Camila Cabello
Decidi que era hora de conhecer Cuba e previamente sabia do interesse de um amigo em visitar o país de Fidel. Perguntei se gostaria de viajar e topou imediatamente, contudo, ele tinha sérias restrições no meu período de férias, pois faria uma prova naquele mês de novembro. Teríamos apenas uma semana, então só poderia experimentar Havana e Varadero, embora tivesse excelentes recomendações sobre Trinidad, Cienfuegos, Cayos, etc.
Assim que tomei banho fui na sacada para ver a rua e uma criança que morava em frente mandou beijos. A senhora que o segurava gritou que ele amava as loiras! O dia estava cinzento pela manhã, chovia bastante. Peguei meu guarda-chuva, Guilherme pegou o que tinha no quarto para os hóspedes e saímos para explorar a cidade.
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| O vizinho fofo |
Instalei previamente o melhor app de localização offline, o MAPS.ME, baixei o mapa de Cuba, mas antes de sair do hostal o GPS simplesmente não conseguia me localizar. Então saímos com o roteiro que tinha feito, mas sem mapa. Seguimos flanando pelas ruas de Havana.
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| O cocotáxi, um dos meios de transporte da cidade
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Registro que o acesso à internet em Cuba é bem precário. É preciso comprar um cartão da ETECSA (La empresa de Telecomunicaciones de Cuba) e encontrar um hotspot com wi-fi, seja nas ruas (aqui tem uma lista com os endereços dos espaços públicos) ou no hall dos hotéis. O preço sugerido e de 1 CUC pelo cartão de 1 hora e 5 CUCs pelo de 5 horas.
Caminhamos até o Capitólio Nacional, prédio que foi a a sede do governo de Cuba até a Revolução cubana. A arquitetura tem como inspiração o prédio do Capitólio de Washington, nos EUA. Seguimos pela avenida “Paseo Martí” e cada carro antigo que passava fazia com que suspirássemos, pois era nosso primeiro contato com o “cartão postal” de Havana.
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| Lanchonete |
Atrás do Capitólio, na rua Industria, fica a charutaria “Fabrica de tabacos Partagás“, que é uma das mais antigas fábricas de charuto, no entanto, foi deslocada para outra localidade. Atualmente existem mais de 500 pessoas produzindo as marcas mais famosas, seja Cohíba ou Montecristo. A empresa foi fundada em 1845 pelo espanhol Jaime Partagás. No local agora funciona um museu, que cobra 10 CUCs pela vista guiada. Entramos apenas no salão de vendas, que estava lotado de turistas.
No retorno, passamos na porta do Gran Teatro de la Habana, que oferece visitas guiadas, mas não entramos. Depois caminhamos por todo o Paseo del Prado (também conhecido como Paseo de Martí), que começa no Capitólio e vai até o Malecón. A rua serve como divisão entre Habana Vieja e Centro Habana. O ambiente é agradável por ser arborizado e naquele momento fazia um calor terrível. A construção iniciou em 1772, logo após se tornou muito popular com a burguesia da cidade. Edifícios importantes foram erguidos em ambos os lados. No início do século 20 se tornou o local mais procurado pelas famílias bem-sucedidas para construir suas residências. No final de 1920, o paisagista francês Jean Claude Nicolas Forestier colocou leões de bronze, bancos de mármore e lâmpadas no local.
No retorno, na rua San Juan de Díos, vimos um “supermercado” (Ideal Mercados) e decidimos entrar para conhecer a realidade dos cubanos. Naquele momento tive um choque, pois sabemos sobre o embargo dos EUA a Cuba, mas me deparar com a escassez de produtos foi muito impactante. Não existe mercado como nos outros países, que você entra e escolhe os produtos e as marcas que prefere. Encontrei um balcão e a vendedora vai embalando o que é pedido. Não tem opção. Tem um tipo de açúcar, de feijão, de arroz, etc. Existe uma caderneta, pois os produtos são limitados e cada um só pode adquirir uma quantidade específica de alimentos.
Ainda não era meio-dia e seguimos para conhecer “La Floridita“, bar que ficou famoso porque Ernest Heminway visitava o local para beber seu daiquiri. Conseguimos um lugar no bar, embora o ambiente estivesse cheio de turistas. Pegamos o menu e optamos pelo daiquiri clássico, com açúcar, gelo, suco de limão, Marrasquino (licor de cereja) e rum. O preço é salgado: 6 CUCs. Serviram chips de banana junto com a bebida, além de ter música ao vivo.
Na saída, passamos pelo Patio de los artesanos, que é uma feira de artesanato que vende suvenires de Cuba.
