Santo Domingo – a capital da República Dominicana

Embora meu destino inicial fosse Punta Cana, cheguei por Santo Domingo e me deparei com a máfia dos taxistas, pois não existe outra forma de sair do aeroporto, como contado no post anterior (existem vans ou “guaguas”). Paguei 40 dólares (um valor absurdo para um país que tem o salário mínimo inferior a 150 dólares) para chegar na empresa de ônibus que levaria até Punta Cana – a Expresso Bávaro.


A frota de automóveis na cidade é bem nova, praticamente todos os carros são de montadoras japonesas, todavia, não vi carro popular. Daí os táxis que circulam na cidade são muito velhos, com várias cores, partes de carros diferentes, amassados e enferrujados. Os táxis que saem do aeroporto são novos.
Quando Cristóvão Colombo chegou na América, em 1492, sabe onde ele aportou? Sim, em Santo Domingo, hoje capital da República Dominicana, em tese, é a cidade mais antiga das Américas, fundada em 1498, se desconsiderarmos os povos que já viviam por aqui, como Maias, Incas e Astecas.

Em Santo Domingo encontramos as construções mais antigas das Américas, como a primeira catedral, a primeira universidade, a primeira alfândega e o primeiro hospital. A cidade foi modelo para quase todos os urbanistas do Novo Mundo! Pelos motivos expostos, a cidade colonial é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.



Outra curiosidade é que na ilha de Hispaniola encontramos dois países, a República Dominicana (colonizada por espanhóis) e o Haiti (colonizado por franceses). O segundo inclusive é um dos países mais pobres do mundo, não possuem sequer saneamento básico ou luz elétrica.
No quarto dia na República Dominicana, acordei às 4:30 da manhã, pois tinha contratado um passeio de um dia em Santo Domingo, de onde sairia meu voo de volta ao Rio de Janeiro, e não poderia deixar de conhecer a primeira cidade das Américas. Contratei o passeio, ainda no Brasil, na Caribbean Dream. Paguei 86 dólares via Paypal. Até encontrei por 70 em alguns sites, mas precisava levar a mala (pequena) e foi a única empresa que me respondeu e disse que poderia. Recomendo o serviço, mas provavelmente encontrará passeios mais baratos nas areias da praia de Punta Cana. No hotel o preço era o mesmo.
Avaliei qual seria a melhor forma de conhecer a capital da República Dominicana e concluí que seria um tour. Não gosto de tour em grupo, mas a cidade é realmente insegura. A parte moderna é praticamente impossível para caminhar com segurança. São inúmeros meninos e homens abordando o tempo inteiro. Costumo viajar sozinha, mas não indico a cidade para solo traveler, pois é algo entre Bogotá e Salvador, na verdade, é pior. Escolha um tour ou um guia.

Exatamente às 6:30 horas a empresa Solcana Tour me buscou no lobby do hotel. Várias vans recolhem os passageiros e levam para um ônibus. No total, éramos 50 pessoas. É necessário avaliar bem para quem vai fazer um bate-volta, pois são 3 horas e meia de viagem. No entanto, obrigatoriamente tinha que voltar para Santo Domingo e uni o útil ao agradável.

A primeira parada foi na Basílica de Higüey, para conhecer a construção e para utilizarmos os banheiros. No caminho o guia foi contando a história do país, falando sobre os costumes e como vivem lá. O salário de um policial é de 175 dólares. Segundo ele, os funcionários públicos recebem os menores salários do país.


Depois houve uma parada numa loja de artesanatos. Turistas sofrem! Odeio essas paradas em lojas caríssimas. Os preços altíssimos. Os artesanatos feios em não vi nada realmente característico de lá. Parecia suvenir que a gente encontra em qualquer praia do Brasil.


Já em Santo Domingo, a primeira parada foi no Parque Nacional Los Tres Ojos. É uma caverna com três lagos de água doce. Tem uma coloração azul. Existe ainda uma balsa que leva no quarto lago, que fica numa parte interna da caverna, mas precisa ser agendado. O valor do ingresso, já incluso no passeio, era de 100 pesos. Tem dezenas de vendedores que abordam os turistas insistentemente. O guia do parque levou o grupo e no fim queria propina! Claro que não dei. Eles fazem pressão psicológica.

Na parte moderna da cidade, paramos na sede presidencial para tirarmos fotos. Depois era a hora do almoço. Seguimos para o restaurante “El conuco“. Tinha uma decoração temática, com apresentação de dança típica e comida em sistema de self-service. O prato típico daquele país é “a bandeira”, ou seja, arroz, feijão, salada e carne. Idêntico ao nosso. No restaurante tinha aipim frito, banana em calda, arroz, macarronese, filé de peixe, frango, salada, feijão. O guia contou que dominicanos gostam de carne, praticamente não comem peixe, embora estejam uma ilha.

Do lado de fora do restaurante tinha pelo menos umas 5 pessoas prontas para pegar dinheiro de turista. Se 50 pessoas são importunadas até o limite, imagine uma pessoa sozinha?

Depois do almoço, finalmente entramos na Zona Colonial. Ali dentro é um pouco mais seguro, no entanto, dezenas de pessoas tentando vender colares para os turistas. Por outro lado, tem polícia turística, e eles ficam o tempo inteiro de olho na movimentação. 

A escultura lembra que antes de Colombo não existiam alguns animais nas Américas

Visitamos o Museo Alcázar de Colón, que fica na Plaza de España. Foi construído por Diego Colón (filho de Colombo) no século XVI, entre 1511-1514. A construção está preservada e os ambientes possuem os móveis, decoração e louças da época. Tinha audioguia. O calor estava intenso. E todos suavam sem parar.


Seguimos para a Catedral de Santa María la Menor, a mais antiga das Américas. Foi construída entre 1521-1541. Atualmente a fachada está sendo reformada. A fachada é renascentista, mas o interior é no estilo gótico. A entrada principal fica na Praça de Colombo, onde encontramos uma estátua erguida em sua homenagem. A igreja tem audioguia e exige que os ombros e pernas estejam cobertas. Estava de short e me emprestaram um lenço para cobrir minhas pernas.



Colombo

Entramos em duas lojas com mais artesanatos e outros dois produtos típicos: rum e charutos. Finalmente eram lojas com preços em pesos, mas os valores exorbitantes. O vendedor me disse que dava até 40% de desconto. Não comprei absolutamente nada.


Pedi ao guia Sandro para conseguir um táxi, já que não queria pegar qualquer um na rua. No fim do tour, um rapaz me esperava. Pegou minha malinha e seguimos para o carro. Um carro comum, sem qualquer indicação que era táxi. Novamente paguei os absurdos 40 dólares (não me conformo). A volta foi tranquila.

Os taxistas me ensinaram sobre os estilos musicais. Na chegada na cidade o motorista colocou merengue. Na volta, o motorista disse que o melhor cantor é Romeo Santos, que canta um ritmo chamado bachata. Só essa música, “No tiene la culpa”, ouvi umas 3 vezes.

Na chegada no aeroporto Las Américas, fui ao banheiro e tentei dar uma melhorada no visual. Estava completamente suada, horrível, fedorenta! Troquei de roupa e fui para o check-in. O preço do lanche no aeroporto também está em dólar!!! Paguei 11 dólares numa pizza brotinho com um refrigerante. Comprei rum, mamajuana (bebida afrodisíaca) e um tamborzinho para minha sobrinha.

No voo de volta, pela Gol, muitos brasileiros com inúmeras malas voltando de Miami e Orlando, ocupando muito espaço na aeronave. Serviram macarrão com frango. Estava até razoável.

Punta Cana!

Em razão da Copa do Mundo, consegui ficar alguns dias de folga e decidi seguir para Punta Cana. Troquei as passagens com milhas pelo smiles – dois dias antes da viagem! O resgate com milhas é uma loteria: não tinha voo de ida ou volta pelo aeroporto de Punta Cana, portanto, tive que seguir para a capital, Santo Domingo, por 15 mil milhas o trecho. Só tinha volta na sexta-feira, que me permitiria ter apenas 3 dias e meio na República Dominicana.


Tendo apenas dois dias para organizar uma viagem, passei no shopping e fiz o câmbio para os gastos com passeios e táxi. Embora a República Dominicana tenha sua moeda própria, o peso dominicano, praticamente todos os preços estão dolarizados. Brasileiros não precisam de visto, apenas pagamos uma taxa de 10 dólares num guichê antes de passarmos na Imigração.


Procurei por resorts em Punta Cana e decidi ficar no Barceló Dominican Beach, na praia de Bávaro. Existem inúmeros resorts em Punta Cana e com preços bem variados. Fiquei no mais barato (embora o hotel intermediário da rede Barceló estivesse com o mesmo preço, mas ficava numa praia mais distante, em Macao, e o ônibus de Santo Domingo até Punta Cana não deixava na porta).
É importante fazer a pesquisa em mais de um site, pois sempre encontro diferença no preço total (alguns sites mostram preços sem taxas e impostos e outros já apresentam o valor total da diária), portanto, reservei pela decolar. O quarto mais barato estava por R$143 (a decolar só apresenta as taxas no fim da compra), mas optei pela junior suite que tinha alguns privilégios, R$183 a diária.

Normalmente quando penso num destino corro para buscar por “como sair do aeroporto”, todavia, foi a última coisa que fiz e me deixou assustada. Só existe uma forma de sair: táxi (costumo optar pela forma mais barata, desde que seja segura, seja ônibus, trem ou metrô). Os táxis não têm taxímetro e cobram o preço que desejam. Já tinha a ideia dos preços pela pesquisa na internet e paguei 40 dólares! O Aeroporto das Américas fica a 35 quilômetros do centro da cidade e levei cerca de 50 minutos para chegar na empresa de ônibus “Expresso Bávaro”. É verdade que existem “guaguas”, ou seja, vans que saem do lado de fora do aeroporto, mas pode ser arriscado.

Procurei por transfer e o valor é inferior, cerca de 68 reais, mas, ao ligar para o clickhoteis me informaram que só deixam nos hotéis listados no site e precisava ficar na sede da empresa de ônibus que faz o trajeto Santo Domingo-Punta Cana.

