vista que tinha Euro de uma viagem anterior, optei por levar a moeda da União Europeia, enquanto meu amigo optou por levar dólar, pois estava com uma cotação favorável. Na época, em novembro de 2017, o dólar custava R$3,45, enquanto o Euro beirava aos R$3,98. É importante ressaltar que o dólar tem uma sobretaxa de 10% na hora do câmbio, por exemplo, se você levar 1.000 dólares, sairá com 900. 

O valor do CUC pode ser verificado no site do Banco Central de Cuba, mas temos que ficar atentos à nota de rodapé da instituição, pois apenas o Euro, o Dólar Australiano e a Libra Esterlina estão expressas de maneira direta, todas as outras de forma indireta. Isto é, se a moeda é direta, multiplica, se for indireta, divide. Para exemplificar, 1 CUC = 1,20 Euro, enquanto 1 CUC = 0,80 dólares canadenses (1 / 1,24 = 0,80).

Ainda é favorável levar Euro, mas a diferença é pequena, uma vez que o valor do euro está superior ao dólar (na conversão para o Real). Se a pessoa tiver dólar canadense ou libra remanescente de uma viagem, talvez seja uma boa opção, pois são moedas valorizadas e não sofrem sobretaxa do governo cubano. 
CUC ou peso convertido

Fiz o câmbio no próprio aeroporto e o valor (nov/2017) foi o seguinte: 1 euro = 1,13 CUC, enquanto 1 dólar = 0,87 CUC. Na cadeca (casa de câmbio) da cidade 1 euro = 1,14, logo, a diferença é ínfima, tendo em vista que o valor é regulamentado pelo governo. 

É importante ficar atendo, pois li relatos de pessoas que receberam o troco em CUP quando efetuaram alguma compra, mas basta analisar a nota: o CUC tem imagens de monumentos, enquanto o CUP possui rostos de personagens importantes da história cubana. É permitido ao turista fazer câmbio em CUP, mas nem todos os estabelecimentos vendem na moeda nacional. 

Encontrei informação, em blogs, que apenas pequenos estabelecimentos aceitariam o CUP, talvez seja verdade apenas em Habana Vieja, como me hospedei também em Centro Habana, pude notar que os comerciantes vendiam em CUP.

Cadeca (Casa de câmbio) do aeroporto em Havana
No fim da viagem, no aeroporto, segui para a fila da cadeca para fazer o câmbio dos CUCs remanescentes (cerca de 70). Solicitei que me dessem notas de Euro, mas o atendente disse que não tinha, apenas dólar. Quando recebi as notas, observei que a maioria estava deteriorada, com rasgos ou sujas, pedi para trocar, no entanto, as notas de 10 recebidas continuavam danificadas e sabia que encontraria dificuldade para usá-las. Dito e feito. Dois dias depois viajei para o Deserto do Atacama e nenhuma casa de câmbio aceitava, por fim, quase chorando, um senhor recebeu os dólares, mas estabeleceu um valor bem abaixo da cotação do dia. Então a dica é: troque aos poucos os CUCs ou gaste todo o dinheiro para não ter essa dor de cabeça.

Onde se hospedar em Havana

Uma dúvida recorrente de quem viaja pela primeira vez a Havana é sobre o melhor bairro para se hospedar e também se deve optar por hotel, hostel ou casa particular. Os bairros mais indicados são: Vedado, Habana Vieja e Centro Habana.

Minha viagem foi curta, mas fiquei nos 4 primeiros dias em Habana Vieja em um hostel, depois segui para passar 2 dias em Varadero e retornei a Havana, mas dessa vez me hospedei por 2 dias em Centro Habana numa casa particular.

Sobre os bairros, Vedado fica mais distante dos pontos turísticos, logo, será necessário pegar algum transporte para se locomover, por outro lado, as casas são amplas (algumas mansões) e tem um grande comércio, além de vivenciar o dia a dia do cubano. 

