(Zoo) Lujan, Gran Buenos Aires, Argentina

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Um dos melhores destinos na Argentina é o Zoo de Luján. Luján é uma cidade próxima à cidade de Buenos Aires, cerca de 50 km. Fica na Gran Buenos Aires. Há dois anos tentei ir, mas de ônibus, e passei do local, por não ser sinalizado, tampouco havia pedido ao motorista para parar no zoológico. Começou a chover e fiquei febril: desisti.
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Estive na Argentina na última semana e quis visitar lugares que não tinha visto. E, apesar da frustração anterior, queria ir ao Zoo de Luján. Optei pelo táxi, a corrida saiu por R$200,00, ida e volta (o carro me aguardou por cerca de 4 horas). E o taxista, Aníbal, ainda ficou de guia e pagou refrigerante! A entrada custa R$25,00. O conversão do peso argentino está em torno de R$1,00 = 2 pesos.
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Assumidamente tenho pavor de cachorros, sim, pode ser um chiuaua. Mas nunca mencionei que tinha medo de leão, por exemplo (risos). É uma sensação indescritível poder tocar nos animais mais ferozes do planeta. 
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Os animais ficam nas jaulas, as pessoas que entram no recinto. Me perguntam se eles estão sedados, bem, o leão parecia, pois abria um olho e o fechava novamente, e o tigre, talvez. Mas os animais menores não tinham qualquer sinal de ingestão de sedativos. 
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Só tive medo do urso, pois o Aníbal comentou que, em Mar del Plata, tinha um zoo no estilo safári, que as pessoas entravam de carro e os animais ficavam soltos, mas um urso acabou matando duas pessoas e o zoológico foi fechado. E sempre que ocorre algum incidente é com um urso. No ambiente do urso podia dar doce de batata para eles com a mão ou com a boca. E quem teve coragem de alimentá-los com a boca? 
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No zoológico encontramos leõs, tigres, iguanas, dromedários, cavalos, araras, elefantes, ursos e outros…

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É um lugar amplo e agradável, com churrasqueiras, para aqueles que resolvem passar o dia, também tem um acervo da 2º Guerra Mundial, bem como veículos antigos.

Bem, se tiver a oportunidade, visite o Zoo Luján, tenho certeza que será uma experiência incrível e inesquecível!

Destino

Em 1945 Salvador Dalí e Walt Disney iniciaram um projeto de animação juntos, contudo, foi concluído apenas em 2003. Indicado ao Oscar de “Best Animation Short Film”.

O curta (que está completo no youtube) de seis minutos narra a história entre Cronos (Deus grego do tempo) e um amor malfadado por uma mulher mortal. O cenário surreal é inspirado nas pinturas de Dalí.
“Destino” na wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Destino

O meu top 10 assistido em 2010

 Cisne Negro (Black Swan) 
“I just want to be perfect”

Temple Grandin (TV)
“Nature is cruel, but we don’t have to be”.
Exit Through the Gift Shop
“I used to encourage everyone I knew to make art; I don’t do that so much anymore”

Minhas mães e meu pai (The kids are all right)
Tudo pode dar certo (Whatever Works)
“See, I’m the only one who sees the whole picture. That’s what they mean by genius” 

Onde vivem os monstros (Where the wild things are)
 “Do you have a favourite colour? Hey, can I be your favourite colour?”
A rede social (The social network)

“I don’t want friends”.

 
Mother – a busca pela verdade (Madeo)

Um doce olhar (bal)

“Dreams are not told aloud”.



O pequeno Nicolau (Le petit Nicolas)





Roland Barthes artista amador

Roland Barthes artista amador
Sem título, 1974.
Tem um texto do Roland Barthes que acho ótimo, sobre o “artista amador”, nome da sua exposição no CCBB, que aconteceu em 1995. Para além da produção literária, o francês também se arriscou no campo das artes visuais com seus desenhos, rabiscos, grafismos.
Sem título, 1976.
 “O amador não é obrigatoriamente definido por um saber menor ou uma técnica imperfeita […], mas, sim, por isto: ele é o que não mostra, o que não se faz ouvir. Eis o sentido da ocultação: o amador procura produzir apenas o seu próprio gozo (mas nada proíbe que este, sem que ele o saiba, venha a ser nosso por acréscimo), e esse gozo não é desviado para histeria alguma. Para lá do amador, acaba o gozo puro (distanciado de toda neurose) e começa o imaginário, isto é, o artista: o artista goza, sem dúvida, mas, a partir do momento em que ele se mostra e se faz ouvir e a partir do momento em que tem um público, o seu gozo deve compor com uma imago, que é o discurso que o Outro mantém sobre o que ele faz.”
Roland Barthes
 