Sobre o voo da Gol, achei que tinha mais espaço que as aeronaves que já entrei da mesma cia. aérea. Não acreditei quando serviram uma torta de liquidificador de bacalhau do Rio até São Paulo. O voo do Rio segue para Miami e o de São Paulo vai para Orlando, mas ambos param obrigatoriamente em Santo Domingo e todos os passageiros descem. No voo de São Paulo até Santo Domingo serviram um sanduíche quente horrível, um pedaço de bolo e uma salada de frutas. Faltando uma hora para aterrissar serviram um sanduíche frio de queijo com presunto. Oferecem cobertor e travesseiro, mas não tem entretenimento. Todavia, é melhor que os outros voos internacionais da empresa, como Buenos Aires e Montevidéu.

A Expresso Bávaro fica na rua Juan Sánchez Ramírez nº31 e tem ônibus saindo a cada duas horas a partir das 7 até às 16h. Custa 10 dólares (400 pesos). A sala tem ar-condicionado, banheiro e cadeiras para as pessoas aguardarem. Os dominicanos eram a maioria no local. Só vi 3 turistas norueguesas.

O trajeto de Santo Domingo até Punta Cana levou 3 horas e meia. Chega na cidade após 3 horas, mas vai parando em vários resorts. Ao meu lado sentou um dominicano chatíssimo que era pugilista e seguia para procurar emprego. Tenho sérios problemas com banheiro (a primeira coisa que faço quando chego em qualquer lugar é saber se tem banheiro) e usei o do ônibus, mas tive que deixar minha mochila. Era um risco calculado, já que só deixo dentro os eletrônicos, mas não tinha como levar uma mochila para banheiro do ônibus.
O ônibus me deixou na porta do resort um pouco antes do início do check-in, que acontece às 15 horas. Uma viagem longa que tinha começado às 23 horas no Santos Dumont (fiz conexão em Guarulhos).

Não costumo frequentar praia e nunca estive em resort com sistema all inclusive, mas resolvi experimentar. O hotel é bonito e muito limpo. Quando cheguei já tinham reservado o jantar nos restaurantes para os 3 dias (sem reserva tem que comer no bufê), a recepcionista russa me colocou a pulseira (identificação nos resorts) e pediu que um rapaz me levasse até o quarto.


É possível caminhar no resort, embora tenha 10 blocos de apartamentos. Fiquei numa junior suite (apenas no bloco 6) que prometia alguns serviços que não estavam disponíveis nos quartos comuns: Check-in and check-out privado, identificação VIP, seleção de drinks internacionais nos bares, welcome cocktail, frutas frescas na chegada, toalha de praia no quarto, serviço à la carte gratuito, internet wifi grátis, roupão de banho. 

Na prática foi um pouco diferente. Sim, o check-in foi separado da multidão e tinha uma plaquinha com o meu nome. A internet é péssima no quarto, só funciona no lobby do hotel, mas, quem faz a reserva comum tem que pagar 15 dólares por dia para utilizá-la, realmente tinha uma garrafa de rum na chegada, mas não encontrei frutas, apenas dois canapés, recebi um cartão para pegar a tolha de praia, não estava no quarto, tampouco encontrei robe. Para quem bebe bebidas alcoólicas é melhor, pois a reserva comum tem direito a bebidas nacionais, no entanto, sempre pedia bebidas com absolut.

Cheguei no quarto e estava geladíssimo. Era grande, com uma cama king e outra de solteiro. O banheiro tinha hidromassagem. E da varanda já avistava a praia. O tempo estava nublado, mas abafado. Tomei um banho rápido e segui para o Sport Bar para ver a partida Brasil x México. O público ali era predominantemente masculino. Muitos militares brasileiros que servem no Haiti estavam passando o fim de semana no hotel.

Depois fiz um breve reconhecimento da área (e não vi tudo nos três dias). Tinha um bom café com um extenso menu, com moca, cappuccinos, frapuccinos, bolos, muffins. Aprovadíssimo. Praticamente na areia tem um bar. A máquina de refrigerante é liberada. As bebidas alcoólicas são preparadas durante todo o dia. E próximo tem uma lanchonete, com cachorros-quentes, hambúrgueres e batata frita. 



O mar é deslumbrante! Bonito e quente. É um ponto de encontro entre o Oceano Atlântico com o Mar do Caribe. Algumas pessoas preferem ficar em Bayahibe (boa opção para quem chega no aeroporto La romana), que é Mar do Caribe. Na verdade, a maioria dos resorts ficam em Bávaro, não na praia de Punta Cana.


Existe um espaço aberto para apresentação de shows diários. No primeiro dia assisti ao espetáculo de músicas caribenhas, embora estivesse vazio, e gostei. Depois jantei no restaurante japonês (com comida chinesa). É o melhor restaurante dos que visitei no resort, pois além da boa comida, o cozinheiro fazia malabarismos e interagia com todos em torno dele. Sentei entre um casal da Espanha e outro da Argentina, mas me diverti muito com todos. Ali experimentei a outra bebida local, além do rum, mamajuana! Uma mistura de ervas, rum, mel, que promete ser um viagra natural. hahaha

Bebendo mamajuana

No lobby do hotel tem um bar e todas as noites pedia um drink diferente. E como as pessoas bebem! Em três dias devo ter bebidos uns 15 drinks, mas me segurei com as margaritas e piñas coladas.


Tem uma boate que toca reggaeton das 12 às 2 da manhã, mas não encarei. No primeiro dia preferi ficar uma hora na hidromassagem e depois dormir com os anjos na cama que era muito boa. 

No segundo dia acordei já quase no fim do café da manhã (servido de 7 às 10), tomei banho e fui ao bufê. Tem muita comida para todos os gostos. Grande variedade de pães, bolos, omeletes, saladas, donuts, sucos naturais (diversos sabores). Só não gostei muito da aparência dos frios, fiquei apenas com o queijo branco.
O público era predominantemente de americanos, canadenses e russos. Vi até outdoor em russo. Não sei o motivo da migração, pois fica relativamente distante. Todos os brasileiros que encontrei eram do Rio de Janeiro. E do subúrbio, assim como eu! Risos. Acredito que os demais brasileiros estavam em hotéis mais luxuosos (encontrei alguns nos passeios que fiz).

Após o café fui ao lobby e reservei um passeio para Dolphin Island. O preço praticado ali era idêntico ao que tinha encontrado na internet: 145 dólares. Os passeios em Punta Cana são caros. Li comentários que não podia levar câmera e não levei, mas, na verdade, não pode tirar foto quando estamos em contato com os golfinhos, mas fora pode. Um ônibus típico foi me buscar e levou para o Manati Park. Lá assistimos a um vídeo com instruções. As bebidas estão liberadas no local. Me certifiquei que teria algo para me fazer flutuar, já que não nado, mas todos devem usar um cinto flutuante.

Foto da internet que mostra a Dolphin Island.

Uma lancha leva todos até uma plataforma no oceano. Primeiramente entrei no espaço dos tubarões e arraias. Tinha uma arraia duas vezes maior que eu! Os tubarões estavam bem tranquilos e só ficaram no fundo, não conseguimos manter contato físico. Acredito que aquela parte do oceano tenha apenas uns 5 metros de profundidade e a água é transparente. Depois seguimos para o espaço dos golfinhos, que são bichos maravilhosos. Fiquei muito emocionada. E ninguém entra conosco, os instrutores ficam do lado de fora. E um funcionário fotografa para depois vender por 40 dólares as fotos! É um absurdo, mas comprei as fotos, que nem ficaram boas. São 30 minutos de contato com os golfinhos. Mas o tempo gasto no total é 3 horas e meia. Conheci um casal de meninos de Valência, que me prometeram enviar fotos da gopro deles.

Na volta, quem diria, passei o dia na praia. Inimaginável. Sol, mar e piña colada. Vi poucas mulheres fazendo topless, mas é comum. Estou completamente vermelha porque passei protetor apenas no rosto.


Percebi que um país machista, pois algumas vezes me perguntaram onde estava meu marido ou por que não estava casada. Acham que uma mulher tem que ter a companhia masculina! Besteira, mas me canso de responder essas coisas. Me diverti muito. E pra quem viaja sozinha: nunca falta companhia. Conheci incontáveis pessoas em 4 dias.
Algumas situações são inusitadas: avistei uma cadeirante bêbada perto na piscina por volta da meia-noite. Me ofereci para ajudá-la. Era de Nova Iorque e estava de lua de mel, mas o marido dormiu após uma indigestão e decidiu ir pra rave na areia da praia sozinha. Na entrada do apartamento, levantou da cadeira e disse que sofreu um acidente na Alemanha, dormiu no volante e bateu num trem! Queria saber se eu era canadense (ninguém acerta minha nacionalidade), me abraçou e agradeceu a ajuda.

Conheci uma senhora com quase 70 anos, moradora de um bairro vizinho ao meu, dona Suely, que visitou 32 países nos últimos 3 anos! Que inveja! Que admirável!

No meu último dia em Punta Cana queria fazer o passeio que caminha no fundo do mar, Seaquarium, mas não consegui levantar no horário. Fiquei na praia e de repente decidi fazer Parasailing. Alguns homens ficam nas areais vendendo passeios e custava 45 dólares. Dei uma nota de 50 e o cara me enrolou e não deu troco, pois a lancha chegou e tive que ir. Na internet o preço cobrado é 70 dólares. Dizem que alguns são bem mais baratos mesmo (cobram 100 dólares pra Ilha de Saona, onde foi filmado “A lagoa Azul”, alguns brasileiros pagaram 50 com o vendedores que ficam na areia, me chamaram mas não quis ir porque é um passeio de um dia inteiro).

Uma lancha vem voando por cima da água e pega na frente do hotel e leva para uma lancha maior, que tem o equipamento. O voo leva aproximadamente 10 minutos. A sensação é indescritível. Só experimentando. Deixei uma câmera com o dono do barco que fotografou e levei uma pequena na mão que parou de fotografar (acho que entrou areia), mas fiz dois filmes. Melhor que o registro é a emoção de “voar”.