Habana Vieja é onde está localizada a maioria das atrações, como La Bodeguita del Medio e La Floridita, mas é um local totalmente turístico, então o preço da hospedagem é mais elevado, o mesmo ocorre com as refeições. E ainda, tem o assédio dos cubanos que querem vender charutos e rum. 

Centro Habana fica ao lado de Habana Vieja, mas não é um bairro turístico. Dá para perceber que a maioria dos restaurantes vendem em peso cubano (moeda usada pelos cubanos), não existe assédio de vendedores, e ainda, os preços são bem mais acessíveis.

Num primeiro momento, pesquisei por hotéis no booking.com, mas os valores das diárias estavam sempre acima de R$1.000,00. Conversei com algumas pessoas que já tinham visitado a cidade e disseram que compraram pacotes e os valores não eram exorbitantes. Pode ser que pesquisando direto no site do hotel o valor seja menor. Se optar por hotel, visitei dois hotéis que estão bem localizados, no limite entre Habana Vieja e Centro Habana, ou seja, dá pra fazer quase todos os passeios caminhando: Hotel Plaza e Mercure Sevilla.

Pesquisei em alguns sites que fazem reservas em casas particulares: 

Na maioria dos sites, o valor da diária é pago apenas na propriedade e a diária custa, em média, 35 euros. Prefiro pagar antecipadamente, portanto, pesquisei no airbnb, que opera em Cuba há menos de um ano. É verdade que não tem tantas opções, mas encontrei o belíssimo hostel que fiquei. Na verdade, não é um hostel, mas um “hotel boutique”, pois os quartos são privados. O Hostal Las Maletas tem 12 quartos e fica muito bem localizado, além de ter passado por reforma, ou seja, está novinho. Banheiro reformado, ar-condicionado, camas confortáveis, frigobar. Não tem tv no quarto. Meu amigo fez a reserva das duas hospedagens em Havana, pois já tinha feito do resort em Varadero. Pagamos R$114 por diária, ou seja, menos de R$60,00 para cada!

Em Centro Habana ficamos na Casa de Raquel y Pablo, também reservada no airbnb. O apartamento fica no segundo andar. Tinha uma cama de casal e uma de solteiro, banheiro privado, ar-condicionado, ventilador, frigobar. Eles possuem internet em casa, mas não usamos o serviço. O casal é muito simpático e recomendo a qualquer pessoa. A localização é excelente, uns 100 metros do Paseo del Prado, uns 150 metros do Malecón. Tinha um ótimo restaurante por perto. Pagamos R$80,00 por diária, ou seja, R$40,00 para cada.

O visto para Cuba

Cuba exige visto de brasileiros, que pode ser tirado no Consulado em Manaus, Salvador, São Paulo e na Embaixada em Brasília, no entanto, como moro no Rio, a melhor opção era comprar a “Tarjeta del Turista” diretamente na companhia aérea, além de ser mais barato.


Existe um desencontro de informações sobre o assunto. Os blogs que pesquisei informavam que, viajando de Copa Airlines, o passageiro poderia comprar o documento apenas na conexão no Panamá. Dois dias antes da viagem, que ocorreu em novembro de 2017, liguei para a companhia aérea, que não sabia o valor, tampouco o local onde teria o documento disponível.


Optei por levar Euro para o país, mas deixei reservado alguns dólares para pagar o visto, pois havia a informação que só poderia ser pago em dólar (em espécie) e o valor deveria ser exato. No dia do embarque, na hora do check-in, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a atendente perguntou se tinha o visto, então mencionei que ia adquirir na conexão. Disse-me que deveria comprar ali, no valor de R$65. Informou que o valor oscilava de acordo com a cotação do dólar do dia, disse que poderia pagar apenas em Real. Levava poucos reais, mas encontrei o montante necessário para pagar.