Sem título, 1975.
“A pintura de Roland Barthes é uma escritura ilegível, um anti-querer-dizer. Ela não quer dizer nada […] Pois ela quer, e quer de uma maneira muito forte, já que brota do desejo. E antes de tudo ela quis ser, e é. É até mesmo esta excelente surpresa: a inteligência é bela, quando é nua.”

Renaud Camus

Wassily Kandinsky

Estudo para composição II, 1910, The Solomon R. Guggenheim Museum
 
“Uma obra de arte é constituída por dois elementos: o interior e o exterior. O elemento interior, quando tomado individualmente, representa a emoção da alma do artista. Na verdade, esta emoção é capaz de suscitar na alma do espectador uma emoção correspondente. Enquanto a alma estiver ligada ao corpo, este apenas poderá, regra geral, receber vibrações por intermédio dos sentimentos. O sentimento constitui, portanto, uma ponte que conduz do imaterial para o material (artista) e do material para o imaterial (espectador). Emoção – sentimento – obra – sentimento – emoção.”
Wassily Kandinsky

P.S.: O Guggenheim Museum, NY, tem dezenas de Kandinskys.

O carteiro e o poeta


O carteiro e o poeta (Il postino), 1994, pertence à categoria rara de filmes que você lembrará por semanas, meses, anos… Com uma fotografia linda e uma trilha sonora belíssima, narra a história da amizade de um carteiro com o poeta chileno Pablo Neruda durante o exílio na Itália. A versão original do roteiro (e livro) relata fatos ocorridos em Isla Negra, uma das três casas do poeta, que fica no litoral do Chile. Levou o Oscar de melhor trilha. Ofereço recortes:
Isla Negra, Chile.
Citações:
“When you explain poetry, it becomes banal. Better than any explanation is the experience of feelings that poetry can reveal to a nature open enough to understand it.”
“Poetry doesn’t belong to those who write it; it belongs to those who need it.”
Poema:

If you forget me é um poema de Neruda lido por Madonna para a trilha do filme:



If You Forget Me

I want you to know
one thing.
You know how this is:
if I look
at the crystal moon, at the red branch
of the slow autumn at my window,
if I touch
near the fire
the impalpable ash
or the wrinkled body of the log,
everything carries me to you,
as if everything that exists,
aromas, light, metals,
were little boats
that sail
toward those isles of yours that wait for me.
Well, now,
if little by little you stop loving me
I shall stop loving you little by little.
If suddenly
you forget me
do not look for me,
for I shall already have forgotten you.
If you think it long and mad,
the wind of banners
that passes through my life,
and you decide
to leave me at the shore
of the heart where I have roots,
remember
that on that day,
at that hour,
I shall lift my arms
and my roots will set off
to seek another land.
But
if each day,
each hour,
you feel that you are destined for me
with implacable sweetness,
if each day a flower
climbs up to your lips to seek me,
ah my love, ah my own,
in me all that fire is repeated,
in me nothing is extinguished or forgotten,
my love feeds on your love, beloved,
and as long as you live it will be in your arms
without leaving mine.

Pablo Neruda

Livro:

“O carteiro e o poeta” foi escrito em 1985 por Antonio Skármeta.

“É que se fosse poeta poderia dizer o que quero.
– E o que é que queres dizer?
– Bem, esse é justamente o problema. Como não sou
poeta, não sei dizê-lo.”

Túmulo de Neruda, Isla Negra, Chile.

Um lugar imperdível na Argentina: Tigre

 Rio Tigre, foto do celular.