Voltei e fiquei na praia até às 18 horas! Nem eu me reconheci. Conversei por horas com dois marroquinos super simpáticos e sempre quero entender mais sobre culturas diferentes. 


No dia seguinte acordei às 4:30 da manhã, pois tinha contratado um passeio de um dia em Santo Domingo, de onde sairia meu voo, e não poderia deixar de conhecer a primeira cidade das Américas. Contratei o passeio, ainda no Brasil, na Caribbean Dream. Paguei 86 dólares via Paypal. Até encontrei por 70 em alguns sites, mas precisava levar a mala (pequena) e foi a única empresa que me respondeu e disse que poderia. Recomendo o serviço, mas provavelmente encontrará passeios mais baratos na areia. No hotel o preço era o mesmo.


Desejo que todos conheçam Punta Cana. Enquanto estive lá não senti dor de coluna (que me persegue) e não pensei em nada, nenhum problema me afligiu. Pensando bem, nada é realmente importante quando estamos num paraíso.

Madri

Tive 4 dias em Madri, no retorno de Marraquexe. Cheguei no aeroporto Barajas e novamente passei pela imigração, se da outra vez nem olharam para mim, agora perguntaram o que faria em Madri. Após recolher minha mala, peguei um mapa da cidade no centro de informações turísticas. Pela primeira vez fui para o Velho Continente sem guia em papel, tinha alguns no celular.

Ao contrário de muitas cidades, Madri tem uma estação de metrô dentro do aeroporto, mas optei pelo ônibus “Exprés Aeropuerto“, custa 5 euros e funciona 24 horas, tem o ponto final na Estação Atocha, que ficava a dois minutos do hostal que me hospedaria. Precisei apenas localizar o Museo Reina Sofia.

A bonita Estação Atocha

O hostel tinha uma localização excelente, elevador, mas o wi-fi nem sempre funcionava e caía várias vezes, no entanto, o quarto e o banheiro estavam limpos e o preço foi ótimo. O quarto alojava até 3 pessoas e a recepcionista ficou assustada por ter apenas uma. Se por um lado você paga mais viajando sozinha, por outro, somos reis e rainhas das nossas próprias escolhas, sem precisar disputar banheiro, ouvir ronco ou ter que levantar antes do seu próprio tempo.
Já era 19 horas do domingo e fiquei sem saber o que fazer exatamente. O museu já tinha fechado, mas os bares ainda estavam abertos. Caminhei pela vizinhança, comi e revisei o roteiro. No hostal, me informaram que as lojas no centro ainda estariam abertas, mas não tive a menor vontade de visitar a H&M (é incrível como sempre tem um mar de brasileiros nas lojas dessa rede).
Tirei uma dúvida na loja DCH D’Churros, pois o churros é um acepipe super conhecido no Brasil, mas o que seria “porra“? Questionei e descobri que porra é um churros maior.

No dia seguinte, levantei cedo, mas não muito. Fui tomar café da manhã no McDonald´s que ficava próximo – me julguem. Caminhei pelo o Paseo del Prado e em 5 minutos cheguei no museu mais distante de onde estava hospedada (na mesma rua ficam 3 grandes museus): Thyssen-Bornemisza.http://www.museothyssen.org/en/thyssen/home

Madri tem o “Abono Paseo del Arte“, ou seja, um ingresso que contempla os três grandes museus: Museo Nacional del Prado, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía e Museo Thyssen-Bornemisza por 25,60 euros. 
Ao achegar ao Thyssen, me informaram que o ingresso não daria direito a visitar a exposição temporária, apenas a permanente. Como naquele dia, segunda-feira, a partir do meio-dia o museu era gratuito, paguei apenas a exposição temporária “Cézanne Site/Non-Site”, por 11 euros. Nunca tinha visto tantos trabalhos do Cézanne reunidos e é possível fazer um panorama interessante sobre os temas centrais das suas obras: paisagens, nus e natureza morta.

Esperei, dentro do museu, o início da visita ao acervo permanente. Caminhei pelos três andares para apreciar a imensa coleção: Van Eyck, Carpaccio, Lucas Cranach, Durero, Caravaggio, Rubens, Frans Hals, Van Gogh, Gauguin, Kirchner, Mondrian, Klee, Hopper, Rauschenberg. O museu comemora seu aniversário de 20 anos.

O verdadeiro gênio do Surrealismo: Max Ernst
 


Atravessei o belo Paseo del Prado e estava no maior museu da Espanha e um dos maiores do mundo: Museo Nacional del Prado. O ingresso custa 14 euros. Comprei o ingresso com “O guia do Prado” por 23 euros. O guia sozinho custa 18 na loja do museu. É interessante observar que a maioria dos museus permitem a entrada gratuita. No Prado, todos os dias a partir das 18 horas, com exceção de domingos e feriados, a partir das 17 horas.
O Museu do Prado tem uma extensa coleção dos mestres espanhóis: Rubens, Velásquez, Goya, Murillo, Ribera, mas também obras de valor inestimável para a história da arte de artistas de outras nacionalidades, como Van Dyck, Veronese, Tiziano e Rafael.

Antinoo, sempre lindo

O quadro mais festejado é o enigmático “As meninas”, de Velásquez, mas a minha maior emoção foi ver com os meus próprios olhos o maravilhoso “O jardim das delícias”, de Hieronymus Bosch.

As meninas
O jardim das delícias
Parei para almoçar no restaurante de um hotel próximo, Hotel Mora, e constatei que a cidade é barata. Tinha a opção de dois pratos, bebida e sobremesa por 10 euros, como quis apenas um, paguei 5 euros e a bebida era uma garrafa de vinho (média), não apenas um copo raso. Escolhi flan de sobremesa. Vi que as tapas acompanhadas por vinho custavam 2 euros.

Pollo en la plancha y patatas



Segui para o hostal para fazer uma pequena sesta e decidi voltar ao Reina Sofía no período gratuito, a partir das 19 horas. Caminhei para o Caixa Forum, com ingresso a 4 euros e fila gigantesca. Duas exposições em foco: Genesis, do Sebastião Salgado, e Pixar, 25 anos.


O Museo Reina Sofía tem fila todos os dias para o horário gratuito, mas é muito rápido. Por fora não tinha ideia do tamanho da construção e da coleção ali encontrada. São 4 andares! Como não poderia ser diferente, a obra “Guernica”, do Picasso, encontrada no segundo andar, fica com dezenas de pessoas na frente. O museu tem obras do Dalí que jamais havia apreciado, inclusive tinha duas reproduções no quarto do hostal. É impossível ver tudo em duas horas (fecha às 21 horas).


No dia seguinte fiz um bate-volta até Toledo. Na volta, experimentei tapas num bar próximo, Pecaditos. Cada tapa custava 1,20 euros. Tapas são petiscos diversos. Podem ser frios servidos dentro do pão, patatas bravas, chorizo, atum, cebolas fritas, queijos, espetinhos de camarão, croquetes de diversos sabores, etc. Não tive o prazer de comer os pintxos, tapas com palitinhos (parece ser tradição no norte da Espanha).

Jamón ibérico, bravas dos salsas y brochetta.
 

Chorizo

No outro dia fiz um bate-volta para Aranjuez. Na volta, experimentei tapas em outro bar próximo: Copas rotas. Um achado! Pena que só entrei no último dia. Qualquer tapa por 1 euro. Qualquer copo de vinho ou cava (espumante espanhol) por 1 euro. E qualquer drink por 4 euros. Tinha caipirinha. Comi algumas tapas e fui aproveitar o sol e o tempo lindíssimo para conhecer o Parque del Buen Retiro. Durante todos os dias a temperatura estava na casa dos 30 graus ou mais (mesmo na primavera), embora fizesse um friozinho pela manhã.
vino blanco, patatas bravas, Jamón gran reserva, jamón com tomate y Aros de cebolla.

O Parque del Buen Retiro é simplesmente lindíssimo, e, para mim, o melhor parque público que visitei, comparando com o Central Park, Tuileries ou Tiergarten. Ficava a 5 minutos de onde estava hospedada. O parque fica aberto até meia-noite. Foi criado entre 1630 e 1640. Não caminhei por toda a extensão do pulmão madrilenho, que é imenso. Visitei o belíssimo Palácio de Cristal, que tinha uma instalação em seu interior, “Splendide Hotel”, de Dominique Gonzalez-Foerster. Consistia em várias cadeiras de balanço com livros atrelados. Sentei e fiquei ali por quase uma hora. Na proximidade, encontramos um espaço de exposições gratuito, Palacio de Velásquez, com a mostra “Idea: Pintura Fuerza”.

O Palácio de Cristal
 

Palacio de Velásquez
 

Retornei e aproveite o horário de gratuidade do Museu Reina Sofía. Após descanso, voltei ao Copas Rotas para comer 9 tapas! Com muito vinho. Pude verificar a rivalidade entre o Real Madrid e o Barcelona, jogo que passava no bar.
 

Chillida no Pátio do Reina Sofía

Alexander Calder no Pátio do Reina Sofía

Essas últimas são Jamón, anchova com pimentão e patata ali oli.

Um amigo perguntou o que tinha conhecido em Madri, se estive no Palácio Real, na Plaza de Toros, na Puerta de Alcalá ou na Puerta del Sol. Não conheci nenhum dos lugares questionados, mas não desprezei Madri, vivi Madri. Me senti tão bem no local que estava, com apenas cinco minutos chegava em todas as atrações. Em dois minutos estava na Estação Atocha, para fazer dois bate-voltas. Embora menos turística que Barcelona, posso dizer que adorei Madri e tenho certeza que voltarei.