O visto é um papel denominado “Tarjeta del Turista”, que vem numerado, deve ser preenchido e entregue no controle de imigração em Havana. Os dados que devem ser preenchidos são: sobrenome, nome, data de nascimento, número do passaporte e nacionalidade.

Na hora do embarque no Panamá, o atendente carimbou o papel com a informação que foi adquirido na Copa Airlines. O do meu amigo não foi carimbado e ele retornou para que carimbassem. Na imigração a policial carimbou o documento, que deve ser mantido até a saída do país, pois em caso de perda, a pessoa deve comprar outro visto. Na saída, o documento é retido. O visto tem validade de 30 dias, podendo ser renovado por outros 30 dias. 

Para quem vai viajar com outra companhia aérea, como Avianca e Latam, li que pode comprar o documento nas conexões em Bogotá e Lima, respectivamente, mas é bom checar antes da viagem.
Outras exigências

Desde maio de 2010 é exigido seguro de saúde para cobertura de despesas médicas em Cuba. Essa foi uma grande dúvida, pois não adquiri o seguro de saúde online. Tenho direito a seguro do cartão (Mastercard) em qualquer país (ao comprar a passagem com o cartão), exceto Cuba, pois a sede da empresa fica nos EUA. Assim que desembarquei vi que tinha um guichê da Asistur. Eu e meu amigo já estávamos esperando que nos mandassem fazer o seguro na hora, pois já era quase meia-noite e o guichê estava aberto e fica localizado antes da imigração. Não pediram o seguro.

Se pedir, pode comprar na hora no aeroporto, existem dois planos, A (2,50 CUC por dia) e B (3 CUC por dia). Mais informações aqui: http://www.asistur.cu/SEGOB_ESP.pdf

E ainda, desde de 7 de fevereiro de 2017 Cuba passou exigir o certificado internacional de febre amarela. A atendente pediu para mostrar na hora do check-in.

Visita ao "El escorial" e hospedagem no Ibis Madrid Aeropuerto Barajas

A passagem de Malta para Madri foi comprada no site do Smiles, por 12.500 milhas, para voar Alitalia. O lado negativo é que tinha – obrigatoriamente – a conexão em Roma. O voo saiu 17:45, cheguei em Roma às 19:10 e apenas às 23:50 aterrissou em Madri!

Fiz uma pesquisa minuciosa sobre a hospedagem nesse retorno a Madri, pois chegaria muito tarde e, no dia seguinte, teria o dia inteiro na cidade. Fica a dúvida se é melhor se hospedar na cidade ou próximo ao aeroporto. Optei por ficar perto do aeroporto e não paguei por uma hospedagem do dia seguinte (o voo sairia 23:35), então deixaria a bagagem e pegaria no fim da tarde. Sempre reclamo de pagar uma diária e usar apenas metade dela, mas tenho esperança que em algum momento o pagamento será proporcional ao período da estadia.
Procurei pelos hotéis próximos ao Aeroporto Barajas e a melhor relação custo-benefício era o Ibis Madrid Aeropuerto Barajas, embora não tenha café da manhã gratuito. A localização é perfeita: 750 metros do aeroporto, mas, salvo engano, não dá pra ir caminhando.
 
O hotel tem transfer gratuito de e para o hotel, no entanto, o serviço se encerrava às 23h, logo, a melhor opção era o uber. Tínhamos acesso à internet apenas no hall do aeroporto, então, meu amigo pediu o carro e seguimos para o ponto indicado. De repente, chegou uma BMW novinha dirigida por um motorista elegante – de terno e gravata. A corrida durou uns 3 minutos e custou 5 euros.

O check-in ocorreu após a meia-noite e não foi rápido, pois tinha fila na recepção. Chegando no quarto não encontrei as duas camas, como foi contratado (fiz a reserva no site do hotel). Desci e voltei com a funcionária, que tinha uma chave, pois uma cama ficava trancada e acoplada na parede. Estávamos morrendo de fome, mas não saímos para procurar nada por preguiça. No dia seguinte observamos um McDonald’s 24 horas a uns 100 metros.

