Matisse

“É preciso um grande amor, capaz de inspirar e sustentar esse esforço
 contínuo em busca da verdade (…). Mas o amor não está na origem de toda criação?”
Matisse é um artista que me emociona com o seu colorismo expressivo. Seus traços simples e delicados falam mais que mil palavras. Sou assumidamente apaixonada pela cor, embora contemple a relação entre o preto e o branco, a cor sempre vai me cooptar.

Ano passado tive a oportunidade de ver uma retrospectiva do artista – com inúmeros trabalhos – no Centre Pompidou (lugar que me causou algo parecido com a Síndrome de Stendhal, porque fui duas vezes e, em ambas, tive náuseas e uma sensação de desmaio muito estranha, inédita na minha vida).
Anteontem iniciei a leitura do livro editado pela Cosacnaify “Matisse, escritos e reflexões sobre arte” e, embora conhecesse a obra do artista, desconhecia fatos curiosos sobre sua biografia. Matisse se formou em Direito (“Eu era auxiliar de advogado em Saint-Quentin, mas já naquela época as querelas dos outros me interessavam muito menos que a pintura”) – profissão que engessa um espírito criativo (digo com propriedade) -, mas optou pela liberdade de expressão: largou tudo pela arte.
Outro fato interessante é que refutava – a qualquer preço – o diálogo entre a pintura e a literatura.  Pactuo com Matisse a respeito, o artista não tem qualquer obrigação de falar sobre a obra, por outro lado, aquele que consegue alcança outro nível, de artista-crítico – capaz de refletir sobre a sua produção e a de seus pares.
Deixo abaixo excertos que me tocaram:
Por que o Sr. pinta? Para traduzir minhas emoções, meus sentimentos íntimos em termos de cor e forma, o que nem a máquina fotográfica mais avançada, mesmo em cores, nem o cinema conseguem fazer.”
“Ordenar o caos: isso é  criação.”
“O que faço agora sai do coração.” 

“O retrato é uma das artes mais singulares. Ela requer determinados dons e uma possibilidade de identificação quase completa entre o pintor e seu modelo.”

“Suas certezas são interiores. Elas derivam de sua sinceridade, e as dúvidas que o angustiarem serão motivo de sua curiosidade.”
“Hoje não penso exatamente o mesmo que pensava ontem. Ou melhor, a essência do meu pensamento não mudou, mas pensamento evoluiu.”

“O que busco acima de tudo é expressão.”
“Há duas maneiras de exprimir as coisas: uma é mostrá-las brutalmente, a outra é evocá-las com arte.”
“A tendência dominante da cor deve ser a de servir o melhor possível à expressão.”
“A escolha de minhas cores não se apóia em nenhuma teoria científica: está baseada na observação, no sentimento.”
“O que mais me interessa não é nem a natureza-morta nem a paisagem, é a figura.”
“Não existe vinculação da pintura à literatura.”
 “Nunca omita a orelha ao desenhar a cabeça” – cita Ingres

“Senti desenvolver em mim a paixão pela cor.”

“O silêncio e o isolamento são tão úteis.”

“Já o artista ou o poeta possuem uma luz interior que transforma os objetos para criar um mundo novo, sensível, organizado…”

“Criar é próprio do artista”

“Para um verdadeiro pintor não há nada mais difícil que pintar uma rosa, pois para isso ele precisa em primeiro lugar esquecer todas as rosas pintadas.”

“Criar é exprimir o que está dentro de nós.”

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