Marraquexe – 2ª parte

 

O motorista me deixou na porta do Souk das especiarias, na volta do Deserto do Saara, e tive que relembrar o trajeto rumo ao riad: seguir uma reta e virar à esquerda, outra reta e virar à esquerda e entrar na rua à esquerda e localizar o quarto portão à direita. Adaptada ao labirinto que é a medina, entrei e fui tomar um banho demorado – fazia 36 horas desde o meu último banho!
 

babouches

Depois fui ao terraço do riad (casa transformada em um pequeno hotel) para observar uma construção tipicamente árabe. São casas totalmente fechadas para o exterior, com um pátio interno ajardinado (principalmente para que as mulheres não sejam vistas) e possuem sempre um terraço.

Ao lado tinha uma mesquita com seu minarete, torre alta e fina, de onde o muezim conclama os muçulmanos às orações – ocorre 5 vezes ao dia. Em Marraquexe, as mesquitas só podem ser visitadas por muçulmanos. Em Casablanca, a mesquita Hassan II é aberta ao público.

Precisava comer e saí em direção à praça Jemaa El Fna. No caminho, parei numa loja para ver os preços do Óleo de Argan. Fiquei surpresa que não é utilizado apenas em cosméticos. É comestível. Compreendi ainda porque é considerado “o ouro do Marrocos”. Uma garrafinha de 100 ml custa 15 euros! O senhor me convidou pra entrar e provar pão com argan e com uma mistura de óleo, amêndoas e mel. Muito bom.
 

Existe um restaurante que tem uma visão frontal da praça, que ainda não tinha observado ao escurecer. Subi no terraço do “Café de France”. Fui ao terceiro andar e o garçom foi gentil, mesmo achando que queria apenas fotos, no entanto, informei que queria comer pizza e tive que descer para o segundo andar, pois lá só servia bebidas. No segundo andar o garçom me irritou muito, pois informei que aguardaria uma mesa com vista e após 20 minutos ele simplesmente deixou um casal, que chegou após e já estava em outra mesa, sentar. Fiz um escândalo. Os italianos levantaram. Minha dúvida é se o descaso era pelo sexo feminino ou por estar sozinha e gastar menos.

 

Comi minha pizza siciliana e fiquei observando a loucura maravilhosa daquela praça e, de repente, o relógio já marcava 23:30h! Finalmente veria como são as ruelas da medina no período noturno. Pude constatar que as ruas são bem iluminadas nos lugares de maior movimento, contudo, nos souks, muitas vezes cobertos, você não vê muita coisa. Na última curva do labirinto, um rapaz falou, em francês, algo mais agressivo: “Quanto você quer para deitar comigo?”. Se estivesse em qualquer outro lugar, daria uma lição nele, mas num país arcaico que acha que mulher sozinha é prostituta, achei melhor seguir em frente. 

No dia seguinte, acordei por volta das 9 horas, tomei um banho e desci para o café da manhã. Muito bom o café do riad, continha suco de laranja, pães, omelete, iogurtes, geleias, panquecas. Depois segui em direção à joia de Marraquexe: o Jardim Majorelle. 
Na saída do riad, no souk das especiarias, o vendedor Mustafá foi super receptivo e me mostrou a função de cada erva que tinha, fez chá e me deu o famoso lipstick que vendem (é um batom feito de um material vermelho que aparenta barro). Aproveitei e perguntei quando um taxista normalmente cobra até o jardim. A resposta foi entre 20 e 30 dirham.

Já nas proximidades do Palácio de la Bahia, fiz sinal e um táxi parou. Perguntei o preço e me mandou entrar. Queria 50. Disse que desceria. Falei que só pagaria 20. Ele disse que o carro dele era novinho e ficou resmungando. No fim dei 25 dirham. No caminho pude observar um pouco da cidade nova, fora da medina. Só homens frequentam os cafés (não existem bares, uma vez que, em tese, as bebidas alcoólicas são proibidas naquela religião).

O Jardim Majorelle tem uma das paisagens mais fantásticas que já apreciei. Jacques Majorelle, filho de um célebre designer de móveis, Louis Majorelle, foi para Marraquexe em 1919, para dar continuidade à carreira de pintor. Adquiriu o espaço em 1924 e iniciou o processo de paisagismo do jardim que hoje conhecemos. Em 1947 abriu o jardim ao público.

Desde que foi adquirida por Pierre Bergé e Yves Saint Laurent, a propriedade passou por restaurações e foi doada à Fundação Pierre Bergé, marido de YSL. As imagens da casa e do jardim podem ser observadas no documentário “O louco amor de Yves Saint Laurent” (L´amour fou). As cinzas do estilista foram jogadas no jardim e lá encontramos um memorial. A entrada para o jardim custa 50 dirham e para o Museu Berbere custa 25 dirham.

O Museu Berbere fica no interior do Jardim Majorelle e é pequeno, mas muito bem organizado. Foi inaugurado em dezembro de 2011 no antigo estúdio de Jacques Majorelle. Representa o rico panorama das diversas tribos do Norte da África. São mais de 600 objetos, das Montanha Rif ao Deserto do Saara, dentre eles: joias, armas, couro, roupas. O povo berbere é grupo étnico nômade de origem camita que habita o Norte da África desde a pré-história, vivendo hoje principalmente nas regiões montanhosas (Atlas e Rif no Marrocos) e em grande parte do deserto.

Exatamente no memorial a YSL, encontrei as duas alemãs que estiveram comigo nos dois dias anteriores no deserto, Hannah e Ines. Normalmente peço a qualquer pessoa para tirar minhas fotos, sem constrangimento, mas com duas conhecidas ficou melhor. Elas não tinham comprado o ingresso para o museu, mas se oferecem para me esperar para continuarmos as visitas a outros sítios juntas. Aceitei e achei a oferta de uma simpatia sem igual.
Memorial dedicado a YSL
Seguimos caminhando até a medina, mas paramos para lanchar num café. Apenas homens estavam no ambiente. É bem estranho ver que as mulheres não podem sentar num local para comer ou beber com as amigas. Depois de descansar daquele sol intenso, mais 30 minutos até o destino pretendido. 
Do Jardim Majorelle até a medina

A cidade nova é completamente diferente da medina, se não fosse pela condição da mulher, seria como qualquer outra grande cidade. As mulheres possuem um lugar especial na parte traseira do ônibus. Nem posso criticar pois prefiro andar no vagão feminino no metrô do Rio. 

Cidade nova
Uma das portas da medina
As ruas são amplas, os ônibus são novos, hotéis grandes. Parece uma cidade bem segura. Outra coisa interessante é observar as inúmeras laranjeiras que colorem as ruas de Marraquexe. Vemos ainda as muralhas e portas centenárias que cercam a cidade antiga.

Já nas proximidades da medina, avistamos o símbolo da cidade, a maior e mais representativa mesquita: Koutoubia
A Mesquita de Koutobia
Minhas amigas alemãs


Esbaforidas e exaustas paramos na Jemaa El Fna para tomarmos um suco de laranja e seguirmos em direção à Medersa Ben Youssef. Aqui entendemos a classificação de patrimônio mundial da Unesco pra medina de Marraquexe. O madraçal era uma escola islâmica onde estudantes decoravam o Alcorão. Foi fundada pelo sultão Abu el Hassan. O lugar é de uma beleza ímpar e a arquitetura árabe é maravilhosa.

 

As meninas não quiseram pagar, mas ficaram me esperando, novamente (na verdade, são estudantes de 21 anos e já estavam há duas semanas em solo marroquino – sem dinheiro praticamente). O ingresso custa 50 dirham, e, com mais 10 dirham pode visitar o Museu de Marraquexe.

Sempre vemos fotos do curtimento de couro em Fez, mas, fui informada que não deveria passar da região do madraçal, pois o povo que habita a região de “Tanneries”, onde ficam os curtumes de Marraquexe, é muito agressiva e não trata bem os turistas. Provavelmente é necessário contratar um guia para seguir até aquele local.

Nossa tarefa seguinte era procurar um Hammam, o famoso banho turco, num local bom e que ao mesmo tempo tivesse um preço acessível. Optamos pelo Hammam Ziani, próximo ao Palácio de la Bahia. Paguei 150 dirham (não incluía massagem). Você tem que tirar a roupa e guardá-la num armário, posteriormente uma mulher te dá um banho e você fica na sauna. Após perder muito líquido, recebe esfoliação pelo corpo e, pra finalizar, seu corpo é ensaboado e lavado.

Sala para relaxar tomando chá após o hammam

 
Pode ser feito em saunas públicas ou privadas. Na privada, que escolhi, pode ser feita individualmente ou em grupo. Fiz com minhas novas amigas alemãs. Sou bastante tímida para me despir na frente de outras pessoas e objetivava fazer sozinha, mas entrei no clima das alemãs, que estavam bem confortáveis e nem queriam a minúscula tanga que oferecem. Considero uma experiência única! Indico de olhos fechados.
Para finalizar o dia, procuramos um restaurante com vista para a praça principal e, novamente comi pizza (lembro que fica ao lado do restaurante El Waha e tinha uma vista maravilhosa da praça). Nos despedimos e espero revê-las algum dia. Adorei a companhia durante o dia e, numa viagem sozinha, o inesperado sempre pode acontecer.

Segui para o riad e arrumei minhas malas. No dia seguinte partiria para Madri num vôo às 13:45 h. Acordei e tomei o café, fiz o pagamento, agradeci a simpatia do Laurent e fui comprar a Mão de Fátima (hamsá, um talismã com o formato de mão). Voltei ao riad e peguei as malas. Segui pelo souk até o Palácio de la Bahia para negociar o táxi. Disse que pagaria 50 dirham, o taxista pediu 70, já sem muita paciência concordei. No fim, o taxista disse que poderia pagar apenas 50. Disse “agora você vai receber 70 porque não aguento mais negociar nada com ninguém.” Ele riu e agradeceu.

Nos aeroportos de países muçulmanos já notei que é praxe ter alguém para passar a mão pelo corpo para uma revista final. Aconteceu em Doha, no Qatar, agora em Marraquexe. Entrei numa loja do aeroporto, com o objetivo de zerar o crédito do meu Visa Travel Money, e comprei óleo de argan e pistache.