Fiz a reserva com direito ao café da manhã (7 euros cada) e, embora seja caro, acho que valeu a pena, pois tinha frios, tortilla, suco, máquina de café, iogurte e pães frescos. Além do conceito do café da manhã orgânico e saudável.


Por volta das 10 horas, descemos com as malas e fizemos o check-out. Perguntei se poderíamos deixar a bagagem e se teríamos acesso ao transfer para o aeroporto no retorno. Etiquetou as bagagens, colocou no depósito e informou que o transfer sai a cada hora e poderíamos usar o serviço.

A vizinhança do hotel me encantou, pois, em geral, o aeroporto fica localizado em uma região deserta, contudo, saindo do Ibis encontrei inúmeros restaurantes, mercados, farmácias, transporte público. Ao seguir para o metrô, peguei a Av. General (não é o caminho mais rápido) e saí na “Plaza de las Hermanos Falco e Álvarez de Toledo”, que tem diversos restaurantes no entorno, inclusive o famoso “100 montaditos” (tem tapas e bebidas a 1 euro).

A estação de metrô próxima ao hotel é a “Barajas”, segunda estação da linha 8 (rosa). O curioso é que a estação “Barajas” fica entre as duas estações do aeroporto “Aeropuerto T4” e “Aeropuerto T1, T2  e T3”. Não pegamos o metrô para ir pro hotel porque no horário que chegamos já estava fora de funcionamento, mas tem que ficar atento, porque para sair do metrô do aeroporto deve pagar um adicional a ser selecionado na máquina quando for adquirir o bilhete.

Mapa do metrô

Visitar “El escorial” não era o “plano A”, mas, de acordo com o tempo que tínhamos, achei que era a melhor opção (Córdoba e Ávila ficaram para uma próxima visita). Pegamos o metrô na estação “Barajas” até a estação final da linha 8, “Nuevos Ministerios”. Ali fizemos a baldeação para o trem “cercanías”, pegamos a linha C3 com sentido a estação final “El escorial”.


Mapa do trem “cercanías”

O trajeto até “El escorial” durou um pouco mais de uma hora. A estação final é pequena e tem apenas um restaurante e uma lanchonete. Fomos num mercadinho que fica próximo, mas meu amigo só tinha uma nota de 50 euros, então a dona disse para trocar na farmácia ao lado. Comprei apenas uma água.

Seguiríamos pela estrada, mas um senhor, morador do local, de uma forma muito simpática, se aproximou, perguntou se iríamos para “El escorial” e sugeriu que seguíssemos por dentro do “Parque y jardines de la casita del principe“, que é um lugar arborizado e lindo, mas o calor era absurdo. Saímos vestidos com calça e camisa de manga, uma vez que seguiríamos direto para o aeroporto no início da noite. O local foi construído em 1774 para o Príncipe de Astúrias, futuro Carlos IV.


Madri possibilita inúmeros passeios bate-volta para cidades históricas. Eu mesma já estive em Toledo, Segóvia e Aranjuez A 50 km de Madri fica localizada a cidade de San Lorenzo de El Escorial, que encanta por sua cultura, mas sobretudo pelo Mosteiro de El Escorial, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.


Em 1558, afetado pela morte do seu pai, Carlos V, Felipe II mandou construir o mosteiro para consolidar a Casa de Áustria na Espanha e preservar a memória da sua família. O obra iniciou em 1563, sendo que em 1567 assumiu o arquiteto Juan de Herrera, conferindo a marca particular: o estilo “herreriano”. 


O prédio é gigante e abriga no seu interior o Pátio de Reyes, a Basílica, a Biblioteca (que é linda!!!), o Panteão dos Reis, o Panteão dos Infantes, os Palácios e os Salões Capitulares, entre outros espaços. Há ainda a Pinacoteca e o Museu de Arquitetura. É um monumento que resume as aspirações ideológicas e culturais da “Era de Ouro” espanhola. Pelo que percebi, também funciona uma escola na propriedade.

