Estranhos vestígios

O jornal “Folha da Bahia” (02/11/2004) noticiou a exposição Registrosresquícios/Maio 2004, no Goethe-Institut de Salvador, e comentou sobre o estapafúrdio cartaz encontrado nas ruas da cidade (Piedade/Carlos Gomes), segue o trecho: “Você pode até ter visto pelas ruas da cidade, afixado em diversos postes um cartaz com o seguinte texto: “Compra-se um coração”, com telefone e e-mail para contato. Poderia ser real, alguém comprando órgãos, assim de maneira tão aberta? Ou simplesmente alguém querendo encontrar outro amor? A interpretação – ou não – ficou a cargo de quem leu“. E, acreditem, recebi ligações. Algumas hilárias.
Danielle Lima, “Compra-se um coração”, interferência ambiental, 2004 
O trabalho participou do 1º Salão de Maio – intervenções urbanas, Salvador, BA e da exposição Registrosresquícios, Goethe-Institut, Salvador, BA, 2004.

Compra-se coração vivo

Adoro coração, seja o ícone ou o órgão. Berço de todos os sentimentos. Kitsch. Segundo Leonilson, “Expor o coração é ato doloroso, sobretudo, em tempo de cinismo e ceticismo. O coração como órgão muscular, bombeador de sangue através de veias e artérias, centro vital das emoções e sensibilidades do sujeito, repositório de seus sentimentos mais sinceros, profundos e íntimos, e, em instância última, o local onde a desrazão e todas suas ambigüidades encontram conforto e refúgio.”
 
Danielle Lima
O vídeoarte “Compra-se coração vivo” participou do 2º Salão Internacional de Arte laisle.com e do Fraenkelstein Salon – London – Project 142, Londres, Inglaterra, 2004.

Filmes sobre arte (parte 2)

1 – Egon Schiele – Excesso e Punição, 1981 (Egon Schiele – Exzesse)
O austríaco Egon Schiele foi preso em 13 abril de 1912 acusado de sedução de menor. Diversos trabalhos foram destruídos pelo conteúdo “pornográfico”. Foi apadrinhado por Gustave Klimt. O filme mostra sua trajetória até a morte por gripe espanhola.
Nota: 7/10
2 – Downtown, 1981 (aka New York Beat)
É um documentário sobre a cena artística de Nova York no início dos anos 80, focando em um dia na vida de um jovem artista, Jean-Michel Basquiat, com 19 anos, que precisa levantar dinheiro para recuperar o apartamento do qual ele foi expulso. Apresenta o surgimento da música new wave, do neoexpressionismo, do hip-hop e do graffiti. http://www.downtown81.com
Nota: 8/10
3 – Modigliani – paixão pela vida, 2004 (Modigliani)
Andy García está impressionante na pele do pintor italiano passional Amedeo Modigliani. Expõe a rivalidade existente entre Modi e Picasso e o romance entre o artista e Jeanne Hébuterne.
Nota: 10/10
4 – Moça com brinco de pérola, 2003 (The Girl with the Pearl Earring)
Visualmente bonito. A verdade é que não há certeza sobre a legitimidade dos quadros do pintor holandês Johannes Vermeer, interpretado por Colin Firth, quais foram realmente pintados por ele. O filme tenta reconstruir (hipoteticamente) o cenário de “Moça com brinco de pérola”, com base no livro de Tracy Chevalier.
Nota: 9/10
5 – Pollock, 2000
Pollock é, sem dúvida, um dos artistas mais importantes da história da arte. Criador da “action painting”, responsável por tirar a pintura do cavalete. A cinebiografia mostra a vida conturbada de Jackson Pollock, vivido por Ed Harris, em razão do alcoolismo, com sua esposa Lee Krasner (Marcia Gay Harden levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante).
Nota: 7/10

Gray

Madonna e Basquiat no “Mudd Club”
 
Em 1979, no cenário novaiorquino, surgiu a banda “Gray“, formada por Jean-Michel Basquiat, Michael Holman, Vincent Gallo, Wayne Clifford e Nick Taylor. Tocavam no famoso “Mudd Club“, situado em Tribeca, que tinha apresentações de “new wave” e música experimental. E uma galeria curada por Keith Haring. Ouçam “Life on the streets”, no youtube:

Michael Holman http://www.michaelholman.com

Looking at Music 3.0 – Laura Levine

Looking at Music 3.0 é uma exposição em exibição no MoMA. Cerca de 70 obras de artistas e músicos estão na mostra, incluindo Beastie Boys, Kathleen Hanna e Le Tigre, Keith Haring, Christian Marclay, Parrino Steven, Run DMC. Destaco Laura Levine, que participa da coletiva. Fotografou inúmeros astros da música, entre eles: Madonna.

http://www.moma.org/embed/videos/embed/156/933

Site da Laura Levine: http://www.lauralevine.com


Filmes sobre arte (parte 1)

O cinema nos brinda, muitas vezes, com cinebiografias dos gênios das artes visuais. Alguns filmes são fidedignos à história, todavia, a importância fundamental é o registro da vida e a difusão da obra daqueles que sempre encontraram na arte a essência de suas vidas.  