Minha conclusão é: a pessoa ama ou odeia o Marrocos. Por ser viajante solitária, enfrentei mais dificuldades, no entanto, adorei a cidade de Marraquexe e voltaria. Para mim foi tudo muito novo e surpreendente. Me sinto pronta para desbravar Fez, sozinha, claro.

O Deserto do Saara

“O deserto é um oceano…”
Lawrence da Arábia
Após a leitura de “A arte de viajar”, do Alain de Botton, tive vontade de usar uma de suas frases sobre uma zona árida: Parti para o deserto para me sentir pequeno. Escolhi o Deserto do Saara para passar o meu aniversário. O Saara é o maior deserto quente do mundo e pode ser alcançado a partir de vários países do norte da África, como Egito, Argélia, Líbia, Marrocos, etc.

Procurei pacotes de 2 dias de viagem para o deserto, os preços variam entre 60 e 900 euros. Fiz contanto com uma agência, todavia, depois vi a péssima reputação no tripadvisor. 

Perguntei, via e-mail, ao dono do riad que me hospedaria em Marraquexe sobre as excursões e tentou, a todo custo, me fazer desistir da ideia, pois acha muito cansativo, mas válido para quem tem 4 dias ou mais apenas para o deserto. 
Deixei para escolher a agência em Marraquexe e acabei pagando 4 diárias por lá, para a eventualidade da desistência do roteiro. Assim que cheguei no riad, perguntei ao dono se poderia agendar uma excursão para o dia seguinte. Prontamente ligou e fechou por 70 euros. Para quem tem tempo, sugiro ir até o bairro de Guéliz, cidade nova fora da medida, onde ficam a maioria das agências de turismo. Uma das meninas que estava no meu grupo pagou 25 euros após negociação!

Acordei às 5:30h com o chamado para a oração, vindo da mesquita ao lado do riad, e foi ótimo pois deveria estar na frente do Palais de Bahia às 7h. Embora o café da manhã fosse servido a partir das 8h, no riad, Laurent pediu para me servirem antes e fez outra grande delicadeza: solicitou que um funcionário me levasse até o palácio, onde a van me buscaria! Isso foi incrível, pois as ruas da medina ainda estavam completamente vazias e escuras.

Arrumei minha mochila com duas camisas, protetor solar, renu, óculos, óculos de sol, papel higiênico, sabonete, casaco e água. Depois me arrependi de não ter levado chinelos.

Chegando em Guéliz, me juntei aos outros integrantes do grupo, todos europeus. Ressalto que um casal de meninas, uma suiça e outra francesa, foi essencial para que os dois dias fluíssem da melhor forma possível. Pois a francesa, Amélie, falava sem parar e em qualquer idioma, traduzindo as informações do motorista sobre as paradas e a conversa do grupo, pois alguns não falavam francês e outros não falavam inglês. 

Primeiramente paramos em uma montanha, para usarmos o banheiro e tirarmos fotos. Durante o percurso pela montanha muitos enjoaram, na volta, também não me senti muito bem com as inúmeras curvas.
A primeira longa parada foi em Ksar of Ait-Ben-Haddou, cidade fortificada considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Foi construída pelos que seguiam a rota Saara/Marraquexe. As casas se aglomeram dentro das muralhas defensivas, que são reforçadas por torres de canto. É um exemplo notável da arquitetura do sul do Marrocos, com construções de barro pré-saariana.

A cidade serviu como cenário para diversos filmes: Gladiador, Alexandre, Lawrence da Arábia, Múmia, Príncipe da Pérsia, O legionário, Indiana Jones, A joia do Nilo, The game of Thrones, Babel, Édipo rei, A última tentação de Cristo, O homem que sabia demais. Uma equipe de filmagem trabalhava por lá. Também informaram que destruíram o cenário de “Gladiador” para não descaracterizar a cidade.


Meu pesadelo gastronômico começou no almoço, servido num restaurante dentro de Ksar, tinha algumas opções no cardápio. Escolhi a sopa + o cuscuz marroquino + as frutas da estação por 60 dirham. Apenas consegui tomar a sopa, pois meu estômago rejeitou o cuscuz marroquino (percebi como sou chata para comer, pois todos na mesa ingeriram tudo), as frutas se resumiam em laranja e banana. Comi 5 bananas para garantir minha sobrevivência.
A próxima parada: o centro de Ouarzazate, cidade conhecida como “a porta do deserto”. Passamos diante de um enorme estúdio de cinema, com grandes esculturas egípcias, e descobrimos que é a “Hollywood marroquina”. O motorista nos deu 45 minutos para visitarmos o “Museu do Cinema”. Amo cinema, mas estava com tanto calor que não conseguiria concatenar qualquer informação naquele momento, então, em comum acordo, decidimos sentar num restaurante.

 

A última parada foi na porta de um mercado, para comprarmos o que seria necessário para comermos no deserto. Mesmo com uma garrafa de água intacta, decidi comprar outra garrafa, dois biscoitos e um refrigerante. Antes de voltar para a van, comprei um lenço verde para criar um turbante que caracterizaria meu personagem.

Finalmente chegamos num local cheio de dromedários (sim, não vi um camelo sequer, apenas dromedários). Cada pessoa senta no dorso do animal, que se levanta. Seguem todos enfileirados rumo ao desconhecido. Já passava das 20h e escurecia. Foi o pôr do sol mais bonito que vi, apesar do incômodo daquele meio de transporte, todos os elementos construíam um cenário perfeito, além do que havia imaginado.

Sobre o dromedário (uma corcova)
 

Chegamos no acampamento, em Zagora, e nos dividimos, pois cabiam 8 pessoas em cada tenda. Tendas com iluminação (energia solar), colchões e cobertores. Pela primeira vez dormiria com pessoas que jamais havia visto na vida, mas estava muito tranquila e feliz.

Deixamos as bolsas e ficamos numa outra tenda para jantarmos a comida feita pelos berberes, povo que habita o deserto. Primeiramente nos serviram um chá quente. Depois recebemos uma sopa, o cuscuz com frango (só comi o frango) e laranjas.

Companheiros de viagem: Alween, Olivia, Ines, Amelie, Hannah, Apoline e Elise.
Estava muito incomodada com as lentes de contato e queria colocar os óculos. Com algum receio, perguntei sobre a existência de um banheiro. E ficava no meio de uma duna, mas tinha água, sanitário (aqueles que ficam no chão e são comuns na Ásia também), luz e espelho!!!

A lua se apresentou de uma forma jamais vista: tinha um enorme halo envolta e o japonês que se juntou ao grupo tardiamente gritou espantado! Eloise, uma linda belga de 8 anos, tentando conversar comigo, em francês, exclamou “Trés beaux, trés magnifique!!!”

Conversei com Hassam e eles realmente são nômades e vivem apenas no deserto. Sempre montam a tenda em um lugar diferente. Inclusive, ele não falava francês como a maioria dos marroquinos, só berbere (!) e espanhol. Um rapaz super simpático.

Pude confirmar que as noites são mais frias no deserto e segui para a fogueira criada pelas berberes. Com as meninas alemãs, sentei e apreciei o som regional. Depois tentei batucar com eles, mas não tenho talento musical.

Na tenda, deitei e me senti grata por poder apreciar essa maravilha disponível no mundo e, apesar de não gostar de aniversários, senti que recebi o melhor presente. Aqui vemos o desprendimento com conforto ou qualquer outra futilidade.

O dia começou às 6h. Todos se levantaram para ver o sol nascer. Após a belíssima apresentação da natureza, tomamos o café da manhã oferecido pelos berberes. Olha, as condições higiênicas realmente não são as melhores. Os pratos e talheres não parecem muito limpos, mas quem se importa estando no deserto? Comemos pão, geleias e chá.

Com a mochila no dromedário, segui em direção à cidade. Uma verdade absoluta é que minhas nádegas ficaram assadas e doloridas! E nem consigo imaginar uma vida montando em dromedários. Durante o percurso lembrei da minha sobrinha mandando eu cantar uma marchinha de carnaval que adora “Atravessamos o deserto do Saara, o Sol estava quente, queimou a nossa cara. Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô.”


Na volta, poucas paradas, apenas para o almoço e para visitarmos uma região com palmeiras – finalmente estávamos em Marraquexe, às 16h, antes mesmo do horário estipulado.

Num relato cheio de citações, termino com Confúcio “Onde quer que você vá, vá com todo o coração.”

Marraquexe – 1ª parte

Decidi encaixar uma ida a Marraquexe (Marrakech/Marrakesh) assim que comprei a passagem para Espanha, pois aproveitaria para conhecer o Deserto do Saara. Iniciei uma minuciosa pesquisa em blogs de mulheres que viajaram sozinhas para o destino supracitado e encontrei poucas no Brasil. É indubitável que as europeias são muito mais destemidas em seus mochilões.

Minha maior dúvida era acerca do comportamento masculino, num país muçulmano, com uma estrangeira viajando sozinha. Isto porque não queria ter preocupações nas férias. Li relatos contendo pavor, outros divertidos e encontrei mulheres que realmente gostaram e não tiveram muita dificuldade no percurso.