A biblioteca! Imagem da “Wikipedia”


Nasceu como um mosteiro de monges da ordem de San Jerónimo, mas também foi um palácio para abrigar o rei e sua comitiva. A escola e o seminário completavam a função religiosa do mosteiro. Felipe II viveu da Páscoa até o outono no prédio, especialmente no fim da sua vida. 


Infelizmente não se pode fotografar no interior do mosteiro, apenas nas partes descobertas e jardins. O local é imenso e nos perdemos por diversas vezes, tanto que em alguns momentos nos mandaram voltar para seguir o fluxo corretamente. O ingresso custou 10 euros. Meu amigo disse que gostou mais de visitar “El escorial” que o Louvre. Não é pra tanto, mas pudemos apreciar incontáveis obras de arte dos grandes artistas espanhóis, como El greco, Velázquez, Goya, mas também dos grandes mestres mundiais, como Tiziano, Bosch, Caravaggio.

Não encontramos um local para comer no retorno e estávamos morrendo de fome. No restaurante da estação já não tinha almoço disponível, então fomos num mercadinho chinês. Comprei um sanduíche de ovos e um refrigerante. Meu amigo me infernizou, dizendo que era doida de comer algo com maionese e ovo vindo de um mercado chinês, tanto que o lanche começou a me enjoar e joguei fora. Quando chegamos na estação “Barajas”, observamos que faltava 10 minutos para a saída do próximo transfer, que partiria às 20 horas! Não vimos o tempo passar, pois o céu estava claro. Dessa vez seguimos pela avenida principal (Av. de Logroño) e me entristeci por não ter tempo, pois os restaurantes estavam cheios de pessoas comendo tapas e bebendo tinto de verano! 

Chegamos no hotel e faltava 2 minutos para 20h. Pegamos a bagagem e esperamos a van, que estacionou na frente do hotel. Chegamos no aeroporto em 2 minutos. Eu e meu amigo dividimos as reservas, a do Ibis eu fiz, mas usando o cartão dele. O valor já estava pago e quando entrou no aplicativo do cartão, no celular, ainda no aeroporto, notou nova cobrança, no entanto, assim que chegamos no Brasil, enviou um e-mail para o hotel e o valor foi estornado.





O último dia em Malta

O último dia em Malta foi destinado a visitar as “Três cidades” (The Three Cities): Vittoriosa, Senglea & Cospicua (que hoje são conhecidas como Birgu, La Isla e Bormla). Tínhamos ainda a ambição de visitar os Templos Megalíticos de Mnajdra e a Mdina (antiga capital de Malta), mas o tempo não colaborou. Choveu intensamente durante todo o dia.



Pegamos o ônibus até o ponto final na rodoviária em Valletta, ali poderíamos pegar o ônibus de número 1, 2, 3, 4 ou 6 até Birgu. Ficamos mais de 30 minutos na cobertura nos protegendo da enxurrada. Seguimos de ônibus até Birgu e a chuva deu uma trégua por poucos minutos. Nos abrigamos e seguimos pelas ruas.
Um barco “luzzu”

Birgu foi a primeira cidade marítima e sua Igreja San Lorenzo-a-mare foi construída pelos marinheiros espanhóis com a ajuda do Rei. A palavra “birgu” significa cidade ou subúrbio atrás de um castelo para protegê-lo. No século 11 a cidade era bem desenvolvida e se tornou uma paróquia após a derrota dos árabes, cabe ressaltar que era ocupada desde 395 d.C. pelos fenícios. 