“Desenhar é fazer amor com o mundo por meio dos olhos”
Leonardo da Vinci

1 – Frida, 2002 
Dirigido por Julie Taymor, com Salma Hayek no papel principal, “Frida” é um filme sobre Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, talvez uma das artistas que a biografia é essencial para a compreensão de seus trabalhos: “Pensaram que eu era surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava minha própria realidade”. Apresenta ainda dois artistas que tiveram relacionamento íntimo com a pintora, o muralista Diego Rivera e a fotógrafa Tina Modotti.
Nota: 9/10
2 – Sede de Viver, 1956 (Lust for life)
Relata a conturbada vida de Vincent Van Gogh, conhecido por nunca ter vendido um único quadro em vida. No entanto, sua genialidade, hoje, é indiscutível. Mostra a relação com seu irmão Theo e com o pintor impressionista Paul Gauguin, interpretado por Anthony Quinn (vencedor do Oscar de coadjuvante pelo filme).
Nota: 9/10
3 – Poucas Cinzas, 2008 (Little Ashes)
Apresenta o início da carreira do pintor surrealista Salvador Dalí, numa Espanha em crise no início do século XX. Foca o romance do artista com o poeta Federico García Lorca. Com Robert Pettinson.
Nota: 5/10
4 – Os amores de Picasso, 1996 (Surviving Picasso)
Anthony Hopkins encarna Picasso aos 60 anos, momento em que se apaixona por uma jovem pintora e admiradora de sua obra. No entanto, a fidelidade não era exercida pelo artista, conhecido por suas inúmeras amantes.
Nota: 7/10
5 – Agonia e Êxtase, 1965 (The Agony and the Ecstasy)
Mostra um dos períodos mais fascinantes da história da arte: o Renascimento italiano. Michelangelo, interpretado por Charlton Heston, tem uma relação conflituosa com seu protetor, o Papa Júlio II, que determina a elaboração de afrescos no teto da Capela Sistina.
Nota: 8/10

Flag – Jasper Johns

Flag. 1954–55, MoMA, NY

 

Ao tomarmos como referência o trabalho “bandeira”, entenderemos, por conseguinte, a importância dos questionamentos de Jasper Johns para a Pop e toda a história da arte.

A Pop tem entre suas principais características a utilização das imagens populares, ícones da sociedade de consumo e da cultura de massa, então, ao voltarmos nossos olhos para Johns e seus trabalhos, veremos que ele se apropriava de imagens bastante difundidas, mas que em suas obras perdiam o significado.

Como descreve Solomon “A bandeira é a espécie de imagem tão frequentemente exposta que nos tornamos cegos a ela.” A superabundância da exposição das imagens faz com elas não nos perturbem ou comova: torna-se banal.

No Trabalho de Johns ainda é muito importante a pictoriedade e a textura, e, com imagens tão corriqueiras, às quais não conferíamos nenhum significado, nossa atenção volta cada vez mais para a superfície da bandeira ou o conjunto de formas geométricas espessas, nos trazendo à tona a tensão entre a pintura e o objeto real, ele não representa uma bandeira, apresentava uma. Esse tratamento das imagens o colocou como a grande referência do movimento da Pop Art.

“After Walker Evans” por Sherrie Levine


  
Na esfera da linguagem fotográfica, um dos trabalhos de apropriação mais aclamados é o de Sherrie Levine, na série “After Walker Evans”, pois, a despeito da autoria, toma a fotografia, do legendário fotógrafo da depressão norte-americana, como sua: “O trabalho de Sherrie Levine […] observa as imagens e fala a respeito da propriedade delas, do problema de a quem elas pertencem”[i].

Arthur Danto (filósofo e crítico de arte norte-americano) expõe “é uma interpretação que a informação visível por si só não pode fornecer”, ou seja, seria uma metáfora levada ao limite, ao deixar óbvio o caráter de simulação e cópia. 

Levine trabalha aquilo que não está visível aos olhos, onde imagens se relacionam com imagens, refletindo-as, representanado-as, imitando-as. A inspiração e espontaneidade são deixadas de lado, as figuras são encaminhadas e trabalhadas para fazer uma eloquência óbvia.
A artista trabalhou com apropriações de forma a romper com os estereótipos de originalidade da obra de arte. Nos faz perceber que tudo pode ser arte, já que qualquer escolha é possível. Regras e parâmetros são desfeitos e a liberdade artísca no campo da criação fica em voga.
Torna-se evidente a era dos simulacros e simulações [ii], chegando a um ponto que a cópia é mais “original” que o “original”, ou melhor, da ideia do modelo, já que não temos um original. Ao olharmos a fotografia de Evans nos remetemos imediatamente ao trabalho de Levine.
           
           
           
[i] DANTO, Arthur. “Arte sem paradigma”, em Arte e ensaio – Revista da Pós UFRJ, nº7.
[ii] Termo cunhado por Baudrillard.

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