Tajines (ou tagines). Tajine é tanto a panela de barro quanto a comida feita com frango, passas, amêndoas…
Ao pesquisar as passagens, percebi que no período que viajaria os valores estavam muito acima do que normalmente é cobrado – depois descobri que era alta temporada na cidade. Para exemplificar, no site da ryanair, em um mês antes ou depois havia passagens por 29 euros (mas nunca seria minha opção, já que sai de uma cidade fora de Barcelona, Girona). Comprei a ida e volta no site da Ibéria e saiu a 200 euros (caríssimo, mas valeu cada centavo). É importante ressaltar que na ida pela Vueling e na volta pela Air Nostrum estava incluído bagagem de até 23 quilos (no site da Vueling, por exemplo, podia comprar numa tarifa inferior sem a franquia de bagagem).
No que diz respeito à hospedagem, queria ficar dentro da medina (cidade velha), para realmente vivenciar a cultura marroquina. Ressalto que a Medina de Marraquexe é considerada Patrimônio da Mundial da Humanidade, pela Unesco. Foi fundada em 1070-72 pelos Almorávidas (ermitão muçulmano) e permaneceu centro político, econômico e cultural por um longo período. Influenciou todo o mundo muçulmano ocidental, do norte da África e Andaluzia. Várias construções são datadas do mesmo período, como a Mesquita de Koutoubiya ou as próprias muralhas que cercam a medina. É um exemplo clássico de uma grande capital islâmica do mundo ocidental.
Escolhi um excelente riad (casas na medina, com poucos quartos, que se transformam em pequenos hoteis), Riad Noos Noos, localizado no Mellah, bairro judeu. O que mais me chamou atenção: minutos após minha reserva no booking recebi um e-mail com as informações do lugar, fato que jamais ocorreu anteriormente. 
O Laurent, francês dono do riad, me deu a opção de pedir o táxi do riad por 15 euros (para até 6 pessoas – quem disse que ser solo traveler é vantajoso?) – topei imediatamente. Tinha lido que os táxis são baratos, mas depende de negociação e dificilmente ligam o taxímetro, e ainda, sem alguém que conheça a medina é impossível se localizar – verdade absoluta. A outra opção é o ônibus do aeroporto, que cobra centavos, e é preparado para receber malas e bem novinho, mas passar fora da medida. É uma boa opção para quem está de mochila e sabe exatamente onde vai ficar. 
No deserto conheci duas meninas que pagaram 5 dihram (moeda local) pelo táxi, algo como 50 centavos de euro! Mas elas estavam há duas semanas em solo marroquino e conheciam um cidadão que deu todas as dicas. É comum encontrar pessoas que viajaram por várias cidades daquele país, seja Meknès, Agadir Tanger, Casablanca, Fez, Essaouira, Rabat.
Dirham
A língua oficial do Marrocos é o árabe e o berbere (falada principalmente no deserto e nas montanhas Atlas e Rif ), mas a maioria da população fala francês. As placas são escritas nos dois idiomas sempre. Nem pense que encontrará algo em inglês, todavia, a maioria dos vendedores falam qualquer idioma nos souks (mercados).

Assim que cheguei no aeroporto Menara fui ao banheiro e me deparei com algo super incômodo naquela cidade: mesmo em restaurantes ou museus o banheiro terá um preço estipulado ou uma senhora pedindo alguma moeda.

Depois aguardei uma lenta e longa fila na imigração, com tanto tempo de espera, minha mala estava na esteira. Troquei apenas 50 euros por 500 dirham para não chegar na cidade sem qualquer moeda local. Fui procurar o taxista com a placa e seguimos para o riad. Ouvi o taxista, que falava uns 6 idiomas, informando ao Laurent que em 7 minutos estaria na medina.
Os carros não entram na maioria das ruas da medina, pois são muito estreitas e ainda tem os mercados que colocam os produtos na rua. Lá estava o dono do riad para me receber e me levar. Meu coração estava acelerado ao pisar nas ruas de Marraquexe, tudo muito novo e também familiar naquela confusão e sol intenso. Ele foi caminhando, me disse para andar sempre no canto, pois existem muitas motos e é um milagre sair de lá com vida, e olhar cada ponto com atenção, para depois conseguir caminhar sozinha.
 
O Palais de la Bahia
A porta do souk das especiarias
Bairro Mellah, a rua do riad é antes dos recipientes laranjas à esquerda.

A rua do riad

Ao chegar, me serviu um chá de menta, me deu a chave da porta da casa, o cartão do riad e um mapa. Meu maior desespero: embora hipoteticamente as ruas tenham nome, como visto no google maps, não existem placas, portanto, para se localizar é necessário a memorização do percurso. No meu caso, marquei um lugar bem conhecido, o Palais de la Bahia, pois ficava na porta de entrada do souk das especiarias, e decorei: uma reta e viro à esquerda, outra reta e viro à esquerda e entro na rua à esquerda e localizo o quarto portão à direita (risos). É um verdadeiro labirinto!

Para não dizer que não existe informação na medina, encontrei algumas setas indicando alguns lugares, como o Palais de la Bahia, o Museé Dar si Said, a Place Jemaa El Fna – que ajuda muito para quem está em cegueira plena.

Pedi ainda que agendasse um passeio ao deserto, havia pedido por e-mail, mas tentou me convencer do contrário, que deveria apenas fazer um daytour para uma região próxima, pois para chegar ao deserto são necessárias 8 horas. No entanto, fui decidida a passar meu aniversário no Deserto do Saara.

Depois de me instalar no confortável quarto do riad, tomei um banho e parti para a rua (no dia seguinte seguiria para o deserto), pois a maioria das atrações fecham às 16h e olhei no relógio que marcava 15h.
Riad
 
Riad
Ao colocar os pés na rua tive a sensação mais estranha do mundo: só via homens nas ruas e todos olhavam para mim. Vi grupos de turistas mulheres e mulheres acompanhadas por homens, mas nenhuma outra turista mulher sozinha. Percebi que sequer olham para uma mulher acompanhada e, para duas ou mais mulheres, não insistem tanto.
Poucas mulheres nas ruas. Cobertas e não falam com os turistas.

No caminho, parei para conversar com Abdul, jovem e simpático vendedor que me parou todas as vezes que passei para seguir ou sair do riad. Portanto, é necessário filtrar aqueles que são desagradáveis daqueles que querem apenas mostrar o produto e saber de onde você vem. A gente tem que chegar num lugar com uma cultura tão distinta com o coração aberto.

Entrei no Palais de la Bahia (significa “magnífico”) para apreciar a arquitetura no estilo árabe, construído no final do século XIX. A entrada custa 10 dirham. São aproximadamente 8 mil metros de jardins.


Depois segui para o Museu Dar Si Said, também conhecido como “museu de artes marroquinhas”, ingresso a 10 dirham. Foi o único momento que me senti intimidada, numa ruela me deparei com um “corredor polonês” de homens que falaram coisas que não entendi, mas segui adiante, mesmo querendo correr! E um deles me perseguiu, querendo conversar. hahahha

Marraquexe recebe milhares de turistas diariamente e perceberá assim que colocar os pés na rua. Vi dentro do palácio uma mulher trajando top e short super curtos, mas não é um caso isolado, muitas turistas vão com roupas curtíssimas, no entanto, todas devidamente acompanhadas ou em excursões.

Faminta. Decidi entrar no restaurante indicado pelo riad: Un dejeuner à Marrakech. A comida que pedi estava excelente. Me serviram um peixe com passas, cebolas e especiarias com um arroz decorado com purê de tomate e tomei um suco de laranja. Custou 108 dihram. O lugar é aconchegante e foi o mais confortável dos restaurantes que comi. Muito próximo fica o outro indicado, mas que não visitei: Le Marrakchi.


Para não dizer que não comprei nada, entrei em uma loja e adquiri dois camelos para minha sobrinha e um narguilé (shisha) para minha mãe. Em Marraquexe, a maioria dos produtos expostos nos souks não têm preço. O vendedor dirá um valor absurdo para ver a sua reação. Diante da negativa, perguntará quanto quer pagar. É preciso ter alguma habilidade. No caso do shisha, por exemplo, o vendedor pediu 50 euros. Disse que era absurdo e que tinha 10 euros. Me vendeu por 14 euros. Todavia, tenho certeza que teria comprado outras coisas se o preço fosse fixo. Isto porque, quando damos um preço muito baixo alguns vendedores se irritam. Haja paciência! Risos. Estou quase me acostumando, uma vez que negociava até o valor da água de coco na Tailândia.
  
Shisha
Finalmente cheguei no centro nevrálgico de Marrakech: a praça Jemaa El Fna (ou Djemaa el Fna). Significa a praça dos mortos, pois antigamente a cabeça dos criminosos eram expostas naquele ponto. É uma loucura: você encontra encantadores de cobras, tatuadoras de henna, barracas de suco de laranja, artesanatos, antigos vendedores de água que cobram por fotos. Não caí em nenhuma cilada, pois já tinha lido acerca dos “golpes”. Uma menina me contou que a tatuadora pegou a mão dela e desenhou sem seu consentimento, cobrando, posteriormente, 20 euros!!!

Antigo vendedor de água
 

As mulheres marroquinas, em Marraquexe, cobrem o corpo e a cabeça.

Na praça, corri para tomar os deliciosos sucos de laranja por 4 dirham (40 centavos de euro!). Aparentemente são feitos com água mineral. Entrei num restaurante e sentei na varanda para tomar um sorvete e apreciar o movimento e fiquei até 19:40h, antes do anoitecer, pois no dia seguinte teria que acordar muito cedo.

Passei numa casa de câmbio e troquei dinheiro, comprei uma garrafa de água para o tour do dia seguinte e voltei para o riad, admito que precisei perguntar em alguns momentos como chegava até o Palais de la Bahia. Entrar no riad depois de um dia tão agitado foi como ver um oásis no deserto.

2 dias em Barcelona

Pretendia ficar quatro dias em Barcelona, no entanto, na hora de procurar passagens para Marrakech só encontrei, por um preço justo (e muito mais caro que o habitual), para dois dias após minha chegada. Pensei “Ok, deixarei os museus para uma próxima visita”. 

Voei pela Iberia numa ótima promoção, R$1.500,00 (com taxas), fazendo conexão em Madri (a imigração nem olhou para mim), chegando em Barcelona por volta das 12:30. Embora sem muito crédito nos blogs, o voo da companhia aérea espanhola foi tranquilo, mas o avião era um Airbus antigo, sem entretenimento individual. Os comissários não são tão atenciosos, mas valeu pelo preço e voltaria a utilizar o serviço.