Passamos pela igreja e seguimos até a marina, mas, em seguida, a chuva recomeçou. Voltamos e nos abrigamos na calçada de um prédio. Uma senhora maltesa, demonstrando toda a cordialidade dos habitantes do local, disse que só chove uma vez por ano em Malta e que sentia muito! As três cidades são minúsculas e daria para fazer todo o percurso caminhando.


Pegamos o ônibus até Valletta e a chuva parou. Decidimos caminhar pela capital, vimos a troca de guarda e depois procuramos um restaurante para almoçar, pois nos dois dias anteriores fizemos comida no apartamento. Entramos num pequeno estabelecimento chamado “Da Pablo“. Optamos pelo menu (12 euros) que incluía bruschetta, macarrão e um copo de vinho. A comida estava ótima e o atendimento foi excelente (aparentemente pertence a um casal, enquanto ele cozinha, ela atende os clientes).







Andamos até o Forte de Santo Elmo, que recebeu o nome do padroeiro dos marinheiros e foi criado para controlar os dois portos naturais, Marsamxett e Grand Harbour, em 1552, construídos por Cavaleiros. Em 2015 o forte reabriu como Museu da Guerra.

St. Elmo lighthouse

 



Em seguida, caminhamos até o Upper Barrakka Gardens. O jardim público tem terraço, esculturas, fontes, monumentos, além de oferecer uma vista privilegiada das “Três cidades” e do Grand Harbour. Foi construído em 1661 no ponto mais alto de Valletta, mas o acesso era exclusivo dos reis. 



No dia seguinte, o voo para Madri sairia apenas às 17:45, então mandei mensagem no Whatsapp do Jeremy, dono do apartamento, perguntando se poderíamos fazer o check-out às 14h, deu ok, pois disse não tinha reserva para aquele dia, mas ia verificar, pois pediu a faxineira para ir cedo. Aproveitei e disse que precisaria do serviço do Antonio para nos levar ao aeroporto (18 euros). O ponto de ônibus ficava perto, mas durante a estadia no país, verificamos que muitas vezes o ônibus X1 passava lotado, então preferimos nos dar ao luxo de irmos de carro. 

Acordei, fui ao mercado (não tive coragem de sair naquele dia com medo de perder a hora), depois fiz meu almoço (cappelletti acompanhado de uma sidra gelada). Enquanto tomava banho, meu amigo disse que uma jovem apareceu lá e disse que era a faxineira, mas estava acompanhada por um rapaz. Informou que sairíamos mais tarde, deixou a bolsa e foi embora.

A maior saudade que tenho da Europa: sidra!


Fiquei 5 dias inteiros em Malta, sem contar o dia da chegada e da saída, que é uma ilha relativamente pequena, pois tem apenas 316 km2, mas não consegui visitar tudo que tinha planejado. O transporte público funciona, mas o percurso é muito lento, podendo chegar a quase duas horas para ir de uma ponta a outra da ilha. Não consegui conhecer a Mdina, que foi a capital de Malta, algumas praias, logo, teria sido útil alugar um carro por uns dois dias e visitar os sítios mais afastados. O país é encantador e merece ser visitado!

Um dia na Ilha de Gozo

Além de Malta, existem outras duas ilhas habitadas, Comino e Gozo, que pertencem ao mesmo arquipélago. A ilha de Gozo te aproximadamente 67km2. O cartão postal mais famoso da ilha era a “Azure Window” ou janela azul, pois foi cenário da famosa série “Game of Thrones” (nunca assisti), no entanto, desmoronou em março.




Para chegar em gozo o percurso inicial é o mesmo para ir para Comino, como relatei no outro post


Seguimos até ponto de Pembroke, que fica a uns 5 minutos caminhando do apartamento em Swieqi. Pegamos o X1 (ônibus que faz a rota do aeroporto), pois desceríamos no ponto final em Cirkewwa. As linhas, rotas e horários podem ser consultados aqui: https://www.publictransport.com.mt/en/timetables


O ferry

A viagem para Gozo é feita de ferry pela “Gozo Chennel Line“, que sai, em média, a cada 45 minutos (depende do dia da semana e da estação). O bilhete custa 4.95 euros (ida e volta). Chegamos no porto e faltava poucos minutos pro próximo o barco sair. Corremos e  observamos que não pegam o tíquete na ida, apenas na volta. Optamos por viajar no segundo andar, mas o sol estava castigando. A sorte é que Malta está a 5 km apenas de Gozo, logo, levamos cerca de 25 minutos para aportar.