Seguimos pela rua mais famosa de Havana, Obispo, que está sempre cheia e movimentada. Ali encontramos cadeca (casa de câmbio), lanchonetes que vendem com CUP (moeda nacional), farmácias, livrarias, etc.
Na mesma rua, esquina com Aguiar, encontramos a linda Drogueria Johnson, que foi aberta em 1914. Anteriormente as farmácias eram conhecidas como “boticas” e chamavam atenção por suas elegantes instalações.
Voltamos ao hostal para decidirmos onde almoçar, pois já estávamos cambaleando de fome. Fiz uma lista com lugares próximos com bom custo-benefício. Finalmente o gps me encontrou e o app Maps.me funcionou, pois até aquele momento caminhamos sem qualquer mapa. Logo na rua seguinte tinha o restaurante “VanVan“, muito bem avaliado no Tripadvisor (3º lugar). Fomos recebidos por uma simpática garçonete, que carinhosamente apelidamos de “Penélope”, pois parecia a Penélope Cruz. Pedi “Pollo curry arroz ensalada” por 6 Cucs e um mojito por 2,50 Cucs. O restaurante é maravilhoso, tanto que voltamos naquele dia e no dia seguinte.
Com a energia renovada, seguimos até la Plaza de la Catedral, onde fica a Catedral de Havana. Naquele dia não visitamos a igreja, pois estava acontecendo um evento escolar na praça e ficamos de expectadores, aplaudindo as apresentações.
Em razão da proximidade, entramos na “Casa del Marqués des Arcos“, que é considerada um dos expoentes da arquitetura residencial em Cuba. A construção data de 1741. Já funcionou como Correio e Liceu Artístico e Literário. Atualmente abriga a Oficina Gráfica Experimental de Havana, onde artistas (principalmente cubanos) fazem serigrafias, gravuras e litografias. Não pagamos ingresso para visitar a casa, mas os funcionários que mostram os objetos pedem uma contribuição.
Visitamos ainda a rua Brasil (também conhecida como Teniente Rey), logo após, entramos na Basílica de São Francisco de Assis, construída em 1716, que é símbolo da presença da ordem franciscana em Havana. É uma reconstrução, pois a original, erguida em 1951, foi destruída por um furação. Após o domínio inglês, a basílica passou a servir aos anglicanos, nos anos seguintes a Igreja Católica deixou de utilizar a igreja como local de culto. Em 1907 o governou comprou a igreja e a transformou em armazém. Hoje é uma das melhores casas de concertos, em razão da excelente acústica.
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| Olha quem estava na rua Obispo |
Na rua Obispo, no retorno para o hostel, nos deparamos com um grupo circense que animava os pedestres.
Anoiteceu, antes de irmos jantar, resolvemos passar na boate lgbt que ficava numa rua próxima (Fashion Bar Habana), e, segundo relatos de um site cubano, tinha show de drags (que amo!). Passamos no local umas três vezes e não vimos nada que pudesse ser uma boate. Meu amigo foi até uma moradora local se informar. Ela nos respondeu “Ah, o prédio foi comprado por um coreano. Dividiu em vários apartamentos para alugar”.
Novamente voltamos ao restaurante “Van Van“, pois meu amigo queria jantar, eu apenas pedi uns croquetes de vegetais e bebi um daiquiri. Guilherme logo fez amizade com as alemãs da mesa ao lado, perguntando se não queriam ir conosco em uma boate, que também encontramos na internet, mas disseram que estavam cansadas. Perguntamos ao “bicicletáxi” quanto seria a corrida até o inferninho. O cara queria 10 Cucs, depois desceu pra 7 Cucs, mas nos informaram que o valor correto seria 2, então decidimos caminhar, não chegava a 2 km. Andamos nas ruas praticamente sem iluminação pública, mas não sentimos medo. Chegando lá, cadê o tal “Escaleras al cielo”? Não existia! Alguns homens vieram oferecer o ingresso para o show que funciona no prédio, o famoso “Buena Vista Social Club”. No retorno, um motorista de táxi nos parou, falou que era um grande atleta de baseball, além de ter vindo nas Olimpíadas do Rio de Janeiro como convidado. Disse que treina em dias alternados e quando está livre trabalha como taxista. Mostrou as fotos no celular!









































































