Minha primeira pesquisa quando vou viajar é: como sair do aeroporto. Optei pelo ônibus em detrimento do trem. O aerobús fica no andar abaixo da chegada. Assim que descer verá um ônibus azul. A passagem custa 5,90 euros e o ônibus faz ponto final na Plaza de Catalunya. Tinha a opção de fazer a conexão com o metrô, mas preferi caminhar, já que, sabiamente escolhi um hotel nas proximidades do ponto de ônibus, na verdade, a 800 metros.
Na chegada me assustei: no centro de informações turísticas cobram 1 euro pelo mapa da cidade! Peguei o ônibus e em 30 minutos estava no ponto final. Tentei me localizar e um senhor me apontou o início da Rambla. Desci a rambla por cerca de 10 minutos e entrei no hostal. Tinha realizado o percurso no google maps, que facilita a localização pela imagem.
La Rambla
Os hotéis são caros em Barcelona, portanto, optei por um hostal (Hostal Benidorm) com quarto individual e banheiro, já que só preciso dele para dormir e utilizar a internet. A conexão era ótima e o quarto limpo, além de estar muito bem localizado, ou seja, perto de muitos pontos turísticos.
 
Após um demorado banho segui para o Mercat de Sant Josep – La Boqueria. A primeira coisa que constatei é que tudo está escrito em catalão, com tradução em inglês e espanhol. Mas estranhamente consegui ler as placas e informações na língua catalã. La Boqueria foi o primeiro mercado municipal da cidade e funciona no antigo convento de São José. É uma atração imperdível. Sucos, frutas, jamón ibérico (o famoso presunto), artesanatos.

Segui caminhando para me entregar à obra de Gaudí: Casa Batlló (se pronuncia “balhó”), localizada em Passeig de Gràcia. Uma constatação óbvia: Barcelona é uma cidade muito cara. O ingresso custa 21,50 euros. Não lembro de nenhuma atração com tal valor em Paris ou Amsterdã (cidades com preços elevados). O local fica cheio. Na verdade, Gaudí é o grande símbolo da cidade e suas construções são as atrações mais procuradas. A casa foi construída entre 1904 e 1906 e é deslumbrante!
 


As obras de Antoni Gaudí, o grande gênio da arquitetura, são consideradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Destacam-se a Igreja da Sagrada Família, Casa Batlló, La Pedreda, Park Güell, Palau Güell (que ficava exatamente atrás do hostal e não visitei!), Casa Vicens. Desenvolveu uma criatividade excepcional, marcando o modernismo catalão, além de influenciar outros artistas.


Ao caminhar pelas ruas de Barcelona, achei tudo belíssimo e, nos locais menos turísticos, delicioso para flanar. Ao voltar para as ramblas, local com muitos turistas que termina na praia, observei a movimentação. Li que é comum furtos naquela região. Inclusive, na volta, ouvi relato de duas pessoas furtadas no metrô, ambos homens que perderam a carteira. Deixam alguma coisa cair e tentam ajudar e a carteira some.
 

Calça jeans ornando com a calçada risos

No período noturno tem muitos indianos (aparentemente) jogando uns brinquedos luminosos para o alto e não sei a intenção e como ocorre o furto naquela região, mas caminhei despreocupada. Após as 23h, um cara bem bêbado perguntou se eu era da noite, depois caiu a ficha, li que muitas prostitutas ficam nas ramblas (risos), e caminhava pela calçada do canto, não pelo meio e aí pude observar realmente várias mulheres paradas, mas estava indo em direção ao hostal.
O recepcionista indiano do hostal perguntou o motivo de eu ir dormir tão cedo, pois naquela cidade os bares e boates ficam lotadas e fecham só pela manhã.

No dia seguinte levantei cedo, pois teria um dia intenso, e segui para o metrô, muito próximo de onde estava hospedada (linha verde, estação Liceu). E, desci sem olhar se tinha conexão por dentro e estava sem o mapa do metrô. Comprei o bilhete que é válido para o dia inteiro (vantajoso para quem vai pegar o metrô 4 vezes), no entanto, entrei no sentido oposto. Ao sair e dar a volta para o outro sentido, o bilhete não passou (deve ter um tempo para utilizá-lo novamente), um senhor se aproximou e mandou eu passar logo atrás dele! Foi super simpático e conversamos bastante e nem precisei me preocupar, prontamente me perguntou “Vai à Sagrada Família? Te digo quando descer”. Elogiou meu espanhol (risos) e disse que tinha certeza que eu era inglesa (ninguém acerta a minha nacionalidade).

Mapa do metrô

Sabiamente comprei o ingresso para visitar a Sagrada Família com antecedência na internet (14,80 euros sem áudio ou guia), pois existem duas filas, para quem comprou online e para quem ainda vai adquirir. A fila é sempre imensa. Tomei um cappuccino no Mc Donald´s ao lado (1,90 euros com um croissant, ótima opção em Barcelona rs) enquanto aguardava o horário escolhido: 11 horas.
A igreja de Gaudí é, sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que já vi em toda a minha vida. De tirar o fôlego de qualquer um. Emociona e deslumbra. Gaudí, ao assumir a obra, remodelou o antigo estilo neogótico, imprimindo então suas características na construção. Tudo chama a atenção do espectador: as torres, os vitrais, as colunas e a sensacional abóbada!


Depois peguei o metrô rumo à estação Vallcarca, mais próxima do Park Güell. Meu maior arrependimento foi não ter comprado o tíquete na internet (7 euros). Olhei e pensei “Nunca um parque vai esgotar os bilhetes”. Depois de uma longa caminhada subindo escadas, cheguei ao parque, que é imenso, andei, andei e encontrei a principal construção. Na bilheteria fui informada que só tinha ingresso para 16 horas!!! Esperei por mais de 2 horas, que arruinou parte da minha programação.


Sem qualquer lugar para almoçar por perto, recorri ao Subway (que odeio), para aguentar até o horário do meu ingresso. O parque fica lotado e é uma luta para conseguir fotografar com o El drac, o réptil que está em uma das fontes da escadaria.

Saindo do parque, caminhei por 1 km até o metrô de Lesseps e segui para a praia de Barceloneta, que estava cheia. Foi ótimo caminhar por toda a orla. Observei que os apartamentos beira-mar não apresentam qualquer ostentação e a praia me lembrou Venice Beach, na Califórnia. Ao retornar por volta das 8, percebi que já não tinha como visitar o Palau Güell.


Descansei por alguns minutos no hostal e procurei um lugar para me iniciar no mundo das tapas. Caminhei pela Plaça Reial, com inúmeros restaurantes, mas acabei comendo no Restaurante Nuria, na Rambla. Pedi as famosas “patatas bravas”, croqueta de pernil e sangría. Tudo delicioso, mas depois pude confirmar que é infinitamente mais caro que em Madri. 


Espero algum dia voltar em Barcelona para visitar o Museo Picasso, Fundación Juan Miró, Fundación Antoni Tàpies, mas confesso que não sou tão fã de Picasso e Miró, por isso não fiz muito esforço para ir a um dos museus na minha curta estadia. E também pretendo ir na casa de Dalí em Cadaqués.

Meu vôo para Marrakech sairia às 11:20. Levantei cedo e subi as ramblas para pegar o ônibus do aeroporto. Hasta luego, Barcelona!

Toledo

Toledo (antiga capital da Espanha) é uma cidade que fica a 70 km de Madri e é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Felizmente a empresa espanhola de trens, Renfe (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles), tem os trens rápidos (AVE) que nos permite chegar em 30 minutos! Portanto, visitar Toledo é um bate-volta quase obrigatório para quem está em Madri!


Li que a busca pelas passagens pelos trens super-rápidos para Toledo era enorme e, que é melhor comprar antecipadamente pela Internet (ao que parece, só aceitam cartões espanhóis, serve Santander). Pensei e decidi não comprar para não ficar atrelada a um horário.
Toledo: famosa por vender espada, arco e flecha, faca…
Estava hospedada a 2 minutos da Estação Atocha, de onde saem trens rápidos, noturnos, cercanías, portanto, não teria com o que me preocupar. Não levantei tão cedo e cheguei por volta das 9:15 na estação. Olhei o painel e vi que o próximo partiria às 10:08h. Preferi não comprar na máquina e sim no balcão da Renfe. Já não tinha passagem de ida na classe “turista”, apenas na classe “preferente”, que custou quase o dobro, 17,70 euros. Aproveitei e comprei a volta na turista por 10,15 euros.
Estação Atocha
É preciso passar a bagagem pelo raio-x antes de entrar no hall do embarque. Muitas pessoas vão com malas, seja pra passar dias em Toledo ou pra seguir rumo a outra cidade. Uma dica é não usar o banheiro da estação, que é pago, mas depois que passar pelo raio-x é grátis, ou seja, para os usuários do serviço.

A diferença da classe preferente para turista é enorme, mas como a viagem é curta, não vejo necessidade de gastar mais. A preferente tem bancos realmente confortáveis e espaçosos, jornais do dia, fone de ouvido, cafeteria, lugar para pôr refeições, os bancos giram. Consideraria essa opção para uma viagem longa. O trem rápido é tão incrível que você não sente qualquer atrito nos trilhos! Quando a viagem começa a divertir já terminou.

Classe preferente na ida
Classe turista na volta
Chegando na bonita estação de Toledo, você encontrará uma pessoa vendendo mapas por 2 euros, basta seguir para a segunda porta e verá um centro de informações turísticas com mapas disponíveis – impossível seguir sem um mapa.

A cidade medieval
Para chegar à cidade murada será necessário pegar algum transporte, mas é possível andar por 20 minutos, tem a opção de táxi, ônibus panorâmico (9 euros), ônibus turístico (2,50 euros) – esses partem do estacionamento da estação – ou o ônibus comum (1,40). Saindo da estação verá um ponto do lado direito, basta pegar o 51, 5D, 61, 62 e 94 e descer na praça Zocodover – também tem outro centro de informações turísticas.
É possível visitar todos os pontos turísticos caminhando – mesmo porque as ruas da cidade são muitos estreitas e muitas vezes só um carro passa e as pessoas têm que subir em algum lugar. Programei meu tempo errado e no fim não consegui ver o Alcázar Museu do Exército e a Mezquita Cristo de la Luz, já que minha volta foi comprada para 17:25.

Na rua Miguel de Cervantes vemos uma enorme estátua do criador de Don Quijote de La Mancha. Toledo fica na região de Castilla-La Mancha. Em muitos lugares avistamos uma placa com a inscrição “Ruta de Don Quijote”, indicado a rota de Don Quixote.