Tinha lido que a forma mais prática de conhecer Gozo é pegar o ônibus vermelho de turismo, o famoso Hop-On Hop-Off, que custa 18 euros. Como adquirimos o tallinja card – que também dá acesso aos ônibus de Gozo, preferimos seguir de ônibus. Pensei em descer primeiro na praia Ramla bay, mas seguimos até um Ggantija Temples, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Na verdade, a Unesco considera patrimônio todos os templos megalíticos de Malta: Ġgantija, Ħaġar Qim, Mnajdra, Skorba, Ta’ Ħaġrat and Tarxien. Ggantija foi o primeiros dos templos a ser construído.



Assim que compramos o ingresso (custou 9 euros), acessamos o museu imediatamente, que tem um acervo de estatuetas e objetos pré-históricos, depois a visita segue pelo que restou do templo megalítico. Era um edifício monumental feito no período neolítico (3.600-3.200 a.C.), portanto, uma obra-prima da arquitetura, além de ser testemunha da pré-história. É importante ressaltar que foi construído antes de Stonehenge. A palavra Ggantija deriva de ggant, que é “gigante” em maltês.


No fim da visita, debaixo de um sol escaldante, me deparei com uma árvore de pêssegos e não resisti: peguei uns 5. Meu amigo me olhou incrédulo, mas amo frutas. Corri para o banheiro, lavei os frutos e os devorei. Na loja do museu comprei uma água por 1,5 euro. Do lado de fora tinha uma loja que vendia por 50 centavos.


Seguimos para o ponto de ônibus e o próximo chegaria em 40 minutos! Um rapaz ofereceu o serviço de táxi (era um carro particular) e cobrava 5 euros para deixar em qualquer parte. Não aceitamos, mas depois me arrependi. 

O próximo ponto visitado foi Victoria, que é a capital de Gozo, onde aproveitamos para comer o famoso “pastizzi“, um petisco típico de Malta feito com massa folhada recheada. Comi 6!!! 2 de ervilha e 4 de ricota. Cada um custou apenas 0,25 de euros!


Resquício da dominação britânica
As inúmeras imagens de santos que ficam dispostas nas paredes das casas em Gozo (também em Malta) chamaram minha atenção e queria apreciar todas. 


Victoria é uma “cidade” muito pictórica com ruas estreitas e sinuosas, além de ser o centro de atividades de Gozo, onde ficam os mercados, os restaurantes e a Basílica de São Jorge. 

Uma construção chama atenção de longe: a Cittadella. É uma mistura de castelo medieval e fortaleza que fica no centro de Victoria (também é conhecida como Rabat). O local foi escolhido por ser uma colina e proporcionar uma visão panorâmica. Não é habitada desde a Idade de Bronze, mas foi centro administrativo da ilha na época de dominação romana e fenícia. A ilha foi atacada por muçulmanos em 1551 e toda a população foi escravizada. 

Depois pegamos um ônibus na rodoviária de Victoria em direção a igreja Ta´ Pinu. Foi a pior decisão, pois a igreja não tem muitos atrativos, além de ser uma construção recente, pois foi erigida entre 1920 e 1931. Aguardamos por quase uma hora o ônibus passar. Saímos já por volta das 16:50 e paramos na rodoviária, para migrar para um ônibus que deixasse no porto. Meu amigo ficou chateado, pois queria ir para a praia, mas chegamos no porto por volta das 17:10 e um ferry sairia naquela hora.





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