 O Tren de la costa faz conexão com a estação de trem Mitre e leva a pessoa pela costa do rio até o município de Tigre. Tomei um táxi e pedi que levasse a Mitre, no entanto, o taxista me deixou na estação Retiro. O trem normal também faz o caminho até Tigre, mas não pela costa, então, com algum receio de entrar no trem, tomei outro táxi até Mitre. Para surpresa, faziam greve de 2 dias. O que fiz? Peguei o trem normal e fiquei feliz porque é melhor que o metrô, com espaço e ventilação. O trem elétrico começou ligar Buenos Aires à cidade  de Tigre em 1916, acentuando o progresso turístico e a popularidade de suas ilhas.
Rio Tigre, foto do celular.
Tigre é a praia deles. Uma cidade bonita cortada pelo “rio tigre”, um dos afluentes do “rio de la plata”. Encontramos uma grande estação pluvial, com barcos que levam até as inúmeras ilhas. As ilhas oferecem camping, muitas casas particulares e alguns hotéis. Para os turistas, catamarãs. Com 30 pesos é realizado um ótimo passeio de 1 hora. Muitas pessoas ficam no centro da cidade, apenas descansando debaixo de árvores e fazendo um piquenique.
Rio Tigre, foto do celular.

Às margens do rio tigre tem o Parque de la costa, e, como adoro uma montanha-russa, tive que visitá-lo. Custa 48 pesos. O parque fecha às 20h, no verão. 

        
Obs.: A visita foi realizada em janeiro de 2009.

Roy Lichtenstein

“Drowning girl”, 1963, MoMA.

“Alguém pode olhar intensamente para o meu trabalho e pensar que não é satírico, julgo eu, ou que não faz qualquer comentário […]. Não estou absolutamente seguro da mensagem social que a minha arte contém, se é que contém alguma. Na verdade não me preocupo com isso. Não me interessa um tema para com ele tentar ensinar alguma coisa à sociedade ou para tentar, de alguma forma, melhorar o mundo.”

Roy Lichtenstein

A Oficina Brennand

Um dos lugares mais incríveis na cidade de Recife é, sem dúvida, a Oficina Brennand. Fica localizada na Várzea, na antiga fábrica de cerâmica da famíla Brennand  – ter uma casa decorada com as cerâmicas Brennand é sinal de bom gosto.

Leo e Carlinhos (meus amigos) me levaram para um prazeroso passeio que recomendo e garanto que será inesquecível se você aprecia arte. Pela dimensão do lugar, para chegar, é preciso ir de táxi ou de carro. Fica próximo à UFPE.
“Os comediantes” dão boas-vindas aos visitantes

Francisco Brennand nasceu na capital de Pernambuco em 1927 e tem uma produção intensa e numerosa, para não dizer alucinada. Seus trabalhos são encontrados também no Recife Antigo (os “falos” de Brennand).
São 11 ambientes com esculturas, desenhos, pinturas do artista pernambucano, que não sei verificar a qualidade de suas obras, mas, decerto, causam impacto.
O ambiente é mágico e as esculturas nos convidam ao toque, com figuras insólitas e inimagináveis. Como resistir ao convite tátil? 

A Escultura de Brennand

Até há alguns anos, não se tinha plena consciência da importância da obra de Brennand. Talvez por ser feita de barro queimado e no Nordeste, muitos a viam como nacionalista, se não regionalista. Ainda que com todo o respeito, ele era chamado de ceramista, não de escultor.

Mas não são as técnicas que definem a natureza e qualidade de uma obra. O que faz Brennand – está hoje bem claro – é escultura, com todas exigências desta. É uma obra variada que reflete a vasta cultura e os vastos interesses do autor. Basta olhar com atenção para os títulos das peças para perceber que ele fala da história do homem, de sua trajetória no planeta (sobretudo seus sofrimentos e tragédias), e do sexo como força motriz. A rigor, é incorreto dizer que a obra de Brennand seja erótica: erótico é o que induz à excitação e ao prazer. Aqui há uma sexualidade sem pudores, que tem ao mesmo tempo algo de primitivo, de cruel e inevitável.