Toledo foi um município Romano e capital do Reino Visigodo, uma fortaleza do Emirado de Córdoba. Aqui cristãos lutaram contra os mouros no século 16, época que foi sede do poder supremo sob o reinado de Carlos V. Registra uma civilização heterogênea, pela existência concomitante de três religiões: cristianismo, judaísmo e islamismo. São 2 mil anos de história!

Uma curiosidade é que meu avó paterno (falecido), filho de espanhóis, tinha o sobrenome “Toledo” (bem como tios e primos), embora não tenha o sobrenome, resolvi pesquisar e vi que os novos cristãos tiveram que mudar o sobrenome para o nome da cidade, os que viviam em Toledo adquiriram tal sobrenome. Também é interessante que o outro sobrenome paterno “Moreno Fernandez” é encontrado com facilidade na cidade (inclusive é nome de uma loja), portanto, é provável que eu seja 50% de origem toledana.
Toledo está comemorando o IV centenário de El Greco, consequentemente, existem várias placas e exposições em homenagem ao artista. Inclusive tem um mapa com as obras dele espalhadas pela cidade. A primeira parada foi no Museo de Santa Cruz (antigo hospital que hoje abriga coleções de arte, arqueologia, artes industriais e cerâmicas), que já não tinha ingressos para a exposição de El Greco. Apenas olhei o interior, na parte que é gratuita, sem necessidade de tíquete.

Museu de Santa Cruz
Adquiri a “Pulsera Turística” (válida enquanto estiver intacta no braço) por 8 euros que permite visitar 6 pontos turísticos: Iglesia de Santo Tomé, Sinagoga de Santa María la Blanca, Monasterio de San Juan de los Reyes, Mezquita del Cristo de la Luz, Iglesia de los Jesuitas e Iglesia del Salvador. Pode ser adquirida na bilheteria dessas atrações. Só é vantajosa se visitar mais de 3 lugares – que cobra 2,50 cada.

Segui em direção à Iglesia de Santo Tomé, famosa pelo afresco “O enterro do Conde de Orgaz“, de El Greco. Era a atração com a maior fila (muitos estudantes). Em frente do afresco está enterrado Gonzalo Ruiz de Toledo, o conde de Orgaz, piedoso benfeitor daquela paróquia. O quadro representa dois estágios: a morte e a chegada ao céu.
As bonitas placas com os nomes das ruas da cidade
 

O enterro do Conde de Orgaz”, de El Greco
Depois visitei duas belas construções: Sinagoga de Santa María la Blanca (construída no início do século XIII e apresenta cinco naves separadas por arcos e pilares) e Monasterio de San Juan de los Reyes (monastério franciscano do século XV, mesclando o estilo gótico ao mudéjar – estilo desenvolvido na península ibérica que incorpora a influência do estilo muçulmano).
 

Sinagoga de Santa María la Blanca

Sinagoga de Santa María la Blanca

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes

Monasterio de San Juan de los Reyes
Visitei o Museo del Greco, que cobra 4 euros. El Greco, Doménikos Theotokópoulos, ainda que nascido na ilha de Creta, é o mais famoso personagem de Toledo, onde viveu até a morte. Embora sem muitas obras, a casa-museu merece uma visita.

Museo del Greco
 


Já vesga de fome e com a temperatura de 34,5 graus (que primavera quente!), procurei um restaurante para almoçar e todos estavam lotados. É o único momento que pode ser difícil ser solo traveler, já que nunca vão dispor de uma mesa para uma única pessoa. Mas, no fim, achei um restaurante e comi os dois pratos (pasta e pollo na plancha com patatas), bebida e sobremesa por 10 euros.

Percebi que havia menos de uma hora e meia e que não seria possível ver todos os pontos turísticos. Segui para as Iglesia de los Jesuitas e Iglesia del Salvador (construída sobre uma antiga mesquita). Depois fui pegar o ônibus na praça Zocodover e achei que perderia o horário do trem, em razão da demora. Seria impossível encontrar um táxi com a cidade lotada. Para voltar à estação de trem tem que descer no terceiro ponto. Pegar o 61 ou 62.

Iglesia del Salvador

Iglesia del Salvador

Iglesia del Salvador
Iglesia de los Jesuitas

Iglesia de los Jesuitas

Iglesia de los Jesuitas
É interessante observar o rio que corta a cidade, pois, na Espanha, o Tejo vira Tajo.



Cheguei na estação às 17:15, ou seja, com 10 minutos para ir ao banheiro e passar no raio-x. De volta a Madri.

As ruas de Toledo

A catedral

Aranjuez

A cidade de Aranjuez fica a 48 km de Madri e é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 2001. Na Espanha, muitos lugares possuem tal classificação, como Toledo, Granada (Alhambra), Córdoba, Segóvia, Ávila, Cáceres, Cuenca. O melhor é que é possível fazer um bate-volta desde Madri para a maioria dessas cidades.


Estava hospedada a 2 minutos da Estação Atocha, de onde saem os trens rápidos, noturnos, cercanías, ônibus, portanto, procurei de onde partiam os trens “cercanías” e descobri que fica ao lado daquela enorme estação com a placa “cercanías”, mas também conectado pelo interior de onde partem os rápidos e metrô. 
Estação Atocha, de onde partem os trens “cercanías”
Olhei o mapa dos trens e descobri que Aranjuez é a última estação da linha C3. Fui para a máquina de tíquetes e apenas toquei em “Aranjuez” e coloquei uma nota de 5 euros, recebendo 1 de troco. Olhei a sinalização e vi que o trem saía do terminal 7. Incrível como é muito simples, mesmo sem ter qualquer informação consegui fazer tudo sem dificuldade. Guarde o bilhete, pois será necessário para sair da estação.

Mapa das linhas de trem (cercanías). Para Aranjuez é o C3.
O trem cercanías é o lento, portanto, a viagem durou aproximadamente 50 minutos. Chegando na Estação de Aranjuez tinha que descobrir a direção do Palácio Real (não tem um fluxo de turistas para você seguir, como em Versalhes). No ponto de ônibus perguntei a uma senhora a direção e ela falou: siga em frente até o final e vire à esquerda, caminhe por alguns minutos e verá o Palácio

Estação de trem de Aranjuez
Assim que cheguei, vi que tinha a opção de pegar o “Chiquetrén” por 5 euros, é um trenzinho turístico que percorre a cidade, principalmente o “Jardín del Príncipe” (que tem 5 km de extensão), por 50 minutos. Junto com o bilhete recebi o mapa, já que o posto turístico ao lado estava fechado. Os poucos turistas eram espanhóis conhecendo o próprio país. É uma cidade com mansões, mas, aparentemente, pouco populosa.

Chiquetrén
Fuente de Apolo no Jardin del Príncipe
Jardin del Príncipe
Jardin del Príncipe

Jardin del Príncipe

Estatua del fauno Jardin del Príncipe

Me lembrou Potsdam (Sanssouci), já que não é um lugar tão turístico como o palácio francês. Para ter uma ideia, paguei para entrar no Palácio Real (9 euros) e só tinha eu caminhando sala por sala. Fiquei boquiaberta com o bom gosto. Tem uma sala árabe que é de deixar qualquer um de queixo caído. Infelizmente não podia fotografar o interior (claro que tirei uma única foto, embora tivesse um segurança por sala).

O Palácio Real
Uma das deslumbrantes salas do Palácio Real
Embora o Palácio Real tenha sido construído no século 15, foi no reinado de Felipe II, no século 16, corte de los Borbones, que foi projetada a paisagem de Aranjuez, seus jardins ornamentais apresentam uma complexa relação entre natureza e atividade humana. Está posicionada entre os rios Tajo e Jarama e entre as cidades de Madri e Toledo.
Fuente de Venus
 
 

Nos fins de semana existem tíquetes com visita guiada no site do Renfe, e ainda, tem a opção do “Tren de la fresa” – uma maria-fumaça que parte do Museo del Ferrocarril.


Visitei o Palácio Real e os jardins em 4 horas – sob um sol escaldante mesmo na primavera (33 graus) -, portanto, basta reservar a metade do dia para um passeio interessante, sem perder as tapas e a noite de Madri.

Visitando o mercado flutuante Damnoen Saduak

O mercado flutuante Damnoen Saduak, situado em Ratchaburi, fica a 110 km de Bangkok. A maneira mais fácil para visitar o local é agendar um tour ou ir de táxi, mas é claro que a primeira opção é infinitamente mais barata. 

Contratei o serviço numa agência na Khao San Road, próxima ao hotel D&D, por 700 baht. A van me buscou no hotel por volta das 6h e às 7h sairia da rua supracitada. Às 13 horas retornamos ao maravilhoso caos de Bangkok, portanto, é uma visita que consome apenas a metade do dia.
Embora o mercado flutuante mais conhecido seja o Damnoen Saduak, existem outros três: Taling Chan Market, Bang Ku Wiang Market e Tha Kha. Antigamente os mercados eram importantes para a circulação de mercadorias na cidade, no entanto, nos dias atuais existe apenas para a satisfação dos turistas.

travelbook

Ao chegar no local encontramos um enorme galpão com inúmeros stands de artesanatos e comidas. Uma dica é deixar para comprar os suvenires lá, pois os preços são mais convidativos que em qualquer outro local visitado anteriormente, de Ao Nang a Bangkok.

Tem a opção de fazer uma passeio guiado num barco singelo pelos canais do mercado (é claro que todos optam por fazer o percurso, que é pago). É uma loucura, pois são diversas embarcações – e se chocam no caminho. Os produtos vendidos nos barcos são, em geral, mais caros e um motivo óbvio é o pouco tempo para a negociação. Existem vendedores de comidas, frutas suculentas, artesanatos, etc.

Já mencionei em um post anterior que os tailandeses adoram negociar. Eles vão dar um preço e você diz quanto quer pagar. No mercado negociei até uma água de coco! E saí de lá com coisas inimagináveis, de temperos a incensos.

 
 


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