Olívio Tavares de Araújo

Basquiat: traços de uma vida

Basquiat: traços de uma vida é o primeiro filme do artista plástico Julian Schnabel, contemporâneo de Jean-Michel Basquiat. Em algumas entrevistas, concedidas à imprensa no lançamento do filme, Schnabel disse que gostaria de mostrar a herança cultural deixada por Jean, e não falar de um artista-negro-usuário-de-heroína. Todavia, o filme evidencia com mais vigor a relação do artista com o sistema de arte e suas estratégias, tornando menos relevantes os questionamentos sobre sua obra.
            O elenco do filme é repleto de astros e estrelas (hollywoodianas), tais como: David Bowie, Courtney Love, Benicio del Toro, Gary Oldman, William Defoe, Dennis Hopper, Claire Forlani e Tatum O’neal.
            Schnabel disse que procurou um artista desconhecido para interpretar Jean-Michel, pois seria importante que o público acreditasse ser o próprio artista. Jeffrey Wright parece ter conseguido o esperado pelo diretor, declarando que a escolha foi “um momento mágico”. A semelhança entre o ator e o Basquiat é realmente enorme, e a partir daí a cinebiografia consegue aproximar o espectador do Jean real. O laboratório do ator incluiu aulas de pintura — para que ele compreendesse o processo de criação —, estudo dos movimentos, dos gestos e do timbre de voz.
            Embora a narrativa pareça um tanto glamorosa, Schnabel, como artista plástico, observou de muito perto a carreira de Basquiat, e ambos tinham os mesmos amigos e agentes. No filme, Schnabel cria o personagem Albert Milo, vivido por Gary Oldman, que o representou.
            Enquanto aparecem os créditos com os nomes dos atores, no início do filme, são mostrados o menino Jean e sua mãe Matilde, quando ele tinha aproximadamente seis anos, diante da grande obra de Pablo Picasso “Guernica”, no MoMA — seu contato com a arte nasceu desde muito cedo. A coroa é destacada, que em forma de animação aparece na cabeça de Jean-Michel — a coroa será um símbolo constante em toda sua trajetória artística.
            Então o filme inicia com Rene Ricard — crítico de arte da revista Artforum, que escreveu o primeiro artigo sobre Basquiat — sentado em um banco, em 1979, onde ele diz: “Ninguém quer ser de uma geração que ignore outro Van Gogh.” Sobre essa questão, haverá inúmeras críticas sobre a crítica de arte — de que os críticos passaram a não emitir suas opiniões, aceitando tudo, por medo de serem injustos com um gênio.
            O filme narra a história do grafiteiro, sem-teto, ávido por sucesso, que conseguiu chegar ao topo, porém, não evidencia a qualidade de sua obra, deixando mais claro a trama de interesses do mercado, que culminou no sucesso de Basquiat, e que também participou no seu declínio.
            Sobre o filme, Affonso Romano de Sant’anna destacou: “…aquele Basquiat, que saiu da sarjeta para o ciclo de amigos de Andy Warhol, numa grande operação de marketing mostrada no filme ‘Basquiat’ – que deve ser visto para se entender as relações entre ‘arte contemporânea’ e marketing.” Talvez a crítica possa ser compreendida: em muitos artigos é colocado que Jean-Michel reunia o que o mercado precisava naquele momento, como Robert Hugues mencionou, ele era a criança selvagem, um primitivo urbano, que foi, na verdade, utilizado por um mercado de arte que tem obsessão por novidades. E o filme deixa evidente a grande articulação do sistema de arte, envolvendo galeristas, colecionadores, críticos, e mesmo de artistas — Andy Warhol é apresentado como o melhor amigo de Basquiat, e muitos afirmam que ele o manteve no auge por algum tempo, porém existem controvérsias a respeito.
            Schnabel afirma que tudo mostrado no filme realmente aconteceu, ele diz ter sido testemunha ocular de 90% daqueles eventos — o que constrói a imagem de um artista interessado em fama, e não muito em arte. E essa abordagem pode ser delimitadora e excludente: é necessário observar as obras para emitir qualquer parecer sobre Jean-Michel. Para um espectador sem conhecimento prévio de seus trabalhos provavelmente ficará a imagem de um artista construído, como uma figura interessante, todavia, com uma obra irrelevante. O que ocorre, por muitas vezes, é que sua vida ofusca sua obra. Então, para que haja discernimento, é necessário analisar a vida conjuntamente com a obra — que consegue, no mínimo, agenciar inúmeras qualidades plásticas.
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